terça-feira, 17 de setembro de 2013

O “May be man”

Existe o “Yes man”. Todos sabem quem é  e o mal que causa. Mas existe o May be man. E poucos sabem quem é. Menos  ainda sabem o impacto desta espécie na vida nacional. Apresento aqui essa  criatura que todos, no final, reconhecerão como  familiar.
O May be man vive do “talvez”. Em  português, dever-se-ia chamar de “talvezeiro”. Devia tomar decisões. Não  toma. Sim­plesmente, toma indecisões. A decisão é um risco. E obriga a  agir. Um “talvez” não tem implicação nenhuma, é um híbrido entre o nada e  o vazio.
A diferença entre o Yes man e o May be  man não está apenas no “yes”. É que o “may be” é, ao mesmo tempo, um “may  be not”. Enquanto o Yes man aposta na bajulação de um chefe, o May be man  não aposta em nada nem em ninguém. Enquanto o primeiro suja a língua numa  bota, o outro engraxa tudo que seja bota  superior.
Sem chegar a ser chave para nada, o May  be man ocupa lugares chave no Estado. Foi-lhe dito para ser do partido.  Ele aceitou por conveniên­cia. Mas o May be man não é exactamente do  partido no Poder. O seu partido é o Poder. Assim, ele veste e despe cores  políticas conforme as marés. Porque o que ele é não vem da alma. Vem da  aparência. A mesma mão que hoje levanta uma bandeira, levantará outra  amanhã. E venderá as duas bandeiras, depois de amanhã. Afinal, a sua  ideolo­gia tem um só nome: o negócio. Como não tem muito para  negociar, como já se vendeu terra e ar, ele vende-se a si mesmo. E  vende-se em parcelas. Cada parcela chama-se “comissão”. Há quem lhe chame  de “luvas”. Os mais pequenos chamam-lhe de “gasosa”. Vivemos uma  na­ção muito gaseificada.
Governar não é, como muitos pensam,  tomar conta dos interesses de uma nação. Governar é, para o May be Man,  uma oportunidade de negócios. De “business”, como convém hoje, dizer.  Curiosamente, o “talvezeiro” é um veemente crítico da corrupção. Mas  apenas, quando beneficia outros. A que lhe cai no colo é legítima,  patriótica e enqua­dra-se no combate contra a  pobreza.
Afinal, o May be man é mais cauteloso  que o andar do camaleão: aguarda pela opi­nião do chefe, mais ainda  pela opinião do chefe do chefe. Sem luz verde vinda dos céus, não há luz  nem verde para ninguém.
O May be man entendeu mal a máxima  cristã de “amar o próximo”. Porque ele ama o seguinte. Isto é, ama o  governo e o governante que vêm a seguir. Na senda de comércio de  oportunidades, ele já vendeu a mesma oportunidade ao sul-africano. Depois,  vendeu-a ao portu­guês, ao indiano. E está agora a vender ao chinês,  que ele imagina ser o “próximo”. É por isso que, para a lógica do  “talvezeiro” é trágico que surjam decisões. Porque elas matam o terreno do  eterno adiamento onde prospera o nosso indecidido  personagem.
O May be man descobriu uma área mais  rentável que a especulação financeira: a área do não deixar fazer. Ou numa  parábola mais recen­te: o não deixar. Há investimento à vista? Ele  complica até deixar de haver. Há projecto no fundo do túnel? Ele escurece  o final do túnel. Um pedido de uso de terra, ele argumenta que se perdeu a  papelada. Numa palavra, o May be man actua como polícia de trânsito  corrup­to: em nome da lei, assalta o  cidadão.
Eis a sua filosofia: a melhor maneira  de fazer política é estar fora da política. Melhor ainda: é ser político  sem política nenhuma. Nessa fluidez se afirma a sua competência: ele sai  dos princípios, esquece o que disse ontem, rasga o juramento do passado. E  a lei e o plano servem, quando confirmam os seus interesses. E os do  chefe. E, à cau­tela, os do chefe do  chefe.
O May be man aprendeu a prudência de  não dizer nada, não pensar nada e, sobretudo, não contrariar os poderosos.  Agradar ao dirigen­te: esse é o principal currículo. Afinal, o May be  man não tem ideia sobre nada: ele pensa com a cabeça do chefe, fala por  via do discurso do chefe. E assim o nosso amigo se acha apto para tudo.  Podem no­meá-lo para qualquer área: agricultura, pescas, exército,  saúde. Ele está à vontade em tudo, com esse conforto que apenas a  ignorância absoluta pode  conferir.
Apresentei, sem necessidade o May be  man. Porque todos já sabíamos quem era. O nosso Estado está cheio deles,  do topo à base. Podíamos falar de uma elevada densidade humana. Na  realidade, porém, essa densidade não existe. Porque dentro do May be man  não há ninguém. O que significa que estamos pagando salários a fantasmas.  Uma for­tuna bem real paga mensalmente a fantasmas. Nenhum país, mesmo  rico, deitaria assim tanto dinheiro para o  vazio.
O May be Man é utilíssimo no país do  talvez e na economia do faz-de-conta. Para um país a sério não serve.  

