segunda-feira, 28 de junho de 2010

José Saramago, o último intelectual marxista

Morreu José Saramago e com ele morreu o último de muitos que, ao longo do século XX, se comprometeram com o comunismo e encontraram na ideologia marxista o sentido da sua escrita ou da sua arte. O seu nome junta-se ao de Gorki, Aragon, Picasso, Jorge Amado ou Paul Éluard, uma lista enorme de intelectuais que passaram pelas fileiras dos partidos comunistas. Saramago foi, como homem e como escritor, um empenhado militante da ideologia que abraçou e que lhe marcou sempre a vida e a escrita. A ideologia enquanto visão global do homem, da sociedade, da religião que Marx e Engels teorizaram e que Lénine, Mao, Brejnev ou Fidel, entre outros, levaram à prática.
Olhando para a vida e a escrita de José Saramago, o que mais impressiona é o facto de ele ter vivido e visto o comunismo ruir na URSS e nos países do bloco de Leste, como a RDA, a Hungria, a Checoslováquia, a Roménia, a Albânia, entre muitos outros, e ter silenciado esse facto. Confrontar-se com o sofrimento daqueles povos, já não nos relatos de Sakharov ou de Soljenítsin, mas nas imagens dos directos das televisões e passar ao lado da alegria com que abraçaram a liberdade.
Nem o confronto directo com o balanço dramático das vítimas dos que se libertaram do comunismo o fez alguma vez ter escrito ou dito qualquer palavra. O silêncio de quem usa a escrita é mais visível. Os seus gestos foram de quem passava ao lado: logo a seguir à queda do muro de Berlim, candidatou-se nas listas do Partido Comunista à autarquia de Lisboa. Que balanço faria dos anos de comunismo e do sofrimento das pessoas que viveram na pele um dos dois grandes horrores do século XX?
Saramago não passou, que se leia em nenhum dos seus textos, por qualquer crise. Não lhe doeu, não se interrogou, não sofreu com o terrível juízo que a história fez, sem remissão nem perdão, do totalitarismo comunista.
De Saramago, mesmo quando o comunismo foi julgado pela História, não se conhece nenhum sobressalto, nenhuma angústia. Muitas vezes me interroguei se seria uma total e completa insensibilidade moral?
É certo que, ao longo do século XX, muitos dos intelectuais marxistas viveram mergulhados na ideologia totalitária e nunca olharam à sua volta. Não foram todos, claro. Uns sobressaltaram-se logo em 1917, outros com o Pacto Germano-Soviético, na invasão da Checoslováquia, ou da Hungria, ou na chacina do Camboja, ou na loucura da Revolução Cultural Chinesa.
José Saramago não. Viveu e morreu mergulhado num mundo que ruiu à sua volta e cujo dramático balanço foi feito com muita dor. Sem uma palavra, sem uma linha, sem uma lágrima por quantos (milhões) de pessoas, de famílias, de gente, de operários, camponeses ou intelectuais que, ao longo do século XX, morreram e sofreram em nome do comunismo por todo o lado onde o marxismo passou da revolução ao Poder.
Nem um gesto teve quando lhe pediram apoio os dissidentes cubanos presos por Fidel. Nem mesmo quando Susan Sontag o confrontou com esse facto. Uma única dúvida subsiste, porém, quando se observa que visitou Cuba diversas vezes, mas nunca foi à Rússia libertada, apesar de ter sido convidado a lançar os seus livros e a debatê-los numa universidade de Moscovo - aí o confronto com a história seria certamente impossível de ignorar e de silenciar. Um confronto que, reconheço, é muito difícil de viver.
Zita Seabra (JN2010.06.27 ), in O Povo.

sábado, 26 de junho de 2010

Scutem lá!

Se o GOVERNO socialista tivesse de pagar portagem por cada trapalhada que arranja e por cada mudança de rumo nas SCUT, não havia chip que não ficasse baralhado. E_o PSD também não se livraria de uma pesada factura.
Não há volta a dar: as SCUT vão desaparecer e as auto-estradas portajadas acabar com os argumentos das assimetrias regionais, da coesão territorial, dos custos e contrapartidas da interioridade e por aí fora.
O Estado não pode continuar a suportar os elevadíssimos encargos que assumiu com as estradas sem custo para os utilizadores.
E, ironia do destino, é José Sócrates quem acaba por ter de decretar o fim do ‘monstrinho’ criado por António Guterres, adoptando a solução que, faz anos, o seu próprio partido recusou quando foi proposta pelo Governo de Santana Lopes – o tal que não tinha rumo nem isenção no pagamento da factura por cada trapalhada em que se metia.

O problema das SCUT tinha de ser resolvido. Mas a verdade é que ainda está longe de ter chegado a bom destino – independentemente do acordo entre o partido no Governo e o maior partido da Oposição.
Se a solução primeira de introduzir portagens apenas em três das sete vias – logo todas a Norte – esbarrou no vuvuzelão de inconformados autarcas de peso, como Rui Rio ou Luís Filipe Menezes, que não aceitaram a discriminação; a solução que se aproxima como final, de não deixar nenhuma de fora, ainda que dando isenções a residentes e comerciantes, promete dar muito que buzinar, de Norte a Sul do país.
Já para não falar do famigerado chip, cuja indispensabilidade, sinceramente, não se percebe.
De facto, sabendo-se que o identificador, os pórticos e o software da Via Verde já implementado nas auto-estradas existentes funcionam – e funcionam bem –, para quê desbaratar dinheiro em novas e pouco claras soluções?
Não se percebe de todo – a não ser que deve haver alguém, assim ao género de uma Sá Couto com os celebérrimos Magalhães, que já anda a fazer contas ao dinheiro que há--de facturar com um tal de chip para as matrículas dos carros.

