O coronavirus COVID 19 vai mudar a vida das pessoas. Nada será como antes.
- A crise económico-social vem aí, segundo os especialistas, forte e marcante.
- A poluição no mundo está a diminuir em virtude da acelerada paragem económica. Se a segunda é má, a primeira é ótima.
- Por imposição da pandemia, as famílias ficam em casa. Redescobrir o valor da presença, convívio, partilha, encantamento familiares é um belo desafio.
- O maldito coronavirus põe em questão muitos dos nossos comportamentos e atitudes, mormente nas relações homem/natureza e questiona o nosso modelo de desenvolvimento que o capitalismo selvagem tem proposto.
- Também o materialismo de vida e o relativismo moral são postos em causa. Esta guerra contra o inimigo invisível, põe perguntas que muita gente deitava para trás das costas: DONDE VIMOS? O QUE FAZEMOS AQUI? PARA ONDE VAMOS?
Nada melhor que este excelente vídeo para ajudar a situar a questão. Reflete quem sabe. Aprendamos com quem sabe.
sábado, 21 de março de 2020
sexta-feira, 20 de março de 2020
quarta-feira, 18 de março de 2020
Presidente da República declara Emergência Nacional (em atualização)

Ouvido o Conselho de Estado, obtida a concordância do Governo, com a aprovação da Assembleia da República sem votos contra, o Presidente da República declarou nesta quarta-feira a Emergência Nacional para combater esse terrível inimigo invisível que é Covid-19.
O processo:
1° Presidente da República avança com Decreto Presidencial onde declara Emergência Nacional
2° Assembleia da República aprova decreto presidencial
3° Conselho Ministros decide medidas a adotar, bem como data de início e fim de cada uma dessas medidas - será amanhã
Ou seja, até ser realizada a reunião do Conselho de Ministros nada muda. Amanhã saberemos das decisões e quais as nossas obrigações perante este estado de Emergência Nacional, até ao final desta reunião tudo se mantém.
Durante a sessão parlamentar, primeiro-ministro alertou que a curva epidemiológica da Covid-19 no país "não acabará nos próximos 15 dias, terá um pico em meados de abril, e só poderá ter um termo, se tudo correr no melhor dos cenários, em finais de maio". António Costa alertava para o facto de a declaração de emergência, que foi aprovada sem votos contra pelos deputados, não resolver o problema do novo coronavírus. "Não há nenhum decreto de emergência que tenha um efeito salvífico de resolver a crise pandémica", alertou.
Garantindo a "inequívoca solidariedade institucional" do Governo com o Presidente da República, António Costa voltou a sublinhar - já o tinha feito antes, em conferência de imprensa - que "não se trata de suspender a democracia". "Continuaremos a ser uma sociedade aberta, de cidadãos livres", garantiu o líder do executivo, que na manhã de quinta-feira reúne o Conselho de Ministros para definir em concreto as medidas do estado de emergência. Medidas que terão em conta o "sentido da adequação e proporcionalidade", garantiu, mas sublinhando também que serão cometidos erros pelo caminho: "Temos com humildade de procurar agir com a melhor evidência científica, com a consciência que temos de tomar decisões hoje que amanhã terão de ser corrigidas, que hoje tomaremos decisões que amanhã serão consideradas excessivas e que não tomaremos outras que serão consideradas imprescindíveis".
Nesta quinta-feira, o governo pôs em marcha medidas que pode ver aqui.
Neste sentido, atenda às 10 medidas que deve seguir durante o
os próximos 15 dias de Estado de Emergência:
1) Isolamento obrigatório para infetados pela covid-19 e para casos suspeitos. Estes cidadãos arriscam-se a crime de desobediência civil se saírem do local do isolamento.
2) Proteção especial para idosos (acima dos 70 anos) e outros grupos de risco. Só devem sair de casa para questões essenciais: compras, banco, CTT, serviços de saúde ou passear animais de companhia. Não há um horário especial para saídas à rua.
3) Não há recolhimento obrigatório mas as restantes pessoas têm "dever de recolhimento". Isto é, não devem andar na rua, a não ser para o essencial, incluindo ir trabalhar, se não for possível o teletrabalho. Apoio a familiares, acompanhar crianças em curtas atividades ao ar livre e passear animais de companhia também são exceções.
4) Fica fechado um conjunto de serviços públicos, incluindo lojas do cidadão. Muitos desses serviços podem ser encontrados online ou via telefone. Mantém-se os postos de apoio ao cidadão localizados junto das autarquias. A marcação prévia é aconselhada.
5) Negócios abertos ao público têm de fechar. Espaços como padarias, mercearias, supermercados, farmácias, quiosques, bombas de gasolina ou bancos mantêm-se abertos. O atendimento deve ser feito por postigo. Centros comerciais também fecham, excluindo lojas de bens "essenciais" no interior.
6) Restaurantes fecham ao público. Podem continuar a trabalhar em regime de "take away". Por sua vez, o racionamento de bens alimentares não é uma opção em cima da mesa.
7) Empresas onde não há contacto com o público continuam a laborar. Devem ser cumpridas normas de segurança e higiene. Nos casos em que é possível, é recomendado o teletrabalho.
8) Forças de segurança estarão na rua para encerrar negócios, sensibilizar população e recomendar idosos a não sair de casa.
9) Haverá "regras orientadoras" para a realização de funerais, para evitar concentração de pessoas.
10) Governo criou gabinete de crise para responder à pandemia, que integra oito ministros.