Mia Couto

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Atendedor de Chamadas dos Avós ...


  " Bom dia! No momento não estamos em casa mas, por favor, deixe-nos a sua mensagem depois de ouvir o sinal:

- Se é um dos nossos filhos, marque 1 
- Se precisa que fiquemos com as crianças, marque 2 
- Se quer o carro emprestado, marque 3 
- Se quer que lavemos e passemos a roupa, marque 4
- Se quer que as crianças durmam aqui em casa, marque 5  
- Se quer que os busquemos na escola, marque 6 
- Se quer que lhe preparemos uns bolinhos para domingo, marque 7 
- Se querem vir comer aqui em casa, marque 8 
- Se precisam de dinheiro, marque 9  

Mas se é um dos nossos amigos que não quer nada disto, pode falar!
 

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Homem constrói catedral

interior da catedral de justo Homem const



Chama-se Justo Gallego Martínez, tem 87 anos, e desde 1961 está a construir uma catedral em Mejorada del Campo, uma pequena cidade na região metropolitana de Madrid.
Ele foi monge da Igreja Católica por 8 anos e vivia num mosteiro, mas teve tuberculose e foi forçado a deixar o local, pois a doença era considerada incurável e ele podia contaminar os outros religiosos.
Martinez prometeu que se não morresse iria edificar uma catedral. Embora não seja arquitecto nem engenheiro, tem trabalhado com fé, muito esforço e dedicação. Para muitos Justo é o "Louco da Catedral". Para os voluntários que o auxiliam, é apenas um homem com um grande sonho.
Don Justo, como é chamado pelos vizinhos, trabalha seis dias por semana, dedicando cerca de 10 horas diárias. Ele não segue uma planta e nem um projecto formal. Afirma que está tudo na sua cabeça. Justifica que estudou vários livros sobre catedrais e castelos e aprendeu tudo o que era necessário saber. Mesmo assim, já pediu ajuda a especialista para as fases mais complexas.
E São 8 mil metros quadrados de área construída. A parte mais baixa da obra tem cerca de 40 metros de altura. Até hoje, a maior parte do dinheiro veio do orçamento de Justo, que vive do aluguer e venda de terrenos herdados de sua família. Além de materiais de construção, recebe doações em dinheiro e a ajuda do trabalho de voluntários.
Um destes voluntários, Angel Lopes, já se comprometeu a terminar a obra mesmo que o ex-frade morra. Nunca foi tirada licença de construção, mas as autoridades têm fechado os olhos pois a obra atrai imensos turistas. Daí que é mais que provável que a catedral chegue mesmo a servir para o fim para que foi feita.
Fonte: aqui

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Alemão que nasceu mulher dá à luz e dizem que é o primeiro homem a dar à luz na Europa

Primeiro transexual a dar à luz na Europa é alemão

Um transexual alemão foi o primeiro homem a dar à luz na Europa. O bebé, um rapaz, nasceu a 18 de março em casa, em Berlim, com a ajuda de uma parteira, de acordo com o Daily Mail.
O homem, que não foi identificado, nasceu mulher e tem feito nos últimos anos tratamentos hormonais para mudar de sexo.
No entanto, manteve o sistema reprodutivo feminino e usou um dador de esperma para engravidar.
Oficialmente, o bebé não tem mãe, apenas pai.


