Portugal está na pobreza
Mas a Língua Portuguesa
Continua a enriquecer,
Já era uma Língua rica
Se agora mais rica fica
É o que está p’ra se ver.
Há vocábulos usados
Com vários significados
Denominados homónimos;
Também se exprime a preceito
Uma ideia ou um conceito
Usando vários sinónimos.
Está neste caso “ ROUBAR “
“ FURTAR “,“ DESAPROPRIAR “
“ SURRIPIAR” e “ EXTORQUIR”;
“ RAPINAR” ou “ SAQUEAR “
“ ESBULHAR “e “ GATUNAR “
“ PILHAR “ e “ SUBTRAIR “.
“ PALMAR “ e “ LARAPIAR “
“ BIFAR “, “PIFAR “, ou “ GAMAR”
Mesmo que seja em calão;
“ ASSALTAR “ ou “ SALTEAR “
“ TIRAR “, “ LIMPAR “, “ DESPOJAR”,
Tem tudo a mesma acepção.
“ CONFISCAR “, “ DESAPOSSAR “,
“ APROPRIAR “, “ ESPOLIAR “
São conceitos semelhantes;
“ RIPAR “ e “AMARFANHAR “
“ ARREPANHAR “, “ EMPALMAR “,
Larápios são uns tratantes.
Surge agora um novo termo
Criado por um estafermo
Que nos está a “ (des ) governar”;
Com imprevidentes “ PASSOS “
Fazendo de nós palhaços
Inventa o verbo … ” gaspar “.
“ GASPAR “ é neologismo
Que nos lança para o abismo
Num desastre humanitário;
Mesmo com o país enfermo
Vamos extirpar tal termo
Do nosso vocabulário.
(Enviado por email)
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
terça-feira, 30 de outubro de 2012
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Enfim! As historietas que inventam...
Uma moça muito jeitosa entra na igreja e confessa os pecados:
- Sr. Padre, eu ando a ter sexo com o padre da aldeia vizinha!
Diz o padre muito zangado:
- Vais rezar 20 Avé-Marias e 20 Pai-Nossos... E nunca mais te esqueças:
A TUA PARÓQUIA É ESTA!
- Sr. Padre, eu ando a ter sexo com o padre da aldeia vizinha!
Diz o padre muito zangado:
- Vais rezar 20 Avé-Marias e 20 Pai-Nossos... E nunca mais te esqueças:
A TUA PARÓQUIA É ESTA!
domingo, 28 de outubro de 2012
sábado, 27 de outubro de 2012
Luto(s). Por quem os sinos dobram
Várias vezes me perguntaram por que é que não escrevia algo sobre o(s)
luto(s). Aí fica então a tentativa (hoje e no próximo sábado) de satisfazer
esses pedidos. E faço-o nesta ocasião, porque, num tempo em que a morte se
tornou tabu - o último tabu -, as nossas sociedades permitem que os mortos nos
visitem nestes dias, concretamente 1 e 2 de Novembro.
O dia 1 será este ano feriado nacional pela última vez. Permita-se-me, neste contexto, que manifeste a minha total discordância pelo facto de, na negociação do fim de dois feriados religiosos, a Santa Sé - o Vaticano, na linguagem corrente - ter optado por cortar o dia de Todos os Santos em vez do dia 15 de Agosto, Assunção de Nossa Senhora. Afinal, já havia uma festa dedicada a Nossa Senhora, a Imaculada Conceição, no dia 8 de Dezembro. E os dias 1 e 2 de Novembro são mais universais, pois são os dias da Memória e da Interrogação.
A palavra luto (do latim luctus, dor, mágoa, aflição, lamentações, lágrimas) significa, nas várias línguas - duelo, Trauer, lutto -, dor, principalmente pela morte de alguém. Principalmente. De facto, é a dor pela perda, e há muitos tipos de perda: o desemprego, o fim de um namoro, um divórcio, a reforma, um fracasso profissional... Mas é sobretudo dor pela morte de alguém. Porque a perda principal e sem retorno é a morte.
O primeiro luto deve ser por nós próprios, isto é, luto de cada um por si mesmo, no sentido de cada um se reconciliar, se ir reconciliando, com a sua mortalidade e, assim, com a sua própria morte. Hemingway escreveu um romance famoso, pleno de humanidade: Por Quem os Sinos Dobram. Afinal, por quem dobram os sinos? É por ti. Por cada um de nós. Por mim.