Amanhã o governo irá tomar outras medidas, mais viradas para a área económica…
É oficial. Só pode sair de casa se for para fazer uma destas 20 coisas
Estas obrigações entram em vigor às 00h00 do dia 22 de março.
No decreto, tal como António Costa já tinha explicado esta quinta-feira, impõe-se o confinamento obrigatório, em estabelecimento de saúde ou em casa, dos doentes infetados com a Covid-19. Para os maiores de 70 anos e os imunodeprimidos e os portadores de doença crónica também existem fortes restrições à circulação.
E para todos os outros, que não estão doentes e têm menos de 70 anos? O Governo elaborou uma lista com 20 tarefas que justificam a saída à rua. Assim, só podem circular em espaços e vias públicas, para algum dos seguintes propósitos:
a) Aquisição de bens e serviços;
b) Deslocação para efeitos de desempenho de atividades profissionais ou equiparadas;
c) Procura de trabalho ou resposta a uma oferta de trabalho;
d) Deslocações por motivos de saúde, designadamente para efeitos de obtenção de cuidados de saúde e transporte de pessoas a quem devam ser administrados tais cuidados ou dádiva de sangue;
e) Deslocações para acolhimento de emergência de vítimas de violência doméstica ou tráfico de seres humanos, bem como de crianças e jovens em risco, por aplicação de medida decretada por autoridade judicial ou Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, em casa de acolhimento residencial ou familiar;
f) Deslocações para assistência de pessoas vulneráveis, pessoas com deficiência, filhos, progenitores, idosos ou dependentes;
g) Deslocações para acompanhamento de menores:
- Em deslocações de curta duração, para efeitos de fruição de momentos ao ar livre;
- Para frequência dos estabelecimentos escolares, ao abrigo do n.º 1 do artigo 10.º do Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março.
i) Deslocações para participação em ações de voluntariado social;
j) Deslocações por outras razões familiares imperativas, designadamente o cumprimento de partilha de responsabilidades parentais, conforme determinada por acordo entre os titulares das mesmas ou pelo tribunal competente;
k) Deslocações para visitas, quando autorizadas, ou entrega de bens essenciais a pessoas incapacitadas ou privadas de liberdade de circulação;
l) Participação em atos processuais junto das entidades judiciárias;
m) Deslocação a estações e postos de correio, agências bancárias e agências de corretores de seguros ou seguradoras;
n) Deslocações de curta duração para efeitos de passeio dos animais de companhia e para alimentação de animais;
o) Deslocações de médicos-veterinários, de detentores de animais para assistência médico-veterinária, de cuidadores de colónias reconhecidas pelos municípios, de voluntários de associações zoófilas com animais a cargo que necessitem de se deslocar aos abrigos de animais e de equipas de resgate de animais;
p) Deslocações por parte de pessoas portadoras de livre-trânsito, emitido nos termos legais, no exercício das respetivas funções ou por causa delas;
q) Deslocações por parte de pessoal das missões diplomáticas, consulares e das organizações internacionais localizadas em Portugal, desde que relacionadas com o desempenho de funções oficiais;r) Deslocações necessárias ao exercício da liberdade de imprensa;
s) Retorno ao domicílio pessoal;
t) Outras atividades de natureza análoga ou por outros motivos de força maior ou necessidade impreterível, desde que devidamente justificados.
Fonte: aqui
terça-feira, 17 de março de 2020
segunda-feira, 16 de março de 2020
Sinal dos tempos...
"Esta dolorosa e ameaçadora pandemia apresenta-se como um sinal dos tempos:
- o homem não é Deus de si próprio
- a ciência e a tecnologia não encerram a última palavra de Esperança.
Para nós cristãos, esta circunstância pode ser vivida como uma séria interpelação:
- ao primado de Deus nas nossas vidas
- à importância da vivência fraterna do mandamento novo do amor."
(Arcebispo de Évora)
- o homem não é Deus de si próprio
- a ciência e a tecnologia não encerram a última palavra de Esperança.
Para nós cristãos, esta circunstância pode ser vivida como uma séria interpelação:
- ao primado de Deus nas nossas vidas
- à importância da vivência fraterna do mandamento novo do amor."
(Arcebispo de Évora)
sábado, 14 de março de 2020
"É o momento de ser responsável e ficar em casa"
"A saúde deve estar sempre em primeiro lugar. Este é um momento excecional e há que seguir as indicações tanto das instituições saúde como das autoridades públicas. Só assim poderemos combater tudo isto de forma eficaz.
Este é o momento de ser responsável e ficar em casa. Além disso, é perfeito para desfrutar com os teus aquele tempo que nem sempre podes ter para eles."
(Lionel Messi, jogador do Barcelona)
Não sejamos inconscientes!

Chocante! Num momento destes, esta gente não tem consciência! Quem faz isto, não pensa em si nem nos outros.
O governo precisa de ser mais musculado e encerrar estes locais de total insegurança sanitária.
Sejam nacionais ou estrangeiros…
Embora menos, continua a ver-se muita gente em cafés, por longo tempo, à conversa, sem respeito pela distância indicada. Também na rua se vêm namorados em poses envolventes, grupos a conversar numa proximidade perigosa.
E será que as regras de higiene estão a ser levadas a sério???
- Saia de casa só mesmo quando tiver que sair…
- Está a necessitar de arejar? Saia sozinho e dê um passeio por caminhos mais isolados, vá a um monte e contacte com a natureza…
- Em casa, conviva, brinque, dialogue em família. Tantas vezes as famílias se queixam que não têm tempo para conviver, aproveite agora.
