segunda-feira, 13 de abril de 2020

terça-feira, 7 de abril de 2020

Semana Santa Ressurrecional

O sentimento quase universal da contingência humana, associado à pandemia, insere-se bem na vivência da Semana Santa; e tanto mais quanto a pandemia se reflete na quase paralisação da economia e no agravamento da situação social, particularmente sob a forma de empobrecimento e desigualdades sociais. Estas desigualdades, que sempre existiram, revestem agora a forma de contraste enorme entre as condições de subsistência dos vários estratos sociais.
Vive-se, em cada momento, o risco do contágio e da morte, a par do agravamento da situação social; e, ao mesmo tempo, também se vivem, ressurrecionalmente, as pequenas-grandes vitórias da ajuda mútua, da prestação de cuidados, das curas ou expectativas de evoluções favoráveis, da abertura de perspectivas para um futuro mais fraterno que o passado…
No fundo, cada “estação” desta “via sacra” é, simultaneamente, morte e ressurreição: morte, nas vivências negativas, incluindo as inúmeras mortes biológicas; e ressurreição, nas vivências positivas, incluindo as curas de pessoas infetadas. Nada repugna incluir nesta ressurreição – bem pelo contrário – a fé na vida eterna, articulada com a eternidade da vida; se a vida eterna aponta para a vida depois da morte, a eternidade da vida aponta para todo o mistério de cada vida humana, em comunhão com todas as outras, independentemente de estarmos vivos ou mortos no sentido mais corrente.
Procedem muito bem os cristãos ao viver a Semana Santa em comunhão com suas comunidades e com o Papa, recordando os acontecimentos de há dois mil anos; mas que isso não impeça a comunhão e vivência dos acontecimentos atuais… que, no fundo, partilham daqueles e são vividos em toda a parte.
Acácio Catarino,  aqui

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Esse Deus não é o meu!

Os fundamentalismos alimentam-se do medo, do drama e da desgraça. Muitos deles sobrevivem ainda do Antigo Testamento, a fase infantil da revelação divina na perspectiva cristã.
IACS - Instituto Apologético Cristo Salva: ESPIRITISMO KARDECISTA ...
Lê-se e custa a crer que pessoas ditas cristãs digam à boca cheia que a presente pandemia de covid-19 é um castigo de Deus porque no Carnaval do Rio uma escola de samba representou a figura de Jesus Cristo de forma, digamos, pouco ortodoxa, ou por acontecimentos semelhantes.
Essa gente vive fora de tempo, como se estivesse ainda no Antigo Testamento, no tempo em que, na percepção dos hebreus, a justiça divina tinha um carácter tipicamente retributivo. Uma das coisas que se pode apreender no conjunto dos textos do cânone bíblico é que a revelação divina é progressiva.
O pequeno povo do Antigo Israel estava mais centrado na sua luta pela sobrevivência, depois da experiência traumática da escravatura sofrida nos últimos tempos em terras do Egipto. Não tinham treino militar, nem armas, nem sequer um território próprio. Era um conjunto de tribos nómadas a viver numa terra de ninguém, o deserto do Sinai. O seu conceito da divindade era semelhante ao dos povos contemporâneos, com a excepção do monoteísmo. Sustentavam a ideia de um Deus étnico, por via do velho pacto estabelecido com o patriarca Abraão e revalidado em Isaque, Jacob e demais descendência. Tal como qualquer povo da época, Israel precisava de uma divindade protectora com a qual se identificasse, e cuja função primordial seria assegurar a sua sobrevivência como povo, e a prevalência sobre todos os inimigos e quaisquer ameaças, prevenindo assim o risco de extinção.
De acordo com a perspectiva bíblica, vivia-se então a idade infantil da revelação divina, isto é, o tempo em que aquele povo era tratado como uma criança a quem o pai impõe regras muito claras. Se obedecesse seria premiado, mas em caso de desobediência poderia esperar castigo. Quando a vida corria mal e começaram a sofrer derrotas e exílios, a justificação da desgraça sofrida apresentada pelos líderes e mais tarde pelos profetas hebreus, era sempre de que o Deus de Israel os tinha castigado duramente.
Só com a vinda do Messias, Deus se revela de forma completamente diferente. No início do seu ministério público, Jesus Cristo profere o célebre Sermão do Monte (Mateus, caps. 5-7), um discurso altamente subversivo, do ponto de vista social, cultural e religioso, uma vez que propunha valores diferentes e até opostos à prática religiosa judaica vigente, o que deixou a audiência desconcertada. Mas sobretudo Jesus de Nazaré vem a revelar o Pai como um Deus de proximidade e de intimidade, assim como o seu carácter e a sua essência fundamental, de que João Evangelista testifica: “Deus é amor” (I João 4:16).
Dizer que a presente pandemia é um castigo de Deus é uma enormidade sem nome. Afinal qual é o conceito de Deus que esta gente tem? Por que razão Deus castigaria tantos inocentes? Que raio de sentimento vingativo seria esse? Como diz Domingos Faria,“o vírus é completamente insensível ao carácter moral das pessoas”.
O Deus revelado em Jesus Cristo não é mesquinho nem reactivo, nem se deixa insultar por qualquer patetice humana. Os cristãos que difundem a imagem dum Deus mesquinho, afinal, não estarão a fazer mais do que os gregos e os romanos que inventaram deuses à sua própria imagem e semelhança, portadores dos vícios e fraquezas dos homens.
No fundo, estão ainda na mesma posição infantil dos discípulos, que tentaram que o Mestre enviasse fogo do céu para castigar uns quantos, só porque tinham o orgulho ferido, por terem sido rejeitados pelos samaritanos: “E os seus discípulos, Tiago e João, vendo isto, disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma, como Elias também fez?” (Lucas 9:54). Mas o Mestre repreendeu-os de imediato: “Voltando-se, porém, repreendeu-os e disse: Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (Lucas 9:55,56).
Como diz Jorge Pinheiro,“Deus não castiga – Deus corrige, ensina e disciplina. E que ninguém veja nesta afirmação um jogo semântico. Porque os actos de Deus – como pessoa que é – revelam a Sua natureza. E a natureza de Deus é sempre pedagógica. E a pedagogia não se realiza por castigos, mas por correcção, ensino e disciplina.” Haja alguém que diga a essa gente o mesmo que o Mestre Jesus.
Deus não precisa de pandemias para se fazer ouvir, nem de defensores (como pode a formiga defender o elefante?), que são tão pecadores como aqueles a quem apontam o dedo. A natureza do pecado é que será diferente. Precisam de se ver ao espelho, definitivamente.
José Brissos-Lino,  aqui

