quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Atenções centradas nos bispos alemães

Para surpresa de muitos, os bispos alemães no sínodo apresentaram uma proposta unânime que poderá permitir a algumas pessoas em uniões irregulares ter acesso aos sacramentos. A surpresa está mais na unanimidade do que na proposta.
 
Cardeal Marx, um dos protagonistas alemães do Sínodo dos Bispos. Foto Twiter

A conferência de imprensa diária do sínodo dos bispos sobre a família foi dominada, esta quarta-feira, pelo cardeal Reinhard Marx, presidente da Conferência Episcopal alemã e visto como um dos maiores defensores da mudança da prática da Igreja em relação a questões como o acesso aos sacramentos por parte de pessoas em uniões irregulares.
O tema tem sido alvo de grande polémica e discussão. Do outro lado da barricada, o cardeal George Pell, da Austrália, deu uma entrevista em que criticou os defensores da mudança, dizendo que representam a “teologia kasperiana”, devido ao cardeal Walter Kasper, também alemão, que foi o primeiro a propor, o ano passado, uma “via penitencial” ao fim do qual algumas pessoas nesta situação poderiam ser readmitidas aos sacramentos.
Pell contrapôs esta “teologia kasperiana” à “ratzingeriana”, numa alusão ao Papa Bento XVI que enquanto Papa sempre defendeu a prática actual da Igreja. Mas a comparação não caiu bem entre os bispos alemães, afirmou Marx.
“Ficámos mal impressionados com a entrevista do cardeal Pell quando ele se referiu às duas correntes de teologia – a kasperiana e a ratzingeriana – como batalha final entre dois grupos. Essa linguagem não é aceitável nem útil para se falar dos padres sinodais. No sínodo não fazemos batalhas. Não se trata de Ratzinger contra Kasper”, afirmou.
O grupo trabalho de língua alemã, no sínodo, tem sido observado muito de perto, uma vez que é composto pelos cardeais Marx, Kasper, Christoph Schönborn – de Viena – e ainda o cardeal Gerhard Muller, prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé, e que tem sido visto como um defensor acérrimo da prática actual. Os relatórios do grupo alemão mostram que foi neste que as discussões assumiram uma maior profundidade teológica.
Contudo, na conferência de imprensa, o cardeal Marx realçou que a proposta final do grupo alemão para esta questão foi aprovado por unanimidade. “A maioria das pessoas concorda com o essencial da questão doutrinária da Igreja e no que diz respeito à questão dos divorciados recasados claramente toda a gente abordou o assunto e nós fizemos uma proposta no grupo alemão que foi aprovado por unanimidade, sem qualquer voto contra. Isto é muito importante, na minha opinião, por isso espero que este sínodo não seja um sínodo de portas fechadas, mas de portas abertas, para o povo.”
A chave para lidar com este problema, defende o grupo alemão, é dar atenção pastoral a cada caso, permitindo que a pessoa em causa chegue a uma conclusão com a ajuda de um assistente espiritual.
“Temos de olhar para as diferentes situações – como diz na 'Familiaris Consortio' –, discernir as coisas e a situação e também, como diz São Tomás, olhar para a situação especial e para a pessoa especial no seu contexto. E isto não é possível numa comissão. É o desafio normal da pastoral acompanhar uma pessoa de forma espiritual e deve ser feito por um sacerdote.”
“Damos também alguns critérios. Por exemplo, a pessoa deve ver o que fez no primeiro casamento, qual é a minha relação com a família do meu ex-marido ou mulher, e com os filhos, as responsabilidades e a reputação na comunidade eclesiástica, e por aí fora. Isso são coisas que o foro interno clarificará, não são processos públicos, são caminhos espirituais e, aí sim, será possível determinar se e quando é possível uma reconciliação completa”, afirmou ainda.
Esta quarta-feira a comissão responsável pela redacção do documento final esteve a trabalhar e o produto desse esforço será submetido à discussão em plenário na quinta-feira. Sexta e sábado serão dedicados a emendar esse primeiro esboço e a versão final será submetida a votação no domingo, parágrafo a parágrafo.
Fonte: aqui

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