- Vejam filmes em comum e discutam-nos
- Preparem juntos uma refeição
- Distribuam tarefas
- Joguem, revivendo antigos jogos populares
- Leiam um livro
- Prepare tarefas que irá executar depois desta emergência
- Estude
- Se é cristão, pegue na Bíblia e no terço e reze
É TEMPO DE ESTAR EM CASA.
Não seja asas do coronavirus!
sexta-feira, 13 de março de 2020
terça-feira, 10 de março de 2020
POST DA DRA ANA MARINHO SOARES (USF FELGUEIRAS)
Controlar a epidemia tem de ser uma PRIORIDADE
Escrevo isto para que chegue por favor ao máximo de pessoas a minha advertência.
Estamos perante uma epidemia e é necessário que TODOS façam a SUA parte para a travarmos!
Como médica sinto-me na obrigação de alertar porque vejo muitas pessoas que chegam a ridicularizar a situação e ignoram as importantes medidas preventivas.
Estou farta de ler posts a dizerem que há mais pessoas a morrerem de fome, e de acidentes e de outras coisas do que com COVID 19, desvalorizando a epidemia. Isso é verdade, há imensas outras coisas que matam muito mais que o Covid mas são assuntos independentes, não são?!Resolver um assunto é resolver um assunto, resolver outro assunto é resolver outro assunto. Porque é que eu vou estar a comparar a fome ao Covid? Os dois são para resolver, ok? Ou porque há mais pessoas a morrerem de fome e a morrerem de acidentes já não temos de travar esta epidemia?
Estou farta de Ler que a gripe comum é mais grave que o Covid 19. Isso não é verdade! Não sou eu que o digo é a Organização Mundial de Saúde. Querem entidade mais idónea que esta? O Covid 19 tem-se mostrado mais agressivo e com mais casos que terminam em morte (principalmente em idosos e pessoas com patologias crónicas).
Acho especialmente que esta ideia errada que foi passada de que Covid 19 é igual a gripe comum foi muito prejudicial porque está a fazer com que as pessoas não tomem as medidas preventivas de uma forma seria e adequada, pensando que não têm de mudar os hábitos porque nunca o fizeram e todos os anos há gripe...
Neste momento Felgueiras tem casos de Covid por isso controlar a epidemia tem de ser uma PRIORIDADE para os Felgueirenses.
Acredito que esta desvalorização pode ser muito prejudicial para o nosso concelho porque pode levar a mais contágios por imprudências evitáveis.
O nosso concelho já tem como sabem, casos confirmandos de Covid 19 e é preciso que TODOS colaborem para “cortarmos” os contágios.
E o que têm de fazer é muito pouco...
1- Deixem de espirrar e tossir para o ar.... é sempre, sempre para o braço
2- Lavem as mãos muitas vezes, e é fundamental lavar sempre as mãos antes de tocar no rosto, antes de comer, depois de mexer em algo que passe por “muitas mãos” como o dinheiro por exemplo 3-Não cumprimentem ninguém com aperto de mão e não dêem beijinhos a ninguém! Mesmo aos vossos pais, avós, filhos, não dêem beijos...
4- Depois de limparem o nariz deitem o lenço logo ao lixo
5- Se estão de quarentena... façam a quarentena!!!
6- Se tiver tosse, febre, falta de ar e viajou recentemente ou esteve em contacto com um caso de COVID 19 deve ligar para a linha 24 ( não deve ir nem ao centro de saúde nem à urgência hospitalar) 7- Evitem multidões, estar em sítios fechados com muita gente, etc
8- Aconselho os cafés, lojas comerciais, serviços, etc a desinfetarem regularmente as maçanetas das portas ao longo do dia
9- Muitas pessoas não têm Facebook... não consigo que esta mensagem chegue principalmente aos mais idosos (que são também os que mais riscos correm). Transmitam-lhes todos os cuidados que eles devem ter... sejam portadores das medidas preventivas que eles devem tomar.
10- Evite viajar para fora do país
11- Nada de pânico! Concentrem-se em fazer estas medidas todas bem. Nós sabemos que em média uma pessoa infetada transmite a doença a duas ou a três pessoas. Nós podemos ser mais rápidos que a infeção se cada um de vocês fizer tudo direitinho e passar a mensagem a 3, 4, 5 pessoas que também façam tudo direitinho e por sua vez cada uma delas faça tudo direitinho e continue a transmissão de informação adequada, quebrado assim muitas, muitas correntes de transmissão
11- Se todos fizermos tudo bem os danos serão mínimos e quem sabe no S Pedro e nas Vitórias já poderemos beijar-nos e abraçar-nos e brindarmos à união da nossa terra, do nosso concelho e do que juntos podemos fazer por um bem maior, pela saúde de todos.
sexta-feira, 6 de março de 2020
Um mulher escreve sobre o Dia Internacional da Mulher
"E já é outra vez Dia da Mulher
É a mesma história há anos. Dia 8 de março há uma espécie de comoção geral, todas as entidades públicas e privadas fazem conferências alusivas ao Dia da Mulher, as televisões desdobram-se em edições especiais sobre a desigualdade, o fardo da dupla jornada e o horror da violência doméstica. E no dia seguinte voltamos a ter as mulheres como cidadãs de segunda, ou pelo menos como titulares de direitos de segunda. E sempre as perguntas: mas porque é que tu dizes "direitos humanos das mulheres?", ou "mas tu não achas que não faz sentido ter um dia da mulher já que não há um dia do homem?", ou a tão em voga "mas não achas ridículo essa coisa do "eles e elas", "portugueses e portuguesas"?"
