segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O dinheiro não é todo igual

O arcebispo de Braga escolheu como figura nacional em 2013 os bombeiros. Já a Cáritas, não sei se a diocesana de Setúbal se a nacional, recusou o dinheiro do calendário dos bombeiros de Setúbal. Por causa das imagens todas? Só por causa da de agosto (que não aparece na notícia)? Não sei. Mas parece-me bem a atitude de Cáritas. Nem todo o dinheiro serve para fazer caridade. Se mais dinheiro se recusasse (lembro-me sempre de um bispo que lembrava que os comerciantes intercontinentais de escravos gostavam de construir capelas lá na terrinha), mais a solidariedade seria efetiva.

Fonte: aqui

O furacão Bergoglio


Todos gostam do Papa Francisco. Os quadrantes mais variados são inspirados pelas palavras, pelos gestos e pelas atitudes do novo Pontífice. Nestes nove meses de pontificado sentiu-se uma lufada de ar fresco, não só na Igreja mas em todo o mundo. A novidade foi inesperada, apesar de acontecer repetidamente nos pontificados anteriores. Muitos se lembram de 1978 e da lufada de ar fresco na Igreja e no mundo com a eleição de João Paulo II, que inspirou quadrantes muito variados. Mas esquecem que o mesmo acontecera um mês antes com João Paulo I, em 1963 com Paulo VI, em 1958 com João XXIII e com muitos outros. Apesar das comunicações lentas, até há evidentes paralelos de 2013 com a eleição de Leão XIII em 1878, Pio IX em 1846 e antecessores. É normal haver surpresa, entusiasmo, expectativa com um novo papa. Raro é, após o fumo branco, ver-se na varanda de São Pedro uma cara conhecida. Aconteceu em 2005. O cardeal Ratzinger, além de antigo e famoso colaborador do papa Wojtyla, era autor consagrado, com vários best-sellers em seu nome. Muitos previram a eleição e assim fomos poupados à surpresa e à admiração. O assombro veio depois, quando o intelectual Bento XVI se revelou caloroso, mediático, comovente. Precisamente por ser normal, a emoção à volta de Francisco tem elementos novos e fascinantes. É um grande homem de Deus, profundo, sensível, libertador. Neste caso, é mesmo justificada a paixão e o encanto (como nos casos anteriores). Em pouco tempo e com pequenos gestos, mas também com dois grandiosos documentos, o Papa Bergoglio soube tocar muita gente de maneiras muito variadas. Nestes poucos meses, por inúmeras vezes, o Papa disse e fez coisas inesperadas, surpreendentes, incómodas até. Foi, mais do que lufada, furacão. Todos o notaram. A diferença está no que fizeram com isso. Todos gostam dele e o ouvem com interesse e prazer, às vezes com avidez. Mas existem duas maneiras diferentes de confrontar a sua pessoa. O consenso à sua volta sofre de um cisma fundamental, ainda oculto. Existem aqueles que o seguem como Papa e os que o usam como Papa; os que aprendem com ele e os que concordam com ele; os que aceitam as suas palavras como aviso e os que as vêem como argumento. As ovelhas do Papa tomaram-no como dirigido a si mesmas e fizeram exame de consciência, propósito de emenda, penitência reparadora. Mas muitos consideraram os mesmos elementos apenas como apontados a outros. Esses só o usaram como argumento de discussão, confirmação de juízos, arma de arremesso. Esperam de Francisco não o anúncio do Reino e a divulgação da Palavra, mas a realização de agendas particulares e modelos pessoais. Não o querem como pai e mestre, mas como agente e gestor. Deste modo, o Papa, como o seu Senhor, mas também como o seu fundador Inácio e o patrono de Assis, é "sinal de contradição", diante de quem se "hão-de revelar-se os pensamentos de muitos corações" (cf. Lc 2, 34-35). Boa parte da discrepância advém de uma má compreensão da função de Sumo Pontífice. Muitos, mesmo inteligentes e democratas, vêem o Papa como dono da Igreja de Cristo. Alguns que defendem a colegialidade eclesial querem agora nele poder central absoluto. Mas o sucessor de Pedro não manda, pastoreia. É o "servo dos servos de Deus". Francisco ama intensamente a sua Igreja e não a quer desmantelar ou desfigurar, como alguns apoiantes momentâneos pretendem. Desta incompreensão sairá, como em praticamente todos os pontificados anteriores, que o fascínio inicial se venha a transformar em críticas, zangas e perseguições dos que apoiaram o novo Papa sem ser realmente suas ovelhas. O maior equívoco está em achar a Igreja obsoleta, exigindo actualização para sobreviver. Esquecem que já cá andava muito antes de surgirem as instituições antigas e permanecerá depois de desaparecerem as ideias agora inovadoras. A Igreja sempre precisa de reforma, por estar abaixo do ideal transcendente. Mas essa reforma é feita com os olhos no Céu, não nas conveniências do momento. A sua missão é converter o mundo, não ser aceite por ele.
João César das Neves
Fonte: aqui

domingo, 29 de dezembro de 2013

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Carta aberta do Tenente-Coronel de Cavalaria Paulo Banazol ao Ministro de Portugal:

Srº Ministro Poiares Maduro
 
Deixe que me identifique – Paulo M M de Athayde Banazol – contribuinte 131295420 – com todos os impostos pagos ao Estado.

Ouvi a S/intervenção acerca da “inevitabilidade” de cortar pensões e outras prestações sociais.

