segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Natal ou natais!?


Ele são peditórios de todo o lado e pelas mais diversas formas... telefone, email, carta, redes sociais, à porta...
Ele são as famosas  ceias de Natal por todo o lado, associação, grupo, empresa...
Ele são todo o tipo de corridas por tudo o que é sítio...
Ele são as agressividades do comércio que não olha a meios para "dourar a pílula"...
Ele são as prendas como obsessão da época...

Ele são as iluminações públicas e das montras…
Ele são os preparativos obsessivos para a Consoada e a passagem de ano...
Azáfama... corre-corre...efervescência….Tanto que em outubro já se fala de Natal como se não houvesse outras etapas a percorrer.
O Advento resume-se a viver antecipadamente o Natal...
O presépio foi chutado para canto ou remetido a mero objeto de adorno…
As referências bíblicas ao nascimento de Jesus ficam esquecidas na gaveta.
A contemplação do Deus da Paz que se faz Menino não tem espaço no coração da correria.
A solidariedade como um natal de todos os dias é despejada nesta altura como quem alivia a consciência.
As pessoas deixam-se escravizar por uma propaganda comercial sem escrúpulos que as conduz ao que pretende.
A sensação do momento, o êxtase do ter e do gozar encharcam o natal de muita gente. A tal ponte que o pai ou a mãe ficam no Lar para não estorvar o clima lá em casa.
A noite de passagem de ano baila com ímpeto no coração e na cabeça de muitos. Vale tudo. Importa a extravagância, a nova sensação, o diferente, o excesso.
O Deus do Natal  serve só de ocasião para natais pagãos.

Enquanto assim for, continuaremos alienados e a leste do essencial, do verdadeiramente humano, do que realmente importa, do que é importante que permaneça.

Precisamos de voltar a aprender a ler e a escutar um Deus que nos fala e se nos mostra a partir de uma manjedoura.

Urge a simplicidade, a riqueza de afetos, o estreitar dos laços familiares, a disponibilidade para os outros.

Importa fazer da revolução do Natal o convite permanente à desinstalação, ao compromisso com a vida e com a pessoa humana.

É desafiante a paz do Presépio e que ela encharque corações, famílias e povos.

Natal não é lirismo ou “consolo de alma”. É compromisso com a vida e com a transformação das estruturas, rumo a um mundo mais justo, mais transparente, mais solidário.

Então que decresçam os natais para que cresça o NATAl!

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