quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Uma Mensagem à Papa Francisco

Já não escravos, mas irmãos


A Mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz (1 de janeiro de 2015)

Vala a pena ler e reler.
Aqui

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Ano novo, vida nova


A passagem de ano deve fazer-nos reflectir se estamos no bom caminho ou precisamos de mudar alguma coisa. As empresas fazem uma retrospectiva dos objectivos alcançados ou não e planeiam um aperfeiçoamento desse rumo ou mesmo uma mudança de estratégias, visando um futuro melhor.
Ano novo vida nova! Mas será que realmente temos a coragem e a vontade de modificar alguma coisa na nossa vida, ou simplesmente vamos continuar a manter o mesmo paradigma da rotina do dia-a-dia, em que deixamos o tempo passar e a vida correr, sem nada fazer para melhorar o nosso comportamento em relação aos outros, sobretudo ajudando a que o nosso mundo seja um pouco melhor?
Mais uma vez o Papa chama a atenção para o problema da paz. E este não é só uma questão de guerras entre as nações e de conflitos mais ou menos localizados. É também ausência de condições mínimas de sobrevivência por parte de milhões de pobres e doentes, por causa da ganância de indivíduos e grupos sociais. Para além da falta de respeito pela vida alheia.
Nem tudo está ao nosso alcance, mas podemos ajudar no que nos é possível para tornar o mundo melhor. Procuremos todos que este seja um ano de mudança, a caminho de um mundo mais justo e mais fraterno.
In O Amigo do Povo

El obispo de Amberes pide a la Iglesia que reconozca las relaciones homosexuales

Aboga por "una diversidad de formas de reconocimiento en la Iglesia"
El obispo de Amberes, Johan Bonny, es partidario del reconocimiento por parte de la Iglesia católica de las relaciones homosexuales y bisexuales, según explica en una entrevista que publica hoy el diario flamenco De Morgen.
En ella, el obispo cuestiona el dogma según el cual la Iglesia sólo reconoce las relaciones entre las parejas formadas por un hombre y una mujer.
"Debemos buscar en el seno de la Iglesia un reconocimiento formal de la relación que también está presente en numerosas parejas bisexuales y homosexuales. Al igual que en la sociedad existe una diversidad de marcos jurídicos para las parejas, debería también haber una diversidad de formas de reconocimiento en el seno de la Iglesia", ha señalado.
El obispo de Amberes es el probable sucesor del presidente de la Conferencia Episcopal belga, el arzobispo André-Joseph Léonard, quien tiene previsto retirarse en 2015.


Fonte: aqui

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Natal Chique

Percorro o dia, que esmorece
Nas ruas cheias de rumor;
Minha alma vã desaparece
Na muita pressa e pouco amor.

Hoje é Natal. Comprei um anjo,
Dos que anunciam no jornal;
Mas houve um etéreo desarranjo
E o efeito em casa saiu mal.

Valeu-me um príncipe esfarrapado
A quem dão coroas no meio disto,
Um moço doente, desanimado...
Só esse pobre me pareceu Cristo.

Vitorino Nemésio (1901-1978)

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Natal da mentira


É Natal!Tempo de alguns políticos
andarem à caça
dos votos dos incautos,
aproveitando-se dos bons
sentimentos,
incensando
a caridade.

É Natal!
Época para os angariadores
de donativos
cobiçarem a carteira
dos ingénuos,
sugerindo
o arredondamento
das compras.

É Natal!
Paraíso do marketing
que engendra o mais eficaz
bombardeamento
da publicidade,
metralhando crianças,
torpedeando pais,
fustigando o amargo
quotidiano destes dias
de injustiças vorazes.

É Natal!
Que ternura saber que
os beneméritos
administradores
das multinacionais
aliviam os impostos
com dinheiro alheio!

É Natal! É Natal!

É Natal!
quadra para todos
os embusteiros
se servirem de ti,
rezando:
venha a nós a tua bolsa,
compra isto e mais aquilo
gasta agora, paga depois...

É Natal!
Porém, não tenhas dúvidas.
Eu falo de outra coisa
que não existe na troca
de postais e presentes,
ou na dentada
naquele chocolate,
na filhós,
na fatia de bolo-rei...

...porque há quem passe fome,
quem esteja doente
e os flagelos do desemprego,
da guerra,
do espezinhamento
dos direitos mínimos,
ditos humanos,
é uma notícia banal...

...por isso, até haver paz
liberdade
e fraternidade,
nunca poderá ser Natal!