A ser verdade – espero que não ! – deixe-me arrolar algumas áreas – garantidamente do S/conhecimento – aonde o Governo pode “inevitavelmente” cortar:

Deputados – são 330 no Continente e Ilhas, com vencimentos (3.624,41 €/mês), despesas representação (370,32€), prémios de presença no Plenário (69,19€), deslocações (0,36 €/Km) deslocações em “Trabalho Político” (se é que se sabe o que isto é !) Território Nacional (376,32€), Europa (450,95€) fora da Europa (1.074,80€), deslocações em representação da AR – nacional (69,19€/dia), estrangeiro (133,66€/ dia) e as regalias / mordomias de todos conhecidas e que, se perguntar aos portugueses, todos classificam de escandalosas, absolutamente fora de contexto e imerecidas. 

Alguém viu ou ouviu falar da “inevitabilidade de cortes” no número, remunerações e mordomias destas senhoras e senhores ?? 

Porque não pagam os deputados as refeições ao preço do comum dos portugueses - menos do n/bolso – menos dos impostos dos portugueses ! 

E não me fale em demagogia – o exemplo TEM que vir de cima ! 

Presidente da AR que se reformou com 12 ( DOZE !!!!) anos de atividade com uma pensão de 7 mil e muitos Euros – aqui não se põe a “inevitabilidade de cortes” ?? 

Mordomias com Assessores e Secretárias, subvenções vitalícias a políticos e Deputados, custos com a Presidência da República – que por sinal gasta mais do que a Casa Real Espanhola !! 

Centenas de Juntas de Freguesia e dezenas de Câmaras Municipais – vereadores, assessores, “especialistas” e comissões – aonde está a “inevitabilidade dos cortes” ? 

Para quando a VERDADEIRA renegociação das PPP’s, SWAP’s, SCUT’s e Rendas Energéticas bem como a devolução aos cofres do Estado dos milhões “emprestados” ao BPN ? 

De acordo com o Prof Boaventura Santos, se considerados os cortes nestas áreas a poupança seria de cerca de 2 mil e cem milhões de Euros - e já agora faça-me um favor ministro Poiares Maduro, não me diga que o Prof Boaventura Sousa não é conhecedor da realidade e demagogo. 

Juízes do Tribunal Constitucional e Juízes – para quando os “inevitáveis cortes” nos vencimentos e subsídios de residência bem como a regularização dos tempos de serviço para obtenção da reforma ? 

Viaturas do Estado - de um total de largas centenas “cortaram” ½ dúzia ! 

Extraordinário esforço !!! 

Campanha Eleitoral para as Autárquicas - 9,7 milhões - “inevitabilidade dos cortes” ?? 

Fundações - como diz a nossa Gente – “tanta parra e pouca uva” – cortaram ? 

Quantas, aonde, quais , poupanças ? 

O mesmo relativamente às “milhentas” Comissões - “inevitabilidade dos cortes” ? 

Vencimentos, mordomias e Regimes Especiais na TAP, ANA, CP, CGD, Metro, TV, etc., etc., etc. – aonde está a“inevitabilidade dos cortes” ?? 

Parque Escolar ?? 

Palestina ? 

SCUT’s ? 

IMI / edifícios pertença dos partidos políticos 

Milhentas nomeações de assessores, especialistas e consultores ? 

etc. ..
etc. ... 
etc. ....

Surpreende-me (para não dizer mais nada !) a determinação do Governo na defesa da “inevitabilidade de cortes” nas pensões – será que o vai fazer às atribuídas ao Dr. Jardim Gonçalves, juízes, deputados, etc., etc. ? 

A Vossa determinação parece ter um só “alvo” – os fracos e sem voz – à minha mãe – 84 anos e numa cadeira de rodas - a Vossa determinação tirou 60 em 800 euros. 

Ao ex-presidentes Soares - 500.000 E (fora a Fundação) e Sampaio – 435.000 E (fora a Fundação Cidade Guimarães) - não se viu ou ouviu aplicar a “inevitabilidade de cortes” – serei eu que, nos meus quase 60, ando distraído. 

Quando responsabiliza - e prende !!!! - o Estado os governantes responsáveis pelos atropelos à lei e esbanjar de dinheiros públicos ?? 

A “inevitabilidade dos cortes” justifica cortes na ajuda à saúde aos militares e funcionários públicos e mantém o nível de impostos às pessoas acima do taxado às empresas – Bancos e Companhias de Seguro com lucros inacreditáveis para um país em crise – aonde a “inevitabilidade” de ajustar impostos ?? 

Os “inevitáveis cortes” ministro Poiares Maduro, cessam quando o Estado e o Governo de que faz parte, cortarem aonde TÊM que cortar e na minha opinião, deixarem de esbanjar dinheiro, de privilegiar uns à custa dos dinheiros de outros e de acabar com as exceções aos sacrifícios que, parece, não são suportados por todos por igual – até lá não haverá “inevitáveis cortes” que suportem este estado de coisas. 

Porque não quero tornar estas linhas em assunto pessoal, não refiro os “inevitáveis cortes” que a minha pensão tem vindo a sofrer e que, por vontade Sua, vai ser alvo de mais “inevitáveis cortes”. 

Até quando ministro Poiares Maduro os “inevitáveis cortes” – quando o rendimento disponível chegar a “0” ?? 