Este ano prometi que ia ter calma. E que não iria responder, que se quisessem recorrer apenas ao feminino para convocar todo o género humano que eu me oporia com igual veemência (embora me fizesse sorrir), ou que não responderia com o facto de haver no mundo apenas 22% de mulheres nos parlamentos e 16% nos executivos; que uma em cada três mulheres sofrerá ao longo da sua vida uma forma de violência; que há 200 milhões de raparigas e mulheres que foram vítimas de mutilação genital feminina e que se o ritmo atual continuar teremos mais 15 milhões até 2030; que todos os dias casam cerca de 38 mil meninas e raparigas, 14 milhões todos os anos; que os crimes de honra todos os anos ceifam a vida a milhares de raparigas e mulheres; que os crimes ligados ao dote matam com igual virulência; que a violação como arma de guerra é recorrente em todos os conflitos armados por todo o planeta; que a maior parte das vítimas de tráfico de seres humanos são mulheres; que a seleção pré--natal do sexo e o infanticídio de meninas em algumas partes do mundo põem em causa a sustentabilidade demográfica de regiões e interpela, em baixa, todas as projeções populacionais anteriores pois faltam mulheres; que 99% das mortes maternas por causas evitáveis ocorrem em países em desenvolvimento; que há mais de 220 milhões de mulheres que querem e não têm acesso a meios e serviços modernos de planeamento familiar e tantas outras que não podem decidir autonomamente sobre a sua fertilidade; que faltam respostas adequadas ao género e à idade para mais de 25 milhões de raparigas e mulheres que estão em situação de precisar de assistência humanitária; que as mulheres em Portugal ganham menos 17% do que os homens e que, por isso, para ganharem o mesmo teriam que trabalhar mais 65 dias por ano; que nos meios de comunicação social apenas uma em cada quatro notícias é dada por mulheres ou sobre mulheres.Se as mulheres perfazem mais de 50% da humanidade como é que podemos tolerar este balanço, sobretudo quando sabemos como construir mais igualdade? Não chega um dia internacional da mulher.
Dia 8 não nos deem flores ou chocolates. Ergam a vossa voz e empenhem-se na igualdade. É bom para as meninas, raparigas e mulheres, mas também para as sociedades: a igualdade reduz os custos da discriminação (as violências desde logo) e aumenta a produtividade e a riqueza dos países. E mais do que isto são direitos humanos. Universais."
Mónica Ferro, Ex-secretária de Estado da Defesa e professora do ISCSP
Fonte: aqui
quarta-feira, 4 de março de 2020
Uma alma que se eleva, eleva o mundo
Vivera ao lado de um anjo sem notar a sua presença
História maravilhosa da Serva de Deus Elizabeth Leseur que nasceu em Paris, França, em 1866; Ela recebeu da família uma sólida educação cristã e valioso patrimônio cultural, que utilizou durante toda a vida na qualidade de escritora. Era esposa de um ateu, materialista e colaborador de jornais anti-clericais, que tudo fez para extinguir a fé da esposa. Elisabeth, porém, percebeu a fragilidade das hipóteses materialistas e quis controlar a validade dos seus argumentos, dedicando-se intensamente ao estudo da Religião, do Evangelho e de São Tomás de Aquino. Este aprofundamento só contribuiu para tornar mais convicta a sua vida cristã, levando-a a exercer o apostolado entre os intelectuais e incrédulos, como também a praticar obras de caridade.
Era uma francesa culta e fervorosa, amiga das artes, das letras, da filosofia, etc, casada com um homem culto e destacado na sociedade francesa; mas ateu, que não acompanhava a fé de Elizabeth. Era o Sr. Felix Leseur.
A vida inteira Elizabeth rezou e se imolou pela conversão de seu esposo; o acompanhava nos mais altos eventos sociais onde Deus estava ausente, e sua alma chorava em silencio e oblação a Deus; até que um dia ela veio a falecer sem ver o marido se converter. Muito se empenhou pela conversão de seu marido, sem o conseguir, até o momento de sua morte.
Mas eis que Elizabeth tinha escrito um Diário Espiritual; e, um belo dia o seu esposo o encontrou depois de sua morte, e o leu com interesse. Foi o suficiente para que ele se convertesse profundamente. Ao ler aquelas páginas cheias de fé e de sofrimento oferecido a Deus diariamente, aquele homem foi tocado profundamente e percebeu que vivera ao lado de um anjo sem notar a sua presença. Agora derramava lágrimas de tristeza por não ter vivido aquela fé maravilhosa ao lado da esposa falecida. Sua conversão foi tão profunda que deixou o mundo, abandonou as esferas sociais onde era exaltado e se fez Frade dominicano com o nome de Frei Feélix Leseur. Do céu, Elizabeth converteu o seu Félix. Depois ele publicou “O Diário de Elizabeth Leseur”; editou também “Cartas a respeito do Sofrimento”, Paris 1918; “A Vida Espiritual”, Paris 1918; “Cartas aos Incrédulos”, Paris 1922.
Elisabeth deixou escrita uma famosa sentença, que revela o segredo do seu êxito apostólico: "Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro". Elevando-se em Deus no silêncio, na paciência e no amor perseverante, ela conseguiu elevar seu marido e, com ele, muitos e muitos irmãos, pois na comunhão dos Santos o cristão se torna espiritualmente fecundo, sem mesmo poder avaliar o alcance de sua vida fiel e tenaz.
PENSAMENTOS DA BEATA ELIZABETH LESEUR
"Sejamos como a vela, que consome a sua própria substância para dar luz e calor aos que a cercam".
“Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro”.
“Não sabemos todo o bem que fazemos, quando fazemos o bem”.
