Em profunda crise, financeira e de valores, mais de metade dos cidadãos alheou-se da eleição do seu Presidente da República. Abstiveram-se da escolha do detentor do mais decisivo poder constitucional: a dissolução da Assembleia da República.
Se, à mais elevada abstenção de sempre em presidenciais, somarmos os votos em Fernando Nobre, em branco e no folclórico Coelho, fica o eco de mais um grito de alerta sobre a saúde da III República.
Contas feitas aos que expressaram a sua vontade, Cavaco chega ao segundo mandato com uma legitimidade reforçada pela vitória esmagadora sobre o candidato do PS e BE.
Alegre comportou-se como um dono de coutada. Julgou poder somar, ao seu milhão de votos de há cinco anos, os que voariam em ordenados bandos partidários. Mas, perante a esquizofrenia da aliança Sócrates-Louçã, os votos escolheram outras paragens mais livres do arame farpado – Nobre –, e com mais sentido de Estado – Cavaco –.
No discurso de vitória, o Presidente deixou claro que, embora amante da estabilidade, tem a força que lhe vem do povo. Lembrou "todos" os seus poderes constitucionais. Neste segundo mandato, é de Cavaco a mão que embala a bomba utilizada por Sampaio.
Após esta derrota, Sócrates avançará em breve com uma remodelação governamental. E Cavaco ali estará, com ar distante, a avaliar o regular funcionamento das instituições.
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