Para perceber uma sociedade, mais importante do que saber como é que nela se vive é saber como é que nela se morre e nela se tratam os mortos. Porque esse "como" da morte explica o "como" da vida. Na nossa sociedade do cálculo, da razão instrumental, da eficácia, da produção que deveria ser ilimitada e do afago festivo e agitado do consumo e do bem-estar consumista, a morte teve de tornar-se tabu: disso pura e simplesmente não se fala, porque é de mau tom e mau gosto. E assim se construiu uma sociedade assente na mentira. Com efeito, podemos tentar esquecer a morte, ela não se esquecerá de nós.
Não se julgue, portanto, que se tenta não pensar na morte, porque a morte já não é problema. É exactamente o contrário: de tal modo a morte é problema, um problema para o qual uma sociedade poderosíssima concretamente no domínio técnico não tem solução que a única solução é calá-lo, ocultá-lo.
Já Pascal chamou a atenção para isso, no quadro do seu divertissement. "Quando algumas vezes me pus a considerar as diversas agitações dos homens, e os perigos e trabalhos a que se expõem, na corte e na guerra, e que dão origem a tantas contendas, paixões, empreendimentos ousados, e muitas vezes maus, descobri que toda a infelicidade dos homens vem de uma só coisa: não saberem estar sossegados num quarto. Mas, quando pensei de perto no assunto, e quando, depois de ter encontrado a causa de todas as nossas infelicidades, quis descobrir a razão dela, vi que só há uma razão muito efectiva, que consiste na desgraça natural da nossa condição fraca e mortal."
Não se trata, como é evidente, de um pensar mórbido na morte - esse pensamento é detestável, tanto mais quanto foi utilizado até pela Igreja para, pelo terror da morte e do Além, exercer domínio e controlo sobre as consciências. Pelo contrário, do que se trata é de reconciliar-se e conviver de modo sadio com a morte própria. Por duas razões fundamentais. Porque o pensamento da morte atira-nos, como mostrou Heidegger, para a distinção clara entre a existência autêntica e a existência inautêntica, entre o bem e o mal, o justo e o injusto, o que verdadeiramente vale e o que não vale. Por outro lado, a consciência do limite temporal da existência no mundo obriga a viver intensamente cada instante. Só se vive uma vez e tudo é sempre pela primeira e última vez. O que temos a fazer é aqui e agora. Não há adiamento possível. E da nossa vida podemos fazer uma obra de arte ou um desastre.
Anselmo Borges, aqui
O dia 1 será este ano feriado nacional pela última vez. Permita-se-me, neste contexto, que manifeste a minha total discordância pelo facto de, na negociação do fim de dois feriados religiosos, a Santa Sé - o Vaticano, na linguagem corrente - ter optado por cortar o dia de Todos os Santos em vez do dia 15 de Agosto, Assunção de Nossa Senhora. Afinal, já havia uma festa dedicada a Nossa Senhora, a Imaculada Conceição, no dia 8 de Dezembro. E os dias 1 e 2 de Novembro são mais universais, pois são os dias da Memória e da Interrogação.
A palavra luto (do latim luctus, dor, mágoa, aflição, lamentações, lágrimas) significa, nas várias línguas - duelo, Trauer, lutto -, dor, principalmente pela morte de alguém. Principalmente. De facto, é a dor pela perda, e há muitos tipos de perda: o desemprego, o fim de um namoro, um divórcio, a reforma, um fracasso profissional... Mas é sobretudo dor pela morte de alguém. Porque a perda principal e sem retorno é a morte.
O primeiro luto deve ser por nós próprios, isto é, luto de cada um por si mesmo, no sentido de cada um se reconciliar, se ir reconciliando, com a sua mortalidade e, assim, com a sua própria morte. Hemingway escreveu um romance famoso, pleno de humanidade: Por Quem os Sinos Dobram. Afinal, por quem dobram os sinos? É por ti. Por cada um de nós. Por mim.
Para perceber uma sociedade, mais importante do que saber como é que nela se vive é saber como é que nela se morre e nela se tratam os mortos. Porque esse "como" da morte explica o "como" da vida. Na nossa sociedade do cálculo, da razão instrumental, da eficácia, da produção que deveria ser ilimitada e do afago festivo e agitado do consumo e do bem-estar consumista, a morte teve de tornar-se tabu: disso pura e simplesmente não se fala, porque é de mau tom e mau gosto. E assim se construiu uma sociedade assente na mentira. Com efeito, podemos tentar esquecer a morte, ela não se esquecerá de nós.