"A pessoa em questão não quis aparecer na certidão de nascimento como mãe, mas sim como pai e o seu pedido foi respeitado", referiu um porta-voz da Administração do Senado de Assuntos Internos de Berlim.

A notícia diz que "oficialmente, o bebé não tem mãe, apenas pai". Na realidade, tem dois pais, o dador de esperma (provavelmente desconhecido, ok) e o homem que anteriormente era mulher, se é que esta pessoa é um pai. Admirável e, na minha opinião, repugnável mundo este. Está tudo trocado, como dizia o outro. Veio da Alemanha, onde Nietszche deve ter ficado contente por mais uma concretização da vontade de poder.
Fonte: aqui

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

....Época da "Ditadura" !!!



Não deixa de ser engraçado...

Na época da ditadura...
  
Podíamos acelerar os nossos automóveis nas auto-estradas acima dos
120km/h sem nenhum risco  e não éramos multados por radares
maliciosamente escondidos mas...
 não podíamos falar mal do presidente.
 
  Podíamos comprar armas e munições à vontade, pois o governo sabia quem era cidadão de bem, quem era bandido e quem era terrorista mas...
 não podíamos falar mal do Presidente.
 
  
Podíamos dar piropos à funcionária, à menina do "guiché" das contas a pagar ou à  recepcionista sem correr o risco de sermos processados por "assédio sexual" mas...,
 
não podíamos falar mal do Presidente.
 
 Não usávamos eufemismos hipócritas para fazer referências a raças (ei! preto!), credos (esse crente aí!) ou preferências sexuais (fala! sua bicha!) e não éramos processados por "discriminação" por esse motivo mas...
 
não podíamos falar mal do presidente.
 
 
Podíamos tomar nossa redentora cerveja no fim do expediente do
trabalho para relaxar e conduzir o carro para casa, sem o risco de sermos jogados à vala da delinquência, sendo presos por estarmos "alcoolizados" mas...
 
não podíamos falar mal do Presidente.
 
  Podíamos cortar a árvore do quintal, empestada de pragas, sem que isso constituísse  crime ambiental mas...
 não podíamos falar mal do presidente.
 
Podíamos ir a qualquer bar ou boite, em qualquer bairro da cidade, de carro, de autocarro, de bicicleta ou a pé, sem nenhum medo de sermos assaltados, sequestrados ou assassinados mas...
 
não podíamos falar mal do presidente.




  Hoje, a única coisa que podemos fazer....
 ...é falar mal do presidente!
  

Como os tempos mudaram...!!! E para muito pior…

(Recebido por email)

sábado, 7 de setembro de 2013

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Peixe “morde testículos” invadiu rio Sena em Paris

Pacu é uma espécie de peixes conhecida por atacar os testículos dos seres humanos.

"Morde testículos" é a alcunha de Pacu, uma espécie de peixes proveniente da Amazónia e Papua-Nova Guiné. Foi descoberto na Suécia, em Öresund e, desta vez, foi avistado no rio Sena, perto de Paris.
Em França, um pescador deparou-se com esta espécie de piranha, acabando por alertar as autoridades. O peixe foi identificado através de fotografias, capturadas pelo pescador.
Para além de ser uma espécie de peixe de água doce, que se alimenta principalmente de nozes, folhas, vegetação aquática e caracóis, o peixe é conhecido por atacar os testículos dos seres humanos.
Assista a um vídeo em que vários peixes pacu são alimentados com uma perna de peru. Por aqui se percebe a força dos seus dentes.
Fonte: aqui
 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

sábado, 31 de agosto de 2013

Alimentos saudáveis


A alimentação portuguesa tradicional é bastante saudável, porque tem muitos vegetais e legumes e poucas gorduras. É o que ainda hoje acontece com a maioria das sopas, que devem sempre fazer parte das refeições.
Comer alimentos crus é mais saudável porque estes conservam a 100% os seus nutrientes. Alimentos como frutas, verduras ou sementes devem ser comidos crus. Normalmente os dietistas aconselham a ingestão de cinco variedades de alimentos crus por dia.
Entre os vegetais, que não faltem os brócolos pois são o vegetal mais saudável, segundo o American Jounal of Clinical Nutricion. Com mais vitamina C do que a laranja, com uma maior quantidade de cálcio que um copo de leite e três vezes mais ricos em fibras do que o pão, os brócolos são aconselhados na prevenção do cancro do cólon e do derrame cerebral. Mas a maior descoberta são os componentes que ajudam no combate ao cancro. Os brócolos têm substâncias que, quando digeridas, estimulam a auto produção de defesas contra os vários tipos de doenças cancerígenas.
As frutas têm também grande valor nutritivo e medicinal. Ninguém deveria passar sequer um dia sem comer estes alimentos.
Fonte: aqui