Luís Filipe Maçarico (poema)
In AGUAS DO SUL

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Produtos naturais para o reumatismo

Há muitas espécies de reumatismo e os medicamentos para o tratar são quase sempre muito prejudiciais para o resto do organismo humano. Quando se tem reumatismo, dores das articulações, ácido úrico ou até gota, podemos resolver isso de forma natural que alivia bastante, sem ter que estar sempre a tomar químicos. Para isso faça o seguinte:
Vinagre de sidra – Ponha a quantidade de um copo de água a aquecer e depois de a água estar quente adicione 1 colher de chá de vinagre de sidra. Deixe arrefecer e beba esta mistura todos os dias e ao fim de um certo tempo vai-se sentir muito mais aliviado.
Abacaxi – Esta fruta é rica em vitamina C e alivia o reumatismo. Recomenda-se consumir o abacaxi logo que ele seja aberto, na sua forma natural ou cortá-lo em pedaços e congelá-los em pequenos sacos próprios para congelação. Depois é só retirar o abacaxi congelado do congelador instantes antes de o consumir.
O sumo de abacaxi com hortelã recém preparado também é uma óptima receita para quem quer variar a forma de comer abacaxi para vencer o reumatismo.

Chá de urtiga – Encha uma xícara de folhas de urtiga picadas e leve ao lume com igual volume de água. Deixe ferver durante uns 5 minutos, coe e beba todos os dias. Este chá actua nas glândulas supra renais e nos rins, facilitando a eliminação do ácido úrico que está relacionado com as doenças reumatológicas.
Nota: Nos dias em que tomar um produto destes, não precisa de tomar os outros.
Fonte: aqui

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

sábado, 6 de dezembro de 2014

Coisas da vida...




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Marido inteligente


Um casal entra num conhecido restaurante do Porto e encontra-se com um grupo de amigos. Um deles dirige-se ao marido:
- Olá Pedro, como estás?
O marido responde: ...
- Mal, tenho sida. O médico deu-me apenas uns meses de vida.
O amigo despede-se e fica todo encavacado.
A mulher diz ao marido em voz baixa:
- Pedro, não sejas parvo! Como é que dizes às pessoas que tens sida se tu o que realmente tens é cancro nos pulmões?
O marido responde:
Eu morro de qualquer forma, mas a ti... ninguém te "come"!!!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Real Madrid tira a cruz do escudo: intolerância religiosa no desporto?


Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, chegou a um acordo com o Banco Nacional de Abu Dabi para criar cartões bancários com o escudo do clube. A polêmica surgiu quando, na apresentação dos cartões, verificou-se que o escudo do time havia sofrido uma leve modificação: a cruz do topo do escudo havia sido eliminada. Não é a primeira vez que os “petrodólares” tentam mudar a identidade cristã de um clube, mas é a primeira vez que o conseguem.

Mais de duas mil pessoas pediram ao presidente do Real Madrid que retifique isso e não elimine a cruz do escudo nos países árabes. A porta-voz da associação Enraizados, Maria Isabel Moreno, mostra que se trata de “um desprezo pelos cristãos perseguidos no mundo” e pelos “800 mil cristãos que residem nos Emirados Árabes”. Segundo a associação, “estão desprezando as raízes cristãs da civilização europeia e dando as costas para a história do clube”.

Barcelona e Inter já sofreram a pressão do mundo árabe

O do Real Madrid não é o primeiro caso de pressão por questões religiosas. O futebol às vezes também se encontra com a intolerância religiosa daqueles que não permitem a liberdade e pretendem impor suas ideias pela força.

Por exemplo, na Arábia Saudita e na Argélia, uma pessoa não pode comprar uma camiseta do Barcelona com a cruz de Sant Jordi. A cruz simplesmente desapareceu. A cruz vermelha sobre o fundo branco de Sant Jordi, que durante mais de um século foi usada por todos os jogadores e torcedores do time foi suprimida pelos muçulmanos daqueles países.

Segundo o jornal La Vanguardia, desde 2008, nenhuma loja da cidade de Riad (Arábia Saudita) vende artigos com a cruz. Todas as camisas e adesivos têm uma barra vertical na parte superior esquerda. O clube afirma que não são camisas oficiais, mas apenas falsificações feitas para evitar o símbolo religioso.

Outro exemplo: em uma partida da Champions League e na Turquia, o Fenerbahce Turco reclamou ao Inter de Milão pelo fato de usarem uma cruz vermelha sobre um fundo branco, que comemorava o centenário da entidade.

Era algo inconcebível, equivalente a proibir a meia lua turca nos estádios de futebol, ou as bandeiras da Inglaterra ou Georgia, que têm até cinco cruzes vermelhas sobre o branco da sua bandeira. Era como pretender que Portugal ou a Lituânia não usassem a cruz de São Jorge, seu padroeiro, em sua camisa.