Ainda e longe de completar o rol: 

1 - Victor Constâncio, atuação como Governador do BdP e custos 

2 - Madeira e as obras faraónicas do Governo 

3 - Reformas de Luxo – o nº de reformados que ganhavam 4000 (ou mais) euros engordou cerca de 400% 

4 - CP - de acordo com a folha salarial da CP, um inspetor-chefe de tração recebe 52,3 mil euros, há maquinistas com salários superiores a 40 mil euros e operadores de revisão e venda com remunerações que ultrapassam os 30 mil euros / ano. 

5 – a lei de financiamento de campanhas - a recente decisão do Governo de aumentar os montantes dos ajustes diretos permitidos a governantes e autarcas permite fuga aos impostos 

6 – BdP – os privilégios e despesismo do Banco prolongam-se numa lista longa e ofensiva 

7 – EDP – 800 viaturas para um total de 1800 funcionários com faturas anuais de combustível de 10 000 E 

8 – Viaturas EP – em 63 EP há 224 carros para gestores que custaram ao Estado 6,4 milhões de euros – fora o resto !! 

9 – os milhares de Euros em Ajustes Diretos que põem em causa a "concorrência, a igualdade, a transparência e a boa gestão dos dinheiros públicos", pelo que podem "agravar o risco" de corrupção. 

10 - despesas de representação, Cartões de Crédito e telemóveis 

11 – projetos ruinosos tipo aeroporto de Beja 

12 – milhões injetados nas PPP’s e Banca Privada 

etc. ..
etc. ...
etc. ....
etc. ..... 

Muitos, muitos mais casos haveria para arrolar ministro Poiares Maduro que são do conhecimento de todos nós, aonde o esbanjar de dinheiros públicos se vê à vista desarmada e que, se combatido com a DETERMINAÇÃO dos portugueses que fizeram Portugal, talvez evitasse os “inevitáveis cortes” que a S/determinação entende serem necessários. 

É por causa de tudo que arrolei – e o do muito que ficou por arrolar – que Membros do Governo são assobiados e apupados – nem todos os que assim procedem são comunistas, nem todos com agenda política – discordo mas compreendo! 

Ministro Poiares Maduro – estou longe – MUITO LONGE – da política e políticos pelo que não tenho simpatia por políticos e filiação em NENHUMA força política. 

Filiei-me quando com 20 e poucos anos – jovem oficial - Jurei Bandeira – essa é a minha única Filiação pelo que tenho MUITA dificuldade em entender estas situações, bem como a “inevitabilidade dos cortes”, que considero profundamente injustos para a os portugueses. 

Coisas de Soldado !
Cumprimenta
Paulo Banazol

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

SE CAMÕES FOSSE VIVO ESCREVERIA ASSIM:

País Onde Roubar, Tirar, Usurpar, Gamar e Aldrabar, é Legal !
                                             I
As sarnas de barões todos inchados
Eleitos pela plebe lusitana
Que agora se encontram instalados
Fazendo o que lhes dá na real gana
Nos seus poleiros bem engalanados,
Mais do que permite a decência humana,
Olvidam-se do quanto proclamaram
Em campanhas com que nos enganaram!

                                II

E também as jogadas habilidosas
Daqueles tais que foram dilatando
Contas bancárias ignominiosas,
Do Minho ao Algarve tudo devastando,
Guardam para si as coisas valiosas
Desprezam quem de fome vai chorando!
Gritando levarei, se tiver arte,
Esta falta de vergonha a toda a parte!

                              III

Falem da crise grega todo o ano!
E das aflições que à Europa deram;
Calem-se aqueles que por engano
Votaram no refugo que elegeram!
Que a mim mete-me nojo o peito ufano
De crápulas que só enriqueceram
Com a prática de trafulhice tanta
Que andarem à solta só me espanta.

                             IV

E vós, ninfas do Coura onde eu nado
Por quem sempre senti carinho ardente
Não me deixeis agora abandonado
E concedei engenho à minha mente,
De modo a que possa, convosco ao lado,
Desmascarar de forma eloquente
Aqueles que já têm no seu gene
A besta horrível do poder perene!

     (
Luiz Vaz Sem Tostões )

(Recebido por email)

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A língua Portuguesa é estupenda e presta-se a estas coisas...


Se o Mário Mata, a Florbela Espanca, o Jaime Gama e o Jorge Palma, o que é que a Rosa Lobato Faria?
E, já agora: alguém acredita que a Zita Seabra para o António Peres Metello?

domingo, 22 de dezembro de 2013

Natal: «E» EM VEZ DE «MAS»

Também o Natal está cheio de adversativas.
Muitas pessoas visitam os familiares, «mas» não vão à Igreja.
Participam na consoada, «mas» não na Missa.
Relevam o Pai Natal, «mas» não o Menino Jesus.
Gostaria de propor que substituíssem a adversativa pela copulativa.
Era bom que as pessoas visitassem os familiares «e» fossem à Igreja.
Que participassem na consoada «e» na Missa.
Que figurassem o Pai Natal «e» o Menino Jesus.
Afinal, é o Seu nascimento que celebramos. E foi Ele próprio que introduziu a relação entre o Céu «e» a Terra, entre o Tempo «e» a Eternidade, entre o Homem «e» Deus.
Já chega de adversativas, de exclusivismos, de exclusões.
Jesus não exclui nada. Jesus inclui tudo.
Ele é para todos. Ele é para sempre!
Fonte: aqui

sábado, 21 de dezembro de 2013

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Povo que permite que as suas crianças passem fome é um Povo que perdeu a sua identidade, perdeu a sua estima, perdeu o respeito e encaminha-se a passos largos para perder o direito de ser chamado Povo