"Não chores ao perderes o sol; as lágrimas te impedirão de ver as estrelas."
“As nossas ações e as nossas omissões têm repercussões que vão até o infinito…”
“Um coração que ama, seja quem for o amado, ama ao mundo todo e o faz melhor.”
“Minha alma tem sede de se entregar, de se dar, de ser compreendida e de tudo partilhar. Ela suspira por aquilo que dura e queria, às vezes, sacudir o fardo das incompreensões, das hostilidades, das mesquinharias que, de fora, pesando sobre ela e a machucam. Tenho sede de infinito, de imortalidade. Tenho sede de vida, da única vida, plena, eterna, com todas as nossas ternuras reunidas no seio do Amor infinito. Meu Deus, tenho sede de ti”.
“Toda a vida é uma responsabilidade, e somos culpados não apenas pelo mal que fazemos, mas também pelo bem que deixamos de fazer”.
“Como não procurar dar quando se recebeu muito? Como não amar quando um Amor Infinito renovou e transformou a nossa vida?”
“Pensar é belo; orar é melhor; amar é tudo”.
“Quero amar com um amor especial àqueles a quem seu nascimento, sua religião ou suas ideias afastam de mim”.
“Não aceitar tudo, senão tratar de compreender tudo; não aprovar tudo, senão perdoar tudo; não aceitar tudo, senão buscar o grão de verdade que está contido em tudo. Não rechaçar nenhuma ideia ou desejo, por torpe o débil que pareça."
“Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro”.
“Não sabemos todo o bem que fazemos, quando fazemos o bem”.
"Não chores ao perderes o sol; as lágrimas te impedirão de ver as estrelas."
“As nossas ações e as nossas omissões têm repercussões que vão até o infinito…”
“Um coração que ama, seja quem for o amado, ama ao mundo todo e o faz melhor.”
“Minha alma tem sede de se entregar, de se dar, de ser compreendida e de tudo partilhar. Ela suspira por aquilo que dura e queria, às vezes, sacudir o fardo das incompreensões, das hostilidades, das mesquinharias que, de fora, pesando sobre ela e a machucam. Tenho sede de infinito, de imortalidade. Tenho sede de vida, da única vida, plena, eterna, com todas as nossas ternuras reunidas no seio do Amor infinito. Meu Deus, tenho sede de ti”.
“Toda a vida é uma responsabilidade, e somos culpados não apenas pelo mal que fazemos, mas também pelo bem que deixamos de fazer”.
“Como não procurar dar quando se recebeu muito? Como não amar quando um Amor Infinito renovou e transformou a nossa vida?”
“Pensar é belo; orar é melhor; amar é tudo”.
“Quero amar com um amor especial àqueles a quem seu nascimento, sua religião ou suas ideias afastam de mim”.
“Não aceitar tudo, senão tratar de compreender tudo; não aprovar tudo, senão perdoar tudo; não aceitar tudo, senão buscar o grão de verdade que está contido em tudo. Não rechaçar nenhuma ideia ou desejo, por torpe o débil que pareça."
Fonte: aqui
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
Eutanásia: Associação de Cuidados Paliativos lamenta decisão e pede esclarecimentos
A Associação Portuguesa dos Cuidados Paliativos lamentou a aprovação da despenalização da eutanásia no parlamento e pediu um esclarecimento ao Ministério da Saúde.
"O nosso receio é que os serviços de cuidados paliativos que sejam instrumentalizados para dar cumprimento a esta morte a pedido" e, nesse sentido, a associação pede "um esclarecimento por parte da senhora ministra e da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos".
Duarte Soares referiu que o que se sabe pela ciência é que "os médicos que estão mais envolvidos no fim de vida são aqueles que mais rejeitam a eutanásia".
Por outro lado, defendeu, "os serviços de cuidados paliativos são muitos escassos", acrescentando: "Estamos sempre a falar em investimento, portanto, é necessário clarificar se são estes meios escassos, que fazem uma cultura completamente diferente, que vão ser utilizados para esta matéria".
Sobre a aprovação na generalidade dos cinco projetos para a despenalização da morte medicamente assistida, Duarte Soares, afirmou que não foi uma surpresa.
"Era expectável a decisão por parte do parlamento", afirmou, mas o presidente da associação acredita que "ainda não é o final deste longo processo".
Mas a associação vê com "muita tristeza" a aprovação de um "ato que pode aparentar ser progressista e moderno, mas que na verdade nada vem acrescentar àquilo que é a necessidade de investirmos em serviços de cuidados paliativos e de apoio efetivamente aos milhares de portugueses que querem viver com dignidade até ao fim", salientou.
Apesar de acreditar que esta decisão ainda vá demorar "bastante tempo" a ser colocada no terreno, Duarte Soares disse que "a associação será a primeira a alertar as entidades competentes quando a decisão de hoje se transformar na realidade da Holanda em que muitos dos casos ultrapassam completamente as barreiras legislativas que são hoje colocadas".
"Teremos esse papel e olhamos para o futuro com muito otimismo e com muita resiliência, percebendo que a associação representa e lidera um movimento cívico que é completamente distinto na sua cultura", vincou.
Contudo, ressalvou: "Hoje é um dia importante e que teremos obrigatoriamente que respeitar".
O projeto do PS foi o mais votado, com 127 votos, 10 abstenções e 86 votos contra, sendo o do BE o segundo mais votado, com 124 deputados a favor, 14 abstenções e 85 contra.
O diploma do PAN foi aprovado com 121 votos, 16 abstenções e 86 votos contra.