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Gostava de perguntar a Deus como Se sente

Hoje em dia...
Os jovens que nos pedem o casamento, na sua maioria, já estão juntos há muito tempo. Os pais ou mães que nos pedem o batismo, muitos deles estão juntos e não casados, ou em situação irregular perante a Igreja. As Eucaristias estão vazias de gente nova, e cheias de gente que se habituou a ir à missa. A Catequese passou a ser apenas a preparação de umas festas engalanadas. O Crisma tornou-se a forma de poder ser padrinho. As confissões diminuíram. Culpa em parte dos padres que reduziram o tempo que lhe dedicavam, mas igualmente porque as pessoas deixaram de sentir essa necessidade ou a consciência do pecado. A forma de entender a sexualidade mudou completamente. A família desestruturou-se. Há diversas formas de existir em família. Monoparentais imensas vezes. Mais de metade dos filhos experimentam o peso do divórcio. Há cada vez mais cristãos recasados. Bem como divorciados. Parece que a sociedade perdeu a noção ou diferença entre bem e mal. O mal passou a ser aquilo que me incomoda e o bem aquilo que me agrada. Vivemos mais para os nossos interesses que para os melhores interesses. Não existem muitas vocações à consagração. Ser padre às vezes parece que é apenas mais uma profissão entre tantas. Hoje as pessoas sabem mais coisas, mas sabem viver menos. Deus tornou-se uma ideia e deixou de ser resposta. É o mesmo, mas mudou a forma de se entender. O mundo muda tão rápido que não conseguimos acompanhá-lo. Passa rápido e depressa morremos sem vontade, sem certezas, sem fé. 
Por tudo isso, hoje gostava de perguntar a Deus como se sente. Como se encontra. E aproveitava para lhe perguntar também onde está ou deveria estar a Sua Igreja. Porque não sei ou não sei como saber, ou não sei como viver sem saber.
Fonte: aqui

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Zoo atira pessoas em jaulas a leões famintos

Experiência inverte posições em parque da Nova Zelândia.

Nem sempre os animais do jardim zoológico são mantidos atrás das grades de jaulas. Por vezes, são os humanos que ficam presos, ao passo que os animais circulam em liberdade. O Parque Selvagem de Orana, em Christchurch, Nova Zelândia, é um desses exemplos.
Por pouco mais de 17 euros, os visitantes do parque têm a possibilidade de ver os leões a serem alimentados no seu habitat, sem correrem o risco de eles próprios virarem alimento.
Sempre no interior de uma jaula anexada a uma viatura, os visitantes podem estar a centímetros dos felinos.
"Tivemos visitantes que vieram de propósito a Christchurch de propósito para participarem na alimentação dos leões", referiu Nathan Hawke, porta-voz do parque.
O parque de Orana tem cerca de 80 hectares de área, onde podem ser vistos 400 animais de 70 espécies.
 
 Fonte: Correio da Manhã

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Rata a arder

Incêndio enorme, devorador, impiedoso. Cada faúlha que se soltava podia atear o fogo a metros de distância, dando origem a novo e insaciável incêndio.
No meio desta cena, os animais, atordoados e atónitos, faziam o que podiam para escapar ao inferno do fogo.
É assim que é vista uma ratazana, com a pelo em chamas, fugindo a toda a pressa em direção a um monte de fardos de feno. Resultado?  O feno em labaredas e a provável morte do animal.

Sabendo da maneira de ser dos portugueses, é fácil de imaginar os romances que tal acontecimento proporcionou. As piadas, as anedotas, as ironias, enfim...
Assistindo aos ditotes que escorriam naquele grupo, a Ti Fagundes, mulher desembaraçada e piadética, lançou sentença: "Aquela rata a arder queimou um monte de feno. Mas há outras ratas a arder que queimam montes de famílias!"
E esta hein?!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

sábado, 24 de agosto de 2013

O que pensa Francisco sobre a Igreja


Para o Papa Francisco, a Igreja não é uma empresa, uma multinacional ou uma ONG. Ela é "a família de Deus", do Deus que é amor, misericórdia e que perdoa sempre, se houver arrependimento. Deus está a caminho, "quando o procuramos e deixamos que ele nos procure. A experiência religiosa primordial é a do caminho. A vida cristã é uma espécie de atletismo, de conflito, de corrida, em que temos de nos desfazer das coisas que nos afastam de Deus".

