
Ela estava em Aveiro, mas deu-se conta que se esquecera
de algo importante para o seu trabalho. Então resolveu dar uma fugida a casa,
em Coimbra, após o jantar. Ao entrar em casa, viu a empregada, só de avental,
no colo do marido. Ficou possessa, fora de si, incontrolável. Deu meia volta,
foi à cozinha, trouxe a tábua de partir a carne, atirou-te à pífia, colocou-a
de rabo ao ar, empurrou a cabeça dela contra o sofá e … aí vai disto! As
pauladas caíam no rabo como faíscas, a um velocidade supersónica. O marido
ainda tentou dizer qualquer coisa, estilo: “Ana, já chega”, mas ainda a frase
não fora dita, já lhe tinha caído uma tabuada no corpo, e só ouviu
“aiiiiiiiiiiii”. A pobre nem piar podia, quase asfixiada contra o sofá. E as
tabuadas no rabo aumentavam de intensidade. Mais uma vez o marido tenta
refrear-lhe os ânimos: “Ana…”, nem pôde dizer o resto da frase, uma tabuada
cai-lhe no pêlo e o grito aumenta “aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii”. O rabo da
lambisgoia estava mais preto do que o lenço preto de uma viúva da serra. Mas
estava possuída e, sem saber donde vinham as forças, as estoiradas continuavam
freneticamente. Mais uma vez ele tenta falar-lhe “A….”, só a primeira sílaba do
seu nome, porque outra tabuada, descomunalmente puxada, o atinge em cheio, e,
segurando o joelho com as mãos, manclita aos ais pela sala fora…
Aproveitando um momento de ligeira
folga, a lambisgoia escapa-se, mais veloz do que lebre, abre a porta, azanga
escadas, bate com força a porta da rua. O Xico, meio salamurdo, diz: “Perdoa-me
Ana, não foi nada de especial…. Eu faço tudo o que achares.” “Ai fazes tudo?,
então vem cá”. Abriu as portas da varanda da sala, ele entrou para a varanda e ela,
rapidamente, fechou a porta, as persianas e trancou-as. “Ficas aí 24 horas. E
não há mé nem meio mé.” O pobre nem podia falar alto para não chamar a atenção
dos vizinhos… Foi para a cama com sabor agridoce. Fizera justiça! Adormeceu. Às
tantas, foi acordada pelo suar constante da campainha da porta. Foi ver o que
era aquela aflição e atendeu. Era a pífia a suplicar que lhe enviasses pela
janela as suas roupas, que estava a amanhecer e queria pisgar-se. Além disso,
já lhe doíam as pernas de estar de pé, pois sentar-se não podia porque tinha o
cagairo em brasa. Pôs à pressa as luvas de limpar a casa, com as pontas dos
dedos agarrou as roupas dela e aí vão janela abaixo. Da varanda chegava o pio
fino do Xico, pedindo compaixão. Nem ligou. Fechou as portas todas e toca para
a cama…
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