sábado, 11 de maio de 2019

SER AMIGO É AMAR

"O meu amigo não precisa de saber tudo sobre mim, porque não me quer julgar, precisa apenas de saber como estou... para saber o que pode fazer por mim. O mais importante é ajudarmo-nos, mais do que compreendermo-nos ou corrigirmo-nos."
José Luís Nunes Martins

quarta-feira, 24 de abril de 2019

O sangue dos mártires é semente de cristãos

O  cristianismo é hoje a religião mais perseguida no mundo
Não me consigo lembrar de quantas vezes já escrevi sobre a perseguição aos cristãos nos nossos dias. Foram muitas. Mas ainda assim muito menos do que as que deveriam ter sido. Tristemente é difícil, se não impossível, acompanhar todos os crimes de que os cristãos têm sido alvo nestes últimos anos. Morte, tortura, abusos sexuais, prisão, escravidão, exílio ou simples descriminação legal ou social, tudo isto é uma realidade para uma grande fatia dos cristãos no mundo.
Os cristãos são hoje perseguidos na maioria dos países muçulmanos, em grandes partes de África, na Índia, na China, na Coreia do Norte, no Vietname, no Laos, nas Filipinas, na Venezuela, na Nicarágua, e são alvo de descriminações em muitos outros países.
Sobre estes factos (que podem ser consultado no relatório da Ajuda à Igreja que Sofre https://religious-freedom-report.org/ptp/home-ptp/) existe um ensurdecedor silêncio no Ocidente.
Por isso não nos podem espantar as fracas reacções ocidentais ao massacre de cristãos no Sri Lanka. Porque razão Obama e Clinton, que sempre recusaram reconhecer estas perseguições, haveriam agora de reconhecer que os atentados do Sri Lanka foram contra cristãos e não “adoradores da Páscoa”? Porque haveríamos de esperar algo de diferente de quem, quando tinha poder, permitiu a morte de tantos cristãos sem qualquer sobressalto?
Mesmo cá em Portugal, aparentemente só a morte de um português é que permitiu que os atentados no Sri Lanka tivessem algum relevo (embora pareçam esquecer-se que os cristãos cingaleses se não são portugueses por lei, são no por história e por fé). Aliás, basta ver que a afirmação do Cardeal Patriarca, de que o cristianismo é hoje a religião mais perseguida no mundo, foi recebida com um misto de risota e de ironia.
Este silêncio e este desprezo porém não nos deve fazer desesperar. Porque a nossa Fé foi fundada por Cristo, também ele morto sob a cobardia e o silêncio do poder do mundo. Os poderosos que hoje ignoram a perseguição aos cristãos são apenas novos Pilatos, convencido da inocência dos cristãos, mas demasiado fracos para impedir a injustiça contra eles. Os mártires do nosso tempo são imagem de Cristo e morrendo com Ele, também com Ele alcançarão a Vida Eterna.
Que o sangue dos mártires, desprezado pelo mundo, fortaleça a fé da Igreja e dos Cristãos, e que o seu testemunho fortaleça a nossa Fé.
Fonte: aqui

segunda-feira, 22 de abril de 2019

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Histórias com padres...

Uma velhinha, sempre que passava pelo seu pároco, dizia-lhe: «Nosso Senhor lhe dê saúde e o mantenha muitos anos connosco». Certo dia, alguém lhe perguntou: «A senhora pode dizer-me por que gosta tanto deste Padre?»Ao que a velhinha respondeu: «Eu não gosto dele. Aliás, é o pior que por aqui passou! Mas como, de cada vez que mudamos de padre, vem um pior que o anterior, então peço a Deus que mantenha cá este»! É bem verdade que «atrás de mim virá quem de mim bom fará».
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O Papa Pio XII estava a dar uma audiência. Na sala encontrava-se uma senhora quase centenária e completamente surda. A certa altura, informa o Sumo Pontífice: «Saiba Vossa Santidade que é o quinto Papa que conheço na minha vida». O Santo Padre, num gesto de simpatia e humildade, atalhou: «Certamente o último é o pior de todos». Como a senhora não teve a ousadia de pedir ao Papa que repetisse o que tinha dito, afirmou com a máxima reverência: «Pois tem Vossa Santidade toda a razão»!
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Todas as semanas, um grupo de velhinhas mandava celebrar Missa por uma intenção especial. Como o pedido se repetiu por muitas semanas, o Pároco (nada menos que o Santo Cura d'Ars) perguntou pela intenção daquelas velhinhas, que tanto demorava a ser satisfeita: «Senhor padre, estamos a rezar para que o Bispo o mande para outra paróquia». Nem os santos agradam a todos. Nem sequer todas as velhinhas estão contentes. Mas o que vale é que os divinos ouvidos não dão troco a todos os pedidos!(Colhidas da página de Facebook de João António Teixeira)

quinta-feira, 11 de abril de 2019

O Diagnóstico de Bento XVI sobre a crise da Igreja e dos abusos sexuais do clero


  O Papa Emérito Bento XVI escreveu recentemente um texto intitulado "A Igreja e os abusos sexuais", no qual oferece suas reflexões sobre a atual situação eclesial e apresenta as suas propostas para enfrentar esta grave crise.
AQUI