Não se julgue, portanto, que se tenta não pensar na morte, porque a morte já não é problema. É exactamente o contrário: de tal modo a morte é problema, um problema para o qual uma sociedade poderosíssima concretamente no domínio técnico não tem solução que a única solução é calá-lo, ocultá-lo.
Já Pascal chamou a atenção para isso, no quadro do seu divertissement. "Quando algumas vezes me pus a considerar as diversas agitações dos homens, e os perigos e trabalhos a que se expõem, na corte e na guerra, e que dão origem a tantas contendas, paixões, empreendimentos ousados, e muitas vezes maus, descobri que toda a infelicidade dos homens vem de uma só coisa: não saberem estar sossegados num quarto. Mas, quando pensei de perto no assunto, e quando, depois de ter encontrado a causa de todas as nossas infelicidades, quis descobrir a razão dela, vi que só há uma razão muito efectiva, que consiste na desgraça natural da nossa condição fraca e mortal."
Não se trata, como é evidente, de um pensar mórbido na morte - esse pensamento é detestável, tanto mais quanto foi utilizado até pela Igreja para, pelo terror da morte e do Além, exercer domínio e controlo sobre as consciências. Pelo contrário, do que se trata é de reconciliar-se e conviver de modo sadio com a morte própria. Por duas razões fundamentais. Porque o pensamento da morte atira-nos, como mostrou Heidegger, para a distinção clara entre a existência autêntica e a existência inautêntica, entre o bem e o mal, o justo e o injusto, o que verdadeiramente vale e o que não vale. Por outro lado, a consciência do limite temporal da existência no mundo obriga a viver intensamente cada instante. Só se vive uma vez e tudo é sempre pela primeira e última vez. O que temos a fazer é aqui e agora. Não há adiamento possível. E da nossa vida podemos fazer uma obra de arte ou um desastre.
Anselmo Borges, aqui
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Mais uma do repelente regime norte-coreano...
Vice-ministro norte-coreano executado com tiro de morteiro
Um vice-ministro do Exército da Coreia do Norte foi condenado à morte por ter bebido álcool durante os 100 dias de luto pela morte do "querido líder" Kim Jong-il. Segundo a imprensa sul-coreana, citada pelo 'Daily Mail', o método de execução terá sido tão violento quanto criativo: um tiro de morteiro.
Na sua execução, que ocorreu em Janeiro, Kim Chol terá sido forçado a manter-se num local para onde foi disparado um tiro de morteiro, às ordens do novo líder norte-coreano, Kim Jong-un, filho de Kim Jong-il.
Segundo a imprensa sul-coreano, Kim Jong-un ordenou que o vice-ministro fosse "obliterado" por ter desrespeitado a morte do seu pai, a 17 de Dezembro de 2011.
Começou nessa data um período de 100 dias de luto em que a população da Coreia do Norte foi forçada a abster-se de qualquer comportamento de que resultasse prazer, incluindo o consumo de bebidas alcoólicas.
Houve relatos de que a falta de comparência em cerimónias de pesar pela morte do 'querido líder' foi o suficiente para que muitos norte-coreanos fossem agredidos brutalmente ou enviados para campos de trabalho.
Fonte: aqui
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Porta-voz do episcopado condena ataques informáticos contra site do Patriarcado de Lisboa
O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) afirmou hoje em Fátima que os recentes ataques informáticos contra o cardeal-patriarca e os sites da Diocese de Lisboa são uma “ofensa” para a Igreja e a população.
“Esta é uma ofensa coletiva à grandíssima maioria do povo português”, disse aos jornalistas o padre Manuel Morujão, secretário da CEP, após a reunião do Conselho Permanente, considerando a pirataria um ato “condenável” e de “baixo nível”.
Neste caso, frisou, a ação não atingiu apenas o patriarca de Lisboa em particular, “mas todas as pessoas que partilham a sua fé e que são a sua família alargada”.
Uma fotomontagem do cardeal foi publicada este domingo por um grupo de piratas informáticos autointitulados ‘Sidekingdom 12-Portugal’, no site do Patriarcado de Lisboa.