No caminho, há perigos e tentações. Francisco acredita na existência do Diabo (como símbolo do mal ou uma entidade pessoal?): "O Demónio é, teologicamente, um ser que optou por não aceitar o plano de Deus. A obra-prima do Senhor é o homem; alguns anjos não o aceitaram e rebelaram-se. O Demónio é um deles. No Livro de Job é o tentador, que nos leva à suficiência, à soberba. Jesus define-o como o pai da mentira. Os seus frutos são sempre a destruição, a divisão, o ódio, a calúnia. E, na minha experiência pessoal, sinto-o de cada vez que sou tentado a fazer algo que não é aquilo que Deus me pede. Acredito que o Demónio existe. Talvez o seu maior sucesso nestes tempos tenha sido fazer-nos acreditar que não existe." De qualquer modo, "uma coisa é o Demónio e outra é demonizar as coisas ou as pessoas. O homem é tentado, mas não é por esse motivo que deveremos demonizá-lo". Mas o ser humano é um ser caído, o que "se explica a partir da queda da natureza depois do pecado original". Portanto, "as pessoas podem fazer algo de mau devido à sua própria natureza, ao seu "instinto", que se potencia devido a uma tentação exógena."

O fundamentalismo não é o que Deus quer, e ele não consiste apenas em matar em nome de Deus, o que é "uma blasfémia". "Por exemplo, quando eu era pequeno, na minha família havia uma certa tradição puritana; não éramos fundamentalistas, mas estávamos nessa linha. Se alguém do nosso círculo próximo se divorciava ou se separava, não entrávamos na sua casa; e também acreditávamos que os protestantes iam todos para o inferno, mas lembro-me de uma vez em que estava com a minha avó, uma grande mulher, e passaram precisamente duas mulheres do Exército de Salvação. Eu, que tinha uns cinco ou seis anos, perguntei-lhe se eram monjas. Ela respondeu-me: "Não, são protestantes, mas são boas." Esta foi a sabedoria da verdadeira religião."

Não se admite um clero de burocratas e carreiristas. Por exemplo, é "uma hipocrisia" negar o baptismo a crianças de pais não casados. E há o ecumenismo e o diálogo inter-religioso práticos: o das pessoas "que não partilham a minha fé, mas que partilham o amor pelo irmão". A verdadeira liderança religiosa é conferida pelo serviço. "Para mim, esta ideia é válida para a pessoa religiosa de qualquer confissão. Assim que deixa de servir, o religioso transforma-se num mero gestor, no agente de uma ONG. O líder religioso partilha, sofre, serve os seus irmãos." Foi esta dinâmica que o levou, já Papa, num gesto surpreendente, a Lampedusa, com esta mensagem: "A globalização da indiferença tirou-nos a capacidade de chorar. Peçamos ao Senhor a graça de chorar sobre a nossa indiferença, sobre a crueldade que há no mundo, em nós, também naqueles que no anonimato tomam decisões socioeconómicas que abrem o caminho a dramas como este."

Para a pedofilia, tolerância zero. "O problema não está associado ao celibato. Se um padre for pedófilo, é-o antes de ser padre. Ora, quando isso acontece, nunca se poderá tolerar. Não se pode assumir uma posição de poder e destruir a vida de outra pessoa. Na diocese, nunca me aconteceu, mas, uma vez, um bispo telefonou-me para me perguntar o que se deveria fazer numa situação semelhante, e eu disse-lhe que lhe retirasse a autorização, que não lhe permitisse exercer mais o sacerdócio e que desse início a um julgamento canónico no tribunal."