sábado, 28 de março de 2020

revolução viral ou então não

Escrevem e dizem alguns que, depois deste furacão chamado coronavírus, a nossa vida não voltará a ser a mesma. E falam muito de solidariedades, atenções, gestos maravilhosos que vão ocorrendo por todo o lado. Que as pessoas estão mais atentas aos seus vizinhos. E até certo ponto, é verdade. Dizem também que há menos poluição. Menos Co2. As águas mais limpas. Que, no plano climático, está a valer a pena. Que a natureza nos está a obrigar a rever o nosso estilo de vida. Que o capitalismo vai sofrer um desfalque. E por aí fora e por aí adentro. Mas será assim? Será assim no final deste período de contingência? Ou não será apenas um conto de fadas porque agora ninguém quer ver filmes de terror?
Li, no jornal espanhol “El Mundo”, que, em Espanha, na província espanhola de Cádis, onde um grupo de quase três dezenas de idosos tiveram de ser realojados pelo Governo depois de terem sido despejados de um lar por estarem infetados com a Covid-19, os veículos de transporte médico que transportavam os idosos foram apedrejados e um carro chegou mesmo a atravessar-se no caminho. Os populares receberam aqueles idosos com pedras e explosivos! Ora digam-me lá se isto não nos faz pensar! Por isso não sei se haverá alguma revolução viral. Até porque o vírus parece querer isolar-nos. E cada um parece preocupar-se mais com a sua sobrevivência que com a vida dos outros. 
Deixem passar a pandemia e os meses ou anos que se lhe hão-de seguir, e veremos se não voltamos ao capitalismo destroçador, à economia que mata, à tecnocracia burguesa, ao individualismo antropocêntrico, às relações virtuais… 
A revolução não está nas mãos do vírus, mas nas nossas mãos! 
Fonte: aqui

You (will) never walk alone ... ((Tu nunca caminharás sozinho...)