Em causa estariam afirmações de D. José Policarpo, presidente da CEP, proferidas em Fátima, a 12 de outubro, nas quais sustentou que “não se resolve nada contestando, indo para grandes manifestações”.
"A Igreja, concretamente os nossos bispos, a começar pelo presidente da Conferência Episcopal, têm procurado, em diversas circunstâncias, dar ânimo e estar perto das populações, através de inúmeras obras sociais. Atacar alguém que é parte da solução desta angústia, desta tendência à depressão, é uma injustiça", declarou o padre Manuel Morujão.
O porta-voz da CEP considerou que estas palavras foram "mal interpretadas", lembrando que o patriarca de Lisboa “tem defendido as causas do povo”.
“Ele [D. José Policarpo] é o principal responsável pelas notas pastorais recentemente publicadas, onde os nossos bispos se situam geograficamente no continente dos mais pobres e desfavorecidos”, referiu.
O cardeal-patriarca, acrescentou o padre Manuel Morujão, “é alguém que procura que o povo tenha voz, seja respeitado, que os sacrifícios a exigir sejam pedidos àqueles que podem”.
“A austeridade cega não é aconselhável a ninguém”, disse ainda.
Neste contexto, o secretário da CEP alertou para “situações dramáticas” que estão a ser vividas por portugueses que emigraram em busca de emprego e “foram enganados”.
O sacerdote jesuíta adiantou que na reunião de hoje estiveram em análise notas pastorais que vão ser discutidas na próxima assembleia plenária, em novembro, sobre os 90 anos do escutismo ou o Pontifício Colégio Português, entre outros temas.
O Conselho Permanente é um órgão delegado da assembleia dos bispos católicos em Portugal, com funções de preparar os seus trabalhos e dar seguimento às suas resoluções, reunindo ordinariamente todos os meses.
In agência ecclesia
“Esta é uma ofensa coletiva à grandíssima maioria do povo português”, disse aos jornalistas o padre Manuel Morujão, secretário da CEP, após a reunião do Conselho Permanente, considerando a pirataria um ato “condenável” e de “baixo nível”.
Neste caso, frisou, a ação não atingiu apenas o patriarca de Lisboa em particular, “mas todas as pessoas que partilham a sua fé e que são a sua família alargada”.
Uma fotomontagem do cardeal foi publicada este domingo por um grupo de piratas informáticos autointitulados ‘Sidekingdom 12-Portugal’, no site do Patriarcado de Lisboa.
Em causa estariam afirmações de D. José Policarpo, presidente da CEP, proferidas em Fátima, a 12 de outubro, nas quais sustentou que “não se resolve nada contestando, indo para grandes manifestações”.
"A Igreja, concretamente os nossos bispos, a começar pelo presidente da Conferência Episcopal, têm procurado, em diversas circunstâncias, dar ânimo e estar perto das populações, através de inúmeras obras sociais. Atacar alguém que é parte da solução desta angústia, desta tendência à depressão, é uma injustiça", declarou o padre Manuel Morujão.
O porta-voz da CEP considerou que estas palavras foram "mal interpretadas", lembrando que o patriarca de Lisboa “tem defendido as causas do povo”.
“Ele [D. José Policarpo] é o principal responsável pelas notas pastorais recentemente publicadas, onde os nossos bispos se situam geograficamente no continente dos mais pobres e desfavorecidos”, referiu.
O cardeal-patriarca, acrescentou o padre Manuel Morujão, “é alguém que procura que o povo tenha voz, seja respeitado, que os sacrifícios a exigir sejam pedidos àqueles que podem”.
“A austeridade cega não é aconselhável a ninguém”, disse ainda.
Neste contexto, o secretário da CEP alertou para “situações dramáticas” que estão a ser vividas por portugueses que emigraram em busca de emprego e “foram enganados”.
O sacerdote jesuíta adiantou que na reunião de hoje estiveram em análise notas pastorais que vão ser discutidas na próxima assembleia plenária, em novembro, sobre os 90 anos do escutismo ou o Pontifício Colégio Português, entre outros temas.
O Conselho Permanente é um órgão delegado da assembleia dos bispos católicos em Portugal, com funções de preparar os seus trabalhos e dar seguimento às suas resoluções, reunindo ordinariamente todos os meses.
In agência ecclesia
Cardeal não protesta
No DN de hoje. Mais
uma vez a sensatez de D. José Policarpo. Até poderíamos pensar que não é só na
rua, contestando, que não se resolve nada. Nos tribunais, protestando, também
não se resolve grande coisa (sim, penso que a principal reforma de que o país
precisa é a da justiça).