quarta-feira, 3 de abril de 2019

O flagelo do carreirismo

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Carreiristas existem em toda a parte. Nas empresas, na política, nos serviços, na religião, até na família…
Pessoas que só têm um objetivo, subir na vida, subir no emprego, subir no poder. Sem ligar a meios, sem provar méritos e competências.
Nas empresas e nos serviços aparecem os "Yes Men ", indivíduos de mão do patrão, prontos para todo o serviço desde que tal agrade ao chefe. Sem olhar a meios, agindo estrategicamente, procuram sempre estar debaixo de olho de quem manda, captar a sua atenção e favor.
Na política o carreirismo pode começar muito cedo, logo nas "jotas".   Gente que aprende a ziguezaguear, esquivando-se entre os pingos da chuva  entre conflitos e divergências, encostando agora aqui, depois ali. Sem experiência no terreno, resta-lhes a "habilidade" do serpentear. Até que chegam ao poder, vazios de experiência real, apenas recheados de politiquice. Pobre de quem tem que os aturar!
Nas famílias também aparecem os maridos e esposas "Yes Men ". Ainda se houve muitas vezes: "eu estou sempre de acordo com o meu marido", "eu estou sempre de acordo com a minha mulher". Por motivos económicos, por instalamento, por questões sociais, por facilidade de vida, há cônjuges que calam a diferença, que se abstêm de pensar e de agir, que se anulam.
Na Igreja pode acontecer o mesmo. Mesmo quando o Papa falam do "cancro" do carreirismo e do clericalismo, o que é certo é que carreiristas vão subindo na hierarquia eclesiástica. Contrassenso? Pois.
O carreirismo afecta a dignidade de quem o pratica, adoece a democracia, atenta contra a igualdade de oportunidades, fere o real funcionamento da vida social.
Carreirismo, stop!

sexta-feira, 29 de março de 2019

Sirvamos a Cristo nos pobres

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Diz a Escritura: Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. A misericórdia não é certamente a última bem-aventurança. Lemos também: Bem-aventurado o que pensa no pobre e no indigente. E ainda: Bem-aventurado o homem que se compadece e empresta. E noutro lugar: O justo está sempre pronto a compadecer-se e a emprestar. Tornemo-nos dignos destas bênçãos divinas, de sermos chamados misericordiosos e benignos.
   Nem sequer a noite interrompa as tuas obras de misericórdia. Não digas: Vai e volta, e amanhã te darei o que pedes. Não ponhas intervalo algum entre o teu bom propósito e o seu cumprimento. Só a prática do bem não admite adiamento.
   Reparte o teu pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo; e isto com magnanimidade e alegria. Aquele que pratica a misericórdia, diz o Apóstolo, faça-o com alegria; esta prontidão e diligência duplicarão a recompensa da tua dádiva; mas o que se dá com tristeza e constrangimento nem agrada nem é digno.
   Devemos alegrar-nos, e não entristecer-nos, quando prestamos algum benefício. Diz a Escritura: Se quebrares as cadeias da injustiça e da opressão, isto é, a avareza e a discriminação, as suspeitas e as palavras de murmuração, que acontecerá? A tua recompensa será grande e admirável: A tua luz despontará como a aurora, e as tuas feridas não tardarão a sarar. E quem há que não deseje a luz e a saúde?
   Por isso, se me julgais digno de alguma atenção, servos de Cristo, seus irmãos e co-herdeiros, visitemos a Cristo, alimentemos a Cristo, tratemos as feridas de Cristo, vistamos a Cristo, recebamos a Cristo, honremos a Cristo, não só sentando-O à nossa mesa como Simão, não só ungindo-O com perfumes como Maria, não só dando-Lhe o sepulcro como José de Arimateia, não só provendo o necessário para a sepultura como Nicodemos, não só, finalmente, oferecendo ouro, incenso e mirra como os Magos; mas, uma vez que o Senhor do Universo prefere a misericórdia ao sacrifício, uma vez que a compaixão tem muito maior valor do que a gordura de milhares de cordeiros, ofereçamos a misericórdia e a compaixão na pessoa dos pobres que hoje na terra são humilhados, de modo que, ao sairmos deste mundo, sejamos recebidos nas moradas eternas pelo mesmo Cristo, Nosso Senhor, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos.
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 (São Gregório de Nazianzo, Sec. IV)

domingo, 24 de março de 2019

quarta-feira, 20 de março de 2019

Tarrant não é fruto do Cristianismo, é fruto do seu abandono


Por mais que algumas pessoas, incluindo o presidente da Turquia, Erdogan, insistam em dizer o contrário, o terrorista de Christchurch não era cristão.

No seu manifesto ele fala de Cristianismo, mas quando chega ao ponto de se identificar, ou não, como cristão, responde que “isso é complicado, quando souber, digo”, o que deixa bastante a desejar em termos de profissão de fé. Nisto, segue a tendência de outros famosos terroristas raciais. A excepção é Anders Breivik que, no seu manifesto, diz que foi baptizado, mas deixa esta explicação importante: “Se alguém tem uma relação pessoal com Jesus e com Deus, então é um cristão religioso. Eu, e muitos como eu, não temos necessariamente uma relação pessoal com Jesus Cristo e com Deus. Contudo, acreditamos no Cristianismo como uma plataforma cultural, social, identitária e moral. Isso faz de nós cristãos”. Lamento desiludir-te Breivik, mas não, não faz.