A imagem pode conter: céu e ar livre

sexta-feira, 27 de março de 2020

quinta-feira, 26 de março de 2020

À crise sanitária alia-se a recessão económica


O Banco de Portugal (BdP) divulgou hoje, dia 26, o boletim económico de março em que atualiza as previsões incorporando o impacto económico provocado pelo Covid-19. E confirma a iminência duma recessão económica, podendo vir o PIB encolher até 5,7% este ano por causa do impacto da pandemia que assola o país e a Europa, depois de ter atingido a China, podendo devastar vários países do mundo.
No predito boletim, o nosso banco central apresenta dois cenários, como explica o comunicado entretanto divulgado. No primeiro, o designado por cenário base, o impacto económico da pandemia será “relativamente limitado” e a contração será de 3,7%. Já no designado por cenário adverso, o impacto será “mais significativo devido à paralisação mais prolongada da atividade económica em vários países”, pelo que a queda do PIB será de 5,7%.
É a incerteza e complexidade da situação que leva o BdP a equacionar duas hipóteses de cenário, já que não é “possível apresentar um cenário mais provável”.
Na verdade, segundo o BdP, “as perspetivas para a economia portuguesa deterioraram-se abrupta e significativamente em resultado do impacto da pandemia Covid-19”. E “a pandemia corresponde a um choque económico adverso com efeitos muito significativos e potencialmente prolongados no tempo em termos do bem-estar dos cidadãos e da atividade das empresas”. Se vier a desenhar-se o cenário adverso, o PIB português cairá mais do que no pior ano da crise financeira, pois, em 2012, o PIB caiu 4%.
O banco central considera que as projeções procuram ter em conta o potencial impacto das políticas adotadas pelas autoridades nacionais e europeias em face do choque, mas o certo é que “ambos os cenários contemplam uma recessão da economia portuguesa em 2020” e que o pico do choque acontecerá no 2.º trimestre, iniciando-se uma recuperação no 2.º semestre.
Ainda não estamos longe da última vez que o BdP atualizou as suas previsões e as perspetivas são bem diferentes. Em dezembro de 2019, o banco central antecipava um crescimento do PIB de 1,7%, após ter crescido 2,2% em 2019, 2,6% em 2018 e 3,5% em 2017. Porém, desde então, mudou tudo com a propagação do novo coronavírus, o que obrigou à quase total paralisação da economia. Para combater este “choque”, Carlos Costa, governador do BdP, já defendeu a emissão de eurobonds, títulos de dívida comunitários.
Não se percebe como já em dezembro de 2019, face ao surto do novo corona vírus na China, as previsões do BdP referentes a 2020, se mostram imunes ao provável contágio, subvalorizando os efeitos plúrimos da globalização e não tendo em conta que hoje a China, as suas pessoas e os seus interesses estão espalhados praticamente por todo o mundo. Por outro lado, por mais e maiores críticas que se possam fazer ao seu regime político, o sistema é de portas abertas, podendo lá entrar com certa normalidade os cidadãos de todo o mundo e de lá sair. Não tem o BdP consultores para a saúde, para o serviço social e para a educação?
São já muitas as previsões, com pressupostos diferentes, que apontam para uma forte recessão: no cenário otimista, o NECEP – Católica Lisbon Forecasting Lab prevê uma contração de 4%; o Fórum para a competitividade aponta para uma queda  entre 1 a 2%; e um estudo da IESE Business School aponta para os 2,9%.
As previsões do NECEP, divulgadas, a 23 de março, na folha trimestral de conjuntura relativa ao 1.º trimestre deste ano, apresentam várias hipóteses de contração do PIB. Segundo as suas previsões, a contração poderá variar entre 4% (cenário otimista) e 20% (cenário mais pessimista), sendo que o cenário central prevê que o PIB encolha 10%. Efetivamente, os economistas da UCP assumem que “a pandemia criou uma disrupção generalizada na economia mundial” e admitem como cenário mais provável o “colapso abrupto das economias desenvolvidas”, apesar de continuar a haver uma “elevada incerteza sobre a dimensão e a duração da contração” uma vez que estamos perante uma crise de caraterísticas ímpares, “marcada por um duplo choque do lado da oferta e do lado da procura”. Por isso, a sua nova estimativa de crescimento económico para Portugal em 2020 contempla três cenários: um cenário central, em que a fase crítica da epidemia dura cerca de três meses, encolhendo PIB 10% e subindo a taxa de desemprego para os 10,4%; um cenário pessimista, em que o controlo da epidemia se prolonga por seis meses, encolhendo o PIB 20% e subindo a taxa de desemprego para os 13,5%; e um cenário otimista, em que essa fase crítica não se prolonga muito para além de abril, encolhendo o PIB 4% e subindo a taxa de desemprego para os 8,5%.
Este último cenário toma em consideração medidas adicionais e mais incisivas para lá das já anunciadas pelo Governo. Não obstante, segundo os economistas, qualquer destes cenários “corresponderá a um agravamento significativo do desemprego e em termos de perda do rendimento das famílias” (Sobre dados do NECEP, cf Tiago Varzim, “No cenário otimista, PIB encolhe 4% e desemprego sobe para os 8,5% em 2020, prevê Católica”, in Observador, 23 de março).
No dia 25, Mário Centeno, que prometeu não deixar o Governo pelo menos enquanto durar a crise, admitiu que o país tem de se preparar para enfrentar uma recessão e disse que Portugal tem capacidade para a enfrentar, obviamente com algum auxílio e a solidariedade da UE. 
Caso a economia encolha 3,7%, como prevê o cenário base do BdP, a taxa de desemprego, que está na casa dos 6%, subirá para os 10,1%, como antecipa o banco central, que projeta uma queda do emprego de 3,5% e diz que a evolução projetada para o desemprego depende da configuração e magnitude das medidas de política que possam ser implementadas de imediato.
Quanto à queda do PIB neste cenário, o BdP espera que o consumo privado se reduza em 2,8%, este ano, refletindo o aumento de forçada poupança das famílias face ao ambiente de incerteza e a ligeira queda do rendimento disponível real – queda mitigada pelas medidas que o Governo já anunciou, “antecipando-se um aumento significativo das transferências públicas para as famílias em 2020“, o que levará a um crescimento do consumo público na ordem dos 2,1%.
O maior decréscimo, pelo menos em termos percentuais, ocorrerá no investimento. Segundo, o BdP, a formação bruta de capital fixo cairá 10,8%, “devido à forte redução do investimento empresarial e, em menor magnitude, do investimento residencial”, sendo a incerteza a condicionar o investimento das empresas.
E a recessão, quase certa a nível mundial, fará cair a pique (-12,1%) as exportações de bens e serviços, tal como as importações (-11,9%). O destaque (pela negativa), neste âmbito, vai para as exportações de turismo e transportes, que serão “fortemente afetadas pelas limitações à movimentação de pessoas” e registarão acentuada queda. Porém, como a evolução das exportações e importações é semelhante, as contas externas continuarão positivas num ano em que beneficiarão da diminuição do preço do petróleo.
O banco central assume, no atinente à evolução dos preços, que “prevalece algum efeito descendente sobre os preços” dada a natureza desde choque, levando a taxa de inflação a permanecer “em níveis baixos ao longo de todo o horizonte de projeção: 0,2% em 2020, 0,7% em 2021 e 1,1% no último ano do horizonte”.
Se o PIB encolher 5,7%, como prevê o cenário adverso, as exportações de bens e serviços cairão 19,1%, pois a recessão global e o colapso do comércio mundial tirarão muita da procura externa dirigida à economia portuguesa. Pela mesma razão, as importações cairão 18,7%. E a queda simultânea de exportações e importações permitirá manter positivas as contas externas. A taxa de desemprego subirá para os 11,7%, sendo que este cenário incorpora uma “maior destruição de capital e perda de emprego”, assim como “uma maior incerteza e níveis de turbulência mais significativos nos mercados financeiros”. Neste caso, o que levará à queda do PIB será a redução do consumo privado em 4,8%, este ano. Com efeito, segundo o BdP, “as famílias reduzem mais significativamente as despesas de consumo num cenário de maior incerteza, caraterizado também por uma maior queda do emprego, níveis mais elevados da taxa de desemprego e condições financeiras mais desfavoráveis”. Além disso, o investimento levará um tombo de 14,9%. Neste cenário, haverá deflação em 2020. “A taxa de inflação permanece em níveis ainda mais baixos ao longo de todo o período, prevendo-se que se situe em -0,1% este ano, 0,5% em 2021 e 0,7% em 2022”, como esclarece o banco central.
Apesar de ter apresentado dois cenários para a situação atual, o BdP adverte, tal como têm feito as instituições ou economistas que já avançaram com previsões (algumas bem díspares das do supervisor), que a elevada incerteza dá azo a muito poucas certezas, pelo que não podem ser excluídos cenários ainda mais adversos. E sustenta que o país tem agora “vulnerabilidades específicas”, desde logo por causa da importância do setor do turismo, o que “implica uma elevada exposição à redução esperada da procura global deste tipo de serviços, que será muito significativa”. Por outro lado, como adverte o supervisor, um choque económico desta dimensão coloca dificuldades acrescidas ao tecido empresarial, dominado por empresas de pequena dimensão e com relativamente frágil situação financeira. E a situação das famílias não é melhor, visto que existe uma elevada percentagem perto ou abaixo do limiar de pobreza, o que faz com que tenham uma “reduzida margem de absorção do choque” no seu rendimento.
É claro que o banco central português, embora não tenha previsões tão negras como o NECEP, não fecha a porta a cenários como os que este núcleo da UCP desenha. Com efeito, observa:  
A crise desencadeada pelo novo coronavírus constitui um inédito e sério desafio às diversas políticas económicas, que deverão dar prioridade à resposta de curto prazo ao impacto provocado pela pandemia, mas as considerações de médio prazo deverão também ser tidas em conta”.
Porém, enquanto reitera a necessidade duma coordenação a nível europeu com a “necessária solidariedade e a adoção de políticas partilhadas a nível europeu”, o Banco de Portugal deixa, no final, uma mensagem de esperança:
Em Portugal, tal como em crises passadas, os agentes económicos e a sociedade em geral saberão solidariamente ultrapassar a atual situação de emergência, devendo retirar-se os ensinamentos que permitam um melhor desempenho no futuro, num quadro de cooperação europeia e internacional”.
É uma mensagem parecida com algumas do Presidente da República. Talvez seja útil atender ao que diz o Primeiro-Ministro: agora, tratar da saúde de todos e ajudar as empresas e as famílias; em junho relançar a economia.
2020.03.26 – Louro de Carvalho