DIZ-SE – com básica justiça –_que o princípio que deve nortear (a palavra é duplamente apropriada atentas as circunstâncias) o financiamento das auto-estradas é o do utilizador-pagador.
Ora, a solução encontrada pelo Governo PS e pelo PSD não é bem esse: paga o useiro pelo vezeiro.
Porque, pelos vistos, a solução para um e outro se livrarem do custo eleitoral da impopular medida, é isentar de pagamento os residentes e os comerciantes das zonas abrangidas. Ou seja, quem mais as utiliza.
Imagine-se o que seria isentar os residentes e comerciantes de Oeiras e de Cascais das portagens na A5, ou os comerciantes e habitantes de Almada da portagem na Ponte 25 de Abril, ou os de Loures na A8 e na CREL, ou os de Alcochete e Barreiro na Vasco da Gama. Ou, já agora, por que não isentar os de Grândola e de Alcácer do Sal das portagens da A2 ou os de Santarém e de Coimbra da A1 e por aí fora?
Não há critério. Não há justiça. E nem se alegue que só ficam isentos aqueles cujas regiões estão abaixo da média no rendimento per capita. Por aí, como diria Guterres, ter-se-iam de fazer muitas contas.

QUESTÃO esquecida no meio de tanta trapalhada é a de que as SCUT não são verdadeiras auto-estradas, não foram construídas como auto-estradas e não deviam ser consideradas auto-estradas, sobretudo para efeitos de pagamento – não obedecem aos requisitos de obra nem de segurança (de piso, de trajecto, de largura, com curvas apertadas e inclinação ao contrário, etc.).
Ora, o princípio do utilizador-pagador só devia aplicar-se na medida do serviço que lhe é prestado. E nem todas as SCUT prestam o mesmo serviço que as auto-estradas (a Via do Infante é um flagrante exemplo).
Já agora, por que não aproveitar a oportunidade para rever também os preços das auto-estradas propriamente ditas na justa medida dos serviços que prestam?
Faz sentido exigir ao utilizador que pague os troços em obras, quando neles não tem nem as condições de circulação nem de segurança que o preço que paga tem como suposto? (A A2 está em obras faz semanas mal se passa a portagem Norte e até Palmela, uma boas dezenas de quilómetros, e não há desconto?).
E que sentido faz pagar para andar em pára-arranca, como todas as manhãs e finais de tarde invariavelmente sucede na A1, na A2, na A5 e há muitas mais?
Ninguém deveria ser obrigado a pagar o preço de uma tosta mista quando lhe servem uma carcaça. Por que raio as auto-estradas, e mais ainda as ex-SCUT, nos hão-de comer assim?
MRamires, in Sol

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Classe

Marido e mulher estão a jantar num belo restaurante quando entra uma rapariga absolutamente fantástica, que se dirige à mesa deles, dá um beijo apaixonado ao marido, diz:
- Vemo-nos mais tarde... - e vai-se embora.
A mulher fita o marido furiosa e pergunta:
- Quem diabo era aquela?
- Oh - responde o marido, - é a minha amante.
- Ah é? Pois esta foi a última gota de água!- diz a mulher. - Para mim chega! Queroo divórcio!
- Compreendo - responde o marido, - mas lembra-te, se nos divorciarmos acabam-se as compras em Paris, os Invernos na RepúblicaDomincana, os Verões em Itália, os Porsches e Ferraris na garagem e oIate. Mas a decisão é tua.
Nesse momento entra um amigo comum no restaurante com uma loura estonteante pelo braço.
- Quem é aquela mulher que entrou com o Bernardo? - pergunta ela.
- É a amante dele! -responde o marido.
- A nossa é mais bonita! - responde a mulher ...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

o médico e o octogenário

Um idoso foi ao médico queixando-se que, por vezes, lhe apareciam uns pontos vermelhos nos testículos.
Á pergunta do clínico sobre como era a sua vida sexual o homem respondeu:
-Embora já tenha 80 anos, ainda faço sexo uma vez por semana!
-Com 80 anos e ainda faz sexo uma vez por semana??? Baixe lá as calças - diz-lhe o médico. O médico observa-o atentamente e depois diz-lhe:
-Ó homem esteja descansado que não tem nada de mal é só a luz da reserva a acender!!!

domingo, 20 de junho de 2010

Criança ajuda a lutar com crocodilos em parque temático

Veja aqui o vídeo

Quaresma e a confirmação da grandeza do Porto

Será o Maradona?! O Cristiano Ronaldo?! Ah não... é o Quaresma!! Alguém me explica esta loucura por um jogador que, à excepção do Porto, foi sempre um ZERO à esquerda? Zero no Barça, Zero no Inter, 0,5 na Selecção... Como é que o cigano granjeou tanta fama na Turquia?! Não terá sido, certamente, obra e graça da camisola que ofereceu aos adeptos contrários no Besiktas-Porto de aqui há uns anos em que fez uma exibição magistral e marcou o golo da vitória? Tem de ser única e exclusivamente pelo encanto que ofereceu no Porto. Um clube de estrondoso reconhecimento por essa Europa fora e ao qual ninguém fica indiferente. Poderia por aqui as chegadas apoteóticas de Lucho ou Lisandro a França no Verão passado, mas esta de Quaresma fala por todas...
Fonte: aqui
video

quinta-feira, 17 de junho de 2010

quarta-feira, 16 de junho de 2010

SENHA DO CARTÃO DE CRÉDITO INVERTIDA

Se fôr alguma vez, forçado por um ladrão a retirar dinheiro da caixa de multibanco, pode avisar a polícia imediatamente, digitando a sua senha ao contrário.
Por exemplo, se a sua senha fôr 1234, então digite 4321.
A máquina reconhece que a sua senha está invertida, de acordo com o cartão que acabou de inserir.
A máquina, de qualquer maneira, dar-lhe-á o dinheiro mas, para desconhecimento do ladrão, a polícia será imediatamente accionada/enviada para o/a ajudar.
Esta informação esteve recentemente no ar na TV (a par com outras inovações tecnológicas recentemente instituídas pelo sistema bancário português) e declara que isso é raramente usado, porque as pessoas não sabem da existência deste mecanismo de defesa.
Por favor, passem isso a todos os vossos contactos. É uma informação extremamente útil e necessária.

terça-feira, 15 de junho de 2010

MANIA DE REMÉDIO CASEIRO!