Vender-se ao melhor patrocinador

Como todos sabem, o futebol é um negócio. Os jogadores são mercadoria à mercê dos clubes; as camisas mudam de cor segundo interesses promocionais; os horários dos jogos são estabelecidos pelos canais de televisão; e inclusive os nomes dos estádios são leiloados.

Mas o futebol também é um sentimento, a pertença a umas cores, a defesa de uma cidade ou de um conjunto de valores. A decisão do Real Madrid de tirar a cruz do escudo fere profundamente seus torcedores, sobretudo os cristãos que sofrem perseguição no mundo árabe.

Eliminar a cruz do escudo do Real Madrid não é uma questão de moda. É um atentado contra a liberdade religiosa, um insulto para todos os cristãos que vivem perseguidos nesses países, e um exemplo de como o dinheiro pode levar à perda da identidade de um clube que se orgulha de ser um dos maiores do mundo.
Fonte: aqui

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A professora tirou-me do Presépio! A Virgem agora é a Luísa. Eu vou ser a vaca!!!!


A família jantava tranquilamente quando, de repente, a filha de 12 anos comenta:
-Tenho uma má notícia. Já não sou virgem! Sou uma vaca! E começa a chorar convulsivamente, com as mãos no rosto.
Silêncio sepulcral na mesa! De repente, começam as acusações mútuas:
- Estava-se mesmo a ver! - diz o marido à mulher. - É por te vestires como uma vadia e arregalares o olho ao primeiro imbecil que vês na rua. Claro que isto tinha que acontecer, com o exemplo de mãe que a menina vê todos os dias!
Vai daí o pai aponta também para a outra filha, de 25 anos
- E tu também, que ficas no sofá a lamber aquele palhaço do teu namorado que tem é pinta de chulo, na frente da menina?
A mãe não aguenta mais e grita:
- Ai é?!... E quem é o idiota que gasta metade do ordenado com vadias e se despede delas à porta de casa? Ou pensas que eu e as meninas somos cegas? E, ainda por cima, que belo exemplo dás desde que assinas esta maldita TV cabo! Passas todos os fins-de-semana a ver pornografia de quinta categoria e depois acabas na casa de banho com gemidos e grunhidos?
Desconsolada e à beira de um colapso, com os olhos cheios de lágrimas e a voz trémula, a mãe pega na mão da filhinha e pergunta-lhe baixinho:
- E como é que isso aconteceu, minha filha?
Entre soluços, a menina responde:
- A professora tirou-me do Presépio! A Virgem agora é a Luísa. Eu vou ser a vaca!!!!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O leitor tem opinião sobre o caso José Sócrates? Não tenha

O leitor tem opinião sobre o caso José Sócrates? Não tenha. Isso configura um delito de julgamento na praça pública. A não ser que ache que José Sócrates está a ser vítima de justicialismo. Nesse caso, tem licença de porte de opinião. Para não haver dúvidas, aqui vai uma cartilha com o que é admissível pensar:
a) Avaliar a hipótese de José Sócrates ser culpado? Não se pode.
b) Levantar dúvidas sobre a idoneidade do juiz Carlos Alexandre? Pode-se.
c) Questionar as reais motivações do procurador Rosário Teixeira? Pode-se.
d) Sugerir que Joana Marques Vidal orquestrou este charivari? Pode-se.
e) Desconfiar de um propósito tenebroso do sistema judicial? Pode-se.
f) Suspeitar de manipulação obscura pela comunicação social? Pode-se.
g) Insinuar que o Passos Coelho lucra com isto? Pode-se.
h) Alvitrar que Portas é que devia ir preso por causa dos submarinos? Pode-se.
i) Considerar que Cavaco Silva tem negócios ilícitos com os seus amigos do BPN? Pode-se.
j) Conjecturar que isto é tudo uma cabala montada pelo PSD para distrair dos vistos gold? Pode-se.
Em termos de limitação à liberdade de opinião, só é proibido achar que José Sócrates pode ser culpado. Quem violar esta disposição tem de se haver com a brigada de trânsito em julgado. De resto, é tudo debatível.
Mas mesmo a defender José Sócrates há que ter cautela. Por exemplo, João Soares disse que "excepto por crime de sangue, em flagrante delito, não aceito a prisão (…) de um ex-primeiro-ministro como José Sócrates". Precipitou-se. Mesmo segurando arma pingona de sangue cravada em cadáver, nunca se aceitaria a detenção de Sócrates. A presunção de inocência manter-se-ia. Possivelmente seria legítima defesa. Ou um acidente. Ou, o mais provável, uma armadilha da suposta vítima que se lançara contra Sócrates enquanto este cortava o pão, para se empalar 17 vezes na faca e incriminar quem só desejava fazer uma sandes mista.
Entretanto, debrucemo-nos à enorme parcialidade demonstrada pela Justiça. De todos os ex-primeiros-ministros vivos, por acaso detiveram Pinto Balsemão no aeroporto por suspeitas de corrupção no caso Cova da Beira? E à chegada de que voo é que incomodaram Mário Soares a propósito da falsificação de documentos da Licenciatura em Engenharia? Ou Cavaco Silva, por alegada troca de favores no caso do TagusPark? E Guterres por beneficiar de um RERT por ele aprovado? Já para não falar de Durão Barroso, pelo Face Oculta, e Santana Lopes, pelo Freeport. Porque é que tinham de embirrar logo com este?
Num ranking de sanha persecutória, José Sócrates entra directo para o top 5 dos mais injustiçados da História. Neste momento, a tabela organiza-se assim: 5) Bruxas de Salém; 4) Capitão Dreyfus; 3) Galileu; 2) José Sócrates [nova entrada]; 1) Jesus Cristo. Apesar de uma detenção no Jardim de Getsémani ser menos maçadora do que na manga de desembarque de um voo TAP, e mesmo tendo em conta que, na verdade, Jesus estava mesmo a pedi-las, o Nazareno continua à frente porque a sua condenação injusta originou a maior religião do mundo. Mas José Sócrates ainda tem tempo.
José Diogo Quintela
Público, 2014.11.30 