Fonte: aqui
Fonte: aqui
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
domingo, 21 de outubro de 2012
Mensalão: Políticos no tribunal. Seria possível em Portugal?
O Brasil julgou a cúpula do Governo Lula e o antigo número dois do Executivo acabou condenado por corrupção. José Dirceu arrisca agora cumprir até doze anos de cadeia. Seria o mesmo possível em Portugal?
Veja aqui
Veja aqui
sábado, 20 de outubro de 2012
Sua Alteza Real, D. Mário Soares
Clara Ferreira Alves, no Expresso
Tudo o que aqui relato é verdade. Se quiserem, podem processar-me.
Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.
Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.
A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante uma longa carreira politica. A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo de Paris.
A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma "brilhante" que se viu o processo de descolonização.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.
A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiència governativa.
A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.
A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os "dossiers"..
A lucidez que lhe permitiu não voltar a ser primeiro-ministro depois de tão fantástico desempenho no cargo.
A lucidez que lhe permitiu pôr-se a jeito para ser agredido na Marinha Grande e, dessa forma, vitimizar-se aos olhos da opinião pública e vencer as eleições presidenciais.
A lucidez que lhe permitiu, após a vitória nessas eleições, fundar um grupo empresarial, a Emaudio, com "testas de ferro" no comando e um conjunto de negócios obscuros que envolveram grandes magnatas internacionais.
A lucidez que lhe permitiu utilizar a Emaudio para financiar a sua segunda campanha presidencial.
A lucidez que lhe permitiu nomear para Governador de Macau Carlos Melancia, um dos homens da Emaudio.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume ao caso Emaudio e ao caso Aeroporto de Macau e, ao mesmo tempo, dar os primeiros passos para uma Fundação na sua fase pós-presidencial.
A lucidez que lhe permitiu ler o livro de Rui Mateus, "Contos Proibidos", que contava tudo sobre a Emaudio, e ter a sorte de esse mesmo livro, depois de esgotado, jamais voltar a ser publicado.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume as "ligações perigosas" com Angola, ligações essas que quase lhe roubaram o filho no célebre acidente de avião na Jamba (avião esse transportando de diamantes, no dizer do então Ministro da Comunicação Social de Angola).
A lucidez que lhe permitiu, durante a sua passagem por Belém, visitar 57 países ("record" absoluto para a Espanha - 24 vezes - e França - 21), num total equivalente a 22 voltas ao mundo (mais de 992 mil quilómetros).
A lucidez que lhe permitiu visitar as Seychelles, esse território de grande importância estratégica para Portugal, aproveitando para dar uma voltinha de tartaruga.
A lucidez que lhe permitiu, no final destas viagens, levar para a Casa-Museu João Soares uma grande parte dos valiosos presentes oferecidos oficialmente ao Presidente da Republica Portuguesa.
A lucidez que lhe permitiu guardar esses presentes numa caixa-forte blindada daquela Casa, em vez de os guardar no Museu da Presidência da Republica.
A lucidez que lhe permite, ainda hoje, ter 24 horas por dia de vigilância paga pelo Estado nas suas casas de Nafarros, Vau e Campo Grande.
A lucidez que lhe permitiu, abandonada a Presidência da Republica, constituir a Fundação Mário Soares. Uma fundação de Direito privado, que, vivendo à custa de subsídios do Estado, tem apenas como única função visível ser depósito de documentos valiosos de Mário Soares. Os mesmos que, se são valiosos, deviam estar na Torre do Tombo.
A lucidez que lhe permitiu construir o edifício-sede da Fundação violando o PDM de Lisboa, segundo um relatório do IGAT, que decretou a nulidade da licença de obras.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que o processo das velhas construções que ali existiam e que se encontrava no Arquivo Municipal fosse requisitado pelo filho e que acabasse por desaparecer convenientemente num incêndio dos Paços do Concelho.
A lucidez que lhe permitiu receber do Estado, ao longo dos últimos anos, donativos e subsídios superiores a um milhão de contos.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre os vários subsídios, um de quinhentos mil contos, do Governo Guterres, para a criação de um auditório, uma biblioteca e um arquivo num edifico cedido pela Câmara de Lisboa.
