São inconfessáveis os desígnios que, por vezes, se atravessam no espírito de algumas pessoas.
Numa altura em que a ordem é poupar e a tendência parece ser cortar até naquilo que faz falta, causa viva impressão a resistência a que se prescinda de certas fontes de despesa.
É natural que Portugal tenha um serviço público de televisão. Mas serviço público de televisão não implica que tenha de haver uma televisão propriedade do Estado. Serviço público não é necessariamente o mesmo que propriedade estatal.
Os canais privados podem perfeitamente cumprir o serviço público. Acresce que a programação da televisão pública não difere na substância da programação dos canais privados. Os seus gastos são maiores e a sua qualidade não é melhor.
Foi em nome da contenção de custos que, em tempos, se reduziu o apoio à imprensa regional. Será que o argumento não vale para agora? E, como se isso não bastasse, ainda há quem condene o fim da taxa de televisão!
Invocar o exemplo de países como a França, a Alemanha ou a Inglaterra não convence. A nossa situação é, infelizmente, muito mais grave.
É por tudo isto que nunca percebi muito bem a razão por que alguns não querem que se entregue a gestão de um canal televisivo aos cidadãos do nosso país.
Porquê desconfiar da sociedade civil? Receio da autonomia ou vontade de manter o controlo?
Não é um julgamento. É tão-somente uma inquietação.
Fonte: aqui
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