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Pobres, por amor a Jesus

Não sei onde nasceu a Congregação da Pequena Flor. Mas sei que ela nasceu em 1947 e tem actualmente, na Índia, 260 sacerdotes, que pretendem ser como uma pequena flor no deserto. E há outros – não sei quantos – que estão noutros países pobres.

Os rapazes, que aceitam ser padres na Congregação da Pequena Flor, têm de abraçar a pobreza para serem iguais aos mais miseráveis, para assim lhes falarem de Deus. Eles irão espalhar-se por zonas pobres e onde o cristianismo ainda não penetrou. E viverão em barracas como quase todos os que habitam nessas zonas. Mas isso não importa. Para os padres da Congregação da Pequena Flor, inspirada no carisma de Santa Teresinha do Menino Jesus, o que conta mesmo é a sua presença, pois podem ajudar os mais pobres e miseráveis e, vivendo como eles, mostram o verdadeiro despojamento que deve nortear todos os que seguem a Cristo. E isso vale mais do que todas as catequeses. E eles estão ali e oferecem tudo o que têm: a começar pela simpatia do sorriso, pela gentileza dos gestos de quem se torna vizinho para partilhar a pobreza, as dificuldades dos dias.

Na índia, em muitos lugares, os cristãos são perseguidos, vítimas de intolerância, desprezados. Em muitos dos lugares onde se estabelecem os padres da Congregação da Pequena Flor, também há incidentes instigados por radicais hindus, mas a melhor resposta a esta violência é oferecida todos os dias pela gentileza de quem se oferece para ir buscar água, ou tomar conta de uma criança, ou auxiliar um idoso enfermo. Ou, até, para partilhar a fraca despensa. Esta congregação de padres que espalham a fé pelo sorriso já conquistou a Índia. Neste momento, há 42 seminaristas e 6 noviços que estudam, trabalham e rezam para serem pobres entre os pobres, miseráveis entre os miseráveis. Para levaram Cristo na vontade de servirem o outro.

E assim, pouco a pouco, conseguem atrair essa gente para Cristo.
In O Amigo do Povo

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A arte de educar os filhos

Apesar de quererem o melhor para os seus filhos, nem sempre os pais conseguem acertar no modo como os educam. É certo que o amor é o mais importante, mas nem sempre chega.

A seguir, damos nota de alguns erros que certos pais cometem:
1. Uso inadequado da autoridade. – Isso acontece quando a autoridade é concebida apenas em seus extremos: autoritarismo ou permissividade. Sem meio-termo. Mas um extremo é tão prejudicial quanto o outro e o ambiente educativo em ambos não ajuda em nada na formação da pessoa.
2. Incongruência entre o falar e o agir. – Este é um dos erros mais cometidos pelos educadores, sem que tenham consciência do seu alcance. Refere-se às famosas ameaças que nunca são levadas à prática, bem como às promessas que nunca são cumpridas. Um exemplo é quando os pais aplicam normas ou sanções que depois são ignoradas por eles mesmos, que não as cumprem e acabam cedendo. Isso indica que a autoridade é fraca e pode ser facilmente destruída.
3. Disparidade na autoridade. – A mãe diz uma coisa e o pai diz outra. Isso tira a autoridade aos dois, produzindo confusão nos filhos, que depressa encontram meio de fazer só aquilo que lhes agrada.
4. Superproteção. – Por exemplo, os pais defendem sempre os filhos mesmo quando sabem que eles são culpados. Ou fazem no lugar deles as tarefas que os filhos estão em perfeitas condições de executar com seus próprios meios.
5. Preencher vazios com elementos materiais. – Este é um fenómeno vivido em muitas famílias actuais; a falta de tempo para estar com os filhos é compensada com brinquedos, computadores, dinheiro... que têm como finalidade satisfazer a necessidade de carinho que os pais não podem oferecer aos filhos devido às suas ocupações.