A lucidez que lhe permitiu receber, entre 1995 e 2005, uma subvenção anual da Câmara Municipal de Lisboa, na qual o seu filho era Vereador e Presidente.
A lucidez que lhe permitiu que o Estado lhe arrendasse e lhe pagasse um gabinete, a que tinha direito como ex-presidente da República, na... Fundação Mário Soares.
A lucidez que lhe permite que, ainda hoje, a Fundação Mário Soares receba quase 4 mil euros mensais da Câmara Municipal de Leiria.
A lucidez que lhe permitiu fazer obras no Colégio Moderno, propriedade da família, sem licença municipal, numa altura em que o Presidente era... João Soares.
A lucidez que lhe permitiu silenciar, através de pressões sobre o director do "Público", José Manuel Fernandes, a investigação jornalística que José António Cerejo começara a publicar sobre o tema.
A lucidez que lhe permitiu candidatar-se a Presidente do Parlamento Europeu e chamar dona de casa, durante a campanha, à vencedora Nicole Fontaine.
A lucidez que lhe permitiu considerar Jose Sócrates "o pior do guterrismo" e ignorar hoje em dia tal frase como se nada fosse.
A lucidez que lhe permitiu passar por cima de um amigo, Manuel Alegre, para concorrer às eleições presidenciais mais uma vez.
A lucidez que lhe permitiu, então, fazer mais um frete ao Partido Socialista.
A lucidez que lhe permitiu ler os artigos "O Polvo" de Joaquim Vieira na "Grande Reportagem", baseados no livro de Rui Mateus, e assistir, logo a seguir, ao despedimento do jornalista e ao fim da revista.
A lucidez que lhe permitiu passar incólume depois de apelar ao voto no filho, em pleno dia de eleições, nas últimas Autárquicas.
No final de uma vida de lucidez, o que resta a Mário Soares? Resta um punhado de momentos em que a lucidez vem e vai. Vem e vai. Vem e vai.
Vai.... e não volta mais.
Clara Ferreira Alves
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Divulgo por estar 100% de acordo
|
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Reformas esgotam daqui a sete anos
Portugueses correm um sério risco de ficar sem reformas daqui a sete anos. É que as contas da Segurança Social entraram em queda livre e o sistema de previdência deverá entrar na «falência» já em 2020, ou seja, dez anos antes do inicialmente previsto.
Veja aqui o vídeo.
Veja aqui o vídeo.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
FALANDO DOS HOMENS (Fernanda Montenegro)
Um texto de uma
grande mulher
para outras mulheres,
que os homens
vão adorar.
O Pai Américo faz 125 anos
Poderia pensar-se que, tendo falecido há já 56 anos, o Padre
Américo Monteiro de Aguiar estivesse mais ou menos esquecido. Mas não é isso que
tenho testemunhado em contacto com antigos "gaiatos".
Faz 125 anos no próximo dia 23 de outubro que nasceu o fundador
das Casas do Gaiato e fez 56 em julho passado que encontrou a morte num desastre
de viação. Corria o país a pedir ajuda para a sua Obra e a dirigir as diversas
casas por ele fundadas. E foi numa dessas jornadas que tudo aconteceu.
Três obras conseguiu erguer: Casas do Gaiato, Património dos
Pobres e Calvário, esta para doentes incuráveis. Consumiu a vida sacerdotal no
apoio aos pobres, procurando tirá-los da miséria, com o auxílio dos que
consciencializou para o essencial dever cristão de «amar em obras e em verdade».
Foi um pedagogo da Caridade, um renovador de mentalidades. Seu guia – o
Evangelho; seu único Mestre – Cristo; sua grande tribuna – "O Gaiato", jornal
por ele fundado.
Sentindo desde novo vocação para padre, não conseguiu a autorização do pai,
que o encaminhou para o comércio. Trabalhou em Moçambique dos 18 aos 36 anos, e
só aos 41 foi ordenado padre, em Coimbra, após ter contactado com outros
seminários, que lhe negaram a entrada, por causa da sua idade. Contactando com
um número grande de rapazes que viviam uma vida de miséria e abandono, teve a
ideia de os ajudar.
Este homem foi um lutador. Contra a miséria e o abandono de
tantas crianças. E muitas conseguiram singrar porque encontraram nele um Pai.
