terça-feira, 4 de outubro de 2011

Empresas públicas dão mundo de regalias a trabalhadores e familiares

A Soflusa dá mais de 100 mil viagens grátis por ano. Os filhos dos sete mil trabalhadores da TAP não pagam bilhetes de avião nesta operadora aérea até aos 25 anos e alguns mantêm a regalia mesmo depois de os pais já se terem reformado da companhia. Na Carris, estar de baixa compensa porque a empresa garante ao trabalhador o salário sem descontos. Numa altura em que um relatório dos Técnicos Oficiais de Contas revela que as empresas públicas ou controladas pelo Estado devem mais de 38 mil milhões de euros, em que as administrações têm de reduzir as despesas em 15%e cortaram 10 % nos salários, a manutenção de algumas destas benesses é considerada ainda «mais escandalosa».
«Há situações que são imorais. E que têm vindo a acumular-se ao longo dos anos», afirma Marques Mendes. Muitos desses privilégios foram herdados do antigo regime, adaptados e renegociados em acordos de empresa com os sindicatos, como forma de compensar os trabalhadores pela ausência de aumentos salariais: «A maior parte das administrações destas empresas foi conivente com a situação. Foram pactuando e acrescentando regalias para comprar a paz social», recorda o ex-líder do PSD.
Nenhuma das empresas públicas ou participadas pelo Estado que o SOL contactou quis adiantar o valor anual gasto com estas regalias sociais. E as várias auditorias do Tribunal de Contas apenas permitem perceber o impacto de algumas delas.
O fim destes direitos adquiridos dos trabalhadores só pode acontecer se houver luz verde do trabalhador e das estruturas sindicais. Mas a situação excepcional do país pode justificar a tomada de decisões extremas. Ainda na semana passada o Tribunal Constitucional invocou isso mesmo para validar os cortes médios de 5% nos salários dos funcionários públicos decididos em 2010.
Marques Mendes defende, por isso, que este é o momento para se alterarem certos benefícios: «A situação é de emergência e as empresas não têm condições para continuarem a manter regalias que não são financeiramente suportáveis. Se se cortam salários, porque não se cortam regalias?».
Para João Duque, presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão, é fundamental perceber quanto é que as empresas gastam com estes benefícios. Na instituição que dirige, reconhece, «ainda há ‘o dia do mês’ – que antes do 25 de Abril era dado apenas às mulheres e depois foi alargado aos homens».
O responsável lembra que muitas destas benesses foram usadas como forma de compensar os trabalhadores pela ausência de aumentos salariais. E se a situação do país facilita a tomada de decisões, qualquer mudança não deve ser feita abruptamente e terá de ter em conta critérios de justiça. Até porque «há muitos funcionários públicos a ganhar mal e a trabalhar bem e as instituições não têm forma de os premiar e incentivar», remata João Duque
Fonte: aqui

sábado, 1 de outubro de 2011

HÁ QUEM ESTEJA A SAIR DA CRISE (trilhando um caminho totalmente diferente do nosso)

Ninguém cresce com inibições. Ninguém se afirma com bloqueios constantes e obstáculos sem fim.

Será a economia um mundo à parte ou uma parte do mundo?

Há quem pense que a solução para os problemas está (apenas!) em sacrifícios, em austeridade, em restrições.

O certo é que, à medida que se intensifica a «terapia», mais vão aumentando os sintomas da «doença». Não haverá alternativa?

A Islândia, há poucos anos, esteve no fundo. Em 2008, passou pela maior crise de toda a Europa.

Hoje, está a recuperar a olhos vistos. O caminho não passou pelas teses liberais do FMI. Pelo contrário, passou pela rejeição deliberada do FMI. No Brasil e na Argentina, aconteceu o mesmo.

E a Bélgica está a ter o maior crescimento económico europeu porque não tem Governo que possa aplicar as medidas de austeridade. Sorte a dos belgas. A produção aumenta. Há mais condições para a dívida ser abatida.

Não há, pois, uma receita única. A vulgata neoliberal já provou que não vale muito. O que é estranho é que nem nos deixem escolher a melhor via.

Porque será?

Fonte: http://theosfera.blogs.sapo.pt

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Placa de Porta de Gabinete...

UM CERTO COMANDANTE DA GNR ACHANDO QUE SEUS SUBORDINADOS NÃO ESTAVAM A RESPEITAR SUA LIDERANÇA, RESOLVEU COLOCAR A SEGUINTE PLACA NA PORTA DO SEU GABINETE, LOGO QUE CHEGOU PELA MANHÃ:

"AQUI QUEM MANDA SOU EU"

AO VOLTAR DE UMA REUNIÃO, ENCONTROU O SEGUINTE BILHETE JUNTO À PLACA:
SUA ESPOSA LIGOU E DISSE PARA O SENHOR LEVAR A PLACA DELA DE VOLTA, PARA CASA.

SÓ OS LIVROS ESCAPARAM AO SAQUE

Confesso que ainda não tinha pensado nisso, mas o cronista trouxe à lembrança uma situação importante.
Na recente onda de vandalismo que varreu a Inglaterra, nada parece ter escapado à fúria das pilhagens.
Roubaram comida, bebida, computadotes, telemóveis, etc. De tudo um pouco. De tudo não é bem assim. Nenhuma livraria foi assaltada.
Por um lado, sossegaram os seus proprietários, poupados assim ao vulcão devastador.
Mas, por outro lado, é preocupante notar que as novas gerações não se interessam pela cultura. Talvez se se interessassem, não houvesse tanta violência.
A falta de cultura redunda, quase sempre, na falta de harmonia, na intolerância. Tudo desagua na violência.
Até quando?

FONTE: AQUI

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

MIGUEL TORGA

O Vaticano II, 50 anos depois. Artigo José Comblin (+ 27-03-2011)

José Comblin, o padre belgo-brasileiro, teólogo da libertação, "teólogo da enchada", morreu no dia 27 de Março de 2011. Mas há dias foi publicado um artigo dele sobre o Vaticano II, "50 anos depois".

O Concílio Vaticano II permanecerá na história como uma tentativa de reformar a Igreja no final de uma época história de 15 séculos. Seu único defeito foi que chegou demasiado tarde. Três anos após sua conclusão, tinha início a maior revolução cultural do Ocidente.

A análise é do teólogo José Comblin, falecido em março deste ano, em artigo publicado na revista Adista Documenti, nº. 68, 24-09-2011. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis o texto.