Fonte: aqui

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

É a primeira vez na história...

A propósito da detenção aparatosa de José Sócrates no aeroporto internacional de Lisboa na manga do avião, está a tornar-se comum o enunciado de que “é a primeira vez da história da democracia portuguesa que um ex-primeiro-ministro é detido para prestar declarações no DCIAP”, ou seja, perante as entidades policiais com ligações à justiça.
Já este simples enunciado permite levantar uma pertinente dupla questão: Estará o sistema judicial a atuar numa perspetiva claramente direcionada a esta personalidade de modo ajustado ou de modo excecional, não havendo na história da democracia necessidade de agir de maneira semelhante com outros ex-primeiros-ministros e com outras altas figuras do Estado ou vontade judiciária (para não dizer política) de intervir?
Depois do caso de Timor, em que magistrados portugueses conseguiram levar à barra dos tribunais governantes em exercício e obtiveram condenações (coisa nunca concretizada em Portugal), fiquei com dúvidas sobre a boa consciência de isenção quanto à coincidência da oportunidade da detenção e constituição de arguido para onze figuras da alta roda do Estado.
Mas há mais outras questões que eu, cidadão comum, gostaria de ver esclarecidas.  
Não me esquecendo do aparato público que rodeou a detenção do então deputado Paulo Pedroso – em que o próprio juiz de instrução criminal Rui Teixeira foi em pessoa ao Parlamento solicitar o levantamento da imunidade do deputado – interrogo-me sobre a circunstância aparatosa desta detenção, à semelhança de algumas outras em passado recente. Já que essa detenção intempestiva e eventualmente aparatosa terá supostamente as suas razões inultrapassáveis por outra via, estas deveriam acompanhar a notícia da detenção e não somente o enunciado genérico da suspeição de crimes como corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais ou eventualmente outros. Depois, a detenção e as buscas nunca deveriam decorrer à luz das câmaras da Comunicação Social, sob pena de a presunção da inocência dos visados e a boa fé doa inquiridores se circunscrever ao figurino de letra morta.
Por outro lado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) viu-se na necessidade de produzir um comunicado. Ora, por que motivo é que o dito comunicado, referindo que tinham sido detidos e interrogados mais três cidadãos ligados ao mesmo processo, omitiu os seus nomes? Mas que motivo levou a vir a PGR, mais tarde, a revelar os ditos nomes: o do empresário Carlos Santos Silva, o do advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o do motorista João Perna, afinal todos de ração de proximidade com Sócrates?
Também a PGR vem esclarecer que este processo nada tem a ver com outros processos, designadamente o do Monte Branco. E porquê? Será que se trata de autojustificação para a ordem de destruição de escutas que mencionavam o nome de Sócrates, determinada pelo então Presidente do STJ, no caso do processo “Face Oculta”, ou a questão da menção discriminada das dezenas de questões a José Sócrates deixadas sem resposta por alegada falta de tempo para os procuradores ouvirem, no caso “Freeport”?
Entendo, embora não concorde, que, enquanto o senhor Sócrates era Primeiro-Ministro, os operadores judiciários sentissem alguma inibição em cercar as atividades do Chefe do Governo. No entanto, já lá vão mais de três anos, que não foram, pelos vistos, suficientes para proceder à investigações de ações ligadas a Sua Excelência.
Se foi uma comunicação bancária o único fator que levou a esta aparatosa e intempestiva detenção, que à semelhança de tantas outras vai invariavelmente ter à mesa inquisitória do Juiz de Instrução Criminal (TIC), Carlos Alexandre, em que uma diretiva europeia se sobrepõe ao instituto do sigilo bancário, então não posso admirar-me de que quem possui dinheiro não haja de ser tentado a colocá-lo algures na Suíça ou nas ilhas Caimão e, ainda, de que venha a ressuscitar-se a velha mania de o cidadão vir aguardar douradamente o seu pecúlio debaixo do colchão. Ademais, é chocante o modo como o segredo de justiça, talvez de aplicação excessiva, é sistematicamente violado e contraditoriamente invocado também sistematicamente para fugir à prestação de informação pública. No entanto, paralelamente à detenção destes homens de importância mediática, política e/ou administrativa, a informação de conteúdos bem graves, se verdadeiros, vem sendo debitada a parceiros privilegiados especiais como o Correio da Manhã e o Sol. Não. A PGR e/ou os serviços dos TIC deveriam habituar os cidadãos ao sistema de conferências de imprensa em que fossem prestadas todas as informações pertinentes em casos que o justificassem e fosse filtrado o que pertence e o que não pertence ao segredo de justiça, banindo de vez a prestação de informação anónima a destinatários privilegiados. Trata-se até de informação que os representantes dos putativos suspeitos não podem confirmar nem desmentir.
***
Tenho infelizmente de concordar com Pedro Santana Lopes, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que hoje considerou que a detenção de Sócrates, além de ser um facto “triste para Portugal”, levanta questões quanto ao “ponto a que o Estado chegou”. O político da Misericórdia referiu, na cidade da Guarda, à margem da Academia do Poder Local, que decorre até domingo, promovida pelos Autarcas Socialdemocratas (ASD) e pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, que nos últimos dias o país tem assistido a uma sucessão de factos que preocupam quanto à solidez da estrutura do Estado e ao modo como o Estado funciona, como “representa, defende e garante”.
Aqui, aproxima-se da visão do Bloco de Esquerda, que denuncia o chorrilho de detenções mediáticas ocorrido nos últimos dias e que, pelo putativo conteúdo, segundo Catarina Martins e João Semedo, é revelador de que não é só a fruta que está podre, mas também a própria cesta da fruta e até a própria frutaria.
Voltando a Santana Lopes, é certo que ele refere o óbvio. No entanto, são de registar aspetos curiosos:
“Aqui, pelo que a Procuradoria-Geral da República divulgou, estarão em causa atos pessoais no exercício de funções públicas, ou não, isso agora cabe à justiça tratar, mas eu penso que nos sentimos todos, naturalmente, eu diria, acabrunhados, tristes, é a melhor palavra, por aquilo que está a acontecer em Portugal”.
 