Impossível não chorar perante este relato. Mais ainda se é dito que se passou na nossa cidade do Funchal, que vergonha meu Deus...
Esta “carta” que partilho convosco foi escrita por Valentina Ferreira e relata um momento por ela vivido no Funchal, mas infelizmente podia passar-se em qualquer cidade deste País onde um Povo apático, resignado, acobardado baixa a cabeça perante todos os atropelos que os feudais senhores lhes fazem. Um Povo que permite que as suas crianças passem fome é um Povo que perdeu a sua identidade, perdeu a sua estima, perdeu o respeito e se encaminha a passos largos para perder o direito de ser chamado Povo.
Ramalho Eanes há tempos disse, a propósito do aumento dos impostos, poder ainda ser mais carregado mas que lhe garantissem que essa carga serviria para que ninguém passasse fome em Portugal. Palavras vãs, essa carga, a dele e a nossa, serve para as negociatas continuarem a ser feitas, servem para as jogadas continuarem ao mesmo ritmo, servem para aumentar o lucro dos bancos mas não servem para alimentar quem tem fome.
Não vou fazer mais comentários, leiam a “carta” que aqui transcrevo na integra e tirem as vossas próprias conclusões. Tiradas que sejam as conclusões pensem se é isto que querem para o futuro do nosso País. Decidam se é este o que desejam para os vossos filhos, para os vossos netos.
Caros senhores do Governo: ontem, ao sair do autocarro, vi uma menina. Rosto de 15, corpo de 10. Sorri para ela, dois segundos e segui caminho. Veio ao meu encontro: mão estendida e olhos de vergonha no chão. Perguntou se não tinha moedas. Eu, que estou farta que me venham pedir nos estacionamentos dos supermercados e a cada esquina do Funchal, endureci a voz e questionei-a para quê queria o dinheiro.
- Tenho fome.
Fiquei eu envergonhada. Muito.
- O que queres comer?
- Tanto faz. Pode ser pão.
Disse-lhe para vir comigo. Ela veio, aos pulinhos, sem dizer nada. Levei-a ao Pingo Doce, fiz-lhe um prato decente e sentámo-nos. Mastigou sem saborear, sem respirar. Disse-lhe três ou quatro vezes que podia comer devagar, que aquilo era dela, para ela. Mas só nas últimas garfadas vi-a realmente desfrutar da comida: já estava com o buraco da fome tapado e podia, então, experimentar os sabores com calma. Deixei-a acabar para conversarmos. Disse-me ter nove anos.
Caros senhores do Governo: nove anos, às oito e pouco da noite, no Inverno, sozinha, na rua. Porque tinha fome.
- Onde estão os teus pais?
- A minha mãe está em casa. O meu pai está em “Jer” (presumo que seja Jersey).
- E estão difíceis as coisas em casa?
- Sim. A minha mãe costumava fazer limpezas mas agora já não há muitas casas para limpar e então ela só vai a uma. E o meu pai foi trabalhar para “Jer” mas não tem conseguido mandar dinheiro estes últimos tempos.
- E tens irmãos?
- Sim, cinco.
- Assim pequenos como tu?
- Tem um com dois, outro com quatro, outro com sete, outro com treze e outro com quinze.
Olhei melhor para ela. Era bonita; lindíssima se penteasse o cabelo. Tive medo. Caros senhores do Governo: nove anos, à noite, na rua. Uma menina com fome, acessível, necessitada. Tive muito medo.
- E eles também pedem dinheiro?
- Sim, cada um tem que cuidar de si, não é?
Não, não é. Não deveria de ser. Caros senhores do Governo: as crianças são para serem cuidadas.
- Costumo pedir a quem parece simpático – continuou. Sinais de alerta na minha cabeça.
- Sim, mas há pessoas que parecem simpáticas mas depois fazem coisas más. Por exemplo, há pessoas que só ajudam se lhes derem algo em troca. Já te aconteceu?
Ela pensou. E eu agoniava por dentro.
- Houve uma vez que uma vizinha pediu-me para levar muitos sacos ao lixo e deu-me dois euros.
Sorri-lhe.
- Eu sei que há homens que querem sexo e dão dinheiro – disse-me, com a voz mais baixa.
Senti uma pontada na cabeça.
- Como sabes?
- A minha mãe disse que podíamos roubar e pedir. Roubar só a quem tiver mais que nós. Mas nunca fazer sexo. Está sempre a dizer isso. É bastante chata porque eu já lhe disse que nem sequer sei fazer sexo.
Caros senhores do Governo: já imaginaram o que é uma mãe dizer aos filhos que roubar e pedir pode ser? Já imaginaram a angústia desta mãe, todas as noites, a pensar que os filhos, por precisarem, podem cair no vício da prostituição?
- Já sabes que as mães são assim porque se preocupam connosco.
- A tua também te diz para não fazeres sexo pelo dinheiro mesmo que tenhas muita fome?
Caros senhores do Governo: o que se responde a isto?
- Sim, diz….
- Então é chata como a minha – sorriu.
Nesse momento, começou a mexer-se na cadeira. Perguntei-lhe se queria ir embora. Disse-me que sim, antes que ficasse muito tarde. Pedi-lhe para vir comigo. Comprámos pão de forma, manteiga e leite. O saco quase que era maior que ela – mas não do que o sorriso e o brilho nos olhos.
- A minha mãe vai ficar contente! – e olhou-me demoradamente. – Gosto muito dos teus brincos.
- Ah, gostas?
- Sim – levou a mão à orelha. – Eu tinha uns dourados em pequena, que a minha madrinha deu-me, mas a minha mãe teve que vender. Fiquei menos vaidosa. A minha mãe diz que essas coisas agora não importam.
Tirei os brincos e coloquei-os nos buraquinhos quase fechados dela. Caros senhores do Governo: eu tinha diante de mim uma menina que deixara de ser menina para crescer à pressa nas curvas da crise, palavra que já me causa vómitos. Ela suspirou.
- Vou guardá-los – e tirou-os à pressa. – Para quando casar.
- Mas isso ainda falta muito tempo – admirei-me. – Já pensas nisso?
- Eu sei que falta algum tempo – disse algum e não muito. – Mas é menos uma coisa que tenho que comprar. Mas ele tem que ter dinheiro porque não quero que os meus filhos passem fome. Quero ter dois filhos – e espetou-me dois dedos diante dos olhos.
Caros senhores do Governo: uns brincos rafeiros, de plástico, vermelhos. Para o casamento de uma menina que já não era menina e que tinha o plano bem traçado de casar com um homem rico.
- Olha, tu queres que eu fale com umas pessoas para tu e os teus irmãos poderem ir para um sítio seguro enquanto a vossa situação está assim?
Vi o pânico na expressão.
- Não! A minha família é feliz. Não quero separar-me deles. Isto vai mudar. O meu pai prometeu – meteu a mão na cintura, muito ofendida. – O meu pai faz sempre o que diz.
Caros senhores do Governo: eu espero que vocês permitam que este pai cumpra o que prometeu à filha. É que vocês já lhe tiraram tudo: deixou de ser criança e de ter os pais juntos, obrigam-na a mendigar na rua e a passar fome. Não lhe tirem, também, o orgulho em ter um pai que cumpre o que promete.
Caros senhores do Governo: dizem as mulheres da minha família que a vida é uma rodinha. Que o que fazemos aos outros, seja de bom ou de mau, volta sempre – mas sempre mesmo. Portanto, algum dia, em qualquer circunstância, em alguma vida, os senhores vão receber aquilo que estão a dar: miséria, desconforto, sofrimento e a impossibilidade de serem quem querem ser.
Caros senhores do Governo: só vos desejo que a vida seja muito cruel convosco.
Cumprimentos,
Valentina Silva Ferreira, in Notícias online
Fonte:  aqui