Um sujeito vai ao médico para exames de rotina. O médico, depois de ver a história clínica do paciente, pergunta:
- Fuma?
- Pouco.
- Tem que parar de fumar.
- Bebe?
- Pouco.
- Tem que parar de beber.
- Faz sexo?
- Pouco.
- Tem que fazer muito, mas muito sexo. Isto irá ajudá-lo!
O sujeito vai para casa, conta tudo a mulher e, imediatamente, vai pro banho.
A mulher se enche de graça e esperança, se enfeita, se perfuma, põe roupa especial e fica na espera. O sujeito sai do banho, começa a se arrumar, se vestir, se perfumar e a mulher, surpresa, pergunta:
- Aonde é que você pensa que vai?
- Não ouviu ou não entendeu o que o médico me disse?
- Sim, mas, aqui estou eu prontinha ...
O sujeito:
- AH! Neide, .... , Neide ... NEIDE..., LÁ VEM VOCÊ COM SUA MANIA DE REMÉDIO CASEIRO!!!

MEDINA CARREIRA - leitura a não perder.

É um texto longo, mas merece ser lido.


JOSÉ SÓCRATES É UM HOMEM DE CIRCO
--
José Sócrates, é um homem de circo, de espectáculo. Portugal está a ser gerido por medíocres, Guterres, Barroso, Santana Lopes e este, José Sócrates, não perceberam o essencial do problema do país. O desemprego não é um problema, é uma consequência de alguma coisa que não está bem na economia. Já estou enjoado de medidinhas. Já nem sei o que é que isso custa, nem sequer sei se estão a ser aplicadas. A população não vai aguentar daqui a dez anos um Estado social como aquele em que nós estamos a viver. Este que está lá agora, o Sócrates, é um homem de espectáculo, é um homem de circo. Desde a primeira hora.
É gente de circo. E prezam o espectáculo porque querem enganar a sociedade.
Vocês, comunicação social, o que dão é esta conversa de «inflação menos 1 ponto», o «crescimento 0,1 em vez de 0,6». Se as pessoas soubessem o que é 0,1 de crescimento, que é um café por português de 3 em 3 dias... Portanto andamos a discutir um café de 3 em 3 dias... mas é sem açúcar.
Eu não sou candidato a nada, e por conseguinte não quero ser popular. Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem quero ser «popularuxo» porque não dependo do aparelho político!"
Ainda há dias eu estava num supermercado, numa fila para pagar, e estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de multiplicar « 6 x 3 = 18 », contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7... Isto não é ensino... é falta de ensino, é uma treta! É o futuro que está em causa!
Os números são fatais. Dos números ninguém se livra, mesmo que não goste. Uma economia que em cada 3 anos dos últimos 27, cresceu 1%... esta economia não resiste num país europeu.
Quem anda a viver da política para tratar da sua vida, não se pode esperar coisa nenhuma. A causa pública exige entrega e desinteresse.
Se nós já estamos ultra-endividados, faz algum sentido ir gastar este dinheiro todo em coisas que não são estritamente indispensáveis?
P'rá gente ir para o Porto ou para Badajoz mais depressa 20 minutos? Acha que sim? A aviação está a sofrer uma reconversão, vamos agora fazer um aeroporto, se calhar não era melhor aproveitar a Portela?
Quer dizer, isto está tudo louco?"
Eu por mim estou convencido que não se faz nada para pôr a Justiça a funcionar porque a classe política tem medo de ser apanhada na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho. E então, quanto mais complicado aquilo for...
Nós tivemos nos últimos 10 / 12 anos 4 Primeiros-Ministros:
- Um desapareceu;
- O outro arranjou um melhor emprego em Bruxelas, foi-se embora;
- O outro foi mandado embora pelo Presidente da República;
- E este coitado, anda a ver se consegue chegar ao fim"
O João Cravinho tentou resolver o problema da corrupção em Portugal. Tentou.

Foi "exilado" para Londres.

O Carrilho também falava um bocado, foi para Paris.

O Alegre depois não sei para onde ele irá...

Em Portugal quem fala contra a corrupção ou é mandado para um "exílio dourado", ou então é entupido e cercado. Mas você acredita nesse «considerado bem»? Então, o meu amigo encomenda aí uma ponte que é orçamentada para 100 e depois custa 400?

Não há uma obra que não custe 3 ou 4 vezes mais? Não acha que isto é um saque dos dinheiros públicos?

E não vejo intervenção da polícia... Há-de acreditar que há muita gente que fica com a grande parte da diferença!
De acordo com as circunstâncias previstas, nós por volta de 2020 somos o país mais pobre da União Europeia. É claro que vamos ter o nome de Lisboa na estratégia, e vamos ter, eventualmente, o nome de Lisboa no tratado. É, mas não passa disso. É só para entreter a gente.
Isto é um circo. É uma palhaçada. Nas eleições, uns não sabem o que estão a prometer, e outros são declaradamente uns mentirosos:

- Prometem aquilo que sabem que não podem." A educação em Portugal é um crime de «lesa-juventude»: Com a fantasia do ensino dito «inclusivo», têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar. Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida aqueles que querem estudar. Mas é inclusiva...
O que é inclusiva? É para formar tontos? Analfabetos?"
"Os exames são uma vergonha.
Você acredita que num ano a média de Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é mentira, é um roubo ao ensino e aos professores! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta juventude vai ser completamente desgraçada!
A minha opinião desde há muito tempo é: TGV - Não !
Para um país com este tamanho é uma tontice. O aeroporto depende. Eu acho que é de pensar duas vezes esse problema. Ainda mais agora com o problema do petróleo.
Bragança não pode ficar fora da rede de auto-estradas? Não? Quer dizer, Bragança fica dentro da rede de auto-estradas e nós ficamos encalacrados no estrangeiro?