O Vaticano II, 50 anos depois

1. Antes do Concílio

A maioria dos bispos que chegou ao Concílio Vaticano II não entendia porque tinha sido convocada. Os bispos, como os funcionários da Cúria, pensavam que o papa sozinho pudesse decidir tudo e que não fosse necessário convocar um Concílio. Mas, havia uma minoria profundamente consciente dos problemas existentes no povo católico, sobretudo nos países intelectual e pastoralmente mais desenvolvidos, onde se havia vivenciado episódios dramáticos de contraposição entre as preocupações dos sacerdotes mais abertos ao mundo contemporâneo e a administração vaticana. Todos aqueles que procuravam uma presença da Igreja no mundo contemporâneo, marcado pelo desenvolvimento das ciências, da tecnologia e da nova economia, como também pelo espírito democrático, eram reprimidos. Havia, no entanto, uma elite de bispos e cardeais cônscios das reformas necessárias e decididos a acolher a ocasião oferecida por João XXIII.

As comissões preparatórias eram claramente conservadoras e é por isso que, na abertura do Concílio, as perspectivas dos teólogos e dos peritos trazidos pelos bispos mais conscientes eram antes pessimistas. Mas, houve o discurso de abertura de João XXIII, que rompia decididamente com a tradição dos papas anteriores. João XXIII anunciou que o Concílio não se reunira para pronunciar novas condenações de heresias, como de costume. Tratava-se de apresentar ao mundo outra imagem de Igreja que a tornasse mais compreensível aos contemporâneos. A maior parte dos bispos não compreendeu nada e pensou que o papa não tivesse dito nada, porque não havia mencionado nenhuma heresia. Para o papa não se tratava de aumentar o número dos dogmas, mas de falar a mundo moderno numa linguagem que este pudesse compreender. Uma minoria iluminada entendeu a mensagem e sentiu ter obtido o apoio do papa na luta contra a Cúria.

Mas, a Cúria romana tinha uma estratégia. Existia um modo de anular o Concílio. As comissões preparatórias haviam preparado documentos sobre todas as questões anunciadas: Todos estes documentos eram conservadores e não permitiam nenhuma mudança real na pastoral. Teriam sido consignados às comissões conciliares que os teriam aprovado e o Concílio teria terminado em poucas semanas com documentos inofensivos que não teriam modificado nada. O importante eram traçar listas de comissões com bispos conservadores e explicar ao Concílio que a coisa mais prática era aceitar as listas já preparadas pela Cúria.

O primeiro a descobrir tal estratégia foi dom Manuel Larrain, bispo de Talca, no Chile, e presidente da Celam. Junto com dom Helder Câmara – eram amigos íntimos, habituados a trabalhar juntos – foram avisar os líderes do episcopado reformador. (...) Tratava-se de rejeitar as listas preparadas pela Cúria e solicitar que as comissões fossem eleitas pelo próprio Concílio. O cardeal Döpfner de Munique, Liénart de Lille, Sünens de Malinas, Montini de Milão e alguns outros tomaram a palavra e solicitaram que fosse o próprio Concílio que nomeasse os membros das comissões, proposta que foi aprovada por aclamação.

A conclusão foi que as novas comissões rejeitaram todos os documentos elaborados pelas comissões preparatórias: uma afirmação do episcopado referente à Cúria romana. O papa ficou satisfeito. (...).

A maioria conciliar que o grupo líder conseguiu garantir não queria uma ruptura e por isso sempre deu importância à minoria conservadora, embora pequena, que representava os interesses da Cúria e se identificava com ela. Portanto, muitos textos resultaram ambíguos, porque a um parágrafo reformista seguia um conservador que dizia o contrário. De um lado se anunciavam novos temas e do outro se dava espaço àqueles velhos da tradição dos papas Pio. Tal ambiguidade prejudicou muito a aplicação do Concílio.

A minoria conciliar e a Cúria não se converteram. Ainda hoje se opõem ao Vaticano II, encontrando argumentos nos próprios textos conciliares conservadores. Quando João Paulo II citava os textos do Vaticano II, eram aqueles mais conservadores, como se os outros não existissem. Por exemplo, na Constituição Lúmen Gentium, é claro que o acento é posto sobre o papel dado ao povo de Deus. Todavia, quando se trata da hierarquia, o povo de Deus desaparece e tudo continua como sempre. Em 1985, por solicitação do cardeal Ratzinger, o termo povo de Deus foi eliminado do vocabulário do Vaticano. Desde então, nenhum documento romano faz referência ao povo de Deus, que era o tema central da Constituição conciliar. (...)

Tal situação teve muita importância na evolução subsequente do Vaticano II na Igreja. Desde o início, houve um partido ao qual sempre se deu importância e poder e que lutou contra todas as novidades. Nas eleições pontifícias que, como sempre, são manipuladas por alguns grupos, o problema do Vaticano II tem sido decisivo e tem sido eleitos papas dos quais se conheciam as reservas sobre os documentos conciliares em tudo o que tinham de novo. O atual papa ainda pode viver dez anos e mais. Depois dele podemos prever que seja novamente eleito um papa pouco empenhado com o Concílio, para usar um eufemismo, porque os grupos que sustentam esta posição são muito fortes na Cúria e no colégio dos cardeais, e não há sinais que as futuras nomeações possam produzir uma mudança de direção. As últimas nomeações na Cúria são eloquentes.

2. De 1965 a 1968

A história da recepção do Vaticano II foi determinada por um acontecimento totalmente imprevisto. 1968 é a data símbolo da maior revolução cultural na história do Ocidente, mais do que a revolução francesa ou a russa, porque atinge a totalidade dos valores da vida e todas as estruturas sociais. A partir de 1968 houve muito mais do que um protesto estudantil. Houve o início de um novo sistema de valores e de uma nova interpretação da vida humana.

O Vaticano II respondera às interrogações e aos desafios da sociedade ocidental em 1962. (...). A sociedade européia destruída pela guerra tinha sido reconstruída e a Igreja ocupava um lugar relevante na sociedade. (...). Na realidade, perdera contato com a classe operária, mas esta já estava se reduzindo numericamente por via da evolução da economia para os serviços. O número dos católicos praticantes estava diminuindo, mas não de modo a chamar a atenção. (...). Os problemas eram estruturais e não tocavam os dogmas nem a moral tradicional.