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Os croissants mornos de Francisco

 
É assim este Papa: terno e atencioso com todos. E tão depressa leva bolos quentes ao seu vizinho Ratzinger, como não hesita em pegar no telefone e dar os parabéns aos seus amigos.

A sala de refeições da Casa Santa Marta, outrora com pouco movimento, agora está sempre cheia. As mesas raramente têm lugares livres desde que Francisco optou por viver na famosa casa de hóspedes do Vaticano. É que entre os comensais está o próprio Papa. Ao lado do refeitório principal há uma sala reservada para convidados especiais, mas, na maioria dos casos, Francisco prefere tomar as refeições na sala grande, junto dos outros hóspedes. 

A mesa do Papa é sempre a mesma e está colocada a um canto da sala, mas já aconteceu o sucessor de Pedro sentar-se de surpresa num lugar vago de outras mesas, conversando de surpresa e animadamente com os outros comensais. O serviço, tipicamente italiano, inclui primeiro e segundo pratos, mas – tal como os outros hóspedes - Francisco levanta-se para ir ao "buffet" servir-se de salada e outros acompanhamentos e, sempre que passa entre as mesas, não resiste e mete conversa com quem está sentado. 

Quem vive na Casa Santa Marta garante que o clima é muito cordial e bem-disposto. Mas os homens da segurança têm agora mais dores de cabeça, porque a rotina não encaixa no "estilo Bergoglio" e, por isso, nunca se sabe o que pode acontecer.

Há dias, durante o pequeno-almoço, o Papa não estava na sua mesa habitual, nem em qualquer outro lado. Começou a gerar-se uma grande agitação, com vários homens de fato escuro e agentes de segurança enervados a passar revista a toda a casa. Onde estava o Papa? Por onde se teria metido? Toda a gente foi interrogada, a casa passada a pente fino, mas nada! Depois de uns valentes minutos de angústia, descobriram-no finalmente. Bergoglio caminhava pelo jardim, com passada decidida e um saco de papel na mão. Quando finalmente os homens da segurança lhe falaram do susto devido à sua ausência inesperada, Francisco riu-se e explicou que ia ao mosteiro Mater Ecclesia, onde vive Bento XVI, levar-lhe uns croissants mornos, "acabadinhos de fazer, como ele gosta".

É assim este Papa: terno e atencioso com todos. E tão depressa leva bolos quentes ao seu vizinho Ratzinger, como não hesita em pegar no telefone e dar os parabéns aos seus amigos e, se não atendem, deixa afectuosos recados no voicemail do telemóvel. Dedica mais horas a saudar, abraçar e beijar pessoas de todas as idades do que a falar e a ler discursos. Preocupa-se sobretudo com o lado humano e concreto das pessoas com quem se cruza, ao ponto de ter pedido à mãe de um bebé acabado de beijar que lhe pusesse um chapéu porque tinha a cabeça muito quente, ou ainda, no caso de um outro pequenino que chorava com fome, devolveu-o à mãe para ela amamentar o bebé, mesmo ali, na Praça de São Pedro! E como é um Papa "todo-o-terreno", tão preocupado com o quotidiano da vida terrena quanto o é com a vida eterna e salvação de cada um, a misericórdia é talvez a sua palavra preferida, porque remete para a esperança e alegria. 