Eu nem comento essa afirmação que é para não ir mais longe...
Bragança com uma boa estrada fica muito bem ligada. Quem tem interesse que se façam estas obras é o Governo Português, são os partidos do poder, são os bancos, são os construtores, são os vendedores de maquinaria... Esses é que têm interesse, não é o Português!
Nós em Portugal sabemos resolver o problema dos outros: A guerra do Iraque, do Afeganistão, se o Presidente havia de ter sido o Bush, mas não sabemos resolver os nossos. As nossas grandes personalidades em Portugal falam de tudo no estrangeiro: criticam, promovem, conferenciam, discutem, mas se lhes perguntar o que é que se devia fazer em Portugal nenhum sabe. Somos um país de papagaios...
Receber os prisioneiros de Guantanamo?
Isso fica bem e a alimentação não deve ser cara...» Saibamos olhar para os nossos problemas e resolvê-los e deixemos lá os outros... Isso é um sintoma de inferioridade que a gente tem, estar sempre a olhar para os outros.

Olhemos para nós!
A crise internacional é realmente um problema grave, para 1-2 anos. Quando passar lá fora, a crise passará cá. Mas quando essa crise passar cá, nós ficamos outra vez com os nossos problemas, com a nossa crise. Portanto é importante não embebedar o pessoal com a ideia de que isto é a maldita crise. Não é!
Nós estamos com um endividamento diário nos últimos 3 anos correspondente a 48 milhões de euros por dia: Por hora são 2 milhões! Portanto, quando acabarmos este programa Portugal deve mais 2 milhões! Quem é que vai pagar?
Isso era o que deveríamos ter em grande quantidade.
Era vender sapatos. Mas nós não estamos a falar de vender sapatos. Nós estamos a falar de pedir dinheiro emprestado lá fora, pô-lo a circular, o pessoal come e bebe, e depois ele sai logo a seguir..."
Ouça, eu não ligo importância a esses documentos aprovados na Assembleia...
Não me fale da Assembleia, isso é uma provocação...
Poupe-me a esse espectáculo...."
Isto da avaliação dos professores não é começar por lado nenhum.
Eu já disse à Ministra uma vez «A senhora tem uma agenda errada"» Porque sem pôr disciplina na escola, não lhe interessa os professores. Quer grandes professores? Eu também, agora, para quê? Chegam lá os meninos fazem o que lhes dá na cabeça, insultam, batem, partem a carteira e não acontece coisa nenhuma. Vale a pena ter lá o grande professor? Ele não está para aturar aquilo...Portanto tem que haver uma agenda para a Educação. Eu sou contra a autonomia das escolas Isso é descentralizar a «bandalheira».
Há dias circulava na Internet uma notícia sobre um atleta olímpico que andou numa "nova oportunidade" uns meses, fez o 12º ano e agora vai seguir Medicina...
Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram «meta-se nas novas oportunidades» e agora entra em Medicina...
Bem, quando ele acabar o curso já eu não devo cá andar felizmente, mas quem vai apanhar esse atleta olímpico com este tipo de preparação...
Quer dizer, isto é tudo uma trafulhice..."
É preciso que alguém diga aos portugueses o caminho que este país está a levar.
Um país que empobrece, que se torna cada vez mais desigual, em que as desigualdades não têm fundamento, a maior parte delas são desigualdades ilegítimas para não dizer mais, numa sociedade onde uns empobrecem sem justificação e outros se tornam multi-milionários sem justificação, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal. Eu receio mesmo que acabe.
Até há cerca de um ano eu pensava que íamos ficar irremediavelmente mais pobres, mas aqui quentinhos, pacíficos, amiguinhos, a passar a mão uns pelos outros... Começo a pensar que vamos empobrecer, mas com barulho...
Hoje, acrescento-lhe só o «muito». Digo-lhe que a gente vai empobrecer, provavelmente com muito barulho...
Eu achava que não havia «barulho», depois achava que ia haver «barulho», e agora acho que vai haver «muito barulho». Os portugueses que interpretem o que quiserem...
Quando sobe a linha de desenvolvimento da União Europeia sobe a linha de Portugal. Por conseguinte quando os Governos dizem que estão a fazer coisas e que a economia está a responder, é mentira! Portanto, nós na conjuntura de médio prazo e curto prazo não fazemos coisa nenhuma. Os governos não fazem nada que seja útil ou que seja excessivamente útil. É só conversa e portanto, não acreditem...
No longo prazo, também não fizemos nada para o resolver e esta é que é a angústia da economia portuguesa. "Tudo se resume a sacar dinheiro de qualquer sítio. Esta interpenetração do político com o económico, das empresas que vão buscar os políticos, dos políticos que vão buscar as empresas...Isto não é um problema de regras, é um problema das pessoas em si...Porque é que se vai buscar políticos para as empresas? É o sistema, é a (des)educação que a gente tem para a vida política...
Um político é um político e um empresário é um empresário. Não deve haver confusões entre uma coisa e outra. Cada um no seu sítio. Esta coisa de ser político, depois ministro, depois sai, vai para ali, tira-se de acolá, volta-se para ministro... é tudo uma sujeira que não dá saúde nenhuma à sociedade.
Este país não vai de habilidades nem de espectáculos.
Este país vai de seriedade. Enquanto tivermos ministros a verificar preços e a distribuir computadores, eles não são ministros. São propagandistas! Eles não são pagos nem escolhidos para isso! Eles têm outras competências e têm que perceber quais os grandes problemas do país!
Se aparece aqui uma pessoa para falar verdade, os vossos comentadores dizem «este tipo é chato, é pessimista»...
Se vem aqui outro trafulha a dizer umas aldrabices fica tudo satisfeito...
Vocês têm que arranjar um programa onde as pessoas venham à vontade, sem estarem a ser pressionadas, sossegadamente dizer aquilo que pensam. E os portugueses se quiserem ouvir, ouvem. E eles vão ouvir, porque no dia em que começarem a ouvir gente séria e que não diz aldrabices, param para ouvir.