A questão preocupante, para mim, é que tanto Breivik, que matou dezenas de pessoas inocentes na Noruega, como Tarrant, que matou 49 pessoas inocentes na Nova Zelândia, alegaram estar a agir em defesa da cultura e da civilização ocidentais.

Sempre achei fascinante como alguém pode alegar defender uma cultura e uma civilização rejeitando precisamente o Cristianismo que é o elemento aglutinador. Tirando o Cristianismo, o que é que um português tem em comum com um finlandês? Ou com um russo? Não é de espantar que fiquemos reduzidos à questão racial, aliás, forçadíssima… Basta colocar lado-a-lado um português típico e um finlandês para se ver as diferenças em termos de tonalidade da pele.

E quando nos agarramos a coisas tão básicas como a cor da pele, tão efémeras como especificidades culturais e tão fluidas como a língua, claro que nos sentimos sempre sob ameaça e vemo-nos forçados a adoptar numa mentalidade de trincheira que vê qualquer pessoa de cor, cultura ou língua diferente como um perigo ou, para usar o termo infeliz de Tarrant, invasor.

O abandono do Cristianismo transforma a cultura europeia numa carcaça. Vemos isso tanto na decadência cultural da Europa relativista que abandonou a sua religião voluntariamente, como na retórica nojenta dos racistas atuais. São fenómenos que se alimentam mutuamente, duas faces da mesma moeda. Uma apostada num lento suicídio, outra em morrer matando.

Eu não sei porque é que Tarrant não se assume como cristão. Só Deus sabe o que se passa naquela cabeça. Mas sei que se ele fosse de facto cristão não conseguiria justificar o seu acto em qualquer manifesto, tal como Breivik só podia mesmo ser um “cristão” sem relação com Deus ou com Jesus para achar que a religião que manda amar os inimigos é compatível com a matança de inocentes.

Mentalidades como a de Tarrant e de Breivik não são fruto do Cristianismo, são fruto do seu abandono e devem servir de alerta para os guerreiros culturais que querem extirpar a fé da nossa civilização. O Cristianismo é um travão ao extremismo cultural, racial e étnico. Não é um travão infalível, como bem sabemos, mas é um travão potente. Livramo-nos dele à nossa conta e risco.

Que Deus acolha na sua misericórdia os mortos e que os cristãos sejam firmes e unânimes na sua condenação destes actos e da mentalidade que lhes está subjacentes. O nosso lugar nunca será ao lado destes homens, mas sempre das suas vítimas, independentemente da sua religião.

terça-feira, 19 de março de 2019

Pai. Nunca esquecerei.

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Pai. A tarde dissolve-se sobre a terra, sobre a nossa casa. O céu desfia um sopro quieto nos rostos. Acende-se a lua. Translúcida, adormece um sono cálido nos olhares. Anoitece devagar. Dizia nunca esquecerei, e lembro-me. Anoitecia devagar e, a esta hora, nesta altura do ano, desenrolavas a mangueira com todos os preceitos e, seguindo regras certas, regavas as árvores e as flores do quintal; e tudo isso me ensinavas, tudo isso me explicavas. Anda cá ver, rapaz. E mostravas-me. Pai. Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na mágoa indiferente deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele. Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no nosso quintal, a regar as árvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer, em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho alvura sobre mim. E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te fechar as pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus olhos fechados para sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais. Pai. Tudo o que te sobreviveu me agride. Pai. Nunca esquecerei.
JOSÉ LUIS PEIXOTO, in MORRESTE-ME (Temas e Debates, 2001)

quarta-feira, 13 de março de 2019

Mais um ataque ao Bispo do Porto. Vindo sempre dos mesmos...

D. Manuel Linda, fã do Papa Francisco a 200%", acaba de publicar um documento com orientações para a pastoral familiar na Diocese do Porto, onde, a determinada altura, diz: "De facto, pode haver casos em que a pessoa após um processo de conversão e discernimento, sem ter que deixar de coabitar maritalmente com o outro, possa aceder aos sacramentos. Como já foi referido, não se trata de diminuir as exigências do Evangelho relativamente ao matrimónio, mas sim de ter em conta tanto os condicionamentos e as circunstâncias atenuantes como o princípio da misericórdia na pastoral. Efetivamente, a pessoa pode encontrar-se em condições concretas que não lhe permitem agir de maneira diferente e tomar outras decisões sem nova culpa."
Ui! Isto foi deitar gasolina no fogo integrista! Os ultraconservadores, os fundamentalistas, riparam das suas espadas e atacaram forte e feio o Bispo.
Esta gente não se enxerga! Como os fariseus, só veem leis e tradições humanas. Sempre aptos a julgar e a condenar. Detestam a palavra "MISERICÓRDIA" e adoram o ambiente parado, estático. Tudo o que mexe  lhes merece reação guerreira porque preferem o ambiente insalubre do imobilismo.
A lei e as tradições humanas são o seu oxigénio. Se pudessem, riscariam da Sagrada Escritura frases como:
- "Não julgueis e não sereis julgados. Não condeneis e não sereis condenados. Perdoai e sereis perdoados."
- "Prefiro a misericórdia ao sacrifício".
- "Sede misericordiosos como o Pai é misericordioso".
- "A letra mata, mas o Espírito é que dá a vida".
“Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo”.
Força, senhor Bispo! Se Jesus temesse a reação dos fariseus, não teria passado pela cruz.
Os olhos estão na cara para olharmos em frente e não na nuca para olharmos para trás!



quinta-feira, 7 de março de 2019

Parabéns, Mulheres!



