terça-feira, 24 de março de 2020

Semear, plantar, construir, edificar, tecer – achegas para a crise pandémica

Precisamos de uma ajuda, de uma mão. Croácia.
Em 1985, Maria de Lourdes Pintasilgo publicou o livro Dimensões da Mudança. O primeiro capítulo, “Tempo de Mudança”, é um comentário ao capítulo 32 do livro bíblico de Jeremias: Jerusalém é invadida, Jeremias anuncia a queda e é preso. Deus diz-lhe que compre um campo, o que faz com todas as formalidades, dentro da prisão.
Este comentário foi escrito a pedido das edições Hachette, Paris, para a reedição da Bíblia Ilustrada, publicada em 1982. Sobre o texto escrito por Maria de Lourdes Pintasilgo, é dito que:
condensa a perspetiva que caracteriza a intervenção social e política de Maria de Lourdes Pintasilgo: não há situações totalmente fechadas. É sempre possível abrir uma brecha, tornar a esperança viável. Mesmo em situações de bloqueio, à denúncia dos erros sobrepõe-se o anúncio de que a vida renasce nos gestos mais simples e mais concretos. E, esses gestos, há que fazê-los, sem hesitação.
Algumas frases soltas retiradas desse capítulo:
(…) É que, quando tudo se disse, nada mais resta senão agir a palavra. Denunciar as consequências do cerco que nos rodeia, que vai devastar tudo, que possivelmente está minando tudo, não é só dizer as palavras que o significam.
É dizer, imediatamente e da forma mais evidente, que a liberdade não está num “depois” mas está no próprio cerne da situação que vivemos.
É dizer que, contra o cerco não há senão uma solução – retomar os gestos quotidianos, semear, plantar, construir, edificar, tecer.
(…) Dizer, pelo gesto, que o diálogo e a troca entre os homens passam pelo que lhes é mais próximo. O comércio entre os homens, a comunicação entre eles, no sentido clássico, diz que a vida pode recomeçar.
Agir a palavra. (…) 
Texto de Margarida Amélia Santos, presidente da Fundação Cuidar o Futuro, instituída por Maria de Lourdes Pintasilgo
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