O Português está farto de ser enganado!


Todos os dias tem a sensação que é enganado!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Maldita crise


Creio que a maioria das pessoas ainda não percebeu bem esta crise – e os economistas não estão a saber explicá-la com clareza.
É verdade, como se tem dito, que há uma ‘crise nacional’ e uma ‘crise internacional’.
Mas, depois desta evidência, a confusão que por aí vai é enorme.
Comecemos pela crise portuguesa.
Trata-se de uma crise profundíssima, potenciada por três factos capitais: o fim do Império, a passagem da ditadura à democracia e a entrada na União Europeia.
Tudo isso, que se pensava vir a ter um efeito benéfico na economia, produziu de facto consequências devastadoras.
O fim do Império limitou-nos o espaço vital, cerceou-nos matérias-primas e mercados, diminuiu-nos política e psicologicamente.
A passagem da ditadura à democracia (com o seu rosário de greves, nacionalizações, perseguições, saneamentos, reivindicações laborais insustentáveis, etc.) destruiu boa parte do nosso tecido económico.
A entrada na União Europeia e a abolição das fronteiras pôs-nos em confronto com economias muito mais avançadas, acabando de liquidar o que restava da nossa débil capacidade produtiva.
A crise internacional é de outra natureza.
Ela decorre da globalização e tem duas vertentes.
Por um lado, os produtos feitos no Ocidente começam a não ter condições para competir a nível global com outros produzidos em países (China, Índia, Coreia, etc.) onde os salários e as regalias laborais são muitíssimo inferiores.
Por outro lado, as empresas tendem a transferir cada vez mais as suas fábricas e serviços de Ocidente para Oriente – o que significa que no Ocidente vai aumentar o desemprego e no Oriente vai acentuar-se a procura de mão-de-obra.
E, em consequência disso, no Ocidente baixarão os salários, acabarão muitas regalias sociais, numa palavra, será posto radicalmente em causa o tipo de vida que se fez nos últimos 50 anos.
No Oriente, pelo contrário, os salários tenderão a subir e o nível de vida crescerá.
Assim, a crise que hoje se vive no Ocidente é de natureza diferente das anteriores.
Antes, eram crises de crescimento do capitalismo dentro da sua área geográfica; agora, a crise tem a ver com a globalização do capitalismo.
Repare-se que grande parte do planeta, que até pouco vivia fora do sistema capitalista, aderiu à sociedade de mercado: basta pensar nas adesões quase simultâneas da Rússia e da China para se ter uma ideia do abrupto alargamento da área do capitalismo nos últimos anos.
Os grandes grupos multinacionais, que antes estavam limitados a um determinado espaço territorial, hoje têm o planeta inteiro para instalar os seus centros de produção – podendo procurar os salários mais baixos, as melhores ofertas de mão-_-de-obra, as menores regalias dos trabalhadores.
O planeta tornou-se um sistema de vasos comunicantes – onde, para uns viverem melhor, outros vão ter de viver pior.
Para certas regiões subirem o nível de vida, outras vão necessariamente perder privilégios.
Perante isto, perguntará o leitor: o que poderemos fazer para inverter o estado das coisas?
Basicamente, não há nada a fazer.
Os factores que potenciaram a crise nacional são irreversíveis – e a globalização não vai andar para trás.
Assim, vamos ter de nos adaptar à nova situação, o que significa de uma maneira simples trabalhar mais e ganhar menos.
Os salários vão baixar (lenta ou abruptamente) entre 10 e 30%, os horários de trabalho vão aumentar (com a abolição total das horas extraordinárias), o 13.º e 14.º meses vão ficar em causa, a idade da reforma também vai ser ampliada (para perto dos 70 anos), o rendimento mínimo garantido vai regredir drasticamente, o subsídio de desemprego também vai diminuir, a acumulação de reformas vai ser limitadíssima.
Muitas ‘conquistas dos trabalhadores’ na Europa, obtidas no pós-_-guerra, vão regredir.
As leis laborais vão ter de ser flexibilizadas.
O sistema de saúde não vai poder continuar a gastar o que tem gasto.
Preparem-se, porque não vale a pena protestar.
O que não tem remédio, remediado está.
Dizia há dias, com graça, Ernâni Lopes, a propósito do subsídio de férias: «Se dissessem a um americano: ‘Para o mês que vem não trabalhas e ganhas dois ordenados’, ele não acreditava».
Pois há muitos anos é esta a situação: não trabalhamos nas férias e recebemos o dobro.
Isto vai acabar.
Fonte: aqui

domingo, 13 de junho de 2010

SOCRATES MORREU!

Socrates morreu e Deus e o Diabo brigam porque nenhum dos dois quer ficar com ele. Sem acordo, pedem a mediadores uma solução, que decidem por uma proposta que se alterne um mês no céu e outro no inferno.
No 1° mês, Socrates fica no céu.
Dois dias depois, Deus já não sabe o que fazer, quase fica louco.
O engenheiro bagunça tudo.
. Atrapalha todos os elementos das orações e da liturgia;
. Dissolve o sistema de assessoria pessoal dos anjos;
. cria sistemas de avaliação,
. Tenta formar uma coligação de maioria absoluta, na base da compra de votos;
. Suborna os arcanjos e os querubins;
. Transfere um km quadrado do céu para o inferno e tenta construir um TGV para ligar os dois.
. Propõe a construção de um HeavenShop.
. Nomeia anjos provisórios aos milhares;
. Intervém nas comunicações aos Santos;
. Troca as placas das portas de São Pedro;
. Envia um projeto de lei aos apóstolos para reformar os Dez Mandamentos e amnistiar Lúcifer.
. Funda o PTC, o "Partido dos Trabalhadores Celestiais", com estrela azul clarinho.