terça-feira, 24 de março de 2020

Marina Mota - Portugal à Gargalhada


No meio deste tempo de clausura, precisamos de rir. Caso contrário, podemos ficar mentalmente trucidados...

Semear, plantar, construir, edificar, tecer – achegas para a crise pandémica

Precisamos de uma ajuda, de uma mão. Croácia.
Em 1985, Maria de Lourdes Pintasilgo publicou o livro Dimensões da Mudança. O primeiro capítulo, “Tempo de Mudança”, é um comentário ao capítulo 32 do livro bíblico de Jeremias: Jerusalém é invadida, Jeremias anuncia a queda e é preso. Deus diz-lhe que compre um campo, o que faz com todas as formalidades, dentro da prisão.
Este comentário foi escrito a pedido das edições Hachette, Paris, para a reedição da Bíblia Ilustrada, publicada em 1982. Sobre o texto escrito por Maria de Lourdes Pintasilgo, é dito que:
condensa a perspetiva que caracteriza a intervenção social e política de Maria de Lourdes Pintasilgo: não há situações totalmente fechadas. É sempre possível abrir uma brecha, tornar a esperança viável. Mesmo em situações de bloqueio, à denúncia dos erros sobrepõe-se o anúncio de que a vida renasce nos gestos mais simples e mais concretos. E, esses gestos, há que fazê-los, sem hesitação.
Algumas frases soltas retiradas desse capítulo:
(…) É que, quando tudo se disse, nada mais resta senão agir a palavra. Denunciar as consequências do cerco que nos rodeia, que vai devastar tudo, que possivelmente está minando tudo, não é só dizer as palavras que o significam.
É dizer, imediatamente e da forma mais evidente, que a liberdade não está num “depois” mas está no próprio cerne da situação que vivemos.
É dizer que, contra o cerco não há senão uma solução – retomar os gestos quotidianos, semear, plantar, construir, edificar, tecer.
(…) Dizer, pelo gesto, que o diálogo e a troca entre os homens passam pelo que lhes é mais próximo. O comércio entre os homens, a comunicação entre eles, no sentido clássico, diz que a vida pode recomeçar.
Agir a palavra. (…) 
Texto de Margarida Amélia Santos, presidente da Fundação Cuidar o Futuro, instituída por Maria de Lourdes Pintasilgo
Aqui

segunda-feira, 23 de março de 2020

sábado, 21 de março de 2020

NADA SERÁ COMO ANTES

O coronavirus COVID 19 vai mudar a vida das pessoas. Nada será como antes.
- A crise económico-social vem aí, segundo os especialistas, forte e marcante.
- A poluição no mundo está a diminuir em virtude da acelerada paragem económica. Se a segunda é má, a primeira é ótima.
- Por imposição da pandemia, as famílias ficam em casa. Redescobrir o valor da presença, convívio, partilha, encantamento familiares é um belo desafio.
- O maldito coronavirus põe em questão muitos dos nossos comportamentos e atitudes, mormente nas relações homem/natureza e questiona o nosso modelo de desenvolvimento que o capitalismo selvagem tem proposto.
- Também o materialismo de vida e o relativismo moral são postos em causa. Esta guerra contra o inimigo invisível, põe perguntas que muita gente deitava para trás das costas: DONDE VIMOS? O QUE FAZEMOS AQUI? PARA ONDE VAMOS?
Nada melhor que este excelente vídeo para ajudar a situar a questão. Reflete  quem sabe. Aprendamos com quem sabe.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Presidente da República declara Emergência Nacional (em atualização)


