terça-feira, 30 de abril de 2013

A L E G R I A AAAAAAAAAA

O «BEIJO» DO PAPA

Na eleição do Papa, não há campanha, não há programa, não há candidatos. O que avulta é, portanto, a personalidade do eleito.
E não há dúvida de que a maneira de ser do Papa Francisco tem cativado a Igreja e até a humanidade.
O mais curioso é que o Papa se tem destacado não tanto nas grandes acções, mas sobretudo nos pequenos gestos.
Ele consegue tornar grande o pequeno, enchendo de significado o que aparenta ser insignificante.
Às vezes, até parece algo do género do «ovo de Colombo»: como é que ainda ninguém se tinha lembrado de coisas tão simples e, ao mesmo tempo, tão profundas?
Mas, a bem dizer, Francisco está na senda de Jorge. Enquanto padre, bispo e cardeal, sempre foi assim: próximo, humilde, simples.
Hoje mesmo, crismou mais de quarenta pessoas. O ritual não prevê nenhum gesto especial além da colocação do óleo e das fórmulas.
Uma tradição de séculos leva a que o bispo dê uma pequena «bofetada» no crismado. Trata-se de uma saudação que assinala a maturidade oferecida pelo sacramento e, concretamente, a disponibilidade para testemunhar a fé até às últimas consequências.
Pois o Papa Francisco foi mais longe: deu um beijo na face de cada crismado.
São gestos que dispensam comentários. Têm uma densidade que sobrepuja toda e qualquer palavra. É uma linguagem que está para lá do discurso. É uma verdadeira meta-linguagem.
O importante é que as pessoas percebem. Porque sentem!
Fonte: aqui

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Quem vai para o Porto?



Escreve o correspondente de Braga do "Correio da Manhã" que D. Manuel Clemente regressa a Lisboa. Os do Porto, não gostam uns e  dão saltos de alegria outros. É sempre assim quando muda um responsável. Mas a notícia ainda não foi confirmada. E, se for verdade, mais interessante é saber quem é o próximo bispo do Porto, que costuma ser a diocese portuguesa mais sólida, criativa, dinâmica, estimulante.
Fonte: aqui

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Papa Francisco

Como era de esperar, a comunicação social deu e continua a dar um grande relevo à eleição do novo Papa. E por agora, as notícias têm sido muito positivas de quase todos os sectores. E é inegável que o Papa Francisco muito tem contribuído para a boa imagem da Igreja projectada por esses meios de informação. Repete-se o que se passou com a eleição de João Paulo II, na altura um Papa jovem e desportista, com uma imagem física de grande atracção. Ou mesmo a escolha de João XXIII, que convocou um concílio e ajudou a rejuvenescer a Igreja.
O Papa Bento XVI, ao anunciar a sua renúncia, criou um facto extraordinário de fazer inveja ao político mais experiente. Surpreendeu a todos, talvez até mesmo os católicos mais devotos e não é para menos já que a última vez que isso ocorreu foi há 598 anos.
Enquanto a comunicação se dividia entre boas e más noticias, o centro era a Igreja e sua missão de levar a "boa nova", o evangelho de Jesus Cristo. Reuniu-se o Conclave para escolher o papa, apontaram-se favoritos que mais uma vez nenhum foi confirmado. Escolheram em pouco tempo um novo papa, que era o sonho de todos os católicos, um bispo não europeu, que veio da Argentina, ou como o próprio papa designou, "do fim do mundo".
E ele escolheu o nome Francisco. Um nome cheio de significado. E, agora, o novo Papa incorpora o "espírito" de São Francisco de Assis e foge da roupa luxuosa, do trono luxuoso, dos carros privados. E até pede ao povo que reze por ele antes de lhe dar a bênção. Começou muito bem!
O novo líder católico apresentou como prioridade do seu pontificado a luta contra a pobreza, tanto material como espiritual. E também já manifestou a vontade de "intensificar o diálogo com as diferentes religiões, incluindo o Islão" e os não-crentes e de "construir pontes", lembrando o sentido da palavra "pontífice" – "construtor de pontes com Deus e entre os homens".