Em 1968 entrava improvisamente em andamento uma revolução total que abraçava todos os dogmas e toda a moral tradicional, bem como todas as estruturas institucionais da Igreja e de toda a sociedade. (...). O Vaticano II respondera aos problemas de 1962, mas nada tinha a responder aos desafios de 1968. Em 1968 teria sido um Concílio conservador apavorado pelas radicais transformações culturais que tinham início.

(...). 1968 significa uma mudança de toda a política, da educação, dos valores morais, da organização da vida e da economia. (...).

a) 1968 significou uma crítica radical perante todas as instituições estáveis e de todos os sistemas de autoridade. Era a contestação global de toda a sociedade organizada tradicional. (...). A Igreja católica era o modelo típico de um sistema institucional radicalmente autoritário. Por isso, foi imediata e vigorosamente atacada e denunciada. As mudanças conciliares, tão tímidas, não podiam convencer a nova geração. O Vaticano II era totalmente inofensivo se confrontado com a revolução cultural iniciada em 1968.

b) Em 1968 teve início uma luta contra todos os sistemas de pensamento, as assim ditas “grandes narrações”. (...) Não se aceita nenhum sistema que tenha a pretensão de ser “a verdade”. E isso investe contra os dogmas e o código moral da Igreja católica, e toda a sua pretensão de “magistério”. O Vaticano II não podia sequer imaginar tal situação. Não houvera nenhuma crítica de nenhum dogma e jamais fora posto em discussão seu inteiro sistema de pensamento. Ora, a nova geração contestava todo o sistema doutrinal da Igreja católica, porque tal sistema não permitia o livre exercício do pensamento. (...).

c) Simultaneamente, ocorreu a explosão da revolução feminista. A descoberta da pílula que permitia evitar a fecundação e, portanto, facilitava a limitação da natalidade provocou um entusiasmo universal entre as mulheres. (...) Os episcopados dos países socialmente desenvolvidos e os teólogos consultados pelo papa entendiam que não houvesse nada na moral cristã que pudesse condenar o uso da pílula. Mas, o papa se deixou impressionar pelo setor mais conservador, embora minoritário, e publicou a encíclica Humanae vitae. Foi como uma bomba. Houve imensa revolta entre as mulheres católicas, as quais não aplicaram a proibição papal e aprenderam a desobedecer. (...). Muitos bispos ficaram abalados, mas não podiam fazer nada porque o Concílio absolutamente não havia tocado a questão do exercício do primado do papa. O papa decide por si, também contra todos. Era este o caso: o papa havia decidido contra os bispos, os teólogos, o clero, os leigos informados. Desafortunadamente, isso foi obra de Paulo VI que, pelos muitos méritos havidos na história do Concílio, aparecia como homem de abertura. (...). Para muitos, a Humanae vitae era como um desmentido do Vaticano II: nada mudara!

d) Até então, o consumo tinha sido orientado pelos costumes. Havia um consumo moderado e limitado. O consumo dependia da regularidade da vida: refeições regulares e tradicionais, festas tradicionais com despesas tradicionais, segundo um ritmo de vida no qual o trabalho ocupava o lugar central. A partir dos anos 60, o trabalho deixa de ser o centro da vida. A partir de então, no centro está a procura do dinheiro para poder pagar as férias, os fins de semana, as festas que se multiplicam indefinidamente e o consumo festivo. O trabalho é o que permite o consumo. (...). As próprias estruturas sociais estimulam o consumo e todos os que não podem consumir se sentem rejeitados pela sociedade. (...)

e) (...) Uma nova moral avalia as pessoas com base no dinheiro acumulado e na ostentação de riqueza. A partir disso, os donos do capital fazem o que querem e como querem. Até a queda do comunismo na URSS, o magistério estava empenhado contra isso e dava pouca atenção ao crescimento rápido de uma nova forma de capitalismo. (...). Na prática, a Igreja se esquece da Gaudium et Spes e aceita a evolução incontrolada do capitalismo. A doutrina social da Igreja perde todo o significado profético porque não se aplica em nada a casos concretos. Na prática o magistério aceita o novo capitalismo. (...).

3. A reação da Igreja foi aquela que se podia temer

Os papas e muitos bispos aceitaram o argumento dos conservadores de que os problemas da Igreja derivavam do Vaticano II. Vários teólogos que haviam defendido e promovido os documentos conciliares mudaram de idéia e adotaram a tese dos conservadores, como o próprio papa atual. Diziam que o Concílio fora “mal interpretado”. Por isso, João Paulo II convocou um sínodo extraordinário em 1985, por ocasião dos 20 anos da conclusão do Concílio, para lutar contra as falsas interpretações e dar uma interpretação correta. Na prática, a nova interpretação, a “correta”, consistia em suprimir tudo aquilo que de novo havia nos documentos do Vaticano II. Um sinal fortemente simbólico foi a condenação da expressão “povo de Deus”. (...). Praticamente, aconteceu como após a Revolução francesa: fechar as portas e as janelas para cortar a comunicação com o mundo exterior e reforçar a disciplina para evitar fugas. Mas, em vão. O problema é que a Igreja já não tem mais uma imensa reserva de camponeses pobres. Na América Latina os pobres vão com os evangélicos.

Desde então, na linguagem oficial se faz referência ao Concílio, mas sua mensagem é ignorada. O Concílio permanece na memória e nos princípios das minorias sensíveis à evolução do mundo, que extrai dele argumentos para solicitar mudanças e respostas aos desafios do mundo atual. Os jovens, incluindo os novos sacerdotes, não sabem o que foi o Concílio, que não reveste para eles nenhum interesse. Estão mais interessados no catolicismo anterior ao Vaticano II, com suas seguranças, sua beleza litúrgica e a justificação de um autoritarismo clerical que os protege dos problemas.

A reação da Igreja tem sido aquele do retorno à disciplina precedente, cujo símbolo é dado pelo novo Código de direito canônico (...). O novo Código fecha as portas a todas as mudanças que poderiam inspirar-se no Vaticano II. Torna o Vaticano II historicamente inoperante.

No mundo, a prioridade dada à luta contra o comunismo – um comunismo já em plena decadência – induziu a Igreja a aceitar silenciosamente (os silêncios da Doutrina social da Igreja, dizia padre Calvez) o capitalismo desenfreado que emergiu nos anos 70. Na América Latina o Vaticano apoiou as ditaduras militares e condenou todos os movimentos de transformação social em nome da luta contra o comunismo. Desde a época do governo de Reagan, a aliança com os Estados Unidos permaneceu firme até a guerra contra o Iraque, que abriu por um momento os olhos do papa. De tal modo, a Igreja se aliava com os poderosos do mundo e se condenava a ignorar o mundo dos pobres em sua pastoral real.