 
MULHER
A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

E é preciso dizer
dessa antiga condição
a mulher soube trazer
a cabeça e o coração

Trouxe a fábrica ao seu lar
e ordenado à cozinha
e impôs a trabalhar
a razão que sempre tinha

Trabalho não só de parto
mas também de construção
para um filho crescer farto
para um filho crescer são

A posse vai-se acabar
no tempo da liberdade
o que importa é saber estar
juntos em pé de igualdade

Desde que as coisas se tornem
naquilo que a gente quer
é igual dizer meu homem
ou dizer minha mulher
José Carlos Ary dos Santos

Em 2019 já morreram 13 pessoas vítimas de violência doméstica!!!


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Este ano o governo decretou dia de luto nacional contra a violência doméstica, na véspera do Dia Internacional da Mulher. Mariana Vieira da Silva, ministra da Presidência e da Modernização Administrativa considera que "este será um dia em que não devemos apenas homenagear as vítimas e manifestar a nossa solidariedade com as suas famílias, mas também renovarmos, coletivamente, o nosso propósito de continuar o combate a uma realidade intolerável".

quarta-feira, 6 de março de 2019

Não há motivo para tanta admiração!


Causou espanto na comunicação social a recente nomeação episcopal do P.e Américo Aguiar, por isto: ser muito novo, 45 anos.
Não é preciso gastar muito tempo em consultas biográficas para verificar que tal situação tem sido mais frequente do que possa parecer.
Recordamos que D. António Ribeiro, antigo Patriarca de Lisboa, foi nomeado bispo aos 39 anos. D. Júlio Rebimbas, aos 43.
E se quisermos referir bispos ainda vivos, temos exemplos de nomeações quando os nomeados eram novos:
- D. Augusto César, 40 anos
- D. Maurílio de Gouveia, 41 anos
D. José Manuel Garcia Cordeiro – 44 anos
- D. Jorge Ortiga – 44 anos
Daí que se conclua que a comunicação social podia fazer melhor o "trabalho de casa". Evitaria o sensacionalismo que não é propriamente uma boa qualidade jornalística.

sexta-feira, 1 de março de 2019

A Igreja falhou, falha e falhará

Tenho muito tristeza pela responsabilidade que me cabe. Para quem não é crente explico: a desolação que sinto é como se um filho meu tivesse abusado de menores, feito o que se diz dos padres acusados.
Já tanto se leu sobre este assunto que não ia acrescentar mais nada, mas pensando que ainda não está tudo dito, resolvi escrever estas linhas.
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A Igreja, instituída por Jesus Cristo, é boa porque Ele só faz coisas boas. Tudo o que vem de Deus é bom e por isso também a humanidade é boa. Acontece que o mal não vem de Deus, mas existe e, pela nossa liberdade, que é boa, pode ser praticado.
Dito isto, fica explicado o título: sabemos que a Igreja falhará, como sabemos que falha nos nossos dias e falhou no passado porque somos livres de escolher o bem e o mal. Quando optamos pelo mal destruímos aqueles que atingimos com o mal que fazemos e destruímo-nos a nós mesmos. E tragicamente todos estamos sujeitos à tentação de escolher o mal.
A palavra falha sabe a pouco quando nos referimos ao abuso de menores e não quero aligeirar o problema. O que se tem passado na Igreja é infame, envergonha-nos a todos e somos poucos para ajudar a corrigir, para pedir perdão, para construir um futuro melhor.
Digo nós, porque todos nós católicos somos Igreja, por isso a vergonha e o desejo de reparar e ajudar é meu também, é nosso. Não foi a Igreja que esteve mal, fomos NÓS Igreja que estivemos mal.
Tenho muito tristeza pela responsabilidade que me cabe. Para quem não é crente explico o que digo: a desolação que sinto é como se um filho meu tivesse abusado de menores, feito o que se diz de qualquer dos padres envolvidos. Seria uma sensação de ter falhado profundamente e de me custar olhar de frente para quem quer que visse. Mas, tal como acontece com os filhos, a desolação não contém desespero, mas sim esperança. Esperança porque nascemos com vocação para amar e não para maltratar, esperança porque tantas vezes caímos, mas outras tantas nos levantamos, esperança porque a obra de Deus é boa e vencerá.
O trabalho de investigação do Observador magoa qualquer católico. Mas a principal razão porque nos magoa é porque a verdade dói e neste trabalho ela é-nos atirada à cara de uma forma muito cruel. Não tenho qualquer objecção a este trabalho de investigação. E ainda que ele possa dar a entender que a extensão do problema, em número de casos, é maior do que na realidade é, isso não tem importância porque o que importa é o trabalho que todos nós Igreja estamos a fazer para atacar o problema. Por isso é com grande confiança que vejo muita coisa acontecer e a principal é a iniciativa do Papa de ter chamado todos a uma grande reflexão sobre o tema, sem esconder nem disfarçar a realidade.
Esta é grande diferença entre a instituição Igreja e qualquer outra instituição. Nós temos um desejo de bem, nós somos obra de Deus e por isso nós, com todos os erros que já cometemos, não desistimos de os corrigir e seguir, ajudando os que mais precisam.
Um dia escrevi neste jornal que tinha pena de não ver publicadas boas obras. Se o Observador quisesse criar uma equipa de investigação para saber o bem que a Igreja faz em Portugal, se quisesse ter um canal disponível para os leitores contarem casos em que a Igreja os salvou, recuperou, ajudou, não chegariam três meses nem três anos. Essa é a verdade que nos orgulha mesmo neste momento de grande vergonha.
A Igreja está em perigo porque a pretendem silenciar e denegrir, porque os valores que são os pilares da nossa sociedade estão a ser destruídos através da educação e da cultura, e não por ter errado. A Igreja sairá mais forte deste drama porque tem a coragem de se arrepender, de corrigir e de seguir a sua missão.
Não tememos pelos nossos erros por muito graves que sejam. Queremos que todo o mundo saiba que errámos, mas que vamos enfrentar os nossos erros, reparar o que for possível, prosseguir no que fazemos de bem encontrando forças para seguir na construção de um mundo melhor.
Rita Fontoura, aqui

