quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O dinamismo do 23.º ACANAC – Acampamento Nacional de Escuteiros


Sob o lema “abraça o futuro”, com início a 31 de julho e termo a 6 de agosto, está a decorrer o 23.º ACANAC – Acampamento Nacional de Escuteiros – no Monte Trigo, em Idanha-a-Nova.
Os jovens são, nestes dias, desafiados a lutar contra os males que assolam o Planeta Terra. Vão aprender os segredos da natureza que se identificam com os quatro elementos básicos: Terra, Fogo, Água e Ar. Com efeito, através do lema do ACANAC, pretende-se “ativar” as crianças, jovens e adultos do movimento “para a defesa da casa comum”, e tendo no horizonte o “objetivo final” do escutismo que é “deixar o mundo um pouco melhor” do que encontraram.
Em regra, estes acampamentos acontecem de 4 em 4 anos, desde 1926, ano em que se realizou a primeira edição do ACANAC com a duração de 9 dias em Aljubarrota.
Há 4 anos no Monte de Trigo, em Idanha-a-Nova, estiveram 17.000 escuteiros e cerca de 1.000 adultos voluntários. Neste ano, realiza-se o maior ACANAC de sempre com “mais de 21 mil escuteiros”.
O ACANAC 2017 mobiliza escuteiros de Portugal e de mais 8 países, como Israel, Luxemburgo, Suécia, Reino Unido, Irlanda, França, Espanha e São Tomé e Príncipe, num total de 27 grupos estrangeiros, entre os cerca de 22 mil participantes, sendo que 3800 são adultos voluntários (sendo 185 estrangeiros).
No Monte Trigo, para onde começaram a rumar no dia 30 de julho mais de 400 autocarros, estão instaladas, para o efeito, quatro mil tendas, dois supermercados, dois restaurantes e uma arena com capacidade para receber 25 mil pessoas. Ao longo da semana, são realizados 300 workshops, além de outras atividades, havendo, por exemplo, 320 canoas e cinco mil coletes salva-vidas disponíveis para os participantes poderem usufruir da barragem.
Este ACANAC, que se iniciou a 31 de julho com a presença do Presidente da República, é marcado também pela visita do cardeal patriarca de Lisboa, Dom Manuel Clemente, que diz visitar aquilo que designa por “Igreja acampada”, relembrando assim os seus tempos de escuteiro e, provavelmente, o dinamismo sugerido pelo Papa Francisco para a imagem atual de Igreja; pela presença do Secretário de Estado da Educação, João Costa, e do Secretário de estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo; e, sobretudo, pela presença de destaque da imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, sendo esta uma insigne estreia num acampamento nacional de escuteiros.
Segundo o Santuário de Fátima, “para transportar a imagem, os escuteiros construíram um andor de troncos de madeira entrelaçados com cordas”. O andor entrou na celebração inaugural do acampamento enquanto eram proclamados pequenos excertos da Mensagem de Fátima. A Virgem Peregrina, a segunda imagem do Santuário, fez-se acompanhar pelo padre José Nuno Silva, um dos capelães do Santuário e responsável pela Pastoral Jovem do Santuário de Fátima. E o CNE informou que o Santuário ofereceu uma imagem que vai ficar em permanência na Capela do ACANAC e que vai ser dedicada em cerimónia própria.
O chefe do acampamento nacional, Manuel Augusto, referindo-se aos participantes, deseja que este evento escutista tenha “a mesma importância no seu crescimento pessoal” que tiveram os acampamentos nacionais em que participou na idade deles porque “são sempre momentos significativos de aprendizagem”. E salientou:
“Até se calcula que quem participa em atividades desta dimensão permanece mais tempo no escutismo, ajuda a crescer. Os jovens ficam com ideia que salta o muro paroquial em que o escutismo se desenvolve.”.
Em declarações à agência Ecclesia, realçou que, numa atividade daquela dimensão, quando “olham para o lado”, têm consciência de que há bastantes mais amigos, companheiros, irmãos escutas que “participam e estão juntos neste ideal”.
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Os escuteiros começaram a chegar no dia 30 e a abertura oficial de campo realizou-se no dia 31, pelas 21,30 horas, com a presença do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, e a imagem n.º 2 da Virgem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima.
Manuel Augusto referiu não haver propriamente “um programa do ACANAC”, pois, o escutismo em termos de proposta educativa é dividido pelas idades. Há “uma linha transversal que é: ‘abraça ao futuro’, proteger a casa comum, sustentabilidade, com boa utilização de recursos e cada secção utiliza essa linha para desenvolver próprio programa”.
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Como era de esperar, após uma longa caminhada e vários banhos de multidão, selfies, abraços e beijos, o Presidente da República manifestou a sua satisfação pela massa jovem que povoa esta semana o Monte Trigo, em Idanha-a-Nova, no 23.º Acampamento Nacional de Escuteiros.
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou sair desta visita “de alma cheia”, por ver que estes jovens “têm todos os motivos para abraçar o futuro”, fazendo jus ao lema do acampamento.