Na América Latina a reação a Igreja à revolução cultural ocorrida no mundo desenvolvido foi muito dolorosa. Destruiu algo de novo que estava nascendo. Na América Latina, o Vaticano II significou uma mudança real. (...). O Celam, com a aprovação de Paulo VI, convocou a Assembléia de Medellín, a qual mudou a orientação da Igreja para que tirasse do Concílio conclusões práticas. Decidiu optar pelos pobres e empenhar-se por uma mudança social radical, legitimou as comunidades eclesiais de base e a formação dos leigos com base na Bíblia e na ação política. (...). Em várias regiões, Medellín não foi aceita nem aplicada. Mas, houve regiões importantes nas quais Medellín modificou a Igreja e se tornou a aplicação real do Vaticano II.

Tudo isso foi sistematicamente atacado em Roma com argumentos oferecidos por setores reacionários da América Latina. Desde 1972, a campanha contra a Conferência de Medellín foi dirigida por Alfonso López Trujillo. Malgrado isso, em Puebla, em 1979, Medellín se salvou. Mas, sob o pontificado de João Paulo II a pressão cresceu. Os argumentos romanos, as nomeações episcopais, a repressão contra os bispos mais empenhado0s na linha de Medellín tiveram efeito. A condenação da teologia da libertação em 1984 acabaria dando o golpe final. A carta do papa à Conferência episcopal brasileira do ano subsequente limitou um pouco o alcance da condenação, mas a teologia da libertação ainda representa hoje algo de suspeito.

4. O que resta do Vaticano II

Hoje, as reformas realizadas pelo Vaticano II nos parecem muito tímidas, totalmente inadequadas e insuficientes. Será preciso andar muito além, porque o mundo mudou mais nos últimos 50 anos do que nos 2.000 anos precedentes. Do Vaticano II devem permanecer, como base para as reformas futuras:

O retorno à Bíblia como referência permanente da vida eclesial acima de todas as elaborações doutrinas ulteriores, dos dogmas e da teologia.
A afirmação do povo de Deus como participante ativo na vida da Igreja, tanto no testemunho da fé como na organização da comunidade, com total definição jurídica dos direitos e dos instrumentos necessários no caso de opressão da parte da autoridade.
A afirmação da Igreja dos pobres.
A afirmação da Igreja como serviço ao mundo, fora de toda busca de poder.
A afirmação de um ecumenismo de participação mais íntima entre as Igrejas cristãs.
A afirmação do encontro entre todas as religiões e pensamentos não religiosos.
Uma reforma litúrgica que use símbolos e palavras compreensíveis pelos homens e pelas mulheres contemporâneas. (...).

5. As condições da humanidade atual em estado de radical transformação.

a). Como entender a fé? A partir da modernidade, muitos cristãos perderam a fé ou pensaram tê-la perdido porque têm uma idéia errônea da fé. (...).

O objeto da fé é Jesus Cristo, a vida de Jesus Cristo. É dar a própria adesão a esta vida e adotá-la como norma, porque tem um valor absoluto, porque esta vida é a verdade, porque é assim que devemos ser homem ou mulher. Não é uma evidência que não permita dúvidas. É uma percepção de verdade que jamais suprime uma franja de dúvida, porque é sempre um ato voluntário e porque esta verdade não se vê. O crente não se sente obrigado a crer. É um ato de dom da própria vida, a escolha de um caminho. Não há evidência do fato de que Jesus vive e está conosco, porém sente-se sua presença como um apelo repetido, malgrado todas as dúvidas. (...).

Hoje o papa condena como relativismo fenômenos próprios do ser humano, que hoje não pode mais entender o modo tradicional de conhecer os objetos da religião. Estes não fazem parte de sua experiência de vida. (...). Tal condição do ser humano de hoje pressupõe uma profunda revisão da teologia da fé, a qual já está ocorrendo, mas não se divulga, com a conseqüência que milhões de adolescentes perdem sempre mais a fé, por não lhes ser explicado o que ela é.

b) A religião. Os nossos contemporâneos abandonam os atos litúrgicos oficiais da Igreja porque os consideram enfadonhos. A missa habitual é enfadonha, salvo em algumas circunstâncias especiais nas quais comparecem milhares de pessoas. (...) Quando a liturgia era um latim, era melhor porque não se entendia. Uma vez que se compreende, se capta seu estilo insuportável. É usada uma linguagem pomposa, formal, do tipo “humildemente pedimos”: ninguém fala assim. “Unimos as nossas vozes às dos anjos”: fórmula convencional que não responde a nada na vida. Há centenas de fórmulas semelhantes. (...).

c) A moral. Nossos contemporâneos não aceitam códigos morais, o fato que se lhes imponham ou se proíbam condutas porque estão no código. Eles querem entender o valor dos preceitos ou das proibições. Ou seja, estão descobrindo a consciência moral que permite captar o valor dos atos. (...). Antes a base da moral cristã era a obediência à autoridade. Era preciso fazê-lo ou não fazê-lo, porque a Igreja o ordenava ou proibia. Por isso tantas vezes os leigos perguntavam: isto se pode fazer? Se o sacerdote dizia que sim, o problema moral estava resolvido. Pois bem, isso pertence ao passado.

d) A comunidade. O cristianismo é comunitário. Mas, as formas tradicionais de comunidade tendem a debilitar-se. A própria família perdeu muito de sua importância porque os seus membros se encontram mais raramente. A paróquia atual perdeu o sentido de comunidade. Mas, estão aparecendo muitas novas formas de pequenas comunidades baseadas na livre escolha. Tais comunidades terão a capacidade de celebrar a eucaristia, o que pressupõe uma pessoa adaptada a presidi-la em cada grupo de umas cinqüenta pessoas. Não existe nenhuma dificuldade doutrinal para isso, porque nos primeiros séculos a situação era esta e não havia problemas. Isso é fundamental, porque uma comunidade que não se reúne na eucaristia não é realmente uma comunidade cristã. Os sacerdotes de tempo integral estarão em torno ao bispo de cada cidade importante para evangelizar todos os setores da sociedade urbana.

É claro que não sabemos quando e como se chegará a isso. É pouco provável que um Concílio que reúna unicamente bispos possa encontrar as respostas aos desafios da época. As respostas não virão da hierarquia, nem do clero, mas dos leigos que vivem o evangelho em meio a um mundo que compreendem. Por isso, devemos estimular a formação de grupos de leigos empenhados ao mesmo tempo com o evangelho e com a sociedade humana na qual atuam.

