

Há quem não ponha etiquetas só nos produtos. Há quem também se apresse a colocar rótulos nas pessoas. Do Papa Francisco (como, aliás, acerca de João Paulo II e de Bento XVI) se diz que é aberto no social, mas conservador na doutrina. Releve-se o carácter depreciativo deste último qualificativo, quase a saber a decepção ou reprimenda. Acontece que o Papa não é dono, mas servo. A doutrina não é do Papa, é de Cristo. O Papa recebe, não cria doutrina. E, quanto a ser conservador, depende da perspectiva. Quem é mais conservador? É a doutrina em relação ao nosso tempo ou é o nosso tempo em relação à doutrina? Se pensarmos bem, a doutrina incomoda porque questiona, porque convida à mudança. E mudar (sobretudo mudar a vida) custa muito e dói bastante!
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