E há dias apresentou uma comissão de cardeais que o vai ajudar no governo da Igreja e na reforma da Cúria. Tudo parece correr bem. Que Deus o abençoe! 
Fonte: aqui

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Cavaco defende que combate ao desemprego deve ser prioridade do Governo

No discurso do 25 Abril, o Presidente da República lembra as “consequências gravosas” do ajustamento português, mas destaca “objectivos alcançados” nestes dois anos.

O Presidente da República defendeu esta quinta-feira a colocação do combate ao desemprego como uma prioridade da acção governativa e admitiu que alguns dos pressupostos do programa de assistência financeira não se revelaram ajustados à realidade.

"Dois anos decorridos sobre a concretização do programa de assistência financeira, o reconhecimento objectivo de aspectos positivos não nos deve desviar a atenção do programa mais dramático que Portugal enfrenta: o agravamento do desemprego e o aumento do risco de pobreza, em resultado de uma recessão económica cuja dimensão ultrapassa, em muito, as previsões iniciais", referiu o chefe de Estado, no seu discurso na sessão solene do 39º aniversário do 25 de Abril, que decorreu na Assembleia da República.

Depois de dedicar a parte inicial da intervenção aos objectivos alcançados desde que teve início o programa de assistência financeira, o Presidente da República fez um parêntesis para sublinhar que "o combate ao desemprego deve ser uma prioridade da acção governativa".

"Esta destruição de capital humano coloca graves problemas pessoais, familiares e sociais, tendo ainda um impacto muito negativo sobre o crescimento potencial da nossa economia", assinalou, destacando que, além dos jovens, outro grupo tem sido "gravemente afectado e infelizmente esquecido", ou seja, quem tem entre 45 e 65 anos.

Reconhecendo que o efeito recessivo das medidas de austeridade revelou-se "superior ao previsto, provavelmente por falha nas estimativas", Cavaco Silva notou igualmente que "alguns dos pressupostos do programa não se revelaram ajustados à evolução da realidade, o que suscita a interrogação sobre a 'troika' não os deveria ter tido em conta mais cedo".

Pois, continuou, na verdade o impacto recessivo das medidas de austeridade e a revisão, "para pior", da conjuntura internacional têm afectado significativamente o esforço de consolidação orçamental, nomeadamente a redução do défice e a contenção do crescimento da dívida pública.

"Neste contexto, as metas iniciais do défice público revelaram-se uma impossibilidade e acabaram por ser revistas. Agora prevê-se que apenas em 2015 Portugal deixará de se encontrar numa situação de défice excessivo", frisou, ressalvando, contudo, que é "um sinal positivo" o défice primário estrutural ter sofrido uma redução de seis pontos percentuais do PIB nos últimos dois anos.

A propósito da redução do défice, Cavaco Silva aproveitou para deixar a 'sugestão' de que, após a intervenção externa, "poderá ser preferível fixar limites ao crescimento da despesa pública, os quais, sendo mais fáceis de avaliar, tornam o processo de consolidação orçamental mais credível e transparente".

É preciso uma reflexão “serena e objectiva” sobre programa da “troika”
O Presidente da República propôs esta quinta-feira uma reflexão "serena e objectiva" do programa de assistência financeira, sublinhando que, apesar das consequências gravosas, há que reconhecer os objectivos alcançados e o sentido de responsabilidade revelado pelos portugueses.

"É indiscutível que a execução do programa tem revelado consequências gravosas, que se fazem sentir duramente no dia-a-dia dos portugueses, em especial daqueles que não têm emprego”, começou por dizer. Mas, acrescentou Cavaco, “com idêntica imparcialidade devemos também reconhecer os objectivos alcançados", afirmou o chefe de Estado.
Fonte: aqui

terça-feira, 23 de abril de 2013

Mas os penáltis devem marcar-se

 
Com a aproximação  do fim do campeonato, as paixões estão ao rubro. E estas toldam a razoabilidade dos factos.
O Benfica- Sporting do último domingo é um caso eloquente. Pouco se fala do jogo, porque o protagonismo foi dado ao árbitro João Capela. Na comunicação social escrita e falada, não se fala de outra coisa. Basta ver os programas desportivos dos vários canais de televisão, ler os jornais da especialidade, passar pelos fóruns de debate existentes na internet.
 