A imagem pode conter: texto que diz "declaração de estado EMERGÊNCIA NACIONAL"
Ouvido o Conselho de Estado, obtida a concordância do Governo, com a aprovação da Assembleia da República sem votos contra, o Presidente da República declarou  nesta quarta-feira a Emergência Nacional para combater esse terrível inimigo invisível que é Covid-19.
O processo:
1° Presidente da República avança com Decreto Presidencial onde declara Emergência Nacional
2° Assembleia da República aprova decreto presidencial
3° Conselho Ministros decide medidas a adotar, bem como data de início e fim de cada uma dessas medidas - será amanhã 
Ou seja, até ser realizada a reunião do Conselho de Ministros nada muda. Amanhã saberemos das decisões e quais as nossas obrigações perante este estado de Emergência Nacional, até ao final desta reunião tudo se mantém.


Durante a sessão parlamentar, primeiro-ministro alertou  que a curva epidemiológica da Covid-19 no país "não acabará nos próximos 15 dias, terá um pico em meados de abril, e só poderá ter um termo, se tudo correr no melhor dos cenários, em finais de maio". António Costa alertava para o facto de a declaração de emergência, que foi aprovada sem votos contra pelos deputados, não resolver o problema do novo coronavírus. "Não há nenhum decreto de emergência que tenha um efeito salvífico de resolver a crise pandémica", alertou.
Garantindo a "inequívoca solidariedade institucional" do Governo com o Presidente da República, António Costa voltou a sublinhar - já o tinha feito antes, em conferência de imprensa - que "não se trata de suspender a democracia". "Continuaremos a ser uma sociedade aberta, de cidadãos livres", garantiu o líder do executivo, que na manhã de quinta-feira reúne o Conselho de Ministros para definir em concreto as medidas do estado de emergência. Medidas que terão em conta o "sentido da adequação e proporcionalidade", garantiu, mas sublinhando também que serão cometidos erros pelo caminho: "Temos com humildade de procurar agir com a melhor evidência científica, com a consciência que temos de tomar decisões hoje que amanhã terão de ser corrigidas, que hoje tomaremos decisões que amanhã serão consideradas excessivas e que não tomaremos outras que serão consideradas imprescindíveis".
 
Nesta quinta-feira, o governo pôs em marcha  medidas que pode ver aqui.
 
Neste sentido, atenda às  10 medidas que deve seguir durante o
os próximos 15 dias de Estado de Emergência:

1) Isolamento obrigatório para infetados pela covid-19 e para casos suspeitos. Estes cidadãos arriscam-se a crime de desobediência civil se saírem do local do isolamento.

2) Proteção especial para idosos (acima dos 70 anos) e outros grupos de risco. Só devem sair de casa para questões essenciais: compras, banco, CTT, serviços de saúde ou passear animais de companhia. Não há um horário especial para saídas à rua.
3) Não há recolhimento obrigatório mas as restantes pessoas têm "dever de recolhimento". Isto é, não devem andar na rua, a não ser para o essencial, incluindo ir trabalhar, se não for possível o teletrabalho. Apoio a familiares, acompanhar crianças em curtas atividades ao ar livre e passear animais de companhia também são exceções.
4) Fica fechado um conjunto de serviços públicos, incluindo lojas do cidadão. Muitos desses serviços podem ser encontrados online ou via telefone. Mantém-se os postos de apoio ao cidadão localizados junto das autarquias. A marcação prévia é aconselhada.
5) Negócios abertos ao público têm de fechar. Espaços como padarias, mercearias, supermercados, farmácias, quiosques, bombas de gasolina ou bancos mantêm-se abertos. O atendimento deve ser feito por postigo. Centros comerciais também fecham, excluindo lojas de bens "essenciais" no interior.
6) Restaurantes fecham ao público. Podem continuar a trabalhar em regime de "take away". Por sua vez, o racionamento de bens alimentares não é uma opção em cima da mesa.
7) Empresas onde não há contacto com o público continuam a laborar. Devem ser cumpridas normas de segurança e higiene. Nos casos em que é possível, é recomendado o teletrabalho.
8) Forças de segurança estarão na rua para encerrar negócios, sensibilizar população e recomendar idosos a não sair de casa.
9) Haverá "regras orientadoras" para a realização de funerais, para evitar concentração de pessoas.
10) Governo criou gabinete de crise para responder à pandemia, que integra oito ministros.


