quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Pai Américo faz 125 anos


Poderia pensar-se que, tendo falecido há já 56 anos, o Padre Américo Monteiro de Aguiar estivesse mais ou menos esquecido. Mas não é isso que tenho testemunhado em contacto com antigos "gaiatos".
Faz 125 anos no próximo dia 23 de outubro que nasceu o fundador das Casas do Gaiato e fez 56 em julho passado que encontrou a morte num desastre de viação. Corria o país a pedir ajuda para a sua Obra e a dirigir as diversas casas por ele fundadas. E foi numa dessas jornadas que tudo aconteceu.
 
Três obras conseguiu erguer: Casas do Gaiato, Património dos Pobres e Calvário, esta para doentes incuráveis. Consumiu a vida sacerdotal no apoio aos pobres, procurando tirá-los da miséria, com o auxílio dos que consciencializou para o essencial dever cristão de «amar em obras e em verdade». Foi um pedagogo da Caridade, um renovador de mentalidades. Seu guia – o Evangelho; seu único Mestre – Cristo; sua grande tribuna – "O Gaiato", jornal por ele fundado.
Sentindo desde novo vocação para padre, não conseguiu a autorização do pai, que o encaminhou para o comércio. Trabalhou em Moçambique dos 18 aos 36 anos, e só aos 41 foi ordenado padre, em Coimbra, após ter contactado com outros seminários, que lhe negaram a entrada, por causa da sua idade. Contactando com um número grande de rapazes que viviam uma vida de miséria e abandono, teve a ideia de os ajudar.
Primeiramente organizou colónias de férias com alguns desses rapazes. Por fim, começou a pensar numa ajuda mais duradoura. Conseguiu uma casa em Miranda do Corvo, onde acolheu alguns rapazes. Depois surgiram outras.
Este homem foi um lutador. Contra a miséria e o abandono de tantas crianças. E muitas conseguiram singrar porque encontraram nele um Pai. Chamavam-lhe o Pai Américo e com toda a razão. Felizmente que muitos dos seus filhos nunca esqueceram a Obra que os educou. E são eles hoje que mais se chocam com as críticas que às vezes se ouvem contra os métodos educativos que ainda agora norteiam essas Casas, feitas por gente que pouco ou nada fez de válido na vida.
O processo da beatificação do Padre Américo já terminou a sua primeira etapa aqui em Portugal e foi enviado para Roma. Agora espera-se que apareça um milagre por sua intercessão que o faça andar. Sem ele não vai ser possível a sua beatificação. Que os seus devotos peçam a sua intercessão em alguma doença grave e decerto esse milagre aparecerá.
Fonte: aqui

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