"Mais do que a influência que poderiam ou não ter no desfecho, pois não há garantias de que os lances de eventuais grandes penalidades valessem golos, as decisões erradas de João Capela e o burburinho que criaram beliscaram a essência da partida.
A solidez do Benfica depois de aberta a porta, a maturidade evidenciada na gestão e a genialidade do modo como a vitória foi selada não devia ser posta em causa. Tão-pouco os leões mereciam ter na arbitragem o foco do desafio depois de 35 minutos sublimes e de outros nacos de bom futebol mostrados na Luz.
Jesualdo Ferreira leva 13 jornadas à frente do Sporting, Jorge Jesus está a quatro rondas de completar quatro épocas no comando do Benfica. A diferença teria sempre de ser visível, mas neste jogo era bom só ter de se falar do crescimento dos jovens leões, da postura que tiveram no dérbi, do modo como acreditaram no timoneiro e o passar do tempo lhes garantiu estarem cobertos de razão, que era aquele o caminho certo, que estavam a correr unidos e na direção certa. De igual modo fica prejudicado o elogio justificado pelo Benfica e a gama de soluções de que dispõe, a forma como Jorge Jesus, por dispor das armas adequadas, inverteu a tendência quando percebeu que Jesualdo lhe estava a passar a perna. Mas os penáltis devem marcar-se." (aqui)
 
Mas penso:
- Se aqueles erros da arbitragem acontecessem num jogo em que atuasse o Porto e o Porto fosse o beneficiado, tínhamos meses nalguma comunicação social a falar do assunto e títulos bombásticos na 1ª página. Como o beneficiado foi o Benfica, há que tossir para o lado por parte de imensos comentadores de coração encarnado que pululam na comunicação social.
- Não tenho dificuldades em admitir que o Benfica, na maioria dos jogos deste campeonato, foi mais eficaz, mais espetacular, mais maduro, teve mais soluções de qualidade e um técnico competente e experiente. Por isso, penso que a possível vitória dos encarnados neste campeonato prescindia bem de certos erros de arbitragem que os favoreceram.
- O meu Porto, que por erros próprios, como algumas vezes tenho assinalado, poderá perder o título, tem neste momento mais pontos do que tinha o ano passado em altura igual da época. Isto também demonstra que o Benfica aprendeu com os seus erros e os superou. Aprecio, contudo, que o meu Clube não "deite a toalha ao chão" e continue a dar luta até ao fim. Os campeões são desta raça!
- Se o deixarem e ele quiser continuar, Jesualdo pode fazer um bom trabalho em Alvalade. Tem lá um grupo de jovens atletas de grande futuro. Experiente, metódico, conhecedor, Jesualdo pode fazer um trabalho de muita qualidade no Sporting. Nunca fui um "jesualdista" quando este técnico passou pelo Porto. Parecia-me demasiado medroso para um equipa com grandes ambições,  que precisava de conjugar bem frieza com ousadia. Mas para uma equipa com tantos valores jovens e a precisar de crescer, Jesualdo está nas suas sete quintas.
- Pinto da Costa, tenha os defeitos que tiver, sabe imenso de futebol como quem sabe reconhece e parece estar em forma. Vai candidatar-se a mais um mandato. Então esperem por ele...Eu espero e confio. Vai haver mudanças naquela casa para melhor.

Denúncias de Catalina Pestana deram em nada

Fonte: aqui

sexta-feira, 19 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

ALGUÉM PERCEBE ESTE PAÍS?

Vendas de automóveis crescem em Portugal e em mais cinco países
   
A venda de veículos ligeiros de passageiros na União Europeia registaram no primeiro trimestre de 2013 abrandamento de 9,8%para um total de 2.989.486 unidades, de acordo com os dados da Associação de Construtores Europeus de Automóveis (ACEA).

