No sector público, a quebra de emprego este ano será maior, o que significa que, dos 50 mil postos de trabalhos que poderão desaparecer, um pouco mais de 10 mil poderão ser funcionários públicos.
De acordo com o BdP, o emprego continuará a contribuir negativamente para o crescimento do PIB este ano e em 2012.
Banco de Portugal prevê recessão de 1,3% este ano
Este ano, a economia portuguesa deverá contrair-se 1,3 por cento, devido ao impacto das medidas de austeridade sobre o consumo e o investimento. A previsão é do Banco de Portugal e vem contrariar o optimismo do Governo, que aponta para um crescimento de 0,2 por cento em 2011.
Rendimento das famílias recua 2,4% este ano
No Boletim de Inverno, hoje divulgado, o Banco de Portugal (BdP) aponta para uma quebra de 2,4 por cento no rendimento disponível real das famílias, a que seguirá um aumento de 1,4 por cento em 2012.
De acordo com o banco central, o corte salarial na função público e o aumento dos impostos (nomeadamente do IVA) vão atingir o rendimento disponível das famílias. A isso junta-se a “prevalência de condições mais restritivas de acesso ao crédito” e as dificuldades no mercado de trabalho. A quebra de rendimentos terá como contrapartida a redução do consumo privado, que vai a empurrar Portugal para uma nova recessão.
IVA contribui em mais de 1% para subida dos preços
O Banco de Portugal prevê que a inflação aumente para 2,7 por cento este ano, uma subida que será empurrada sobretudo pela subida do IVA para a taxa de 23 por cento.
Sócrates diz que Portugal não vai pedir ajuda externa porque “não precisa”
O Governo português não vai pedir ajuda financeira porque “não é necessário”, disse José Sócrates, acrescentando que o país vai continuar a fazer o seu trabalho de consolidação orçamental.
Esta declaração foi feita após o anúncio de alguns dados preliminares da execução orçamental de 2010 do subsector Estado e da Segurança Social, em que foi obtida “uma folga orçamental de cerca de 800 milhões de euros, ou 0,5 por cento do PIB”, em relação ao que estava previsto no Orçamento do Estado para 2010.
Com base nestes números, o primeiro-ministro disse que o défice do Estado de 2010 ficará “claramente abaixo” da meta de 7,3 por cento.
O apuramento preliminar da despesa total do subsector Estado subiu apenas 1,7 por cento, quando no OE 2010 estava previsto que aumentasse 2,5 por cento; por seu lado, as receitas terão aumentado 5,3 por cento, face a 4,5 por cento previstos.
No caso da Segurança Social, previa-se no Orçamento um excedente de 605 milhões de euros no exercício, mas ficará acima de 720 milhões, disse ainda José Sócrates.
“Nestas três dimensões a comparação entre o resultado e o que era a previsão dá uma folga orçamental de cerca de 800 milhões de euros, ou 0,5 por cento do PIB”, explicou, salvaguardando que o apuramento final ainda não está feito. No entanto, esta folga é na óptica da contabilidade pública, que não é a utilizada pelo Eurostat para calcular os défices públicos. O valor final, na óptica da contabilidade nacional, será apurado pelo INE e reportado ao Eurostat em Março, explicou ainda.
Após apresentar estes números, o primeiro-ministro disse que “o país está a fazer o seu trabalho e está a fazê-lo bem”, sublinhando que Portugal “foi um dos países europeus que mais reduziu o seu défice em 2010”. Sócrates disse que dez país prevêem que no ano passado o seu défice aumente face a 2009 , dez prevêem uma redução de menos de um ponto, e Portugal é um dos poucos que reduz mais de dois pontos.
Foi na sequência desta apresentação que o primeiro-ministro afirmou peremptoriamente que “o Governo português não vai pedir ajuda financeira porque não é necessário”, dizendo que o” país vai continuar a fazer o seu trabalho” de consolidação de contas iniciado no ano passado. Disse ainda que os “rumores e especulações” e não ajudam o país.
Nos últimos dias, Portugal tem sido objecto de intenso noticiário da imprensa internacional, sobretudo económica mas não só, devido à subida dos juros da sua dívida pública nos mercados secundários e ao risco, dado como muito elevado, de o país vir a necessitar a curto prazo de ajuda financeira externa da União Europeia e do FMI.
“É mais fácil” se recorrermos à ajuda externa, diz administradora do BdP
“O recurso ao Fundo Monetário Internacional (FMI) não é inevitável, se criarmos um programa e mostrarmos capacidade de o executar sozinhos. Mas é mais fácil se tivermos apoio externo, desde logo porque isso evita que o ajustamento seja tão abrupto”, disse hoje Teodora Cardoso, no final da 1ª Conferência da Central de Balanços do Banco de Portugal.
A economista considera que, para que os mercados acreditassem em Portugal e baixassem os custos a que o Estado se financia, o ajustamento teria de ser “brutal”. “Se for feito com o apoio externo, pode ser menos abrupto”, considera a administradora do BdP, salientando ainda que uma instituição internacional, como o FMI, iria dar credibilidade a esse plano de ajustamento orçamental.
Teodora Cardoso destaca, contudo, que o apoio internacional a Portugal não tem de vir do FMI, podendo ser “estritamente europeu”, no âmbito da União Europeia e do Banco Central Europeu. E salienta ainda que o Governo português, se recorrer à ajuda externa, terá de saber negociar bem as condições de um empréstimo.
“As taxas de juro dos empréstimos à Grécia e à Irlanda foram muito altas”, considera Teodora Cardoso, defendendo que “não podemos simplesmente aceitar as mesmas condições, porque não estamos na mesma situação” que aqueles países. “Apesar dos nossos problemas de endividamento externo e de estarmos na situação em que estamos perante os mercados, não temos os mesmos problemas da banca que tem a Irlanda nem termos os problemas de orçamento que tem a Grécia”.
Balança comercial vai registar excedente pela primeira vez em 15 anos
No seu Boletim de Inverno, hoje divulgado, o Banco de Portugal (BdP) prevê que o saldo comercial com o exterior passe de um défice de 3,2 por cento em 2010 para um ligeiro excedente de 0,8 por cento em 2012, se excluirmos os bens energéticos.Incluindo, contudo, esse tipo de bens, a balança comercial portuguesa conseguirá reduzir o défice este ano e no próximo (de 6,4 por cento em 2010 para 3,9 por cento em 2011 e 2,9 em 2012), mas manter-se-á no vermelho.
O banco central destaca ainda o aumento contínuo do défice da balança de rendimentos, devido à “progressiva deterioração da posição de investimento internacional” e dos “elevados prémios de risco da dívida soberana para Portugal”.
A previsão do BdP aponta para um aumento do défice da balança de rendimentos de 4,5 por cento do PIB em 2010 para 5,4 por cento em 2011 e 6,3 por cento em 2012.
Fonte: aqui
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