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Professora agredida "a soco e pontapé" à porta de uma escola no Porto

E contra este tipo de violência ninguém protesta, ninguém se indigna, ninguém faz nada?
Onde estão os "profissionais da indignação" que pululam na comunicação social?
Será que os professores "viraram saco de porrada"?
Uma vergonha!
Nada, absolutamente nada, justifica estes atos de vandalismo contra os profissionais.
Há dias foi um médico, agora uma professora. Mais uma.
Professora agredida
Veja aqui a notícia.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Problemas graves requerem medidas radicais

Hoje é um dia importante para a Igreja. O Papa Francisco deu hoje início à inédita cimeira de bispos e responsáveis religiosos da Igreja Católica sobre o «escândalo da pedofilia» e a crise dos abusos sexuais, que classificou como uma «chaga». «O santo povo de Deus olha para nós e espera de nós não apenas condenações simples e óbvias, mas medidas concretas e eficazes a aplicar. É preciso ser concreto», referiu o Papa, perante os 190 participantes, reunidos no Vaticano.


2. A Igreja inteira e o mundo esperam desta reunião precisamente aquilo que definiu o Papa «medidas concretas e eficazes». É verdade que é isso mesmo, mas melhor seria no meu singelo ver, que se esperam «mudanças profundas e concretas» para o modo de funcionamento da Igreja Católica.

3. Vamos a algumas medidas, para que tudo isto não passe de simples curativos, que recheiam o palavreado da mudança e da transparência mas na realidade tudo fica na mesma. É preciso combater o clericalismo, mudando todo o sistema que o alimenta principalmente o homossexualismo moralista cego contra as mulheres e os heterossexuais. Por isso, seria necessária abertura total, começando no Papa, passando pelos cardeais, os bispos e pelos padres, para que o sistema permita o Sacramento da Ordem às mulheres. Porque vivemos uma situação totalmente desfazada da realidade dos tempos de hoje, que reclamam igualdade entre homens e mulheres. A Igreja neste aspeto tem o dever dar o exemplo. O patriarcalismo que a hierarquia católica ainda apresenta não tem futuro tal como está e não terá vontade nem muito menos sabedoria para estancar a «chaga» dos  abusos sexuais.

4. A redução das perversões sexuais dentro da Igreja Católica dar-se-ão quando todo o sistema funcionar saudavelmente, convivendo homens e mulheres com a sua integridade sexual devidamente equilibrada. Sejam eles hetero ou homossexuais, casados ou solteiros.

5. Este retrato da Igreja seria uma verdade mais humana e mais profundamente ligada à Palavra do Evangelho de Jesus, que chamou e contou com homens e mulheres para o Seu Reino. Poderão dizer-me, os apóstolos são doze, todos homens, eu digo, mas as primeiras testemunhas da Ressurreição de Jesus são mulheres e quem prova que não fossem também apóstolas… Enfim, para tudo há sempre argumentos. Porém, neste aspeto dos abusos sexuais, enquanto as mudanças radicais não varrerem a Igreja de alto a baixo, tudo o que se faça para combater a «chaga» não passará de remendos que surtem efeito até certa medida e até certo tempo.
Fonte: aqui (divulgado pelo respetivo autor na passada quinta-feira, dia 21 de fevereiro)