Portugal está entre os cinco países da União Europeia em que a venda de carros subiu no primeiro trimestre do ano, enquanto que todos os outros países membros continuam em queda. No primeiro trimestre vendas de automóveis em Portugal subiram 2,7%, quando comparado com o mesmo período de 2012. A acompanhar esta tendência de subida estão o Reino Unido (+7,4%), a Estónia (+16,2%), Bélgica (+0,5%) e a Dinarmarca (+2,9%).

Os maiores mercados obtiveram quedas de dois dígitos, como Espanha (-11,5%), Alemanha (-17,1%), Itália (-13%) e França (-14,6%), aqueles que mais contribuíram para o desempenho negativo a nível europeu.
 
COMPARE PORTUGAL COM OS OUTROS PAÍSES SOB ASSISTÊNCIA FINANCEIRA
Entre os países da União Europeia que enfrentam assistência financeira para além de Portugal, o Chipre lidera as quebras nas vendas no trimestre, com -41,6%, logo seguido da Grécia (-17,7%) e Irlanda (-13,8%).
Fonte: aqui

terça-feira, 16 de abril de 2013

Os câmara boys

As câmaras municipais são as maiores agências de emprego do País.

A integração de "boys" partidários nos quadros de pessoal das câmaras e empresas municipais é regra e, com a aproximação da data das eleições autárquicas, adivinha-se um despautério de admissões e nomeações em catadupa.
Esta situação é particularmente expressiva no que diz respeito aos dirigentes que, nas juventudes partidárias, organizam as campanhas eleitorais e arregimentam votos. Uma vez instalados nos seus "tachos", continuam por norma a trabalhar ao serviço dos partidos, mas remunerados à custa dos municípios. Ao longo dos últimos anos, este fenómeno agravou-se de tal forma que algumas empresas municipais mais parecem sedes partidárias dissimuladas.
Contudo, é nos municípios mais pequenos, alguns com apenas quatro ou cinco mil eleitores, que este problema se torna ainda mais grave e dramático no plano social. Nesses municípios, a obtenção de um qualquer emprego, ou a promoção numa função, depende quase exclusivamente do presidente de câmara local. Isto porque o maior empregador no concelho é a câmara; o segundo maior é, por regra, a misericórdia local ou alguma instituição de solidariedade, que atua em conúbio com o poder autárquico. Segue-se-lhes a administração central descentralizada, de forte dependência política, ou eventualmente uma empresa de média dimensão… amiga da câmara. Com esta estrutura de emprego, só o presidente de câmara e os caciques que dele dependem conseguem atribuir empregos que, em regra, beneficiam afilhados e familiares do presidente, os militantes do partido e os apaniguados das redes clientelares. Claro que a sua seleção raramente resulta do seu currículo ou das suas competências.
Estas práticas reiteradas, nomeadamente nos pequenos concelhos do interior, consolidam, na maioria do território nacional, a ideia de que o estudo, a formação e o esforço de nada adiantam. Fazem vingar a tese de que a qualidade do desempenho é irrelevante para ocupar um qualquer cargo. A qualidade não constitui critério de escolha de colaboradores, ou de progressão nas carreiras. A estrutura de recursos humanos está invertida. O profissionalismo foi dizimado pelo clientelismo.
Por: Paulo Morais, Professor Universitário, aqui

Tem piada...

A calúnia

As mãos e os lábios

sábado, 13 de abril de 2013

A culpa é dos juízes

Ao anúncio de que a troika está de regresso para discutir novos cortes, o ministro Gaspar responde com um despacho a proibir despesas sem a sua explícita ordem. Nada mal para a imagem externa. Mas, para consumo caseiro, a realidade é bem diferente. Ignorando o rigor orçamental, o Governo valida um salário mensal de dez mil euros para o presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público e de 7960 e 6998 euros para os dois vogais. Ora aí está mais uma eficiente resposta à crise, convertida numa medida capaz de dar alento a todos aqueles a quem são pedidos esforços extremos.
A resolução, publicada esta semana em Diário da República, tem efeitos retroativos a 2 de setembro do ano passado, e a autorização é justificada com a "especial complexidade técnica, exigência e responsabilidade" exigíveis ao conselho diretivo da Agência.
Por muita qualidade e competência dos envolvidos, é difícil entender como num país alvo de intervenção financeira e com um salário mínimo inferior a 500 euros, gestores públicos recebem valores deste calibre.
Pretende Vítor Gaspar ser levado a sério? Ou, de novo, tudo acontece por culpa dos juízes do Constitucional?
Paulo Fonte, aqui