Se pudesse, Francisco gostaria de abraçar todos, "com amor e ternura como fazem as mães" – tal como explicou numa entrevista, arqueando os braços como se segurasse um bebé – porque "é assim que deve ser a Igreja: dar carinho, cuidar e abraçar". E não é este também o melhor retrato de Francisco?
Fonte: aqui

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Pai Natal e o Menino Jesus


Tenho de começar por dizer que não gosto do Pai Natal.
Desde que entrou na minha vida, já lá vão mais de vinte anos, que aos poucos a minha aversão ao personagem, foi crescendo.
Também não será para admirar. O Pai Natal chegou e destronou o meu Menino Jesus. Arrumou-o para um canto de uma gaveta, dentro de uma caixa velha, e não se ouviu mais falar dele.
Com a chegada do Pai Natal, começaram as desavenças natalícias lá por casa. E, pelo que ouço dizer, em muito mais casas por esse mundo fora.
O Pai Natal que na altura começou a andar lá por casa era um Pai Natal rico. O meu Menino Jesus, era um Menino Jesus pobre. Só por aí comecei eu a não gostar do velho de barbas e vestido de vermelho. Começou a luta dos ricos contra os pobres, e o rico ganhou. Não é que tenha ganho grande coisa, mas ganhou. Ganhou pelo menos o lugar que o Menino Jesus sempre tinha tido em minha casa. E com essa vitória começaram a desaparecer os valores que até então nos tinham norteado.
No tempo do meu Menino Jesus, e porque ele, coitadinho, era pobre, minha irmã, meus primos e primas e eu, recebíamos, na madrugada da noite de Natal para o dia, uma prenda, às vezes, muito raramente, duas (nos raros anos em que o menino estava mais abonado), e uma moedinha de prata. Os nossos pais, nada recebiam, embora, quando o ano corria bem, encontrassem no sapatinho deles, que como os nossos estavam em cima do fogão de lenha da cozinha da casa de meu avô paterno, um embrulhinho. E depois, era uma festa com cada um a mostrar aos outros a prenda com que o Menino Jesus os tinha mimoseado.
- Deixa ver … que porreiro pá! Já viste o que eu tive?
E nisto se passava o dia, com brincadeiras e muita algazarra, e com os adultos a viverem connosco toda essa alegria. O dia era de todos. Festejava-se a união da família.
Depois veio o Pai Natal e as prendas começaram a chover. Toda a gente, desde os miúdos aos graúdos, recebia uma catrefada de coisas. A maior parte delas não serviam para nada, mas todos tinham muitas coisas. E no fim, cada um de nós se entretinha com uma só, abandonando as outras, que, sem préstimo ficavam caídas no meio dos destroços da batalha momentos antes havida. Folhas e folhas de papel de embrulho, rasgadas e atiradas por tudo quanto era lado. A tristeza do fim de festa, o desapontamento por falta de algo com que se tinha sonhado, o desalento espelhado num ou noutro rosto. A abundância desmedida não trazia com ela a felicidade.
O Natal que já tinha, um dia, sido de todos e para todos, passou cada vez mais a ser unicamente das e para as crianças. Na ânsia de lhes fazer bem, o Pai Natal de cada casa, inundava de coisas supérfulas os pobres catraios e sem resultados positivos. Passou a viver-se esta época de consumismo desenfreado para dar, seja o que for, em vez de viver alegremente a quadra e agradecer o que se tem. Desapareceu a festa da família. As pessoas continuam a juntar-se porque sim, porque tem de ser, porque sempre assim foi.
E as zangas começaram a aparecer. Porque este deu ao outro uma coisa que valia muito mais e a mim uma que valia muito menos. Porque aquele se esqueceu de dar. Porque, porque, e porque.
- Para o próximo ano não ponho cá os pés. Estou farto/a.
O consumismo e o desagrado inundaram as casas de cada um. Tinha nascido a obrigatoriedade de dar. Passou a gastar-se uma pequena fortuna em cada Natal, e quem não podia fazê-lo ficava mal visto. O sentimento de família começou a perder-se.
Cada vez são mais as pessoas que só querem mesmo é que esta época, em especial o mês de Dezembro, passe depressa.
- Arre, que nunca mais é Janeiro!
Só as crianças continuam, um pouco na sua inocência a desejar o que nunca tiveram, mas pensam que têm. Um Natal em família, com amor e amizade, onde todos perdoam a todos, onde os valores materiais são deixados de lado. No fundo e sem saberem, a desejar o que nunca conheceram. Um Natal onde fosse um Menino Jesus pobrezinho a trazer-lhes as prendinhas.
(Recebido por email)

sábado, 14 de dezembro de 2013

Curiosidades sobre o bacalhau

O bacalhau cresce de forma rápida e reproduz-se – entre Janeiro e Abril - também rapidamente, já que cada fêmea põe, por ano entre 4 a 6 milhões de ovos. Contudo, só cerca de 1% sobrevive e chega à fase adulta. Aos dois anos o bacalhau já tem 50 cm. Vive perto de 20 anos altura em que atinge 1,5m e chega a pesar 50 Kg.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Omens sem H