Sorrir faz bem

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Pedro tinha sogra

Um padre que cede através da pedofilia é alguém em queda. É por isso que importa discutir o celibato, e não a homossexualidade.
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Custa ouvir membros do clero a estabelecer uma relação causa/efeito entre homossexualidade e pedofilia. Lamento, mas a homossexualidade é aqui uma irrelevância. A maioria dos casos de pedofilia é praticada por homens heterossexuais. São os pais, padrastos, tios, irmãos, primos e vizinhos que abusam das próprias filhas e filhos, sobrinhas e sobrinhos, vizinhas e vizinhos, primas e primos. O problema deles não é a orientação sexual, hetero ou gay, mas a própria condição masculina: gay ou hetero, o homem é o abusador sexual por excelência, cometendo cerca de 98% dos casos de agressão. É por isso que insisto num ponto: o caminho da igreja tem de passar por um papel mais alargado das mulheres; a mulher, seja qual for o seu cargo, tem de estar mais presente na vida das instituições da igreja.
A raiz do mal não é a orientação sexual, mas sim a impunidade do poder. Para pensar o assunto, seria bom que a igreja voltasse à pêra de Santo Agostinho. Em “Confissões”, quando recorda o seu passado de pecado, Agostinho invoca o episódio da pêra: diz que sentiu prazer quando roubou uma pêra de um quintal sem ser visto ou apanhado. A pêra de Agostinho é assim uma variação simbólica da maçã de Adão e Eva. Aqui o mal não tem mistério: Agostinho sentiu o prazer do mal, o prazer que é ficar impune, o prazer que é sentir que a nossa inteligência mecânica e amoral não se confronta com um sistema legal ou moral, o prazer que é dizer, Roubei mas não me apanham! É este o prazer lúdico do mal: o da invisibilidade, o de sermos invisíveis aos olhos da lei e aos olhos de Deus.
Voltamos, portanto, ao pecado original: a ideia de que o homem é tão poderoso e auto-referencial que se torna jogador e árbitro ao mesmo tempo; a ideia de que é o próprio sujeito que cria as regras morais que avaliam a sua conduta. Em "Confissões", é o jovem Agostinho que cria a paleta moral que avalia o jovem Agostinho. Neste circuito fechado, roubar não é um pecado, é um prazer.

A dimensão dos abusos dentro da Igreja só é compreensível à luz desta metáfora da pêra. Dentro da estrutura da igreja, o poder do padre e do bispo é (era?) demasiado grande, é (era?) um véu demasiado espesso que cria demasiados ângulos mortos, demasiados locais e situações onde a sua acção pode ceder à tentação. Não, não estou a dizer que todos os padres e bispos sentiram esta tentação – isso seria uma associação tão abusiva como aquela que tenta ligar homossexualidade e pedofilia. Estou a dizer, isso sim, que o clericalismo cria os cenários onde um determinado padre ou bispo pode de facto ceder à impunidade do poder.
Um padre que cede através da pedofilia é alguém em queda. É por isso que importa discutir o celibato, e não a homossexualidade. Com ou sem o problema da pedofilia, o fim da obrigatoriedade do celibato seria sempre um tema interessante. Com a questão da pedofilia em cima da mesa, é um tema obrigatório. Não acredito que o celibato seja a causa inicial da pedofilia, mas acredito que é um factor que potencia abusos e tentativas de aproximação indevidas. Ou seja, se ocorrer uma ignição do mal a montante, o rastilho é alimentado a jusante pelo celibato. É esta, de resto, a posição do padre Hans Zollner, responsável pela cimeira em curso: “a forma de vida celibatária torna-se num factor de risco quando a vida sacerdotal entra em crise”. Na Alemanha, a igreja percebeu que “a idade média do sacerdote que abusa pela primeira vez é de 39 anos”. Ou seja, a integridade moral dura bastantes anos e depois começa a desmoronar-se devido à solidão e ausência de laços afectivos além dos laços paroquiais. Em resposta, Zollner diz que são necessários mais testes preventivos no seminário. Com o devido respeito, julgo que isso não é resposta. Como é que se avalia aos quinze ou vinte anos a pressão de vinte anos de solidão cujo peso só se torna obviamente visível aos quarenta? Com o devido respeito, julgo que a resposta certa é acabar com o fim da obrigatoriedade do celibato. A igreja precisa de mudar e esse seria um sinal magnífico de mudança e de fidelidade bíblica. O celibato nada deve à Bíblia, nada.
Ironicamente, a igreja neste ponto ganhava em sair da grelha de Agostinho, pilar clássico da abstinência sexual e amorosa. Passar anos e anos sem sentir outro corpo humano é a negação da condição humana, passar uma vida sem uma relação de amor e partilha só pode ser um fardo e suportar esse fardo não é para todos. A obrigatoriedade do celibato não é para quem quer, é para quem pode. Existirão sempre corpos de elite dentro da Igreja que encararão o celibato com sentido de dever e amor por Deus. Mas a Igreja é a maior organização do mundo, será sempre composta por homens normais e não por heróis. E uma igreja feita por simples homens pecadores como Pedro só pode ser uma igreja de homens com o direito de casar, amar, formar família - como os apóstolos. É que até Pedro tinha sogra: "Entrando em casa de Pedro, Jesus viu que a sogra dele fazia no leito com febre" (Mt 8, 14).
Henrique Raposo, aqui

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

O terrorismo doméstico

1. Terrorismo doméstico, silencioso, por um lado, estridente, por outro, quando tomamos conta das suas consequências.

2. As notícias de hoje dão conta que pelo menos nove mulheres foram assassinadas em Janeiro, só no primeiro mês do ano de 2019. Ontem, soubemos que um monstro matou à facada a sogra, fugindo com a filha menor, esta manhã descobriram a menina morta dentro da bagageira de um carro. Em poucas palavras eis o enrendo de uma longa metragem que há muito tempo deve ter sido rodado nesta família.