O projeto do PEV recolheu 114 votos, 23 abstenções e 86 votos contra, enquanto o diploma da Iniciativa Liberal recolheu 114 votos favoráveis, 23 abstenções e 85 contra.
A votação nominal, um a um, demorou 30 minutos, a exemplo do que aconteceu na votação de 2018.
Estiveram presentes 222 dos 230 deputados.
Fonte: aqui
A Associação Portuguesa dos Cuidados Paliativos (APCP) lamentou hoje a aprovação da despenalização da eutanásia no parlamento e pediu um esclarecimento ao Ministério da Saúde sobre os médicos que vão proceder à sua prática.
A APCP apela para uma "tomada de posição firme e concreta" relativamente a "quem vão ser os elementos do Estado ou do Sistema Nacional de Saúde ou os clínicos que vão proceder à prática desta decisão", disse à agência Lusa o presidente da associação, Duarte Soares."O nosso receio é que os serviços de cuidados paliativos que sejam instrumentalizados para dar cumprimento a esta morte a pedido" e, nesse sentido, a associação pede "um esclarecimento por parte da senhora ministra e da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos".
Duarte Soares referiu que o que se sabe pela ciência é que "os médicos que estão mais envolvidos no fim de vida são aqueles que mais rejeitam a eutanásia".
Por outro lado, defendeu, "os serviços de cuidados paliativos são muitos escassos", acrescentando: "Estamos sempre a falar em investimento, portanto, é necessário clarificar se são estes meios escassos, que fazem uma cultura completamente diferente, que vão ser utilizados para esta matéria".
Sobre a aprovação na generalidade dos cinco projetos para a despenalização da morte medicamente assistida, Duarte Soares, afirmou que não foi uma surpresa.
"Era expectável a decisão por parte do parlamento", afirmou, mas o presidente da associação acredita que "ainda não é o final deste longo processo".
Mas a associação vê com "muita tristeza" a aprovação de um "ato que pode aparentar ser progressista e moderno, mas que na verdade nada vem acrescentar àquilo que é a necessidade de investirmos em serviços de cuidados paliativos e de apoio efetivamente aos milhares de portugueses que querem viver com dignidade até ao fim", salientou.
Apesar de acreditar que esta decisão ainda vá demorar "bastante tempo" a ser colocada no terreno, Duarte Soares disse que "a associação será a primeira a alertar as entidades competentes quando a decisão de hoje se transformar na realidade da Holanda em que muitos dos casos ultrapassam completamente as barreiras legislativas que são hoje colocadas".
"Teremos esse papel e olhamos para o futuro com muito otimismo e com muita resiliência, percebendo que a associação representa e lidera um movimento cívico que é completamente distinto na sua cultura", vincou.
Contudo, ressalvou: "Hoje é um dia importante e que teremos obrigatoriamente que respeitar".
O projeto do PS foi o mais votado, com 127 votos, 10 abstenções e 86 votos contra, sendo o do BE o segundo mais votado, com 124 deputados a favor, 14 abstenções e 85 contra.
O diploma do PAN foi aprovado com 121 votos, 16 abstenções e 86 votos contra.
O projeto do PEV recolheu 114 votos, 23 abstenções e 86 votos contra, enquanto o diploma da Iniciativa Liberal recolheu 114 votos favoráveis, 23 abstenções e 85 contra.
A votação nominal, um a um, demorou 30 minutos, a exemplo do que aconteceu na votação de 2018.
Estiveram presentes 222 dos 230 deputados.
Fonte: aqui
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020
Francisco, um Papa incapaz de reformar a Igreja
Havia uma certa expectativa relativamente à
exortação apostólica que surgiria como corolário do sínodo dos bispos que
decorreu em Roma entre 6 e 27 de outubro, mas os 111 parágrafos do texto
"Querida Amazónia", escritos pelo Papa Francisco, mostram uma Igreja
incapaz de se reformar.
Não há qualquer porta aberta para o fim do
celibato dos padres, nem tão pouco sinais para a instituição do diaconado
feminino.
A Igreja Católica tem uma gigantesca dificuldade em promover uma revolução
doutrinal. Setores mais conservadores controlam com mão férrea o Vaticano e nem
mesmo um Papa com o perfil do argentino Jorge Mario Bergoglio tem conseguido
ultrapassar esse domínio. É claro que poderíamos atirar para o domínio do
inverosímil a ordenação sacerdotal de homens casados, mesmo que isso
correspondesse a uma exceção criada para as regiões do globo mais carenciadas
de padres, como a Amazónia. É muito difícil a Igreja dar esse passo. Por várias
razões. Porque isso colide com uma doutrina mais tradicionalista, põe em causa
um património que se preserva de forma cumulativa e porque, na verdade, mexe
com dogmas inabaláveis, por exemplo a aceitação do divórcio e, pior ainda, dos
recasados. Imagine-se se um padre casado decidisse, a determinada altura, pôr
fim ao seu matrimónio...
No entanto, há outros modos de equacionar este tema. A Igreja Católica
continua a confrontar-se com uma grave crise de vocações, também tributária das
exigências feitas a quem quer servir o próximo, mas se sente incapaz de uma
abstinência sexual para a vida toda. Por outro lado, hoje os leigos vivem a sua
fé de outro modo e, decerto, seria mais profícuo encontrarem na sua paróquia
alguém com uma experiência de vida mais próxima dos problemas reais que uma
família enfrenta no seu quotidiano...