Santana, também antigo primeiro-ministro, deseja como todos, mas com modulação peculiar, “que se faça justiça, pelas pessoas, por Portugal, pelos portugueses”. E acrescenta que “a justiça está a funcionar, temos que nos congratular com isso, mas é evidente, ninguém pode ficar satisfeito com situações como aquelas que estamos a viver”. Reconhecendo que “nenhum Estado é perfeito”, contrapõe que “o nosso parece estar a funcionar e a tratar todos os cidadãos por igual, isto é um ganho”. É justamente da segunda parte da última afirmação que eu me permito discordar. Não, os cidadãos não são tratados de maneira igual nem pela Justiça nem pela população. O desgraçado que rouba a embalagem de leite no supermercado, se o caso chegar à barra do tribunal, é invariavelmente constituído arguido condenado; o dilapidador de instituição financeira ou perdulário do Estado mui raramente tem decisão condenatória transitada em julgado. Mas tivemos recentemente casos de indiciados certos por crimes violência doméstica e homicídio aplaudidos à entrada de tribunal e indiciados de eventuais crimes ainda mal definidos, mas de denominação sonante, enxovalhados à porta de um DCIAP.
O já mencionado antigo primeiro-ministro Santana Lopes, quando disse esperar “que se faça justiça” também sentenciou que, “se alguém pecou, se alguém errou, se alguém cometeu crimes, que pague, se não, também que seja respeitada a sua inocência”. Por outro lado, teme – penso que sem razão, já que ninguém o aponta a ele como suspeito de crimes contra o Estado – “que os portugueses olhem para a política, olhem para todo este espetáculo e depois tomem as pessoas todas pela mesma bitola”.
Os cidadãos não acreditam na política, não propriamente pelos crimes que os políticos possam ter cometido ou vir a cometer, mas sobretudo pela sua inépcia, ineficácia, arranjismo, despeito pelas promessas, autosserviço a partir da condição política e o desprezo pelo efetivo serviço à comunidade e pelo estado a que isto chegou e que Santa assim carateriza, com inegáveis marcas de oralidade:
“Nós atingimos um Estado de quase insolvência institucional, depois de um Estado praticamente de insolvência económica, e isso, as duas coisas misturadas, deve suscitar muitas preocupações e exige uma regeneração ética, acima de tudo, na sociedade portuguesa, sobre as regras que todos nós temos que seguir no exercício das nossas funções públicas, na comunicação, funções privadas, o que for, autarcas, poder central, porque há aqui qualquer, de facto, coisa que ruiu” (vd DN on line, de 22-11-2014).
***
No entanto, de positivo do dia de hoje fica para manhã a reação oficial equilibrada e calma dos diferentes partidos sobre a detenção de Sócrates, a entrega das questões de justiça à justiça, a crença na justiça e no seu tempo e percurso; e a deliberada e não afrontosa arrogância de que os políticos nada têm a ver com estas coisas; mas a clara assunção de que aos partidos cabe a ação política qua tali. E não se ouviram aquelas vozes displicentes, como é usual em adversários políticos, ou frenéticas, como as de Paula Teixeira da Cruz, de que ninguém está acima da lei e que temos a independência dos poderes, o que não era claro em governos interiores.
Por outro, lado, embora se registem declarações inconvenientes de alguns, como João Soares, Santos Silva ou Duarte Marques, também sobressaiu a justeza da legitimidade dos sentimentos e da amizade, mas com a exigência declarativa de que os sentimentos não podem interferir na ação política típica e obrigatória para os partidos e seus militantes – veiculada pelo novel secretário-geral do PS, precisamente no dia da sua entronização por pelo menos 96% dos seus correligionários políticos. Costa, além disso, rejeitou qualquer tentação estalinista de apagar a fotografia ou ações de qualquer um dos líderes do partido, bem como a tentativa de comentar procedimentos, ações e factos que somente cabe à Justiça apreciar e sobre eles tomar decisões.
Por mim, resta-me esperar que os poderes políticos (legislativo e executivo) alterem o sistema de concentração dos grandes casos abrangentes nas mãos de um só homem, o nervo quase único do “Ticão”, o juiz presidente do tribunal central de instrução criminal; e que os poderes políticos (legislativo, executivo e judicial), além da separação e interdependência, funcionem como verdadeiros contrapesos, no espírito com que foram estabelecidos, e se trave a evidente tendência histórica – predomínio do legislativo no século XIX, predomínio do executivo no século XX e predomínio do judicial no dealbar do século XXI.