A humildade é garantia de que o Senhor está presente. "Quando alguém tem todas as respostas para todas as perguntas, é uma prova de que Deus não está com ele." A Igreja tem uma herança a preservar e que não pode negociar, mas é preciso, com tempo, "dar respostas com a herança recebida às novas questões de hoje."
Fonte: aqui

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Entrevista com o 'Senhor Teatro'

(Carregue com o rato na foto para ler melhor)

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Urso invade casa e adormece


Rabo escaldado...


Na praia como na vida. Uns descem, outros sobem. Em agosto o movimento é contínuo a qualquer hora do dia.
Aquele grupinho que descia para a praia cruzou-se no passadiço de madeira com uma senhora que regressava. Naquele momento estava parada , sacudindo os chinelos. Alguém disse entre dentes para os do seu grupinho: "Reparem naquela senhora!" Tinha um tremendo escaldão no rabo.
Que os famosos escaldões apareçam nas costas, no peito ou nas pernas dos veraneantes, é comum. Agora no rabo e logo com aquelas dimensões, já é algo insólito.
O assunto deu aso a muitas e boas piadas que provocaram belas risadas durante uns tempos.
"Aposto que amanhã ela vem para a praia com a combinação da avó", dizia um.
"Da maneira que está, ela tem que ir ao médico, mas vai levar o rabo ao léu", acrescentava outro.
"Vai dormir na banheira de rabo para cima", sugeria outro.
"Até tem um belo rabo, como é que o deixou assar daquela maneira!?", comentava outro.
"É feia", dizia uma senhora do grupo.
"Durante uns dias não precisa de usar o grelhador, pois o rabo dela substitui-o", concluía outro.
"É o que acontece às que vêm para a praia de fio dental", sentenciava um senhora nada conformada com certas modas.

Brincadeiras inofensivas do tempo de férias. Pequenos episódios que os portugueses sabem transformar em romances com aquela pitada de malícia que lhes está no sangue.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

À Sombra do Castanheiro

Uma amena conversa à sombra do castanheiro entre o Tio Ambrósio e o Carlos sobre temas muito pouco amenos...

– Cada vez me sinto mais baralhado no meio de tudo isto que vai acontecendo à nossa volta, Tio Ambrósio! Ninguém se entende! Todos dizem que têm razão e que a culpa é dos adversários políticos. Uma autêntica barafunda! E o pior é que quem vai pagar por toda esta incompetência, por toda esta verborreia inútil, por todos estes jogos de bastidores, é o povo! O povo que olha para isto e deixou de acreditar que isto seja um país. Será que ainda somos um país, Tio Ambrósio?

– Somos, Carlos! Um país mergulhado numa profunda crise, que não é apenas nem sobretudo económica, mas numa crise de valores. Eu não irei tão longe como o senhor Patriarca de Lisboa que, ao que disseram os jornais, terá afirmado que esta é a mais grave crise que Portugal viveu e vive nos seus quase nove séculos de história. Cá no meu entender é preciso distinguirmos as coisas e separarmos as águas. Se falamos de crise económica eu iria à nossa história recente buscar o exemplo daqueles anos do início do século dezanove, em que, diante das invasões francesas, o nosso rei e os nossos governantes se meteram num navio para o Brasil, deixando isto a saque. Então foram sobretudo os
ingleses que vieram fazer a guerra contra os generais de Napoleão, assumindo o governo do país, como se isto não passasse de um pequeno protectorado britânico. A nossa independência chegou então a estar em grave perigo de se perder. Depois veio a revolução liberal, que obrigou o rei a deixar as praias brasileiras, regressando a Portugal para jurar uma constituição com que, no fundo, não concordava, e este facto levou ao grito do Ipiranga, ou seja à proclamação da independência do Brasil. Daí em diante, ninguém conseguiu equilibrar as nossas contas públicas. Devíamos largas somas a muitos países da Europa, nomeadamente aos ingleses e aos alemães que nos iam fiando à conta da sua cobiça, pois tinham a intenção de se pagarem com a ocupação daquilo a que então se dava o nome de colónias portuguesas em África. E a pândega continuou nos tempos republicanos. Não houve nenhum homem à altura de sanear as nossas contas públicas, de tal modo que, nas vésperas da deflagração da primeira Guerra Mundial, ingleses e alemães tinham agendado uma reunião em que, perante o incumprimento dos pagamentos dos juros devidos pelos empréstimos, iriam decidir a divisão de Angola e Moçambique pelos dois potentados europeus.