quinta-feira, 11 de abril de 2013

O magnésio

 O papel do mineral chamado magnésio na saúde é variado. Participa nas formação de dentes e ossos, ajuda na transmissão de impulsos nervosos, intervém no relaxamento muscular e na produção de energia celular. Em caso de carência, verificamos sintomas de espasmos musculares, podendo mesmo alcançar um estado agravado de contracção generalizada – tetania.
Aconselha-se um aumento de magnésio em casos de diarreias, mau funcionamento dos rins ou alcoolismo, visto poderem existir perdas relevantes relacionadas com a urina ou fezes.
 De acordo com diversos estudos, muitos países, incluindo os desenvolvidos, têm maior deficiência de magnésio hoje do que há 10 anos. Esta deficiência deve-se , em parte, ao aumento dos alimentos processados, particularmente dos carboidratos. A deficiência também pode ser causada por outros factores, como o excesso de álcool, cafeína, o consumo de açúcar, bem como pelo processo de envelhecimento inevitável.
       A deficiência de magnésio pode causar uma série de complicações com sintomas, como cãibra, fadiga,  irritabilidade, insónias, perda de memória, entre outros.
        O magnésio ajuda na manutenção de ossos fortes e saudáveis, além da regulação da absorção e uso de minerais.
        As fontes de magnésio a partir dos alimentos são amêndoas, nozes, frutas, leite, cereais em grão e vegetais. Existem também suplementos de magnésio à venda.
Fonte: aqui

terça-feira, 9 de abril de 2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Padre António Vieira, cidadão do futuro

 
Desde 1851, tentou-se 15 vezes editar a obra completa do Padre António Vieira. Finalmente, até final de 2014, os 30 volumes dedicados ao «imperador da língua portuguesa» estarão nas livrarias. Um enorme projecto que teve o apoio de 500 mil euros da Misericórdia de Lisboa.
 
Fernando Pessoa confessou ter chorado ao lê-lo em criança e chamou-lhe «imperador da língua portuguesa». José Saramago defendeu que «a língua portuguesa nunca foi mais bela que quando a escreveu esse jesuíta». Alexandre Herculano aconselhava os jovens escritores do romantismo incipiente a «tomar caldinhos de Vieira». No caso do Padre António Vieira (1608-1697) e da sua obra, toda a exaltação será justa.

Pregador sacro, foi também homem de acção e de política, pragmático e tenaz, um pioneiro, um visionário. Nenhum outro conseguiu tal equilíbrio sereno mas engenhoso entre a orgânica cursiva das ideias e a propriedade e expressividade da linguagem, graças a um magistral domínio da língua. Se não, faça-se-lhe jus e leia-se o seguinte fragmento do Sermão do Espírito Santo, de 1657: «Arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas, tosca, bruta, dura, informe e, depois que desbastou o mais grosso, toma o maço e o cinzel na mão e começa a formar um homem; primeiro, membro a membro e, depois, feição por feição, até à mais miúda. Ondeia-lhe os cabelos, alisa-lhe a testa, rasga-lhe os olhos, afila-lhe o nariz, abre-lhe a boca, torneia-lhe o pescoço, estende-lhe os braços, espalma-lhe as mãos, divide-lhe os dedos, lança-lhe os vestidos. Aqui desprega, ali arruga, acolá recama. E fica um homem perfeito, e talvez um santo que se pode pôr no altar». Assim também e após séculos de recepção conturbada, renasce o Padre António Vieira e a sua obra, por fim em forma completa, num dos maiores empreendimentos da história editorial portuguesa.

