Sócrates conseguiu que um dos dois grandes partidos portugueses, que rotativamente lidera o Governo do país, escolhesse oficialmente para candidatos ao mais alto cargo da política nacional, em 2006 e em 2011, dois nomes que não atingiram, sequer, o limiar mínimo dos 20% de votantes: Mário Soares quedou-se pelos 14,3%, Manuel Alegre caiu agora nos 19,8%. Nenhum deles alcançou, mesmo, a modesta fasquia do milhão de votos.
Qualquer uma destas penosas e mal-aventuradas candidaturas resultou da escolha pessoal e da imposição ao partido de Sócrates. E não deixa, por isso, de ser extraordinário ler e ouvir alguns comentários e análises que excluem caridosamente o líder do PS do grupo dos derrotados nestas presidenciais arrasadoras para os socialistas. E que até lhe gabam a arte da desresponsabilização e de ter sido capaz de isolar a ala mais à esquerda e mais radical do partido.
A verdade é que nunca o PS desceu tão baixo eleitoralmente como nas presidenciais de 2006 e de 2011, para as quais foi conduzido pela batuta e pela estratégia de Sócrates. Com resultados desastrosos e uma elevada factura política a pagar.
Acrescente-se, ainda, que nos seus seis anos de liderança Sócrates cometeu a proeza de levar o PS a perder 5 das 7 eleições em que participou. Um recorde difícil de igualar.
Depois da maioria absoluta com que se estreou em Fevereiro de 2005, Sócrates voltou a vencer as legislativas em Setembro de 2009, então já com uma maioria relativa de 36,6% e menos 24 deputados. Pelo meio, perdeu duas eleições autárquicas, colocando o PS atrás do PSD em número de presidências de Câmara, e conduziu o partido ao desastre das eleições europeias, numa lista encabeçada por Vital Moreira, que fez cair o PS abaixo dos 30% (26,5%), perdendo 18% da votação anterior e 3 eurodeputados. A esta folha de fracassos somam-se, por fim, os estrondosos fiascos destas duas eleições presidenciais.
Ainda está, pois, por nascer quem seja capaz de apresentar idêntico cadastro eleitoral.
jal@sol.pt
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