O Chefe de Estado, recebido em euforia pelos milhares de jovens que ali estão, sublinhou:
“Este é um acampamento de esperança, o maior acampamento jamais realizado em Portugal, traduzindo a força do movimento do escutismo católico português, que nasceu em 1923, que resistiu à ditadura, que tem um dinamismo forte”.
Por isso, quis marcar presença neste evento para “agradecer a esperança, a solidariedade e o sentido coletivo”, revelando também que o ACANAC “não era visitado por um Chefe de Estado há mais de 40 anos”, sendo ele “o primeiro a fazê-lo em democracia”.
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À margem do ACANAC, Marcelo Rebelo de Sousa explicou aos jornalistas que o Governo definiu uma posição em relação à Venezuela, coincidente com a posição da UE, “que está muito preocupada, nomeadamente, com os acontecimentos de domingo, apresentando os pêsames aos familiares das vítimas”. E recordou que o Governo emitiu um comunicado, em que mostra a sua preocupação e que conclui dizendo:
“O passo dado ontem acabou por não facilitar o caminho que tem de ser de concórdia, um caminho de acordo, de entendimento e com um calendário eleitoral claro”.
E o Presidente deixou uma mensagem que tem sido também a do governo português, “que é de acompanhamento, solidariedade, apoio e compreensão”.
Questionado sobre a reunião do dia 1 de agosto com os familiares das vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, Marcelo Rebelo de Sousa disse que vai “ouvir atentamente”, concluindo:
“Sei que já tiveram uma reunião com membros do Governo. Vou ouvir atentamente aquilo de que são portadores e depois terei oportunidade de articular com o Governo.”.
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O Secretário de Estado da Educação, que visitou o acampamento nacional do CNE (Corpo Nacional de Escutas) em representação do Primeiro-Ministro, afirmou que os jovens que passam pelo CNE “adquirem” e “desenvolvem” competências que são “fundamentais para o seu futuro” como cidadãos. Em declarações à agência Ecclesia, confessou que “é interessante ver que algumas empresas, quando recrutam, favorecem os que passaram pelo escutismo”. E acrescentou que esse fator de seleção é um “sinal de reconhecimento” da sociedade daquilo que o escutismo faz aos seus membros.
O Secretário de Estado da Educação observou que o escutismo é, como se costuma dizer, “uma escola de vida” e frisou que “cidadania, viverem em sociedade, preocupação com o outro que hoje são cada vez mais reconhecidas como fundamentais para os indivíduos”.
Sobre o tema do encontro, referiu que, na educação, um dos “principais desígnios” é preparar os jovens para a “sustentabilidade futura do planeta”, salientando a atualidade, a relevância e a urgência do tema.
Contextualizando que a sociedade está num momento em que, por vezes, “as fronteiras se esbatem” entre a educação formal e não formal, João Costa, assegurou que “estes dois mundos” cada vez mais se comunicam – afirmação que produziu perante o Secretário de Estado da Juventude e Desporto, também presente.
No desenvolvimento do encontro, destaca-se a tertúlia, prevista para as 21,30 horas do dia 3 de agosto, entre o Secretário de Estado da Educação, João Costa, e o Presidente do Comité Mundial do Movimento Escutista, o português João Armando Gonçalves.
O penúltimo dia de acampamento nacional, dia 5 de agosto, é o Dia de Eucaristia com quatro celebrações, uma por cada secção, celebrando-se às 22 horas a festa de encerramento.
Em comunicado, o CNE, frisa serem “várias as atividades e jogos” ao longo de sete dias de ACANAC que vão permitir aos escuteiros “cimentar a sua formação” e vivenciar o grande objetivo do encontro, como “raides, atividades náuticas, desportos diversos, atividades socioeducativas, ações de serviço com a comunidade local, intercâmbio e cooperação internacional e educação para a Paz.”
A agência Ecclesia comprometeu-se a acompanhar o quotidiano do campo com reportagens dos participantes, através das suas contas nas redes sociais Instagram e Facebook, com o marcador (hashtag) #livingACANAC.
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Com esta atenção pública do Governo da República e com a proteção sobrenatural da Mãe de Deus simbolizada na imagem da Virgem peregrina de Fátima, agora “também acampada”, talvez este evento sirva de rampa de lançamento para a vivência juvenil da mística da Encíclica Laudato Si’ e para uma frutuosa preparação para o próximo Sínodo dos Jovens. Sim, se Deus escreve direito por linhas tortas, também escreve direito por linhas direitas.
“Os pobres gritam e, juntamente com eles, também a terra: o compromisso a ouvir pode ser uma ocasião concreta de encontro com o Senhor e com a Igreja, bem como de descoberta da própria vocação. Como ensina o Papa Francisco, as ações comunitárias mediante as quais cuidamos da casa comum e da qualidade de vida dos pobres, ‘quando exprimem um amor que se doa, podem transformar-se em experiências espirituais intensas’ (Laudato Si’, 232) e, portanto, também em oportunidades de caminho e de discernimento vocacional.” (Sínodo dos Bispos, Os jovens, a fé e o discernimento vocacional Documento Preparatório, III, 3)
2017.08.02 – Louro de Carvalho

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