30 volumes e textos inéditos

São 30 volumes, mais de 12 mil páginas, entre elas cerca de três mil traduzidas do latim e 3700 inéditas ou parcialmente inéditas, fruto do trabalho de uma equipa de 32 especialistas-coordenadores e 20 investigadores-assessores, portugueses e brasileiros. Projecto liderado pela Reitoria da Universidade de Lisboa, dirigido por José Eduardo Franco e Pedro Calafate, investigadores desta universidade, e editado pelo Círculo de Leitores, a Obra Completa do Padre António Vieira será publicada ao ritmo de um volume por cada dois meses, até ao final de 2014.

A edição, destinada ao grande público, dividir-se-á em quatro tomos: Epistolografia, cinco vols. de cartas; Parenética, 15 vols. de sermões e oratória; Profética, seis vols. de textos proféticos; Varia, quatro vols. que incluem escritos dispersos e diversos, entre eles, textos poéticos, dramatúrgicos, de viagens ou apócrifos. Acabam de chegar às livrarias o primeiro volume da Epistolografia, composto por Cartas Diplomáticas (sobretudo dirigidas ao Marquês de Niza) e com coordenação de Carlos Maduro, e os volumes VI e V do tomo III da Profética, com coordenação de Pedro Calafate e contendo os livros primeiro, segundo e terceiro de A Chave dos Profetas, a obra magna de Vieira (morreu enquanto a escrevia), pela primeira vez traduzida na íntegra do latim.

‘O melhor de’ em dez línguas

José Eduardo Franco atribui a esta Obra Completa a afirmação de um «Vieira global». Explica: «Vieira inscreve-se na melhor tradição universalista da cultura portuguesa. Teve uma vida imensa, viajou por muitos países e adquiriu uma visão muito abrangente da experiência humana do seu tempo, cobrindo quase todo o século XVII e toda a humanidade então conhecida. A publicação completa da obra permite o entendimento global do seu pensamento e da sua intervenção missionária e diplomática». Por outro lado, o projecto da Obra Completa terá uma segunda fase, de produção para fins pedagógicos de um dicionário multimédia dos grandes temas abordados e tratados por Vieira, e uma terceira fase, de criação de uma selecta de 400 páginas dos melhores textos, traduzida em cerca de dez línguas (entre elas, o russo, o japonês e o mandarim). «Infelizmente, nós, portugueses, somos mais diligentes a importar pensamento. Revalorizar e internacionalizar a obra do maior prosador de língua portuguesa é fazer serviço, no contexto actual, aos grandes problemas da história da cultura».

Em sintonia com uma histórica falta de investimento financeiro na edição de fontes primárias dos nossos grandes clássicos, o Ministério ou a Secretaria de Estado da Cultura apenas concederam a este projecto apoio formal no acesso a documentação. José Eduardo Franco esclarece que a viabilização foi garantida pelo patrocínio do principal mecenas, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no valor total de 500 mil euros e disponibilizado até 2016.

Indiana Jones do seu tempo

Tentada 15 vezes desde 1851, a edição da obra completa abrirá espaço para uma biografia completa. Assim o deseja o romancista e ensaísta Miguel Real, autor de Padre António Vieira e a Cultura Portuguesa e do romance O Sal da Terra (sobre a vida de Vieira). Responsável pela introdução ao segundo volume de Epistolografia, garante que este proporcionará, por exemplo, «um maior conhecimento da sua defesa dos índios do Maranhão ou dos esforços de amigos em defendê-lo da Inquisição». José Eduardo Franco salienta que, a partir da Obra Completa, Vieira poderá ser ensinado de outra forma nas escolas portuguesas, onde hoje surge apenas no 11.º ano, pela leitura obrigatória de excertos do Sermão de Santo António aos Peixes: «A iniciação poderá ser feita, por exemplo, a partir das relações de viagens, que o mostram como uma espécie de Indiana Jones das missões e que dariam até um notável filme de aventuras».

