Poderia pensar-se que, tendo falecido há já 56 anos, o Padre
Américo Monteiro de Aguiar estivesse mais ou menos esquecido. Mas não é isso que
tenho testemunhado em contacto com antigos "gaiatos".
Faz 125 anos no próximo dia 23 de outubro que nasceu o fundador
das Casas do Gaiato e fez 56 em julho passado que encontrou a morte num desastre
de viação. Corria o país a pedir ajuda para a sua Obra e a dirigir as diversas
casas por ele fundadas. E foi numa dessas jornadas que tudo aconteceu.
Três obras conseguiu erguer: Casas do Gaiato, Património dos
Pobres e Calvário, esta para doentes incuráveis. Consumiu a vida sacerdotal no
apoio aos pobres, procurando tirá-los da miséria, com o auxílio dos que
consciencializou para o essencial dever cristão de «amar em obras e em verdade».
Foi um pedagogo da Caridade, um renovador de mentalidades. Seu guia – o
Evangelho; seu único Mestre – Cristo; sua grande tribuna – "O Gaiato", jornal
por ele fundado.
Sentindo desde novo vocação para padre, não conseguiu a autorização do pai,
que o encaminhou para o comércio. Trabalhou em Moçambique dos 18 aos 36 anos, e
só aos 41 foi ordenado padre, em Coimbra, após ter contactado com outros
seminários, que lhe negaram a entrada, por causa da sua idade. Contactando com
um número grande de rapazes que viviam uma vida de miséria e abandono, teve a
ideia de os ajudar.
Este homem foi um lutador. Contra a miséria e o abandono de
tantas crianças. E muitas conseguiram singrar porque encontraram nele um Pai.
Chamavam-lhe o Pai Américo e com toda a razão. Felizmente que muitos dos seus
filhos nunca esqueceram a Obra que os educou. E são eles hoje que mais se chocam
com as críticas que às vezes se ouvem contra os métodos educativos que ainda
agora norteiam essas Casas, feitas por gente que pouco ou nada fez de válido na
vida.
Fonte: aqui
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