Amanhã o governo irá tomar outras medidas, mais viradas para a área económica…
 
É oficial. Só pode sair de casa se for para fazer uma destas 20 coisas
Estas obrigações entram em vigor às 00h00 do dia 22 de março.
No decreto, tal como António Costa já tinha explicado esta quinta-feira, impõe-se o confinamento obrigatório, em estabelecimento de saúde ou em casa, dos doentes infetados com a Covid-19. Para os maiores de 70 anos e os imunodeprimidos e os portadores de doença crónica também existem fortes restrições à circulação.
E para todos os outros, que não estão doentes e têm menos de 70 anos? O Governo elaborou uma lista com 20 tarefas que justificam a saída à rua. Assim, só podem circular em espaços e vias públicas, para algum dos seguintes propósitos:
a) Aquisição de bens e serviços;
b) Deslocação para efeitos de desempenho de atividades profissionais ou equiparadas;
c) Procura de trabalho ou resposta a uma oferta de trabalho;
d) Deslocações por motivos de saúde, designadamente para efeitos de obtenção de cuidados de saúde e transporte de pessoas a quem devam ser administrados tais cuidados ou dádiva de sangue;
e) Deslocações para acolhimento de emergência de vítimas de violência doméstica ou tráfico de seres humanos, bem como de crianças e jovens em risco, por aplicação de medida decretada por autoridade judicial ou Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, em casa de acolhimento residencial ou familiar;
f) Deslocações para assistência de pessoas vulneráveis, pessoas com deficiência, filhos, progenitores, idosos ou dependentes;
g) Deslocações para acompanhamento de menores:
  • Em deslocações de curta duração, para efeitos de fruição de momentos ao ar livre;
  • Para frequência dos estabelecimentos escolares, ao abrigo do n.º 1 do artigo 10.º do Decreto-Lei n.º 10-A/2020, de 13 de março.
h) Deslocações de curta duração para efeitos de atividade física, sendo proibido o exercício de atividade física coletiva;
i) Deslocações para participação em ações de voluntariado social;
j) Deslocações por outras razões familiares imperativas, designadamente o cumprimento de partilha de responsabilidades parentais, conforme determinada por acordo entre os titulares das mesmas ou pelo tribunal competente;
k) Deslocações para visitas, quando autorizadas, ou entrega de bens essenciais a pessoas incapacitadas ou privadas de liberdade de circulação;
l) Participação em atos processuais junto das entidades judiciárias;
m) Deslocação a estações e postos de correio, agências bancárias e agências de corretores de seguros ou seguradoras;
n) Deslocações de curta duração para efeitos de passeio dos animais de companhia e para alimentação de animais;
o) Deslocações de médicos-veterinários, de detentores de animais para assistência médico-veterinária, de cuidadores de colónias reconhecidas pelos municípios, de voluntários de associações zoófilas com animais a cargo que necessitem de se deslocar aos abrigos de animais e de equipas de resgate de animais;
p) Deslocações por parte de pessoas portadoras de livre-trânsito, emitido nos termos legais, no exercício das respetivas funções ou por causa delas;
q) Deslocações por parte de pessoal das missões diplomáticas, consulares e das organizações internacionais localizadas em Portugal, desde que relacionadas com o desempenho de funções oficiais;
r) Deslocações necessárias ao exercício da liberdade de imprensa;
s) Retorno ao domicílio pessoal;
t) Outras atividades de natureza análoga ou por outros motivos de força maior ou necessidade impreterível, desde que devidamente justificados.
Fonte: aqui

segunda-feira, 16 de março de 2020

Sinal dos tempos...

"Esta dolorosa  e ameaçadora pandemia apresenta-se como um sinal dos tempos:
-  o homem não é Deus de si próprio
- a ciência e a tecnologia não encerram a última palavra de Esperança.
Para nós cristãos, esta circunstância pode ser vivida como uma séria interpelação:
- ao primado de Deus nas nossas vidas
- à importância da vivência fraterna do mandamento novo do amor."
(Arcebispo de Évora)

sábado, 14 de março de 2020

Soltaremos as amarras


"É o momento de ser responsável e ficar em casa"

A mensagem de Messi sobre Coronavírus:
"A saúde deve estar sempre em primeiro lugar. Este é um momento excecional e há que seguir as indicações tanto das instituições saúde como das autoridades públicas. Só assim poderemos combater tudo isto de forma eficaz.
Este é o momento de ser responsável e ficar em casa. Além disso, é perfeito para desfrutar com os teus aquele tempo que nem sempre podes ter para eles."
(Lionel Messi, jogador do Barcelona)


Não sejamos inconscientes!
Resultado de imagem para noite no cais sodré ontem sexta feira 13 de março
Chocante! Num momento destes, esta gente não tem consciência! Quem faz isto, não pensa em si nem nos outros.
O governo precisa de ser mais musculado e encerrar estes locais de total insegurança sanitária.
Sejam nacionais ou estrangeiros…


Embora menos, continua a ver-se muita gente em cafés, por longo tempo, à conversa, sem respeito pela distância indicada. Também na rua se vêm namorados em poses envolventes, grupos a conversar numa proximidade perigosa.
E será que as regras de higiene estão a ser levadas a sério???


- Saia de casa só mesmo quando tiver que sair…
- Está a necessitar de arejar? Saia sozinho e dê um passeio por caminhos mais isolados, vá a um monte e contacte com a natureza…
- Em casa, conviva, brinque, dialogue em família. Tantas vezes  as famílias se queixam que não têm tempo para conviver, aproveite agora.
- Vejam filmes em comum e discutam-nos
- Preparem juntos uma refeição
- Distribuam tarefas
- Joguem, revivendo antigos jogos populares
- Leiam um livro
- Prepare tarefas que irá executar depois desta emergência
- Estude
- Se é cristão, pegue na Bíblia e no terço e reze


É TEMPO DE ESTAR EM CASA.
Não seja asas do coronavirus!

sexta-feira, 13 de março de 2020

terça-feira, 10 de março de 2020

POST DA DRA ANA MARINHO SOARES (USF FELGUEIRAS)

