Provavelmente nunca os extremos se tocaram tanto. Há 114 anos, quando a primeira edição do salão automóvel se realizou na Alemanha, dos 8 carros expostos no pequeno espaço do Hotel Bristol, em Berlim, havia-os movidos a gasolina, a vapor e a electricidade. Nessa altura discutia-se muito qual seria o combustível do futuro e muita gente apostava no vapor porque água e lenha havia por todo o lado. Afinal foram o petróleo que venceu.
Na edição deste ano do Internationalen Automobil-Austellung (Salão Internacional do Automóvel), oficialmente conhecido pela sigla IAA e em todo o mundo por Salão de Frankfurt, uma coisa parece ser muito clara: a electricidade veio para ficar ou, de um modo mais suave, nos próximos anos vai assistir-se a uma mudança gradual no modo de pensar o automóvel com as várias tecnologias (petróleo, electricidade, hidrogénio e a combinação delas) a constarem nos cadernos de encargos de um número cada vez maior de construtores.
Seja a utilização exclusiva da electricidade para automóveis urbanos e suburbanos, sejam os eléctricos com extensor de autonomia (a propulsão é sempre eléctrica, mas existe um motor a gasolina ou diesel que recarrega as baterias), sejam as tecnologias híbridas (eléctrico mais gasolina, diesel ou gás), seja a pilha de combustível (a partir do hidrogénio transportado no depósito da viatura é gerada a electricidade que acciona o motor ou os motores), o futuro próximo não será mais o mesmo. E pelo que se pode ver no Salão de Frankfurt a maioria dos construtores já aderiu a essas tecnologias alternativas, muitos deles muito a sério. Parece já não existir retrocesso possível.
Nesta edição do IAA, a 64ª, estão presentes cerca de 900 expositores, dos quais 180 são de fabricantes de automóveis, veículos especiais ou miniautocarros, sendo os restantes de peças e acessórios, outros bens ligados ao automóvel e ainda profissionais de tuning (modificação e personalização de viaturas). São esperados até ao encerramento no dia 25 mais de 900 mil visitantes, sendo pouco mais de 30% os que o fazem por motivos maioritariamente profissionais.
O Salão Automóvel de Frankfurt está em alta porque a indústria alemã também o está, mas apesar de alguma crise dos construtores franceses (dos ingleses nem vale a pena falar), mais de metade dos expositores são oriundos da União Europeia, 33% são da Ásia e Austrália, 7% da América e 9% de países europeus não comunitários. É verdade que desde os anos de 1920 os construtores nos habituaram a produzir os seus automóveis para mercados específicos com gostos muito diferentes, procurando a divulgação nos vários salões regionais. Mas também esse hábito parece estar a mudar, com o aparecimento cada vez maior do chamado “carro global”.
Finalmente registe-se também o crescimento do fenómeno “nicho de mercado”, com construtores a apostarem numa subida de vendas através de carros destinados a clientes muito específicos, na confirmação da regra de que muitos poucos fazem muitos. É por essa razão que não nos devemos admirar com o lançamento de um utilitário (embora desportivo) por parte da Maserati, ou de um super desportivo com cerca de 400 cv por parte da Kia, marca coreana que até há pouco apenas era conhecida pelos seus carros utilitários e baratos.
O mundo automóvel está em grande mudança e o que se pode ver no Salão de Frankfurt, perdão, no Internationalen Automobil-Austellung é a prova disso.------------------------------- Fonte: aqui
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
64º Salão Automóvel de Frankfurt: A electricidade veio para ficar
Os carros eléctricos são o tema central da maior feira de automóveis do mundo
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