Há ainda a questão do diaconado feminino e aqui devo reconhecer que tenho
uma colossal dificuldade em entender o atual rumo da Igreja Católica cuja fé
professo. O papel da mulher continua circunscrito a uma menoridade difícil de
aceitar. Nesta exortação apostólica, o Papa Francisco fala da necessidade de
estimular o "aparecimento de novos serviços e carismas femininos",
mas deixa claro que esses trabalhos não passarão pela ordenação sacerdotal. Eis
aqui uma limitação que tira futuro a uma Igreja que precisa urgentemente de
outros caminhos para atrair para si leigos que se sentem cada vez mais
descrentes desta doutrina que os homens do Vaticano insistem em manter.
Felisbela Lopes, Professora Associada com Agregação da Universidade do
Minho
JN, 14/2/2020
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020
ALIVIAR SIM, MATAR NÃO

«Diga-se o que se disser, a vida é a coisa mais bela»
O sofrimento humano é uma realidade do percurso pessoal, que pode atingir formas devastadoras, é verdade. Mas o próprio respeito devido ao sofrimento dos outros e ao nosso deve fazer-nos considerar duas coisas: 1) que temos de recorrer aos instrumentos médicos e paliativos ao nosso alcance para minorar a dor; 2) que temos de reconhecer que o sofrimento é vivido de modo diferente quando é acompanhado com amor e agrava-se quando é abandonado à solidão.»
José Tolentino Mendonça, Cardeal
terça-feira, 11 de fevereiro de 2020
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
A fuga do silêncio

Temos medo do silêncio. Na nossa sociedade ruidosa temos medo de fazer silêncio. Por isso, mesmo quando não se fala ou não se tem com quem falar, como é o caso de andar de metro, comboio, autocarro, ou simplesmente a pé, ali vai toda a gente com auscultadores nos ouvidos a passar música. Temos medo do silêncio exterior e interior, que nos faça dar conta de nós próprios e daquilo que somos na verdade: um pequenino corpo da criação de Deus. Temos medo do silêncio e por isso não conseguimos escutar o outro. Se não conseguimos escutar o outro, como conseguiremos escutar Deus? Temos medo do silêncio e não fazemos silêncio para ouvir Deus. Por isso a oração que fazemos é mais a falar que a escutar. Falamos mais que ouvimos. Por isso não damos conta de que Ele fala. Por isso nos queixamos que Ele não nos fala. Por isso fugimos do silêncio e achamos que Deus está em silêncio.
Fonte: aqui
quinta-feira, 16 de janeiro de 2020
O equívoco do Cardeal Sarah ou de Bento XVI
É óbvio
que me desgosta a polémica surgida em torno do caso do livro do Cardeal Robert
Sarah, que o Papa Francisco nomeou, em 2014, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, livro
a que fica associado, queira ou não, o Papa emérito Bento XVI – não pela
importância da alegada divergência em relação ao Pontífice reinante, mas pelo
entendimento e aproveitamento que do caso alguns possam fazer.
Sabe-se
que o purpurado guineense (da Guiné Conacri) se encosta à linha mais conservadora
dos dicastérios romanos, mas isso é o preço de querermos uma Igreja plural em
que a discussão de ideias seja tão livre quanto possível e a unidade na
diversidade leve à aceitação das decisões papais, sobretudo as suportadas pelo
dogma, pelos concílios e sínodos. E, no desempenho do seu múnus dicasterial, o
Prefeito tem gerido a importante Congregação sem fuga às orientações superiores
levando-a a propor alterações ao ordenamento litúrgico, nomeadamente na
elaboração de textos para missa e ofício em sequência das beatificações e
canonizações, bem como da nova valorização de alguns santos, como foi o caso de
Santa Maria Madalena.
Deu algum
brado a instrução sobre a matéria do sacrifício eucarístico exigindo que o
trigo destinado à consagração do pão tenha algum glúten, o que implica o
arredamento da comunhão dos celíacos. A meu ver, trata-se de assunto a que a Congregação para a Doutrina da Fé devia
dar especial atenção promovendo um estudo histórico-teológico sobre a matéria
do sacrifício eucarístico, o que tem separado a Igreja latina, que exige que o
pão seja ázimo (sem fermento e sem sal) das Igrejas Orientais, que utilizam o pão comum, o
que, segundo os teólogos, não põe em causa a validade da consagração.
Foi
notícia de algum impacto o facto de Bento XVI ter prefaciado, com virtuoso
elogio ao autor, o livro de Sarah intitulado “A força do silêncio”, o que não tem nada de excessivo, visto que o
Papa emérito, que se remeteu à oração e à discrição no Mosteiro Mater Ecclesiae, e não ao silêncio, como
alguns querem fazer crer, é livre de falar e opinar como Bispo emérito que é.
Não pode é fazer crer ou ser entendido como outro Papa ou como Antipapa de que
se possa derivar para uma luta contra o Papa legítimo e a quem tanto Ratzinger
como Sarah prometeram obediência incondicional. Não obstante, a obediência diz
respeito ao acolhimento das decisões e instruções, não ao silêncio quanto a
temas em debate, embora sem que um ou outro possam usar da pretensa autoridade moral
que detêm para se sobreporem às opiniões e opções dos demais.
***
Recentemente
pôs-se na mesa do debate a questão da ordenação sacerdotal de homens casados no
decurso do Sínodo dos Bispos para a Amazónia, visto que muitas comunidades
ficam por demasiado tempo sem a celebração da Eucaristia. Por isso, muitos dos
grupos dos círculos linguísticos propuseram que se estabelecesse a
possibilidade da ordenação de homens casados já amadurecidos e aceites pelas
comunidades naquelas paragens amazónicas.