O céu vira um caos.
As pessoas não o suportam mais e promovem piquetes e invasões. Deus não vê a hora de chegar o fim do mês para mandá-lo para o inferno.
Quando Socrates, finalmente, se vai, Deus respira aliviado. Mas lá pelo dia 20, começa a sofrer novamente, pensando que dentro de 10 dias terá que voltar a vê-lo.
No primeiro dia do mês seguinte nada acontece e Socrates não volta do Inferno.
No 5° dia, ainda sem notícias, Deus estava feliz, mas logo começou a pensar que, tendo passado mais tempo no inferno, Sócrates poderia querer passar dois meses seguidos no Paraíso...
Desesperado com a mera possibilidade, Deus decide ligar para o inferno para perguntar ao diabo o que estava acontecendo.
Ring...ring...ring...!!!
Atende um diabinho e Deus pergunta:
"Por favor, posso falar com o Demónio?"
"Qual dos dois?", - responde o empregado - "O vermelho com chifres ou o que anda aí de fato armani ?"

sábado, 12 de junho de 2010

Turistas profissionais

A China parece que deixa os ministros da Economia de Sócrates de olhos em bico.
Há um par de anos, Manuel Pinho foi crucificado por ter ido lá propagandear a mão-de-obra barata em Portugal como factor positivo para a competitividade e capacidade de atracção de investimento estrangeiro.
Agora, foi o também voluntarioso Vieira da Silva quem, em Xangai, resolveu atacar Cavaco Silva por exortar os portugueses a aproveitarem as férias para irem para fora cá dentro, porque, considerou o ministro, se todos os chefes de Estado resolvessem fazer semelhante apelo, Portugal ficaria a perder.
Nem Pinho nem Vieira da Silva disseram inverdade alguma. Simplesmente, um e outro foram absolutamente desastrados nas respectivas declarações.
Pinho já lá vai e já não importa, mas fica sempre mal a um responsável ministerial congratular-se com os baixos salários dos seus governados.
Vieira da Silva, além de ministro em funções, é político experiente e, por isso, devia saber medir as suas palavras, sobretudo tratando-se de reacção a afirmações proferidas pelo Presidente da República.
Porventura, Vieira da Silva achou que as declarações do Presidente se dirigiam aos próprios governantes, que andam numa roda viva pelo estrangeiro, tipo turistas profissionais, tentando convencer-nos de que a ‘diplomacia económica’ é a chave para a saída da crise.
E Sócrates vai à Venezuela de dois em dois anos assinar contratos que não saem do papel ou ao Brasil para, por junto, tomar café com Chico Buarque, seja lá a pedido de quem for; Teixeira dos Santos já parece que tem um part-time em Bruxelas para levar umas festas de Juncker na cabeça e uns valentes carolos dos comissários europeus nas Finanças e na Economia do país; e Vieira da Silva anda na China a dizer tontices...

Seja qual for a razão do ministro da Economia, o manifesto excesso da reacção enquadra-se, sim, na interminável espiral de disparates em que o Governo entrou e para a qual não se vislumbra bom termo.
De facto, mesmo que não pareça lá fora, o Governo tirou férias cá dentro.
E bem pode clamar Cavaco contra as ingerências da Comissão Europeia mais as suas recomendações – não fosse isso e não haveria esperança possível.
Este Governo já não governa ou, nos casos em que insiste governar, governa mal.
Sem timoneiro, os ministros e secretários de Estado andam completamente à deriva.
Semana após semana, tão depressa aparece um secretário de Estado a dizer coisa diferente do seu ministro (aconteceu com Bernardo Trindade, por exemplo, na questão do ‘vá para fora cá dentro’), como há ministros a desdizerem-se uns aos outros (veja-se como a flexibilização do Código Laboral pôs a ministra do Trabalho em clara contradição com o ministro das Finanças), já para não falar dos ministros que se negam a si próprios (é elucidativo o caso de Isabel Alçada e o fecha-não-fecha escolas com menos de duas dezenas de alunos – mais uma medida ou não-medida de incentivo à desertificação do condenado Interior).
É disparate e desgoverno a mais.

A crise não serve de desculpa para tudo.
Nem os cálculos ou tacticismos eleitorais.
O PSD está obviamente interessado em prolongar a agonia de Sócrates e em livrar-se do ónus eleitoral das inevitáveis medidas de austeridade.
Mas o Governo do PS vegeta ante o estado comatoso do país.
A situação política degrada-_-se dia após dia e já roça a insustentabilidade.
A crise económica financeira desaconselha a precipitação de eleições antecipadas.
Até porque ninguém está interessado nelas: nem o Presidente, nem obviamente o partido do Governo, nem o principal partido da oposição, nem até os mais pequenos (que, assim, ainda têm um peso relativo, que podem muito bem perder a avaliar pelas sondagens).
Ora, se, como dizem os chineses, a crise também é uma oportunidade, há que saber aproveitá-la.
Porque, sinceramente, não se vê solução no curto prazo.
E depois das presidenciais pode bem ser tarde demais.
Por essa altura, muitos portugueses já não terão outro remédio senão limitar-se a passar férias cá dentro e ir procurar trabalho lá fora...
http://sol.sapo.pt/Blogs/mramires/default.aspx

sexta-feira, 11 de junho de 2010

SOS NA AUTO-ESTRADA

Aviso muito importante

Na eventualidade de terem um acidente, avaria ou pneu furado, numa auto-estrada, a primeira coisa a fazer é VESTIR O COLETE, COLOCAR O TRIÂNGULO e abandonar imediatamente o carro, levando o telemóvel e passar para o lado de fora da guarda de segurança (rail) !
Aí, já em segurança , devem ligar para a emergência 112, ou assistência em viagem, a pedir auxílio.
Ninguém deve ficar dentro do carro imobilizado, numa auto-estrada, nem junto do mesmo.
Inexplicavelmente, há uma qualquer tendência para que os outros carros que circulam, embatam no veículo imóvel. . .
Este conselho foi dado por um médico amigo, muito experiente e que trabalha há muitos anos no INEM e que, infelizmente, presencia frequentemente situações que dificilmente poderemos imaginar...