Espantam-se? Não se espantem. Lá chegaremos. No Brasil, pelo menos, já se escreve "umidade". Para facilitar? Não parece. A Bahia, felizmente, mantém orgulhosa o seu H (sem o qual seria uma baía qualquer), Itamar Assumpção ainda não perdeu o P e até Adriana Calcanhotto duplicou o T do nome porque fica bonito e porque sim. Isto de tirar e pôr letras não é bem como fazer lego, embora pareça. Há uma poética na grafia que pode estragar-se com demasiadas lavagens a seco. Por exemplo: no Brasil há dois diários que ostentam no título esta antiguidade: Jornal do Commercio. Com duplo M, como o genial Drummond. Datam ambos dos anos 1820 e não actualizaram o nome até hoje. Comércio vem do latim commercium e na primeira vaga simplificadora perdeu, como se sabe, um M. Nivelando por baixo, temendo talvez que o povo ignaro não conseguisse nunca escrever como a minoria culta, a língua portuguesa foi perdendo parte das suas raízes latinas. Outras línguas, obviamente atrasadas, viraram a cara à modernização. É por isso que, hoje em dia, idiomas tão medievais quanto o inglês ou o francês consagram pharmacy e pharmacie (do grego pharmakeia e do latim pharmacïa) em lugar de farmácia; ou commerce em vez de comércio. O português tem andado, assim, satisfeito, a "limpar" acentos e consoantes espúrias. Até à lavagem de 1990, a mais recente, que permite até ao mais analfabeto dos analfabetos escrever sem nenhum medo de errar. Até porque, felicidade suprema, pode errar que ninguém nota. "É positivo para as crianças", diz o iluminado Bechara, uma das inteligências que empunha, feliz, o facho do Acordo Ortográfico. É verdade, as crianças, como ninguém se lembrou delas? O que passarão as pobres crianças inglesas, francesas, holandesas, alemãs, italianas, espanholas, em países onde há tantas consoantes duplas, tremas e hífens? A escrever summer, bibliographie, tappezzería, damnificar, mitteleuropäischen? Já viram o que é ter de escrever Abschnitt für sonnenschirme nas praias em vez de "zona de chapéus de sol"? Por isso é que nesses países com línguas tão complicadas (já para não falar na China, no Japão ou nas Arábias, valha-nos Deus) as crianças sofrem tanto para escrever nas línguas maternas. Portugal, lavador-mor de grafias antigas, dá agora primazia à fonética, pois, disse-o um dia outra das inteligências pró-Acordo, "a oralidade precede a escrita". Se é assim, tirem o H a homem ou a humanidade que não faz falta nenhuma. E escrevam Oliúde quando falarem de cinema. A etimologia foi uma invenção de loucos, tornemo-nos compulsivamente fonéticos. Mas há mais: sabem que acabou o café-da-manhã? Agora é café da manhã. Pois é, as palavras compostas por justaposição (com hífens) são outro estorvo. Por isso os "acordistas" advogam cor de rosa (sem hífens) em vez de cor-de-rosa. Mas não pensaram, ó míseros, que há rosas de várias cores? Vermelhas? Amarelas? Brancas? Até cu-de-judas deixou, para eles, de ser lugar remoto para ser o cu do próprio Judas, com caixa alta, assim mesmo. Só omens sem H podem ter inventado isto, é garantido.

Por Nuno Pacheco
Jornalista

Cuidado com as batatas


Manel casou-se com Joana e, no dia do casamento, Joana levou para a sua casa nova um grande baú, e pediu para que Manel respeitasse a sua individualidade e nunca o abrisse.
Durante 50 anos de casamento, apesar da curiosidade, Manel nunca abriu o baú.
Na comemoração dos 50 anos, Manel não aguentou e perguntou a Joana o que tinha dentro daquele baú.
Ela então resolveu mostrar-lhe o baú.
Ao abrir, Manel viu € 60.000,00 e quatro batatas.
Curioso, perguntou porquê as batatas, e ela então confessou:
- “Cada vez que te traí coloquei uma batata no baú”.
Manel , no primeiro momento ficou chocado, mas, depois de meditar, disse para si mesmo:
“Até lhe posso perdoar… quatro batatas em cinquenta anos, significam uma traição por cada 12,5 anos”.
De seguida ele perguntou o que significavam os 60 mil euros.
Foi o momento em que ela lhe disse:
- “Cada vez que o baú se enchia de batatas, eu vendia-as”.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Sob a capa da Solidariedade e da falsa caridadezinha.

Tenho recebido este email  de várias fontes. Confesso que nunca pensara nisto. Se for como o email denuncia, é grave, sem classificação!
Que acha o amigo leitor?
Será mesmo como o email retrata?
Que pensa desta forma de atuar?
Que diz a lei?


 
 
 
Pelo menos. DENUNCIE!
 
(recebido por emails diversos)

sábado, 7 de dezembro de 2013

Número de sem abrigo e mendigos em Lisboa terá triplicado no último ano

Só na Estação do Oriente, há noites em que dormem dentro da gare, mais de cem pessoas.

ISTO SÓ EM LISBOA. E NO RESTO DO PAÍS?

Veja aqui.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Foto de Portugal é imagem do dia na National Geographic



O site da National Geographic elegeu uma imagem captada em Portugal, no distrito do Porto, como a fotografia do dia. Em grande destaque na página principal da prestigiada revista científica, a foto mostra uma tempestade no mar, com um farol a ser 'engolido' pelas ondas.