Controlar a epidemia tem de ser uma PRIORIDADE
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Escrevo isto para que chegue por favor ao máximo de pessoas a minha advertência. Estamos perante uma epidemia e é necessário que TODOS façam a SUA parte para a travarmos! Como médica sinto-me na obrigação de alertar porque vejo muitas pessoas que chegam a ridicularizar a situação e ignoram as importantes medidas preventivas.
Estou farta de ler posts a dizerem que há mais pessoas a morrerem de fome, e de acidentes e de outras coisas do que com COVID 19, desvalorizando a epidemia. Isso é verdade, há imensas outras coisas que matam muito mais que o Covid mas são assuntos independentes, não são?!Resolver um assunto é resolver um assunto, resolver outro assunto é resolver outro assunto. Porque é que eu vou estar a comparar a fome ao Covid? Os dois são para resolver, ok? Ou porque há mais pessoas a morrerem de fome e a morrerem de acidentes já não temos de travar esta epidemia?
Estou farta de Ler que a gripe comum é mais grave que o Covid 19. Isso não é verdade! Não sou eu que o digo é a Organização Mundial de Saúde. Querem entidade mais idónea que esta? O Covid 19 tem-se mostrado mais agressivo e com mais casos que terminam em morte (principalmente em idosos e pessoas com patologias crónicas).
Acho especialmente que esta ideia errada que foi passada de que Covid 19 é igual a gripe comum foi muito prejudicial porque está a fazer com que as pessoas não tomem as medidas preventivas de uma forma seria e adequada, pensando que não têm de mudar os hábitos porque nunca o fizeram e todos os anos há gripe...
Neste momento Felgueiras tem casos de Covid por isso controlar a epidemia tem de ser uma PRIORIDADE para os Felgueirenses.
Acredito que esta desvalorização pode ser muito prejudicial para o nosso concelho porque pode levar a mais contágios por imprudências evitáveis.
O nosso concelho já tem como sabem, casos confirmandos de Covid 19 e é preciso que TODOS colaborem para “cortarmos” os contágios.
E o que têm de fazer é muito pouco...
1- Deixem de espirrar e tossir para o ar.... é sempre, sempre para o braço
2- Lavem as mãos muitas vezes, e é fundamental lavar sempre as mãos antes de tocar no rosto, antes de comer, depois de mexer em algo que passe por “muitas mãos” como o dinheiro por exemplo 3-Não cumprimentem ninguém com aperto de mão e não dêem beijinhos a ninguém! Mesmo aos vossos pais, avós, filhos, não dêem beijos...
4- Depois de limparem o nariz deitem o lenço logo ao lixo
5- Se estão de quarentena... façam a quarentena!!!
6- Se tiver tosse, febre, falta de ar e viajou recentemente ou esteve em contacto com um caso de COVID 19 deve ligar para a linha 24 ( não deve ir nem ao centro de saúde nem à urgência hospitalar) 7- Evitem multidões, estar em sítios fechados com muita gente, etc
8- Aconselho os cafés, lojas comerciais, serviços, etc a desinfetarem regularmente as maçanetas das portas ao longo do dia
9- Muitas pessoas não têm Facebook... não consigo que esta mensagem chegue principalmente aos mais idosos (que são também os que mais riscos correm). Transmitam-lhes todos os cuidados que eles devem ter... sejam portadores das medidas preventivas que eles devem tomar.
10- Evite viajar para fora do país
11- Nada de pânico! Concentrem-se em fazer estas medidas todas bem. Nós sabemos que em média uma pessoa infetada transmite a doença a duas ou a três pessoas. Nós podemos ser mais rápidos que a infeção se cada um de vocês fizer tudo direitinho e passar a mensagem a 3, 4, 5 pessoas que também façam tudo direitinho e por sua vez cada uma delas faça tudo direitinho e continue a transmissão de informação adequada, quebrado assim muitas, muitas correntes de transmissão
11- Se todos fizermos tudo bem os danos serão mínimos e quem sabe no S Pedro e nas Vitórias já poderemos beijar-nos e abraçar-nos e brindarmos à união da nossa terra, do nosso concelho e do que juntos podemos fazer por um bem maior, pela saúde de todos.

As três vidas


sexta-feira, 6 de março de 2020

Um mulher escreve sobre o Dia Internacional da Mulher

"E já é outra vez Dia da Mulher
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É a mesma história há anos. Dia 8 de março há uma espécie de comoção geral, todas as entidades públicas e privadas fazem conferências alusivas ao Dia da Mulher, as televisões desdobram-se em edições especiais sobre a desigualdade, o fardo da dupla jornada e o horror da violência doméstica. E no dia seguinte voltamos a ter as mulheres como cidadãs de segunda, ou pelo menos como titulares de direitos de segunda. E sempre as perguntas: mas porque é que tu dizes "direitos humanos das mulheres?", ou "mas tu não achas que não faz sentido ter um dia da mulher já que não há um dia do homem?", ou a tão em voga "mas não achas ridículo essa coisa do "eles e elas", "portugueses e portuguesas"?"
Este ano prometi que ia ter calma. E que não iria responder, que se quisessem recorrer apenas ao feminino para convocar todo o género humano que eu me oporia com igual veemência (embora me fizesse sorrir), ou que não responderia com o facto de haver no mundo apenas 22% de mulheres nos parlamentos e 16% nos executivos; que uma em cada três mulheres sofrerá ao longo da sua vida uma forma de violência; que há 200 milhões de raparigas e mulheres que foram vítimas de mutilação genital feminina e que se o ritmo atual continuar teremos mais 15 milhões até 2030; que todos os dias casam cerca de 38 mil meninas e raparigas, 14 milhões todos os anos; que os crimes de honra todos os anos ceifam a vida a milhares de raparigas e mulheres; que os crimes ligados ao dote matam com igual virulência; que a violação como arma de guerra é recorrente em todos os conflitos armados por todo o planeta; que a maior parte das vítimas de tráfico de seres humanos são mulheres; que a seleção pré--natal do sexo e o infanticídio de meninas em algumas partes do mundo põem em causa a sustentabilidade demográfica de regiões e interpela, em baixa, todas as projeções populacionais anteriores pois faltam mulheres; que 99% das mortes maternas por causas evitáveis ocorrem em países em desenvolvimento; que há mais de 220 milhões de mulheres que querem e não têm acesso a meios e serviços modernos de planeamento familiar e tantas outras que não podem decidir autonomamente sobre a sua fertilidade; que faltam respostas adequadas ao género e à idade para mais de 25 milhões de raparigas e mulheres que estão em situação de precisar de assistência humanitária; que as mulheres em Portugal ganham menos 17% do que os homens e que, por isso, para ganharem o mesmo teriam que trabalhar mais 65 dias por ano; que nos meios de comunicação social apenas uma em cada quatro notícias é dada por mulheres ou sobre mulheres.
Se as mulheres perfazem mais de 50% da humanidade como é que podemos tolerar este balanço, sobretudo quando sabemos como construir mais igualdade? Não chega um dia internacional da mulher.
Dia 8 não nos deem flores ou chocolates. Ergam a vossa voz e empenhem-se na igualdade. É bom para as meninas, raparigas e mulheres, mas também para as sociedades: a igualdade reduz os custos da discriminação (as violências desde logo) e aumenta a produtividade e a riqueza dos países. E mais do que isto são direitos humanos. Universais."
Mónica Ferro, Ex-secretária de Estado da Defesa e professora do ISCSP