2012.11.22
Louro de Carvalho

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O homem que salvou 669 crianças


Sir Nicholas Winton no Castelo de Praga em 2007

No ano de 1938, Nicholas Winton viu o seu plano de férias de fim de ano mudado, pois o seu amigo Martin Blake sugeriu que eles viajassem até à Checoslováquia, para se inteirarem dos problemas que aquele país estava a viver.
Ao entrar na Checoslováquia, Winton sentiu o clima de horror e medo, compreendeu o que o amigo tanto lhe queria mostrar. O país estava sob o domínio da Alemanha nazista. Milhares de famílias judaicas viviam assustadas com a perseguição aos judeus e Winton que era descendente de judeus, embora convertido ao cristianismo, sentiu que tinha de fazer alguma coisa para salvar o maior número de pessoas, a começar pelas crianças.
Escreveu para diversas pessoas e com a ajuda de organizações cristãs e beneficentes, foi possível conseguir recursos para o transporte dos pequenos refugiados que os pais lhe entregavam e arranjar famílias que os acolhessem.
Foi um trabalho árduo e burocrático, mas nada o fazia desistir. Nos primeiros 9 meses de 1939, Winton planeou o transporte e o resgate de 669 crianças – judias, em sua maioria – da Checoslováquia para Inglaterra.
O número de pessoas salvas poderia ter sido maior, pois um grupo de aproximadamente 250 crianças não pôde seguir para Inglaterra devido ao bloqueio de todos os meios de transportes com o início da guerra. Essas crianças que não conseguiram embarcar infelizmente foram mortas em campos de extermínio.
Durante muitos anos o que Winton fez permaneceu em segredo até que um dia do ano 1988 a sua mulher Gretel descobriu o seu álbum de recortes de 1939 que continha a lista dos nomes e as fotos de todas as crianças que ele salvou. No programa That's Life da BBC de 1988, Winton foi convidado para se sentar na plateia entre as pessoas que ele salvou há 50 anos atrás, e ele não sabia que estava sentado entre elas. Até que a apresentadora também pediu para que as pessoas salvas por Winton se levantassem.
Muitas outras homenagens recebeu este homem, que ainda está vivo, agora já com 105 anos, segundo disseram há pouco tempo os meios de comunicação social.



In O Amigo do Povo

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O raio da vela

Uma mulher ia pela rua quando se cruzou com um velho sacerdote. O padre disse-lhe:
- Bom dia. Por acaso você não é a Mª Antónia, a quem casei já há cinco anos na minha antiga paróquia?
Ela respondeu: ...
- Sim, Padre, sou eu.
O sacerdote perguntou:
- E tiveram filhos?
Ela respondeu:
- Não Padre, infelizmente não.
O padre disse:
- Bem, na próxima semana viajo para Roma. Por isso se quiser, acendo lá uma vela por si e seu marido, para que recebam a bênção de poder ter filhos.
Ela respondeu:
- Oh Padre, muito obrigada, ficamos ambos muito gratos.
Alguns anos mais tarde encontraram-se novamente. O sacerdote ancião perguntou:
- Bom dia Mª Antónia. Como está agora? Já teve filhos?
Ela respondeu:
- Óh, sim Padre, 3 pares de gémeos e mais 4. Dez ao todo!
Disse o padre:
- Bendito seja o Senhor. Uma família abençoada! E onde está o seu marido?
- Vai a caminho de Roma, a ver se apaga o raio da vela!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