Missionário apaixonado, Padre António Vieira é também menos conhecido como político e crítico social, capaz de espantoso e ainda actualíssimo realismo. Através das cartas, José Eduardo Franco distingue-o mesmo como «pensador anti-crise», isto é, «preocupado com a história de Portugal do momento, empenhado na viabilidade e independência do país e autor de ideias e sugestões completas».Vieira criticou a intolerância religiosa, a corrupção ou as discrepâncias entre ricos e pobres, defendeu os índios e os judeus. Muitas das suas propostas inovadoras soçobraram, «mas, pasme-se, o Marquês de Pombal, seu detractor, aplicará afinal muitas delas», firmando-o como um iluminista avant la lettre. Em A Chave dos Profetas, descobrimo-lo também na plenitude da sua utopia profética reconciliadora dos homens. Tal como defendeu o catedrático Aníbal Pinto de Castro, Vieira «projectou uma cidadania global do futuro». Através da Obra Completa, poderemos por fim apreender a extensão da riqueza e coragem da sua cruzada.
Fonte: aqui

sábado, 6 de abril de 2013

Carta de uma alentejana

 Ponho-te estas poucas linhas que é para saberes que tôu  viva.
Escrevo devagar porque sei que não gostas de ler depressa. Se  receberes esta  carta, é porque chegou. Se ela não chegar, avisa-me que eu  mando outra.
O tê pai leu no jornal que a maioria dos acidentes ocorrem a  1 km de casa. Por isso, mudámo-nos pra mais longe.
Sobre o casaco que  querias, o tê tio disse que seria muito caro mandar-to pelo correio por causa
dos botões de ferro que pesam muito. Assim, arranquei  os botões e meti-os no  bolso. Quando chegar aí prega-os de novo.
No outro dia, houve uma  explosão na botija de gás aqui na cozinha. O pai e  eu fomos atirados pelo ar  e caímos fora de casa. Que emoção: foi a primeira  vez em muitos anos que o tê  pai e eu saímos juntos.
Sobre o nosso cão, o Joli, anteontem foi  atropelado e tiveram de lhe cortar  o rabo, por isso toma cuidado quando  atravessares a rua.
Na semana passada, o médico veio visitar-me e colocou  na minha boca um tubo  de vidro. Disse para ficar com ele por duas horas sem  falar. O tê Pai  ofereceu-se para comprar o tubo.
Tua irmã Maria vai  ser mãe, mas ainda não sabemos se é menino ou menina.  Portanto, nã sei se
vais ser tio ou tia.
O tê mano Antóino deu-me hoje muito trabalho. Fechou  o carro e deixou as  chaves lá dentro. Tive de ir a casa, pegar a suplente  para a abrir. Por  sorte, cheguei antes de começar a chuva, pois a capota
estava em baixo.
Se vires a Dona Esmeralda, diz-lhe que mando lembranças.  Se nã a vires, nã  digas nada.
Tua Mãe Mariana

PS: Era para  te mandar os 100 euros que me pediste, mas quando me lembrei já  tinha fechado
o  envelope.

(Enviado por email)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Madonna vende arte para ajudar meninas a ir à escola


A cantora quer continuar a financiar projetos dedicados à educação de raparigas
A cantora quer continuar a financiar projetos dedicados à educação de raparigas Fotografia © Reuters
Madonna vai leiloar um quadro do artista francês Fernand Leger para financiar projetos de educação de raparigas em países como o Afeganistão ou o Paquistão, informou a casa de leilões Sotheby's.
O quadro, Três mulheres na mesa vermelha, deverá, segundo a leiloeira, atingir valores entre os 5 e 7 milhões de dólares, e os fundos serão destinados aos projetos da Fundação Ray of Light para a educação de raparigas, anunciou a Sotheby's em comunicado.
Também através de uma nota, Madonna afirmou que "não posso aceitar um mundo onde as mulheres ou as meninas são feridas, baleadas e assassinadas por ir à escola ou por ensinar em escolas de raparigas".
O quadro fará parte do leilão de arte impressionista e moderno que a Sotheby's realizará em Nova Iorque no dia 7 de maio. Madonna adquiriu a obra em 1990, precisamento através de um leilão desta empresa.
Fonte: aqui