Aviso final Não sejas egoísta e divulga este conselho junto dos teus amigos !
Não é obrigatório, mas eliminas a possibilidade de eventuais remorsos...

terça-feira, 8 de junho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

domingo, 6 de junho de 2010

APRENDAM LÍNGUAS. PODEM SALVAR VIDAS!

VEJAM A IMPORTÂNCIA DE CONHECER UM SEGUNDO IDIOMA.
Fui visitar ao Hospital, o meu vizinho Sakura, japonês, vítima de grave acidente automobilístico.
Estava entubado, olhos fechados, totalmente imóvel.
Em pé na beira da cama, vendo-o sereno, repousando com todos aqueles tubos, fiz uma oração silenciosa!
Em dado momento, repentinamente ele acordou, arregalou os olhos e gritou:
- SAKARO AOTA NAKAMY ANYOBA, SUSHI MASHUTA! Suspirou e morreu.
As últimas palavras do meu amigo ficaram gravadas na minha cabeça!
Na missa de sétimo dia, fui dar os pêsames à mãe do Sakura:
- Senhora Dona Fumiko, o Sakura, antes de morrer, disse-me estas palavras: 'SAKARO AOTA NAKAMY ANYOBA, SUSHI MASHUTA!'
O que isso quer dizer?
A Mãe do Sakura olhou-me espantada e traduziu:
- TIRA O PÉ DA MANGUEIRA DE OXIGÊNIO, F... D... P....!

sábado, 5 de junho de 2010

A arrogância e a insensibilidade do poder político resulta da sua crença na infalibilidade das lideranças iluminadas

