terça-feira, 17 de novembro de 2015

Eles têm apenas 15, 17, 22, 25, 32 anos… Mas decidem entrar no Estado Islâmico. Porquê?

Jovens de todos os continentes  estão na mira dos recrutadores do terror
jovens jihad
Entre os inúmeros detalhes que deixam o mundo atônito diante da ofensiva do autoproclamado Estado Islâmico, uma realidade é particularmente perturbadora: a grande quantidade de monstros assassinos de pouco mais de 20 anos de idade.
NOS ATAQUES DA ÚLTIMA SEXTA-FEIRA 13, EM PARIS
Um dos terroristas que atacou a casa de shows Bataclan foi identificado por suas digitais. Omar Ismail Mostefai, 29 anos, francês de origem argelina, nasceu em Paris em 1985. Já tinha sido condenado 8 vezes por delitos “comuns” entre 2004 e 2010 (quando tinha entre 19 e 25 anos): dirigir sem permissão, insultos e agressões verbais, ligações não confirmadas com o tráfico de drogas. No entanto, nunca foi preso. Além disso, era conhecido das forças de segurança francesas porque tinha um histórico de envolvimento com radicais islâmicos.
Junto com o corpo de um dos autores do ataque ao Stade de France, foi encontrado um passaporte sírio pertencente a um homem nascido em 1990. Ele tinha, portanto, 25 anos.
NO ATAQUE CONTRA O CHARLIE HEBDO EM JANEIRO
Os irmãos Said e Cherif Kouachi, franceses de origem argelina, tinham respectivamente 34 e 32 anos quando cometeram a chacina, mas sua radicalização vinha de anos antes. Cherif tinha sido preso aos 22 anos, em 2005, quando estava prestes a partir para a Síria, a caminho do Iraque, onde pretendia atuar na “guerra santa”. Em 2008, voltou a ser preso por fazer parte de um grupo que recrutava jovens muçulmanos franceses para se juntarem à Al-Qaeda no Iraque.
Amedy Coulibaly, autor dos assassinatos de uma policial e de quatro civis em um supermercado kasher, na mesma semana de janeiro, tinha 32 anos, mas já aos 17 anos tinha sido condenado por roubo e tráfico de drogas. Na ocasião, foi diagnosticado como “de personalidade imatura e psicopata”.
Hayat Boumeddiene, 26 anos, esposa de Amedy Coulibaly e descrita como “armada e extremamente perigosa”, colaborou nos preparativos e fugiu para a Síria no dia seguinte ao ataque contra a revista Charlie Hebdo.
O JIHADISTA JOHN
O cidadão britânico Mohammed Emwazi, nascido no Kuwait, tinha 26 anos quando foi identificado como sendo o misterioso “Jihadista John”, o carrasco encapuzado que apareceu em pelo menos 7 vídeos de decapitações perpetradas pelo Estado Islâmico. No último dia 12 de novembro, ele foi supostamente morto por um ataque norte-americano em Raqqa, na Síria, país em que vivia desde 2012 (quando tinha 24 anos). Naquele ano, ele se uniu ao grupo fundamentalista islâmico Frente Nusra. Em 2014, juntou-se ao Estado Islâmico.
O “CLUBE DOS 27 ANOS”
A idade tão curta de tantos jovens transformados em monstros assassinos pode evocar outro chamativo grupo de jovens ligados a mortes trágicas: o chamado “Clube dos 27”, ou “Para Sempre 27”. Trata-se de astros do rock ou do blues que, em diferentes contextos e épocas, morreram aos 27 anos de idade, todos com personalidades polêmicas e biografias marcadas por excessos e indícios de falta de sentido na vida: Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e Amy Winehouse.
Embora não haja termo de comparação entre a trajetória tumultuada desses músicos e o execrável caminho trilhado pelos jihadistas, não deixa de ser chamativo aquilo que há de mais óbvio em comum entre eles: a “juventude desnorteada” e a visão de mundo marcada por excessos desestabilizadores: excesso de suposta “liberdade mundana”, no caso do “Clube dos 27”, e excesso de suposta “entrega religiosa”, no caso dos jihadistas. Por que faltou e continua faltando, em nossas sociedades “avançadas”, tanta orientação BÁSICA para os jovens no auge da vitalidade?
UM RECRUTAMENTO QUE NÃO TEM FRONTEIRAS
Cerca de 800 jovens britânicos e ao menos 1200 jovens franceses se juntaram aos combatentes do Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Além deles, há outros milhares em processo de recrutamento ou já comprometidos com o grupo terrorista, porém como “membros adormecidos”, à espera de ordens para partir ou participar de ataques em seus próprios países. Nem todos caem na armadilha, como é o caso deste adolescente britânico. Mas o número dos que caem é alarmante.
Particularmente chocante é o caso das jovens meninas e moças, muitas delas com apenas 15 ou 16 anos de idade e quase todas com no máximo 22, que fugiram de casa, no Reino Unido, para se juntar ao Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Uma delas, Khadijah Dare, se converteu ao islã aos 18 anos e, em 2012, partiu para a Síria com os dois filhos pequenos e lá se casou com um guerrilheiro de origem sueca. Ganhou fama mundial em 2014 ao publicar no Twitter seu desejo de “ser a primeira ocidental [do Estado Islâmico] a matar um americano ou britânico”. Também publicou fotos de um dos filhos manejando uma metralhadora. Hoje com 22 anos, Dare é recrutadora do Estado Islâmico via internet e um dos principais alvos da inteligência britânica.
As estratégias para atrair jovens jihadistas acontecem em muitos países de todos os continentes, com ênfase na Europa. Além da França e do Reino Unido, a Bélgica está entre os maiores “celeiros” de extremistas recrutados.
DO BRASIL PARA A “GUERRA SANTA”
Foi da Bélgica que, em 2012, o jovem Brian Rodrigues, de 19 anos, partiu para a Síria e se alistou no exército do terror. Ele é filho da brasileira Rosana Rodrigues, que vive na Bélgica há 25 anos. O que ela contou em entrevista à rede Globo sobre o filho é estremecedor:
“Ele era muito católico e, na maioria das fotos que ele tem no Brasil e aqui na Bélgica ou na Espanha, na Turquia, onde ele esteve, ele sempre usava um crucifixo”.
O que aconteceu então? Aos 17 anos, Brian sofreu a maior decepção da sua vida e o fim do seu maior sonho: ele queria ser jogador de futebol, mas foi dispensado e entrou em depressão. Foi naquele momento que os extremistas se aproximaram dele. Brian encontrou “apoio”, palavras de “fé” e “compreensão”. Passou a frequentar uma mesquita que, segundo a imprensa belga, era um covil de extremistas de vários países. Em menos de dois anos, Brian se tornou um deles.
O BRASIL JÁ ESTÁ NO RADAR DOS RECRUTADORES
Não é preciso que os jovens brasileiros vivam em países europeus para se tornarem alvos das investidas dos recrutadores jihadistas. O governo do país já detectou ações de recrutamento do Estado Islâmico aqui mesmo, como informa esta matéria do jornal O Estado de São Paulo.
O QUE LEVA UM JOVEM A SE TORNAR TERRORISTA?
Neste artigo da Aleteia, há uma interessante tentativa de explicação. E um alerta: “A maioria dos ‘especialistas’ no assunto entendeu tudo errado até agora”.
Fonte: aqui


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