Chamavam-lhe o Pai Américo e com toda a razão. Felizmente que muitos dos seus
filhos nunca esqueceram a Obra que os educou. E são eles hoje que mais se chocam
com as críticas que às vezes se ouvem contra os métodos educativos que ainda
agora norteiam essas Casas, feitas por gente que pouco ou nada fez de válido na
vida.
Fonte: aqui
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Lamento sócio-político
Lamento:
- que em democracia não haja mais transparência na governação (para a oposição e os contribuintes e eleitores conhecerem os dados reais);
- que não haja sinceridade na oposição e no período eleitoral (para que um partido possa ganhar eleições mesmo prometendo austeridade - coisa que é capaz de ser inédita);
-a imaturidade no eleitorado principalmente na hora de escolher quem governa (para não irmos em promessas que não se podem cumprir, ilusões).
Não acredito muito nas massas, principalmente quando este povo, o meu, o nosso, de um ano para o outro, quando teve de apresentar o número de contribuinte dos descendentes nas declarações de IRS, fez desaparecer mais de 100 mil filhos.
É um povo em que se pode confiar?
Como em tudo, numas coisas sim, noutras não.
No caso do dinheiro, que é só disso que se trata, hummmm.
Com base no que li aqui
- que em democracia não haja mais transparência na governação (para a oposição e os contribuintes e eleitores conhecerem os dados reais);
- que não haja sinceridade na oposição e no período eleitoral (para que um partido possa ganhar eleições mesmo prometendo austeridade - coisa que é capaz de ser inédita);
-a imaturidade no eleitorado principalmente na hora de escolher quem governa (para não irmos em promessas que não se podem cumprir, ilusões).
Não acredito muito nas massas, principalmente quando este povo, o meu, o nosso, de um ano para o outro, quando teve de apresentar o número de contribuinte dos descendentes nas declarações de IRS, fez desaparecer mais de 100 mil filhos.
É um povo em que se pode confiar?
Como em tudo, numas coisas sim, noutras não.
No caso do dinheiro, que é só disso que se trata, hummmm.
Com base no que li aqui
segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Islamitas chicoteiam rapariga por falar com homens na rua
Uma adolescente de 15 anos foi chicoteada, esta segunda-feira, 60 vezes em Tombuctu por militantes de um movimento islamita, que a condenaram por falar com homens na rua, noticia a agência AP.
O castigo público ocorreu cerca das 11h00 (12h00 de Lisboa),
em frente às novas instalações da polícia islâmica
A rapariga teria sido alegadamente vista com homens na rua pelos islamitas do movimento Ansar Dine, que agora mandam nesta cidade no norte do Mali.
"Os islamitas disseram que a rapariga tinha sido avisada cinco vezes pela polícia islamita, mas que continuou a falar com homens na rua.
Depois da audiência, os islamitas deram 60 vergastadas à rapariga. "A população não apareceu em grande número para ver o castigo", afirmou um residente de Tombuctu, contactado por telefone a partir da capital, Bamako.
O castigo público ocorreu cerca das 11h00 (12h00 de Lisboa), em frente às novas instalações da polícia islâmica, na baixa da capital, próximo da Praça da Independência.
Fonte: aqui
domingo, 14 de outubro de 2012
SOCIÓLOGO E FILÓSOFO FRANCÊS, ACERCA DE PORTUGAL
ARTIGO DE
JACQUES AMAURY,
Um artigo
de Jacques Amaury, sociólogo e filósofo francês, professor na Universidade de
Estrasburgo.
"Portugal
atravessa um dos momentos mais difíceis da sua história que terá que resolver
com urgência, sob o perigo de deflagrar crescentes tensões e consequentes
convulsões sociais.
Importa em
primeiro lugar averiguar as causas. Devem-se sobretudo à má aplicação dos
dinheiros emprestados pela CE para o esforço de adesão e adaptação às
exigências da união.
Foi o
país onde mais a CE investiu "per capita" e o que menos proveito retirou.
Não se actualizou, não melhorou as classes laborais, regrediu na qualidade
da educação, vendeu ou privatizou mesmo actividades primordiais e património
que poderiam hoje ser um sustentáculo.