3. A sociedade em geral é machista e patriarcal, institui e valoriza práticas sociais que desqualificam ou menorizam as mulheres. Estas práticas contribuem para que todos os dias do ano tenhamos uma cultura de violência contra as mulheres, particularmente, a violência doméstica e a violação, porque, por mais que se pinte de cor de rosa um dia do ano dedicado à mulher sempre haverá homens que são levados a crer que têm o «direito» de cometer diversos tipos de violência contra a mulher, inclusive a violência física, emocional, psicológica e sexual. E reforço a ideia, as mulheres são as primeiras a se prestarem a isto. Denunciem, não deixem passar o primeiro beliscão ou puxão de cabelos, não calem o que não deve ser calado, lutem pela dignidade, sejam as protagonistas da igualdade de tratamento e de oportunidades. Ninguém é dono de ninguém e ninguém é mais do que ninguém. O mesmo discurso serve para os lugares onde a violência é exercida da mulher contra o homem, mesmo que em menor escala. 
4. A crueza dos números é preocupante. Mas salta-me à vista e provoca-me um arrepio haver gente que considera existir atitudes violentas que podem ser consideradas de normais. Tem que haver causas, que necessariamente, conduzem a isto. Tem que existir instâncias e pessoas culpadas desta vergonha. O ambiente de casa também deve estar a ajudar imenso neste descalabro. A escola faz o que pode, mas os alunos são o espelho do que receberam em casa, do que vão vendo na televisão e na internet. Obviamente, que não quero ser injusto e ofender ninguém, mas os pais devem ser colocados à cabeça dos responsáveis por esta tragédia social. Porém, e essencialmente, tudo isto é bem revelador do desastre da falta de valores em que vivemos em toda a linha. E nesta crise, destaco o vazio de autoridade a que o ambiente geral condenou todas instâncias da educação.

5. A humanidade está em marcha atrás e vai para aquele ponto de onde, felizmente, tínhamos saído da violência famosa que várias vezes ouvimos, «quanto mais me bates, mais gosto de ti», ou da pancada com o ramo de flores, ou ainda da fatalidade do «tirano no seio do lar» que tanta instabilidade emocional provocava nos membros da família. 

6. Não se mata em nome de nada nem em nome de ninguém. É isto que penso, é isto que procuro viver e ensinar. Nada deste mundo e do outro vale mais do que uma vida humana. Por isso, não se resolvem os problemas a tiro ou com outros instrumentos que se sabe à partida que vão tirar a vida a uma pessoa. Ninguém merece que assim seja. Nenhuma necessidade por mais urgente que seja merece que se viva com a violência na ponta dos dedos e com o coração carregado de ódio. Há meios próprios, mesmo que tantas vezes morosos e injustos, mas é nesses lugares que se deve procurar remediar as injustiças e o cumprimento da lei. O dia hoje começou negro e triste.
José Luís Rodrigues,  aqui