Fonte: aqui

quarta-feira, 4 de março de 2020

Uma alma que se eleva, eleva o mundo


Vivera ao lado de um anjo sem notar a sua presença
História maravilhosa da Serva de Deus Elizabeth Leseur que nasceu em Paris, França, em 1866; Ela recebeu da família uma sólida educação cristã e valioso patrimônio cultural, que utilizou durante toda a vida na qualidade de escritora. Era esposa de um ateu, materialista e colaborador de jornais anti-clericais, que tudo fez para extinguir a fé da esposa. Elisabeth, porém, percebeu a fragilidade das hipóteses materialistas e quis controlar a validade dos seus argumentos, dedicando-se intensamente ao estudo da Religião, do Evangelho e de São Tomás de Aquino. Este aprofundamento só contribuiu para tornar mais convicta a sua vida cristã, levando-a a exercer o apostolado entre os intelectuais e incrédulos, como também a praticar obras de caridade.
Era uma francesa culta e fervorosa, amiga das artes, das letras, da filosofia, etc, casada com um homem culto e destacado na sociedade francesa; mas ateu, que não acompanhava a fé de Elizabeth. Era o Sr. Felix Leseur.
A vida inteira Elizabeth rezou e se imolou pela conversão de seu esposo; o acompanhava nos mais altos eventos sociais onde Deus estava ausente, e sua alma chorava em silencio e oblação a Deus; até que um dia ela veio a falecer sem ver o marido se converter. Muito se empenhou pela conversão de seu marido, sem o conseguir, até o momento de sua morte.
Mas eis que Elizabeth tinha escrito um Diário Espiritual; e, um belo dia o seu esposo o encontrou depois de sua morte, e o leu com interesse. Foi o suficiente para que ele se convertesse profundamente. Ao ler aquelas páginas cheias de fé e de sofrimento oferecido a Deus diariamente, aquele homem foi tocado profundamente e percebeu que vivera ao lado de um anjo sem notar a sua presença. Agora derramava lágrimas de tristeza por não ter vivido aquela fé maravilhosa ao lado da esposa falecida. Sua conversão foi tão profunda que deixou o mundo, abandonou as esferas sociais onde era exaltado e se fez Frade dominicano com o nome de Frei Feélix Leseur. Do céu, Elizabeth converteu o seu Félix. Depois ele publicou “O Diário de Elizabeth Leseur”; editou também “Cartas a respeito do Sofrimento”, Paris 1918; “A Vida Espiritual”, Paris 1918; “Cartas aos Incrédulos”, Paris 1922.
Elisabeth deixou escrita uma famosa sentença, que revela o segredo do seu êxito apostólico: "Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro". Elevando-se  em Deus no silêncio, na paciência e no amor perseverante, ela conseguiu elevar seu marido e, com ele, muitos e muitos irmãos, pois na comunhão dos Santos o cristão se torna espiritualmente fecundo, sem mesmo poder avaliar o alcance de sua vida fiel e tenaz. 

PENSAMENTOS DA BEATA ELIZABETH LESEUR
"Sejamos como a vela, que consome a sua própria substância para dar luz e calor aos que a cercam".
“Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro”.
“Não sabemos todo o bem que fazemos, quando fazemos o bem”.
"Não chores ao perderes o sol; as lágrimas te impedirão de ver as estrelas."
“As nossas ações e as nossas omissões têm repercussões que vão até o infinito…”
“Um coração que ama, seja quem for o amado, ama ao mundo todo e o faz melhor.”
“Minha alma tem sede de se entregar, de se dar, de ser compreendida e de tudo partilhar. Ela suspira por aquilo que dura e queria, às vezes, sacudir o fardo das incompreensões, das hostilidades, das mesquinharias que, de fora, pesando sobre ela e a machucam. Tenho sede de infinito, de imortalidade. Tenho sede de vida, da única vida, plena, eterna, com todas as nossas ternuras reunidas no seio do Amor infinito. Meu Deus, tenho sede de ti”.
“Toda a vida é uma responsabilidade, e somos culpados não apenas pelo mal que fazemos, mas também pelo bem que deixamos de fazer”.
“Como não procurar dar quando se recebeu muito? Como não amar quando um Amor Infinito renovou e transformou a nossa vida?”
“Pensar é belo; orar é melhor; amar é tudo”.
“Quero amar com um amor especial àqueles a quem seu nascimento, sua religião ou suas ideias afastam de mim”.
“Não aceitar tudo, senão tratar de compreender tudo; não aprovar tudo, senão perdoar tudo; não aceitar tudo, senão buscar o grão de verdade que está contido em tudo. Não rechaçar nenhuma ideia ou desejo, por torpe o débil que pareça."
Fonte: aqui