Quando José Sócrates, na RTP, afirmou com arrogância que não tinha de pedir desculpas a ninguém pelo aumento de impostos e cortes nas prestações sociais isso não traiu apenas o seu detestável carácter, antes surgiu como uma consequência lógica do posicionamento intelectual da velha esquerda jacobina. O nariz levantado do primeiro-ministro apenas torna mais evidentes os pecados de uma cultura política que se julga ungida pela clarividência histórica. A teimosia cega do chefe do Governo é filha da mesma forma de estar na vida pública de todos os que, por se julgarem informados de forma objectiva e "científica", sempre acreditaram que podiam dominar e dirigir a sociedade - se necessário contra a vontade da sociedade.
É que, ao contrário do que José Sócrates não se cansa de repetir - como se repetindo mil vezes uma mentira dela fizesse uma verdade -, o mundo não mudou em 15 dias. O céu que caiu em cima da moleirinha atrevida do nosso primeiro-ministro há muito que estava carregado de nuvens, há muito que anunciava uma tempestade que os mais avisados tinham visto chegar. Não quis reconhecer que ela estava aí, talvez por acreditar genuinamente que as medidas do seu Governo, comprovadamente erradas e eleitoralistas, eram as melhores e as mais geniais.
Ao contrário das figuras públicas que não confundem autoconfiança com omnisciência e poder ilimitado, ou dos que acreditam nas virtudes da humildade democrática, os modernos filhos da tradição jacobina nunca estão ou estarão preparados para assumir um erro ou corrigir voluntariamente o seu rumo.
Sócrates nunca sentirá que deve pedir desculpa, nem admitirá que se enganou: para ele o que corre mal é sempre efeito de conspiradores mal intencionados, como os "especuladores", tudo o que corre bem é fruto da sua inspirada liderança. É também por isso que mente sem vergonha e nunca, ao longo da sua vida pública, e também da sua vida privada, se sentiu ou sentirá tolhido por qualquer escrúpulo ético. A sua relação doentia com todos os poderes que limitam o poder do executivo, desde os tribunais ao Parlamento, desde os jornalistas aos sindicalistas, é também filha de uma cultura política em que uns se têm por moralmente superiores, vendo todos os restantes como prisioneiros de interesses particulares. E o pior é que esta forma de estar na vida pública e na política é contagiosa.
Vejamos dois bons exemplos de como certas figuras do socratismo se julgam acima de qualquer escrutínio moral e no direito de praticarem todos os abusos.
O caso porventura mais gritante é o de um dos buldogues do PS, o vice da bancada socialista Ricardo Rodrigues. O deputado roubou, e gabou-se de ter roubado, dois gravadores a jornalistas da Sábado e ainda não os devolveu. Tudo porque não gostou das suas perguntas, como se, a partir do momento em que não colocou qualquer limite à entrevista, tivesse jurisdição sobre aquilo que, bem ou mal, os jornalistas lhe perguntam. Infelizmente, por motivos insondáveis, Francisco Assis deu-lhe cobertura.
O outro caso é o da deputada Inês de Medeiros que, tal como escreveu neste jornal, entendia que o Parlamento lhe devia pagar as deslocações semanais a Paris não porque aí residisse (candidatou-se apresentando uma morada de Lisboa), mas porque todos sabiam que era lá que moravam os seus filhos. Apesar de ser absolutamente inédita a situação de um deputado que solicita o pagamento das viagens não para a sua residência (que terá omitido ao candidatar-se), mas para a morada dos filhos, ainda se indignou com o alegado populismo, sem por um momento meditar sobre o exemplo que, como figura pública, estava a dar ao país, para mais num período de crise e de desemprego galopante. De resto, as suas balizas éticas parecem ser muito largas, pois, numa entrevista também à Sábado, disse por entre risadinhas, no que se refere ao comportamento de José Sócrates relativamente ao caso PT-TVI, textualmente o seguinte: "Não sei se mentiu ou não mentiu, mas, se mentiu, nem acho isso muito grave." Infelizmente Francisco Assis também lhe deu cobertura, assim destruindo o capital de crédito que tinha ganho quando, em Felgueiras, enfrentou o PS local e a famosa "passionária" Fátima.
A velha esquerda jacobina nunca entenderá por que motivo atitudes como estas geram tanta urticária, pois, para essa emproada gente, o simples facto de se proclamarem de esquerda confere-lhes uma espécie de estatuto especial que não autoriza contestações. Ninguém já se atreve a dizer alto o que Álvaro Cunhal proclamava quando se referia à superioridade moral do comunismo, mas no íntimo é o que pensam. Substituem é comunismo por esquerda. Entendem, por exemplo, que a defesa dos princípios da solidariedade social - praticada pelo Estado, está bem de ver - os isenta de penas de consciência ou de obrigações de fraternidade pessoal. E depreciam a virtude da caridade, enquanto comemoram a engenharia social dos "avanços civilizacionais" à mesa da Bica do Sapato, nem sequer se lembrando que lhes competia governar para todos.
Acreditam ser mais inteligentes, mais cultos e mais "abertos" do que os outros, e por isso devedores de apreço e consideração. Se não praticam a probidade, bem pelo contrário, acham que o seu "desinteresse" de princípio os autoriza a reivindicarem regalias extra. E se lhes sai, por engano, uma Carolina Patrocínio a quem as empregadas tiram os caroços às cerejas, assobiam para o lado: afinal, ela é "de esquerda", e aos "de esquerda" perdoa-se tudo.
Não surpreende por isso que, nos gabinetes ministeriais, sobrem os meios e se multipliquem os lugares. Não surpreende que, em ano de crise, esses gabinetes consumam mais dinheiro e que o maior aumento percentual nos seus gastos tenha sido nas rubricas de suplementos e prémios e nas despesas de representação. Como da mesma forma não surpreende que José Sócrates tenha embaraçado a nossa representação no Rio de Janeiro ao preferir ir jantar a um restaurante italiano da moda, deixando de fora dezenas de convidados da área da cultura (para "cultura" bastou-lhe a visita a Chico Buarque, mais uma vez pretextos para mentiras desavergonhadas). Como não surpreende que tenha ao serviço do seu gabinete nada menos de 12 motoristas... Desenganem-se também os que julgam que este vírus apenas ataca o socratismo mais empedernido. Ele é contagioso e o primeiro-ministro já tratou de o impor mesmo ao Bloco e ao PCP. Só se assim se compreende, por exemplo, que tenhamos assistido estupefactos à forma como estes dois partidos da velhíssima esquerda radical vieram a terreiro defender a imediata construção do TGV, uma obra que beneficia muito pouco os trabalhadores que dizem defender e muitíssimo empresas como a inevitável Mota-Engil.
Aqui o que venceu foi o preconceito ideológico, mostrando como até o PCP está hoje desligado do sentimento dos mais aflitos - um preconceito com que José Sócrates jogou de forma habilidosa, ao virar-se para Louçã e Jerónimo, no Parlamento, e dizer-lhes para se lembrarem da ideologia. Faltou explicar que ideologia, mas nos tempos que correm até o keynesianismo de pacotilha do ministro das Obras Públicas já encaixa no marxismo-leninismo-trostkismo do Bloco e do PCP. Aparentemente basta que seja o Estado a meter a mão e se crie a ilusão de que os políticos é que estão ao comando e que os "especuladores" estão ao largo.
Duarte Pacheco, podes regressar: estás mil vezes perdoado.
Jornalista, http://twiter.com/jmf1957

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A senhora que não queria usar PAU

O Registo Civil de Beja recebeu o seguinte requerimento:

Beja, 5 de Fevereiro 2006.
Eu, Maria José Pau, gostaria de saber da possibilidade de se abolir o sobrenome Pau do meu nome, já que a presença do Pau me tem deixado embaraçada em várias situações. Desde já agradeço a atenção despendida.
Peço deferimento,
Maria José Pau.

Em resposta, recebeu a seguinte mensagem:

Cara Senhora Pau:
Sobre a sua solicitação da remoção do Pau, gostaríamos de lhe dizer que a nova legislação permite a remoção do Pau, mas o processo é complicado e moroso.
Se o Pau tiver sido adquirido após o casamento, a remoção é mais fácil, pois, afinal de contas, ninguém é obrigado a usar o Pau do cônjuge se não quiser. Se o Pau for do seu pai, torna-se mais difícil, pois o Pau a que nos referimos é de família e tem sido utilizado há várias gerações.
Se a senhora tiver irmãos ou irmãs, a remoção do Pau torná-la-ia diferente do resto da família. Cortar o Pau do seu pai pode ser algo muito desagradável para ele.
Outro senão está no facto do seu nome conter apenas nomes próprios, e poderá ficar esquisito, caso não haja nada para colocar no lugar do Pau. Isto sem mencionar que as essoas estranharão muito ao saber que a senhora não possui mais o Pau do seu marido.
Uma opção viável seria a troca da ordem dos nomes. Se a senhora colocar o Pau na frente da Maria e atrás do José, o Pau pode ser escondido, pois poderia assinar o seu nome como 'Maria P. José'.
A nossa opinião é a de que o preconceito contra este nome já acabou há muito tempo e visto que a senhora já usou o Pau do seu marido por tanto tempo, não custa nada usá-lo um pouco mais.
Eu mesmo possuo Pau, sempre o usei e muito poucas vezes o Pau me causou embaraços.
Atenciosamente,
Bernardo Romeu Pau Grosso
Registo Civil de Beja

terça-feira, 1 de junho de 2010