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

​Alerta vermelho ao Estado laico

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Na Jornada Mundial da Juventude, o Papa pediu às nova gerações que exercessem o direito à indignação e à contestação permanente. Aconselhou-os a exercerem-no já. Não os tomou por anjinhos e pediu-lhes que não se deixassem tomar por “anjolas” na retórica consumista e vazia dos que os preferem manietados, sob controle, sem causas – desesperados, mas quietos, enterrados no sofá.
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Aos 17 anos olham-nos de cima para baixo dos seus quase dois metros com o sarcasmo habitual: “lamento dizer-vos, mas não fizeram nada. A vossa geração foi um lixo”. Ouço-o diariamente lá por casa. Mesmo educadamente, mesmo sem andar a partir vidros, isto é o mínimo que têm a declarar-nos.
Ontem, o Papa pediu-lhes que fizessem muito pior. Pediu-lhes que exercessem o direito à indignação e à contestação permanente. Aconselhou-os a exercerem-no já. Não os tomou por anjinhos e pediu-lhes que não se deixassem tomar por “anjolas” na retórica consumista e vazia dos que os preferem manietados, sob controle, sem causas – desesperados, mas quietos, enterrados no sofá.
Voltem para casa e vão visitar os vossos avós! Até aqui tudo bem. O pior foi o resto; perguntem-nos (aos mais velhos!) o que fizemos de facto para não vos deixarmos presos na armadilha desses quatro “sem”: (sem instrução, sem trabalho, sem comunidade e sem família) num vazio sem raízes. E não aceitem viver num, “entretanto”. Vocês não são o futuro. São o agora de Deus!
O Papa Francisco falava para uma audiência que já nasceu na crise, que cresceu na crise, e a quem prometem, há demasiado tempo, que um dia, sempre adiado, sairão da crise. Uma geração à espera da sua hora. Num individualismo egoísta que os quer indiferentes aos outros.
O Papa disse-lhes que não fiquem à espera do seu dia, porque ele já chegou. Não só legitimou a sua frustração, como apelou à sua indignação. Não lhes disse para partirem vidros, mas aconselhou-os literalmente a “partir a loiça” (a expressão é minha) e a fazer diferente. Já! Porque é preciso encontrar um sentido para a vida e porque não podem deixar que as respetivas vidas continuem a passar sem sentido.
A multidão multicolor, em festa, mostrou com os seus aplausos a cada frase forte que não se perdeu na dança e nas canções e que estava a beber cada palavra da mensagem e a aprender a lição.
Mais, mostrou que estava pronta a pô-la em prática. Havia de tudo: jovens indígenas marginalizados e europeus da classe média alta. Excluídos e ganhadores da sociedade de consumo, numa estranha unidade em torno de uma consigna comum: é preciso mudar este mundo e este sistema que mata. Que os mata. Que nos mata. Que mata de mil formas, subtis e não apenas com as balas que simbolicamente formavam a custódia feita de cápsulas de balas perdidas apanhadas nas muitas guerras da América Central e Latina.
Cristo vivo, na hóstia branca, estava rodeado desses invólucros de morte, de um dourado ilusório. Perante o qual, de joelhos e em súbito silêncio, aquelas centenas de milhares de jovens se prostraram em longos minutos de oração. Silêncio único, que não encontramos em mais nenhuma concentração juvenil. O mesmo que há seis anos em Madrid fez que só se ouvisse a fúria do vento que ameaçava levantar o palco onde Bento XVI resistia com as vestes arrebatadas, em oração por entre a sucessão de raios e coriscos que perpassavam o recinto numa fúria inesperada, ameaçando fazer desabar sobre centenas de milhares de peregrinos os ecrãs gigantes. Ensopados, ninguém arredou pé.
Na vigília do Panamá, o Papa fez os jovens declarar em uníssono, em voz alta, várias vezes três, ou quatro, afirmações que combatem o vírus do perfeccionismo militante da sociedade do século XXI. Pediu-lhes que respondessem que, mesmo o que não é perfeito, puro e destilado é digno do amor. Os frágeis, os deficientes, os doentes, os presos.
E foi direto ao ponto: porventura alguém pelo facto de ser estrangeiro não é digno do Amor? SIM, MERECEM O AMOR. Mais alto, pedia, SIIIIIIM! E perguntava de novo o Papa (não houvesse, por ali, alguém convencido que tinha sido tocado pelo espírito de uma irritante impecabilidade…). E os que erram? SIM, MERECEM SER AMADOS.
Foi assim várias vezes como se o Papa quisesse dizer uma, duas, três vezes que não admite o que chamou o “cansaço da esperança!”. Porque a única queda que pode arruinar a vida, é ficar por terra e não se deixar ajudar.
O Papa não os quer parados. Parte de uma Igreja imóvel na autocontemplação desolada dos pecados próprios e na convicção de que o mundo para o qual Cristo hoje nos chama a intervir, proclamando a sua mensagem, já não O compreende. Problema nosso.
Mostrar que a mensagem da Igreja é para o mundo do século XXI é a missão dos cristãos de hoje, falando alto aos ouvidos da sociedade dormente e adormecida. Com que recursos, com que meios? Com que vozes? Com os do séc. XXI, sendo “influencers” de Deus dentro e fora das redes.
O Papa diz que não é com novos planos pastorais nem soluções criativas que se consegue fazer ouvir a mensagem de Cristo. É com um novo enamoramento, um voltar à paixão inicial do primeiro encontro com Cristo. Mesmo entre os consagrados, os sacerdotes, os que já entregaram as suas vidas a Deus. A Renovação faz-se com gente que sabe o que quer e está novamente e permanentemente apaixonada.
Lembro-me da revolução de maio de 68 e comparo-a com a dos coletes amarelos, que desfilam entre desacatos nas mesmas ruas de Paris. O que os distingue? O Amor. Em 1968 vestia-se “Paz!” e reclamava-se Amor. Debaixo das pedras da calçada atiradas à mesma polícia diziam buscar cada um “a sua praia”. Hoje mistura-se apenas frustração e desespero. Não se está por, está-se só contra. Debaixo das pedras dos passeios atiradas à polícia, só se descobrem ratos.
O Papa, nos seus mais de 80 anos, marcou o próximo encontro com os mesmos adolescentes e jovens adultos para 2022, em Lisboa. Sei de muitos que foram a Madrid e não conseguiram ir ao Panamá.
As jornadas são uma espécie de vicio contra o envelhecimento. Vai-se a uma, e quer-se mais. Não é difícil pensar que serão muitos mais à beira Tejo. Não os oito milhões da missa de Manila, onde ainda esta semana, numa outra missa, um atentado tentou fazer “explodir dezenas de cristãos incómodos”. Desses que teimam em acolher emigrantes e recusam matar narcotraficantes sem direito a julgamento. O cristianismo incómodo ontem, continua perigoso hoje.
As jornadas serão em 2022, mas isso é já “amanhã”, nem dá tempo para esperar por elas. Se se cumprirem os votos do Panamá o mundo vai estar diferente. Aqueles miúdos vão tentar mudá-lo agora. Quando vierem daqui a 3 anos (talvez volte a haver Marcelo e ainda esteja Medina para os receber, a crise então é quase certa…) mas, em tudo o mais o mundo já estará mudado.
Quem sabe se estará melhor ou ainda mais infrequentável. Seja como for, aquela magnifica assembleia das Nações Unidas que se reuniu na cidade do Panamá encontrar-se-á ainda em maior festa na fronteira entre Lisboa e Loures. Uma coisa é certa: será sempre constituída por gente que exige supervisão. Gente apaixonada é por definição capaz de tudo. Perigosa. Um ou dois milhões de jovens apaixonados, com causas próprias, e vontade de lutar por elas. Perigosíssima. Mesmo que um milhão de jovens venha apenas “flirtar” em excursão, já pensaram no perigo do outro milhão de jovens apaixonados em peregrinação? Armados da cabeça aos pés ao serviço do Amor? Um risco constitucional. Alerta vermelho para todo o continente e ilhas ao Estado laico.
Graça Franco, aqui