Os
dinheiros foram encaminhados para auto-estradas, estádios de futebol,
constituição de centenas de instituições público-privadas, fundações e
institutos, de duvidosa utilidade, auxílios financeiros a empresas que os reverteram
em seu exclusivo benefício, pagamento a
agricultores
para deixarem os campos e aos pescadores para venderem as embarcações, apoios
estrategicamente endereçados a elementos ou a próximos deles, nos principais
partidos, elevados vencimentos nas classes superiores da administração
pública, o tácito desinteresse da Justiça, frente à corrupção galopante e
um desinteresse quase total das Finanças no que respeita à cobrança na riqueza,
na Banca, na especulação, nos grandes negócios, desenvolvendo, em
contrário, uma atenção especialmente persecutória junto dos pequenos
comerciantes e população mais pobre.
A política
lusa é um campo escorregadio onde os mais hábeis e corajosos penetram, já que
os partidos cada vez mais desacreditados, funcionam essencialmente como
agências de emprego que admitem os mais corruptos e incapazes, permitindo
que com as alterações governativas permaneçam, transformando-se num enorme
peso bruto e parasitário.
Assim, a
monstruosa Função Publica, ao lado da classe dos professores, assessoradas por
sindicatos aguerridos, de umas Forças Armadas dispendiosas e caducas,
tornaram-se não uma solução, mas um factor de peso nos problemas do país.
Não
existe partido de centro já que as diferenças são apenas de retórica, entre o
PS (Partido Socialista) e o PSD (Partido Social Democrata), de direita, agora
mais conservador ainda, com a inclusão de um novo líder, que tem um suporte
estratégico no PR e no tecido empresarial abastado.
Mais à
direita, o CDS (Partido Popular), com uma actividade assinalável, mas com
telhados de vidro e linguagem pública, diametralmente oposta ao que os seus
princípios recomendam e praticarão na primeira oportunidade.
À esquerda,
o BE (Bloco de Esquerda), com tantos adeptos como o anterior, mas igualmente
com uma linguagem difícil de se encaixar nas recomendações ao Governo, que
manifesta um horror atávico à esquerda, tal como a população em geral,
laboriosamente formatada para o mesmo receio. Mais à esquerda, o PC (Partido
comunista) menosprezado pela comunicação
social,
que o coloca sempre como um perigo latente e uma extensão inspirada na União
Soviética, oportunamente extinta, e portanto longe das realidades actuais.
Assim, não
se encontrando forças capazes de alterar o status, parece que a democracia
pré-fabricada não encontra novos instrumentos.
Contudo, na
génese deste beco sem aparente saída, está a impreparação, ou melhor, a
ignorância de uma população deixada ao abandono, nesse fulcral e determinante
aspecto. Mal preparada nos bancos das escolas, no secundário e nas faculdades,
não tem capacidade de decisão, a não ser a que lhe é oferecida pelos órgãos de
Comunicação. Ora e aqui está o grande problema deste pequeno país; as TVs as
Rádios e os Jornais, são na sua totalidade, pertença de privados ligados à alta
finança, à industria e comércio, à banca e com infiltrações accionistas de
vários países.
Ora, é
bem de ver que com este caldo, não se pode cozinhar uma alimentação saudável,
mas apenas os pratos que o "chefe" recomenda.
Daí a
estagnação que tem sido cómoda para a crescente distância entre ricos e pobres.
A RTP, a
estação que agora engloba a Rádio e TV oficiais, está dominada por elementos
dos dois partidos principais, com notório assento dos sociais-democratas,
especialistas em silenciar posições esclarecedoras e calar quem levanta o
mínimo problema ou dúvida. A selecção dos gestores, dos directores e dos
principais jornalistas é feita exclusivamente por via partidária. Os jovens
jornalistas, são condicionados pelos problemas já descritos e ainda pelos
contratos a prazo determinantes para o posto de trabalho enquanto, o
afastamento dos jornalistas seniores, a quem é mais difícil formatar o processo
a pôr em prática, está a chegar ao fim. A deserção destes, foi notória.
Não há um
único meio ao alcance das pessoas mais esclarecidas e por isso, "non
gratas" pelo establishment, onde possam dar luz a novas ideias e à
realidade do seu país, envolto no conveniente manto diáfano que apenas deixa
ver os vendedores de ideias já feitas e as cenas recomendáveis para a
manutenção da sensação de liberdade e da prática da apregoada democracia.
Só uma
comunicação não vendida e alienante, pode ajudar a população, a fugir da banca,
o cancro endémico de que padece, a exigir uma justiça mais célere e justa, umas
finanças atentas e cumpridoras, enfim, a ganhar consciência e lucidez sobre os
seus desígnios.
(Enviado por email)
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
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