O Vaticano II permanecerá na história como uma tentativa de reformar a Igreja no final de uma época história de 15 séculos. Seu único defeito foi que chegou demasiado tarde. Três anos após sua conclusão, tinha início a maior revolução cultural do Ocidente. Os seus detratores o acusaram de todos os problemas que emergiram desta revolução cultural, e, com isso, o mataram. Mas, o Vaticano II permanece como um sinal profético. Em meio a uma Igreja prisioneira de um passado que não sabe superar, representa uma voz profética. Não conseguiu reformar a Igreja como teria desejado, mas foi um convite a olhar em frente. Ainda há potentes movimentos que pregam o retorno ao passado. Devemos protestar. Quando pessoas que nada entendem da evolução do mundo contemporâneo querem refugiar-se num passado sem abertura ao futuro, devemos denunciar. Para nós, o Vaticano II é Medellín. Também quiseram matar Medellín. Mas, Medellín permanece como a luz que nos mostra o caminho.

Uma última reflexão: O futuro da Igreja católica está nascendo na Ásia e na África. Será muito diverso. Aos jovens será preciso dizer: aprendei o chinês!
Fonte aqui, via aqui

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Carneiro assume personalidade de cão

Um carneiro que foi acolhido por um casal britânico após o seu nascimento, em Shropshire, em Inglaterra, tem dado que falar. O que o destaca de outros carneiros é facto deste agir como um cão, mesmo quando é posto em conjunto com outros membros da sua espécie.

Baptizado de Jack, o carneiro era o mais pequeno de um parto de três (acontecimento raro para a espécie). Alison Sinstadt levou-o para casa e criou-o com a sua cadela Jessie, de nove anos. A partir dessa altura os dois ficaram inseparáveis.

"Ele segue-a aonde quer que ela vá e até tenta imitá-la quando ela late. Ele faz um som estranho, metade 'méé', metade latido, que toda a gente acha hilariante", conta Alison ao jornal 'The Sun'.

O carneiro, que já está com seis meses de idade, também procura gravetos e salta sobre as pernas traseiras como um cão, segundo a dona. "Quando levamos a Jessie para passear, Jack não me larga até que eu coloque uma coleira nele também", afirma.

Um dos poucos hábitos de sua espécie que Jack manteve foi o de comer pasto.
Fonte: aqui

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Navio encontrado no fundo do Atlântico com 170 milhões de euros em prata

Afundado por submarino alemão em 1941

O “SS Gairsoppa”, afundado durante a Segunda Guerra Mundial, foi finalmente encontrado, 480 quilómetros a sudoeste da costa irlandesa e a uma profundidade de 4700 metros. Dentro do navio mercante britânico encontra-se um tesouro com cerca de 240 toneladas de prata que, se a operação for bem sucedida, será o maior e mais valioso alguma vez a ser recuperado do fundo do mar.
A preciosa carga do “SS Gairsoppa” está avaliada em 150 milhões de libras (cerca de 170 milhões de euros). A empresa que encontrou o navio e que vai tentar recuperar o tesouro, a norte-americana Odyssey Marine Exploration, vai ficar com o grosso do montante arrecadado com a operação. O acordo firmado com o governo britânico dita, de acordo com a BBC, que a empresa fique com 80% do valor da carga.
A Odyssey Marine Exploration, especializada neste tipo de operações, ganhou o concurso público deste projecto em Janeiro de 2010. O optimismo inicial do presidente executivo da empresa, Greg Stemm, que previa começar os trabalhos no Verão desse ano e encontrar o navio em 90 dias, não coincidiu com a realidade. Foi necessário mais um ano para localizar o casco e só na Primavera de 2012 tentarão retirar a prata.
“Completámos a primeira fase do projecto – a localização e a identificação do navio naufragado”, disse o responsável pela operação, Andrew Craig, citado pela BBC. “Agora, estamos a trabalhar arduamente no planeamento da fase de recuperação. Estamos extremamente confiantes”, acrescentou. A carga deverá ser retirada com recurso a submarinos não tripulados.
A profundidade a que o “SS Gairsoppa” se encontra, nas águas frias do Atlântico Norte, é 900 metros superior à que estão submersos os destroços do famoso “RMS Titanic”. A recuperação não será fácil, mas poderia ser ainda mais difícil. “Tivemos sorte em encontrar o navio pousado direito, com os porões abertos e acessíveis”, disse Greg Stemm, ao The New York Times, que publica um vídeo com imagens do navio no fundo do mar.
Quando a Odyssey avançou com o projecto não sabia ao certo o que iria encontrar, em que estado e em quanto tempo. A empresa assumiu esse risco, pagando pelas despesas de toda a operação, assim como pela sua documentação e pela publicitação da carga encontrada. É por tudo isto que o acordo firmado com Secretaria de Estado dos Transportes do Reino Unido, prevê que 80% do valor do tesouro fique nas mãos dos perscrutadores. O resto é pertence ao erário público britânico.
O contrato estipula, por outro lado, que os destroços sejam cuidadosamente inspeccionados para perceber se ali se encontram restos mortais de algum dos 85 tripulantes que seguiam a bordo na última viagem do navio. O principal arqueólogo marinho a acompanhar as operações no Atlântico Norte, Neil Dobson, diz ser “altamente improvável” que esse venha a ser o caso, quer pelo tempo que já passou, quer pela profundidade a que se encontra o navio.
O “SS Gairsoppa” foi afundado em 1941 por um submarino alemão. O navio, que transportava prata, gusa (ferro fundido moldado em barras) e chá provenientes da Índia, estava a ficar sem combustível na recta final da sua viagem e fez um desvio para o porto irlandês de Galway, a fim de reabastecer. Foi torpedeado nesse percurso. Conseguiram chegar aos botes 32 tripulantes, mas apenas um sobreviveu até chegar à costa, o segundo oficial R.H. Ayres, que morreu em 1992.
Fonte: aqui

Merkel: países que não cumpram estabilidade devem perder soberania

A chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu o agravamento de sanções a países da zona euro que não cumpram os critérios de estabilidade, incluindo a perda de soberania, em entrevista no domingo à televisão pública ARD.
Na opinião da chanceler alemã, os países que violem o limite de três por cento do défice orçamental em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), ou o limite de 60 por cento da dívida pública em relação ao PIB, «terão de abdicar de parte da sua soberania, se se verificar que o país em questão não cumpriu os seus próprios compromissos».

