segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Esta eu não consigo entender...

Estudantes e médicos pedem menos vagas nas faculdades
Veja a notícia aqui
1. Não fui eu quem inventou. Ouvi há anos um respeitável clínico falar do "lobby dos médicos" e da força  e do poder que tal lobby tem junto dos decisores políticos.
2. Recordo que por essas alturas, num almoço que contava com altas figuras políticas, foi abordado o assunto. A resposta de uma dessas figuras políticas foi clara, taxativa e esclarecedora: " Já viu em que lençóis ficava o poder político se os médicos resolvessem fazer greve durante 8 dias!?". Querem  prova maior da sujeição do poder político ao poder dos médicos?
3. Olhando para a média exigida para um aluno entrar em medicina, pensem que a maioria dos excelentes médicos que hoje atende a população não teria tido acesso à carreira. Será que um aluno de 19, só por ter tal média, tem melhores condições para ser bom médico do que um aluno de 15? Quem o garante?
4. Penso que este país ainda olha muito para os médicos como uns seres diferentes, afastados, com um sentido reverencial, uns seres superiores... Tal não acontece nos outros países onde os médicos são cidadãos comuns que exercem normalmente a sua profissão/missão como os restantes grupos profissionais.
5. Não há desemprego entre engenheiros, arquitectos, professores, etc? Então porque é que os médicos hão-te ter emprego garantido?
6. A lei da procura e da oferta. Quantos mais médicos houver, mais acesso têm as pessoas ao atendimento, menos esperas, mais concorrências, melhor atendimento, custos para o utente mais baixos, mais clínicos no abandonado interior.
7. Quanto à formação, não entendo a razão pela qual o Estado há-de ter o monopólio. Faculdades de Medicina privadas, claro, porque não? Não há excelentes Faculdades privados noutros ramos?
8. Frequentemente a comunicação fala de falta de médicos, de cidadãos sem médico de família, da necessidade de contratar médicos no estrangeiro. E então ainda querem reduzir o nível de vagas nas faculdades de medicina? Desculpem lá, mas só quem vive a "coçar para dentro", sem ter em conta as necessidades da população.
9. E já que falamos em formação, ouve-se muitas vezes que as universidades formam bons técnicos, mas trabalham menos bens a parte humana dos técnicos. Um médico não pode ser apenas um técnico, um burocrata do saber médico, mas uma presença humana acolhedora, atenciosa e delicada, preocupada com o sentir do doente. Tem que descer do pedestal!
As faculdades de medicina, porque acolhem alunos com altíssimas notas, precisam de trabalhar sempre mais o aspeto humano dos seus formandos. Ser um bom técnico é indispensável; ser muito humano é imprescindível.
10. É gritante a falta de algumas especialidades médicas sobretudo no interior.  Tal aspecto é de uma injustiça tremenda para com as populações.
11. Toda a gente compreende que a formação de médicos é longa e delicada. Uma coisa é formar um técnico para lidar com máquinas, outra é formar um médico que lida com pessoas, com o mais delicado das pessoas: a saúde. Tal exige ordenados dignos. Mas uma coisa são ordenados dignos, outra são as exorbitâncias que são exigidas em algumas consultas particulares. Já diziam os latinos: "modus in rebus".
12. Então precisamos de médicos. MAIS. MAIS. MAIS.

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