– Quer dizer que foi a Guerra que, nessa altura, nos livrou de ficarmos sem a soberania sobre esses dois cobiçados territórios?

– Exactamente, Carlos! E é bem possível que tenha sido essa uma das razões que levou os governantes de então a entrar na Guerra por banda dos Aliados. Milhares de soldados portugueses, sem grande preparação militar, foram enviados para a frente de batalha, onde muitos perderam a vida para que as chamadas Colónias não fossem simplesmente ocupadas.

– E até à década de trinta do século vinte estivemos sempre na corda bamba. Não foi, Tio Ambrósio?

– Foi isso mais ou menos, Carlos! E quem pagou as contas foi o povo português! Aquele período que se seguiu, a que alguns deram o nome de tempo do Estado Novo, foi de grande sacrifício para os nossos concidadãos de então. O povo vivia muito pobremente, perdendo muitos dos seus direitos fundamentais, como a liberdade de expressão e até a liberdade de circulação. Mas todos hoje reconhecem que, no final desse período, não devíamos um tostão a ninguém. É verdade que a nossa alimentação se baseava na sopa de couves e nas batatas cozidas. No entanto ninguém nos vinha bater à porta a dizer que lhe devíamos isto ou aquilo.

– O que não acontece agora, Tio Ambrósio! A troica não nos larga se não pagarmos o que devemos. Andámos a comer fiado durante mais de três décadas, mas agora chegou o momento de pagarmos com língua de palmo…

– Nem mais, Carlos! E eu não estou a ver o caso com grande solução à vista, porque houve aqui uma conjugação de factores que vieram baralhar ainda mais as coisas. Estou a referir-me nomeadamente à roubalheira financeira levada a cabo por muitos homens de quem nós sabemos muito bem os nomes, e que a nossa justiça não consegue meter na linha, até porque, apesar da nossa miséria actual, a roubalheira continua. Precisamos, urgentemente, de políticos honestos e competentes, Carlos! Não basta que sejam apenas honestos, ou apenas competentes. Têm que ser ambas as coisas ao mesmo tempo.

– E o nosso povo continua manso e humilde como um cordeirinho, Tio Ambrósio! Aparece um protesto aqui ou além, mas no resto parece que estamos todos convencidos que é esta a nossa sina, que não há quem nos livre dos maus políticos, dos gananciosos banqueiros e dos usurários estrangeiros…

– Tudo isso, Carlos! Mas as coisas podem chegar a um ponto de ruptura! O saco vai enchendo, vai enchendo, até que um dia rebenta!

– E o Tio Ambrósio tem medo que isso aconteça?

– Tenho, Carlos! Se chegarmos ao limite de se pôr em risco a sobrevivência das pessoas, deixando, por exemplo, de haver alimentos… então é legítimo que o povo se revolte. E então, tal como aconteceu no passado entre nós, e acontece um pouco por todo o mundo, eu temo que venhamos a ter necessidade de perder algumas das nossas liberdades…

– O Tio Ambrósio não está a falar de nenhuma possível ditadura, seja de direita ou seja de esquerda…pois não?

– Estou a falar de autoridade, Carlos! E eu tenho medo que, para sairmos desta triste situação, alguém resolva implantar um estado autoritário. Se os nossos democratas não conseguem entender-se uns com os outros, se os nossos tribunais não conseguem julgar e punir os culpados da delapidação do erário público, obrigando os que meteram a mão no alheio a reporem o que tiraram… então eu não ponho as mãos no lume por ninguém. Tudo tem os seus limites, Carlos!

– O Tio Ambrósio, hoje está muito derrotista…

– Tens razão, Carlos! Eu vou tentar emendar-me!
 
Fonte: aqui

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Swapps nas dioceses católicas

  
Papa Francisco aceitou a demissão dos arcebispos de Maribor e Lubjana devido a uma lacuna de 800 milhões de euros. Também se fala de questões económicas como uma razão da renúncia do Bispo de Yaoundé.  Rolam cabeças na Igreja Católica por causa dos «Swapps» nas dioceses. Tais negócios pouco claros, leva Papa Francisco esta semana, a exigir demissões de bispos na Europa.... Espero e rezo para que a exigência de honestidade e transparência dos bens que são património de todos os fiéis chegue a todo o mundo.
Fonte: aqui