Para Merkel, «quem não cumprir, tem de ser obrigado a cumprir», e os prevaricadores deverão, se necessário, ter de responder pelos seus actos perante o tribunal europeu de justiça.

«Se um país da zona euro não respeitar os critérios de estabilidade, deverá poder ser processado no Tribunal Europeu de Justiça», afirmou a chefe do governo alemão na entrevista ao principal canal da televisão pública.

O Tratado de Maastricht impõe um limite de três por cento para o défice orçamental e um limite máximo de endividamento de 60 por cento do PIB aos países da União Europeia.

Portugal por exemplo, teve um défice orçamental de 9,1 por cento em 2010, que tenciona baixar para 5,9 por cento este ano, e traçou a meta de voltar a cumprir o limite de três por cento em 2013.

Quanto à dívida pública portuguesa, ronda actualmente os 90 por cento do PIB, bem acima do máximo permitido no tratado que antecedeu a introdução do euro.

Merkel disse ainda que a crise das dívidas soberanas «é muito séria», advogando a permanência da Grécia na zona euro, pelo menos enquanto a União Europeia e o FMI, através da chamada ‘troika’, atestarem que Atenas cumpre o programa de ajustamento económico.

A chanceler alemã alertou ainda para os riscos de contágio de outros países em dificuldades, como Portugal e a Irlanda, caso a Grécia entre em incumprimento, apesar de esta solução ser defendida por muitos economistas

A chanceler mostrou-se ainda confiante em obter na quinta-feira a necessária maioria parlamentar na votação sobre o alargamento do âmbito do fundo de resgate europeu (FEEF), apesar de vários deputados da coligação governamental, sobretudo do Partido Liberal, terem anunciado que votarão contra.

O fundo permitiu, nomeadamente, a concessão de um empréstimo de 78 mil milhões de euros a Portugal, depois de o país ter começado a ter dificuldade em financiar-se no mercado de capitais a juros razoáveis.

A aprovação das alterações ao FEEF no parlamento alemão está, no entanto, garantida, porque dois dos partidos da oposição - os sociais-democratas e os verdes - já anunciaram que votarão a favor.

Para Merkel, no entanto, é importante também manter unidas as fileiras dos partidos do governo e fazer valer a sua própria maioria no hemiciclo, para evitar uma crise política que poderia, em última instância, culminar em eleições antecipadas, segundo vários analistas.

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domingo, 25 de setembro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

Alunos do ensino recorrente foram favorecidos no acesso a Medicina

Os estudantes do ensino recorrente podem completar o secundário num ano e estão dispensados dos exames nacionais. Muitos acabaram com média de 20 e entram nas faculdades com facilidade, passando à frente daqueles que fizeram o ensino regular. Dirigentes escolares falam em situação "escandalosa" mas a situação é legal.

O recurso ao ensino recorrente para ingressar no ensino superior chegou este ano aos cursos de Medicina, que mais uma vez tiveram as médias de acesso mais altas, entre os 18,1 e os 18,6 valores. Este facto foi confirmado ao PÚBLICO pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), que, através da assessoria de imprensa, adiantou que já foram reportados vários casos de estudantes que conseguiram, assim, ultrapassar colegas que completaram o secundário no ensino regular. A situação é considerada "injusta" e "escandalosa" por dirigentes escolares, mas, como sublinha o MEC, "é perfeitamente legal".

A vantagem, para os alunos que completam o secundário através do ensino recorrente, resulta do facto de, no limite, este permitir fazer o secundário num único ano lectivo e ser comparativamente menos exigente. Isto porque o recorrente - que tem vindo a ser substituído nas escolas por outros cursos - foi concebido para proporcionar uma segunda oportunidade, no caso do secundário, a maiores de 18 anos que abandonaram precocemente o sistema educativo.

Nesta modalidade, o secundário pode ser feito de forma não presencial, através da realização de provas elaboradas e avaliadas por professores da própria escola e não depende da realização de qualquer exame externo, nacional, ao contrário do que acontece no ensino regular. Foram estas condições que tornaram possível que, em pelo menos três casos verificados pelo PÚBLICO, alunos que se candidataram no ano passado a Medicina com média de secundário inferior a 18 valores tenham voltado a apresentar candidatura, este ano, com média de secundário de 20 valores, conseguindo assim ingressar no curso.

Três 20 num externato

Através do gabinete de imprensa da Secretaria de Estado do Ensino Superior, o MEC informou que ainda estão a decorrer as análises de dados que permitirão saber qual o percurso escolar das dezenas de alunos que entraram em cursos de Medicina com a média redonda de 20 valores no secundário. Cecília Oliveira, directora da Escola Secundária José Macedo Fragateiro, de Ovar, sabe que vários estudantes com aquela nota saíram do Externato Luís de Camões, uma escola particular do mesmo concelho, que apenas ministra ensino recorrente a 132 alunos dos 10.º, 11.º e 12.º anos.

"No ensino regular, a nota dos exames nacionais conta para a média do secundário, pelo que é praticamente impossível conseguir uma classificação de 20. A nossa melhor aluna, absolutamente excepcional, acabou este ciclo de estudos com 19,3", comentou Cecília Oliveira ao PÚBLICO.

Esta professora conhece bem o que se passa no Externato Luís de Camões - é à direcção da escola secundária que dirige que compete passar os diplomas aos alunos do colégio, bem como as respectivas fichas ENES (o documento comprovativo da classificação do ensino secundário e das notas dos exames nacionais correspondentes às provas exigidas para ingresso no superior). "É uma situação estranhíssima: certifico as notas, mas não tenho qualquer competência para verificar em que condições elas são obtidas - limito-me a verificar se os documentos que me chegam do externato estão completos do ponto de vista formal", frisou.

O director do Externato Luís de Camões, Hipólito Almeida, frisa que "tudo decorre dentro da legalidade". "São alunos muito bons, determinados em entrar em Medicina, que encontram no nosso estabelecimento um ensino de qualidade e conseguem resultados de excelência", diz.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Membros do Opus Dei julgados em Paris por escravidão

Dois membros do grupo católico conservador Opus Dei vão hoje a julgamento num tribunal de Paris, acusados de forçar uma jovem a trabalhar ao longo de mais de uma década sem lhe pagarem ou a pagarem-lhe quantidades irrisórias.
Os advogados de defesa enquadraram o caso numa questão laboral, mas o porta-voz da Opus Dei afirmou que a rapariga escolheu por sua vontade trabalhar e fazer parte do grupo.