A mesma é da autoria de Veselin Malinov que assistiu a este fenómeno da natureza numa praia em Felgueiras, em Janeiro deste ano, durante uma violenta tempestade.
Fonte: aqui

Ceias de Natal



Não há empresa, associação, grupo, autarquia, escola, que não faça a sua ceia de Natal.
Um fartote de ceias de Natal. De tal maneira que há pessoas que, em certos dias, deambulam de ceia para ceia, pois estão ligadas a diversos grupos.
E lá vem invariavelmente a refeição, o convívio e a distribuição de prendas.
Quem realiza a ceia até já tem o cuidado de se afastar do menu tradicional para não enjoar os convidados... Já viram o que seria comer sempre as batatas com o bacalhau em cada ceia a que se vai!? E há gente que vai a imensas.

Felizmente que muitos grupos, apercebendo-se da congestão de ceias nesta época, realizam o seu convívio noutra altura. Como diz o povo, o que é demais é moléstia.

É o "natal" da correria, da azáfama. Já não bastava a loucura das prendas e da propaganda que gera necessidades artificiais, ainda agora o fartote das ceias.
Como há tempos me dizia um casal, dos tais que, em virtude das suas múltiplas atividades, "têm" de ir a várias ceias de Natal, a Consoada perdeu imenso do seu encanto, banalizada por ceiotes sem fim...

Será o natal social coevo o verdadeiro Natal? Onde está o tempo para o presépio, para a serenidade, para a contemplação, para o encontro, para a solidariedade e a partilha?
Penso muitas vezes  se o natal atual não será uma demonstração do mais puro paganismo, mascarado de alguns símbolos cristãos.
Se o que se gasta com tanto ceiote fosse canalizado para minorar o sofrimento de tanta gente carenciada, então seria Natal nos corações e na casa de muita gente.

A propósito de um Menino pobre nascido numa manjedoura, realiza-se, nesta época, o mais louco culto ao "deus consumo". Que paradoxo!!!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Os pepinos


Eles são muito usados em saladas ou como picles. O seu sumo é utilizado em máscaras faciais, cremes, loções, champôs e outros cosméticos. Deve ser usado por pessoas com reumatismo e gota pois combate o ácido úrico e também pelas que sofrem da vesícula biliar e pelos que têm obstipação. Pelo contrário, tem de ser evitado pelos doentes do estômago ou com perturbações gástricas.

 Geralmente são servidos em saladas sem casca, o que está errado pois é nesta que se concentram as melhores das suas propriedades.
O pepino é um óptimo tónico para o fígado, rins, visícula e dá força aos cabelos e unhas, pelo seu alto teor de sílica e flúor. É também um diurético natural e de grande ajuda na dissolução de cálculos renais. É rico em potássio, o "mineral da juventude", que proporciona flexibilidade aos músculos e dá elasticidade às células que compõem a pele. Isso resulta em rejuvenescimento da epiderme e do rosto.
O pepino tem também acção purificante e serve para eliminar a gordura da pele e não só.
Geralmente é consumido cru em forma de salada mas pode ser bebido como sumo. Possui boa quantidade de fibras, sendo importante para o sistema digestivo.
Fonte:  aqui

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Palavra sincera


Um padre da diocese da Guarda

Condenado a dez anos de prisão pelo tribunal judicial do Fundão por uma acusação de dezanove crimes de cariz sexual é o antigo vice-reitor do seminário menor da diocese da Guarda mantido em prisão domiciliária numa das casas diocesanas. A diocese, que prudentemente assegurara que em nome da pura cidadania mais responsável aguardaria silenciosa as decisões do competente tribunal, agora com a mesma prudência responsável declara não se dever atribuir valor definitivo ao acórdão judicial e espera no resultado do recurso, ou seja, que as provas que a defesa apresenta sejam consideradas válidas.
O caso merece alguma reflexão e umas tantas questões:
As audiências, dado o melindre da matéria e a suscetibilidade dos intervenientes, decorreram à porta fechada e bem.
A diocese não se precipitou em juízos prévios, contestando outras entidades que o terão feito, e bem.
Os testemunhos das alegadas vítimas foi colhido na fase de inquérito para memória futura, sendo dispensada a sua renovação, o que é de duvidoso mérito, dado que as crianças também crescem e podem mudar de apreciação para melhor ou para pior.
Todos os 19 crimes foram considerados provados, o que é estranho, em comparação com o que acontece na generalidade dos casos apresentados em tribunal.
Igual estranheza merece o facto de o tribunal ter decretado pena igual à solicitada pelo Ministério Público, entidade acusante.
Esquisita considero a afirmação da juíza presidente de que os testemunhos das crianças foram coerentes e lógicos. Lógicos, em quê? Coerentes, com quê? Que tinham sido acompanhadas por técnicos da Segurança Social. Não se pode duvidar da competência técnica destes técnicos?
Ressalta a senhora doutora juíza a qualidade de educando do arguido. E eu pensava que ele era educador, mas estava enganado!
Terá sido este arguido o mais criminoso de todos os abusadores sexuais, por exemplo, mais do que qualquer um dos da Casa Pia? Ou o facto de ser padre sobrecarrega a justiça do Estado, mais do que a das consciências ou a divina?
Isto para já não falar das circunstâncias da detenção: mudança da diretoria da PJ local...

 Louro de Carvalho