Porém,
Francisco no seu discurso final, relevando os diagnósticos feitos e as diversas
vertentes do Sínodo (pastoral, cultural, social e ecológica), passou em silêncio tal hipótese.
Agora, o
Cardeal Sarah tem um livro intitulado “Das
profundezas dos nossos corações”, que, segundo a antecipação do Le Figaro, que publicou algumas das suas
páginas, enaltece as virtualidades e o mérito do celibato sacerdotal defendendo
a sua obrigatoriedade na Igreja latina, sustentando-se no Novo Testamento e
alegadamente com raízes no Antigo Testamento, bem como respaldando-se na
História da Igreja. E chega a aduzir que ocasiões houve em que se autorizou a
ordenação sacerdotal de homens casados desde que se comprometessem à
abstinência das relações sexuais a partir da ordenação.
O livro insere
um texto de 7 páginas que Bento XVI enviou a Sarah com a indicação de que o
poderia publicar como entendesse e que o Cardeal sintetizou com fidelidade numa
só página como salienta Bento XVI. Além disso, o Cardeal redigiu uma introdução
e uma conclusão que dá como assinadas por si e por Bento XVI, constando na capa
os dois como autores, o que dá a ideia de que o livro foi escrito a quatro
mãos: Ratzinger e Sarah.
Confrontado
com a situação, Bento XVI, sem pôr em causa a boa-fé de Sarah, pediu, através
de Dom
Georg Gänswein, Prefeito da Casa Pontifícia e secretário particular do Papa
emérito, que retirassem o seu nome da edição, porquanto não autorizou a
assinatura conjunta como coautor do livro. E Gänswein esclareceu às agências Kna e Ansa:
“O Papa emérito,
de facto, sabia que o cardeal estava preparando um livro e tinha enviado um
pequeno texto seu sobre o sacerdócio, autorizando-o a usá-lo como o desejasse.
Mas não tinha aprovado nenhum projeto para um livro assinado conjuntamente nem
tinha visto e autorizado a capa. Foi um mal-entendido, sem questionar a boa-fé
do cardeal Sarah.”.
***
Dificilmente
o Papa emérito se desliga do equívoco em razão da publicidade do caso. Arriscou
enviar o texto e dizer que o recetor publicasse como entendesse. Este, em vez
de escrever o seu livro e inserir o texto para comentar sustentando-se da
autoridade académica e experiencial de Bento XVI, fê-lo coautor para ganhar
força. E o livro tem impacto, mas o Cardeal fica enfraquecido, devendo retirar
o nome de Bento em futuras edições. Quem tudo quer tudo perde.
Veremos o
que escreverá Francisco na sua exortação apostólica pós-sinodal decorrente do
último Sínodo, o da Amazónia. Recorde-se que, tal como referiu o diretor da
sala de Imprensa da Santa Sé, Francisco, na conferência de imprensa no regresso
do Panamá, citou uma frase de São Paulo VI: “Antes
quero dar a vida que mudar a lei do celibato”. E acrescentou:
“Pessoalmente,
penso que o celibato é uma dádiva para a Igreja. (...) Não estou de acordo com
permitir o celibato opcional. Haveria qualquer possibilidade apenas nos lugares
mais remotos; penso nas ilhas do Pacífico... [...] Haveria necessidade
pastoral, e o pastor deve pensar nos fiéis.”.
De facto, há muitas regiões em que a
privação da Eucaristia é crassa e penosa. E é preciso obviar a isso. Talvez
seja necessário incentivar sustentadamente a emergência de mais sacerdotes
celibatários, ordenar homens casados amadurecidos, ampliar a ordenação de
diáconos permanentes estendendo-a às mulheres e desenvolver uma amplidão de
ministérios não ordenados na Igrejas, que muito podem fazer na catequese,
liturgia e odegética.
E o caso de Sarah e Bento XVI ficará
nos termos do pluralismo, pois nenhum falou nem pode falar ex catetdra.
2020.01.16 – Louro de Carvalho
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
segunda-feira, 13 de janeiro de 2020
quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
Henrique Joaquim: “Assistencialismo não tira da rua as pessoas sem-abrigo”

“O assistencialismo não tira a pessoa da rua, não resolve o problema; ainda que naquela noite tenha matado a fome a uma pessoa, não a tira dessa condição”, diz o gestor da Estratégia Nacional de Integração dos Sem-abrigo, Henrique Joaquim, que esta quinta-feira, 2 de Janeiro, iniciou as suas funções. Em entrevista ao Público e Rádio Renascença, o responsável acrescenta que o objectivo “tem que ser sempre tirar a pessoa” da condição de sem-abrigo.
Henrique Joaquim descreve a realidade da população sem-abrigo, segundo os dados de 2018: cerca de 3.400 pessoas a nível nacional, menos de metade das quais efectivamente sem tecto (a viver na rua, em prédios abandonados ou em carros) e as que, mesmo não estando na rua estão sem casa (têm alojamento que pode ser temporário); a maior parte está na área metropolitana de Lisboa e são homens e muitas vezes vive ainda problemas de saúde, carência económica ou dependências.
O novo responsável da ENIS avisa que a boa vontade, quando não é organizada, pode ter efeitos perversos e diz que é um “mito urbano” a ideia de que há pessoas que preferem continuar a viver na rua: “Em oito anos de trabalho na rua, nunca encontrei ninguém que conscientemente me dissesse” isso, refere na entrevista, disponível no Público.
Fonte: aqui
quinta-feira, 2 de janeiro de 2020
Subscrever:
Mensagens (Atom)