A queixosa é Catherine Tissier, que tinha 14 anos quando entrou para a escola de hotelaria de Donson, detida e gerida pela Opus Dei.

Sob a liderança de um «guia espiritual», a jovem escolheu juntar-se ao grupo católico e começou a trabalhar como «tesoureira assistente».

«Trabalhava das sete da manhã às 22h todos os dias, sete dias por semana. As três semanas de férias que me davam eram passadas com a Opus Dei, para aprendermos teologia e estudar em profundidade o espírito do fundador».

A mulher afirma que assinou vários cheques mas que nunca viu o dinheiro. Além disso, foi encorajada a não ter contacto com os pais e diagnosticada com depressão, estando medicada por um médico do grupo católico.

Com 29 anos, Catherine pesava apenas 39 quilos e foi num fim-de-semana que veio a casa que os pais não a deixaram voltar ao grupo. «Comecei a viver quase aos 30. Comecei a sair, nunca tinha visto um filme no cinema», disse.

Este julgamento está a gerar muitas expectativas por se prever que sejam reveladas práticas secretas do grupo. Dan Brown descreveu a Opus Dei no seu best seller Código Da Vinci como sendo uma seita sedenta de poder, descrição muito contestada pelo grupo católico.

O fundador da Opus Dei, o padre espanhol Jose Maria Escriva de Balaguer, foi canonizado pelo Papa João Paulo II.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011



Seminaristas vão ter que fazer testes psicológicos

Notícia do DN de hoje. Para lá da efectiva preocupação da Igreja belga em proteger as crianças, respondendo às directivas da Santa Sé, o que significa a medida? Que o sacerdócio ministerial como é concebido actualmente atrai pedófilos? Atrai jovens com medo da intimidade heterossexual, como diz o psicólogo da notícia? Parece-me que esta medida preventiva só esconde um problema muito maior. Um filtro que, pretendendo resolver um problema, revela que as suas causas permanecem.
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Medina Carreira diz que governantes dos últimos 10 anos deviam ser julgados

O antigo ministro das Finanças Medina Carreira defendeu terça-feira que os governantes dos últimos 10 anos deviam ser julgados pelo estado em que deixaram o País, relativizando o caso da dívida escondida da Madeira.

"Estamos com as baterias contra o dr. João Jardim (...), mas temos muita gente que à frente dele devia sentar-se no banco dos réus. As pessoas que puseram este País no estado em que está deveriam ser julgadas", disse Medina Carreira, durante uma tertúlia na Figueira da Foz.

Questionado por Fátima Campos Ferreira, anfitriã da tertúlia Conversas do Casino, sobre se o caso madeirense devia ser do foro penal, Medina Carreira respondeu: "Não só a Madeira. Quem pôs o País de pantanas como está, se houvesse lei aplicável, também devia ir aos tribunais".

Defendeu ainda que uma eventual ação judicial deveria incidir sobre os governantes dos últimos 10 anos.

"Era seleccioná-los, porque houve uma data de mentirosos a governar", argumentou.

Medina Carreira alegou que o caso da Madeira "só existe" porque Portugal "chegou ao estado de abandalhamento completo" e que a questão só foi tornada pública dado o período eleitoral na região autónoma.

"É fruto muito de haver eleições agora. Se não houvesse isto passava relativamente bem", afirmou.

Segundo Medina Carreira "antes da Madeira, houve várias Madeiras" em Portugal.

"Por toda a parte se nota que falta dinheiro aqui e ali. Rouba-se aqui. Rouba-se acolá. Nunca ninguém é julgado. Nunca ninguém presta contas. Eu atribuo uma importância relativa à Madeira", sustentou.

Sobre eventuais novas "surpresas" em termos de dívida escondida, Medina Carreira disse que em Portugal "tudo é possível em matéria de dinheiro" num Estado "onde realmente não há rigor, não há seriedade, não há verdade", sublinhou.

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Soares dos Santos: "Estamos falidos"

O presidente da Jerónimo Martins diz não ter dúvidas de que Portugal é hoje um País falido.

"Estamos falidos e quando se está falido, está-se falido. Não vale a pena andar-se a discutir. A única coisa a fazer, todos em conjunto, é não assistir a este espectáculo triste de nos estarmos sempre a queixar na televisão, mas darmos as mãos e recuperarmos o país a trabalhar", argumentou hoje Alexandre Soares dos Santos durante uma conferência promovida pela AEP, em Lisboa.

O ‘chairman' da Jerónimo Martins declarou também que o buraco nas contas da Madeira é mais um sinal da "total irresponsabilidade dos nossos governantes". "A questão da Madeira é igual à questão da dívida pública do País que foi feita antes. Não é diferente nem mais importante. Isto é a total irresponsabilidade dos nossos governantes em gerir os nossos impostos e depois vêem-nos pedir mais dinheiro", defendeu gestor.
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Hans Kung prepara a visita do Papa à Alemanha

O Papa visita a Alemanha de 22 a 25 de Setembro. Vai daí, a revista “Der Spiegel” revolveu espelhar na sua última edição uma entrevista a Hans Kung. Claro que entrevistar o teólogo suíço sem umas críticas a Bento XVI, Roma e o Vaticano seria defraudar as expectativas.

E o que diz Hans Kung?

Diz que Bento XVI “oculta a situação de emergência na Igreja Católica”, que esta sofre do “sistema romano”, que as grandes concentrações de multidões nada de novo trazem à Igreja (“nem mais paroquianos na missa, nem mais aspirantes aos sacerdócio, nem menos abandonos da Igreja”), que está a acontecer a “putinização” da Igreja. "Na prática, tanto Ratzinger como Putin colocaram os seus antigos colaboradores em postos dirigentes e liquidaram aqueles que lhes eram adversos", diz. Afirma ainda que há um sistema de denunciantes. “Na Alemanha, os párocos de tendências reformadores, mas também os bispos, devem ter medo de ser denunciado em Roma” (li aqui).

Quem me dera que Kung não tivesse razão. Algumas das questões apontadas não têm a ver com Bento XVI, especificamente, mas com a má tradição da Igreja. Penso concretamente no medo da reforma, que é um medo de discussão e reflexão (um medo de partilha de poder, de democracia, ou, falando eclesialmente, de serviço), num certo culto da personalidade, das dioceses a Roma, que é um medo de autonomia e iniciativa (herança do sistema feudal, por um lado, e , por outro, falando a partir dos Evangelhos, enterrar talentos em vez de os pôr a render). Isto não é exclusivo dos tempos de Bento XVI. Perpassa por toda a Igreja em muitos tempos e geografias. Sente-se mais com Bento XVI?
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Felicidade da credulidade?

O facto de um crente ser mais feliz do que um céptico não é mais pertinente do que o facto de um homem bêbado ser mais feliz do que um sóbrio. A felicidade da credulidade é uma qualidade barata e perigosa.
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Humor simples

Na escola:
- Stôr, como faço para calcular a hipotenusa de um triângulo?
- Usa o teorema de Pitágoras.
- E se ele não mo quiser emprestar.
*
Vira-se o cego para o paralítico
:
- Então, como tens andado?
Responde o paralítico:
- Olha, como tens visto?
*
Entre ladrões:
- Queres contar a “massa” que tirámos com este trabalhinho?
- Descansa. Amanhã já o saberemos pelos jornais!

*
- Não vais acreditar - diz o marido à mulher, baixando ligeiramente o jornal. - Diz aqui: “Gémeo tenta suicidar-se e mata o irmão por engano”.
*
No bar:
- Este leite tem muita água!
- Queira desculpar, mas a vaca
esteve muito tempo à chuva!
In Notícias de Beja

"Não cabia na pele de contente”

Não caber na pele

Diz-se, geramente, de alguém: "Não cabia na pele de contente”.
É uma expressão oriunda da "Fábula da rã” que quis ser boi e, ao tentar, ficou tão inchada com o seu esforço que acabou por não caber na pele... e estorou!

As árvores e o seu símbolo

Na linguagem comum, cada árvore tem o seu símbolo:

A acácia, a nobreza

A amendoeira, a esperança

O cipreste, a morte

A figueira, a doçura

O loureiro, o triunfo

A macieira, o amor

A murta, a dor

A nogueira, a virtude

A oliveira, a paz

O olmeiro, o amparo

A palmeira, a justiça

O plátano, a grandeza

O pinheiro, a saudade

A videira, a alegria

No momento actual, que árvore ou árvores simbolizam o seu estado de alma?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

64º Salão Automóvel de Frankfurt: A electricidade veio para ficar

Os carros eléctricos são o tema central da maior feira de automóveis do mundo





Provavelmente nunca os extremos se tocaram tanto. Há 114 anos, quando a primeira edição do salão automóvel se realizou na Alemanha, dos 8 carros expostos no pequeno espaço do Hotel Bristol, em Berlim, havia-os movidos a gasolina, a vapor e a electricidade. Nessa altura discutia-se muito qual seria o combustível do futuro e muita gente apostava no vapor porque água e lenha havia por todo o lado. Afinal foram o petróleo que venceu.

Na edição deste ano do Internationalen Automobil-Austellung (Salão Internacional do Automóvel), oficialmente conhecido pela sigla IAA e em todo o mundo por Salão de Frankfurt, uma coisa parece ser muito clara: a electricidade veio para ficar ou, de um modo mais suave, nos próximos anos vai assistir-se a uma mudança gradual no modo de pensar o automóvel com as várias tecnologias (petróleo, electricidade, hidrogénio e a combinação delas) a constarem nos cadernos de encargos de um número cada vez maior de construtores.

Seja a utilização exclusiva da electricidade para automóveis urbanos e suburbanos, sejam os eléctricos com extensor de autonomia (a propulsão é sempre eléctrica, mas existe um motor a gasolina ou diesel que recarrega as baterias), sejam as tecnologias híbridas (eléctrico mais gasolina, diesel ou gás), seja a pilha de combustível (a partir do hidrogénio transportado no depósito da viatura é gerada a electricidade que acciona o motor ou os motores), o futuro próximo não será mais o mesmo. E pelo que se pode ver no Salão de Frankfurt a maioria dos construtores já aderiu a essas tecnologias alternativas, muitos deles muito a sério. Parece já não existir retrocesso possível.

Nesta edição do IAA, a 64ª, estão presentes cerca de 900 expositores, dos quais 180 são de fabricantes de automóveis, veículos especiais ou miniautocarros, sendo os restantes de peças e acessórios, outros bens ligados ao automóvel e ainda profissionais de tuning (modificação e personalização de viaturas). São esperados até ao encerramento no dia 25 mais de 900 mil visitantes, sendo pouco mais de 30% os que o fazem por motivos maioritariamente profissionais.

O Salão Automóvel de Frankfurt está em alta porque a indústria alemã também o está, mas apesar de alguma crise dos construtores franceses (dos ingleses nem vale a pena falar), mais de metade dos expositores são oriundos da União Europeia, 33% são da Ásia e Austrália, 7% da América e 9% de países europeus não comunitários. É verdade que desde os anos de 1920 os construtores nos habituaram a produzir os seus automóveis para mercados específicos com gostos muito diferentes, procurando a divulgação nos vários salões regionais. Mas também esse hábito parece estar a mudar, com o aparecimento cada vez maior do chamado “carro global”.

Finalmente registe-se também o crescimento do fenómeno “nicho de mercado”, com construtores a apostarem numa subida de vendas através de carros destinados a clientes muito específicos, na confirmação da regra de que muitos poucos fazem muitos. É por essa razão que não nos devemos admirar com o lançamento de um utilitário (embora desportivo) por parte da Maserati, ou de um super desportivo com cerca de 400 cv por parte da Kia, marca coreana que até há pouco apenas era conhecida pelos seus carros utilitários e baratos.

O mundo automóvel está em grande mudança e o que se pode ver no Salão de Frankfurt, perdão, no Internationalen Automobil-Austellung é a prova disso.------------------------------- Fonte: aqui

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

JÁ AMANHECEU POR AÍ?

Um mestre de vida espiritual perguntou aos seus discípulos se sabiam onde acabava a noite e começava o dia.
Um deles disse: «Quando vemos um animal à distância e podemos distinguir se é vaca ou cavalo».
O mestre disse imediatamente: «Não!»
Os discípulos replicaram: «Então é quando vemos uma árvore à distância e conseguimos distinguir se é figueira ou laranjeira».
O mestre repetiu: «Também não!»
Os discípulos insistiram: «Então quando é?»
O mestre finalmente explicou: «Quando vedes o rosto de um homem e reconheceis nele um irmão; quando vedes o rosto de uma mulher e reconheceis nele uma irmã. Se não fordes capazes disso, qualquer que seja a hora, ainda é noite!»
Fonte: aqui