É triste ver quem faz tudo para ser bispo e depois só vive para a sua vaidade, afirma papa Francisco

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O papa Francisco criticou (recentemente), no Vaticano, os padres que procuram por vários meios serem bispos, mas que, após receberem a ordenação episcopal, se dedicam sobretudo a exibirem-se.
«É triste quando se vê um homem que procura este ofício e que faz muitas coisas para lá chegar, e quando lá chega não serve, pavoneia-se, vive apenas pela sua vaidade», afirmou Francisco, citado pela Rádio Vaticano.
Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de S. Pedro para a audiência geral das quartas-feiras, o papa dedicou a sua intervenção às virtudes e missão de um bispo: «Não é fácil, não é fácil, porque nós somos pecadores».
«Como Jesus escolheu os apóstolos e enviou-os a anunciar o Evangelho e a apascentar o seu rebanho, assim os bispos, seus sucessores, são colocados à cabeça da comunidade cristã, como garante da sua fé e como sinal vivo da presença do Senhor no meio dela», assinalou Francisco, que pediu orações pelo ministério episcopal.
Por isso, prosseguiu o papa, «não se trata de uma posição de prestígio, de um cargo honorífico. O episcopado não é uma honra, é um serviço. Foi isto que Jesus quis».
Na Igreja, e em particular entre os bispos, «não deve haver lugar para a mentalidade mundana», que faz com que se diga: «“Este homem fez a carreira eclesiástica, tornou-se bispo”; não, não. O episcopado é um serviço, não é uma honra para vangloriar-se».
«Ser bispo quer dizer ter sempre diante dos olhos o exemplo de Jesus, que, como bom pastor, veio não para ser servido mas para servir e para dar a sua vida pelas suas ovelhas», vincou.
Francisco lembrou o exemplo dos «muitos bispos santos», que mostram que o episcopado «não se procura, não se pede, não se compra, mas acolhe-se em obediência, não para elevar-se, mas para abaixar-se, como Jesus, que se humilhou a si próprio, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz».
A alocução do papa visou também a unidade da Igreja, que os bispos são chamados a promover: «Quando Jesus escolheu e chamou os apóstolos, pensou-os não separados uns dos outros, cada um por conta própria, mas juntos, para que estivessem com Ele, unidos, como uma só família».
Para o papa, «também os bispos constituem um único colégio, reunido em torno ao papa, o qual é guarda e garante desta profunda comunhão».
«Como é belo, então, quando os bispos, com o papa, exprimem esta colegialidade e procuram ser mais e mais servidores dos fiéis, mais servidores na Igreja. Experimentámo-lo recentemente na assembleia do Sínodo sobre a família», referiu.
Francisco frisou que «não há uma Igreja sã se os fiéis, os diáconos e os presbíteros não estão unidos ao bispo», pessoa que «torna visível o ligame de cada Igreja com os apóstolos e com todas as outras comunidades», pelo que uma «Igreja não unida ao bispo é uma Igreja doente».
Fonte: aqui

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Afinal, a estupidez propaga-se



A estupidez, insensatez ou nesciência são habitualmente consideradas marcas psicológicas e/ou morais.

O veterotestamentário livro dos Provérbios tem abundantes notas sobre o “insensato”, que se contrapõe ao sábio, em termos psicológicos morais e sociais. Assim, o insensato é caraterizado em termos como os seguintes: escarnece de quem o corrige (9,7); sofrerá sozinho as consequências da sua insensatez (9,12); é a tristeza da mãe (10,1); o insensato de língua cai em rutura (10,8); as costas do insensato sujeitam-se à vara (10,13); a boca do insensato é um perigo iminente (10,14); o insensato espalha a calúnia (10,18); os néscios perecem por falta de entendimento (10,21); quem despreza o próximo é insensato (11,12); anel de ouro em focinho de porco tal é a mulher formosa, mas insensata (11,22); o insensato será escravo do sábio (11,19); o que detesta a repreensão é um insensato (12,1); o que procura futilidades é um insensato (12,11); o coração dos insensatos procura a loucura (12,23); o insensato põe a descoberto a sua loucura (13,16); o que acompanha os insensatos torna-se mau como eles (13,20); a mulher insensata derruba a sua casa com as próprias mãos (14,1); da boca do insensato brota a soberba (14,3); nos lábios do insensato não encontrarás palavras sábias (14,7); a loucura do insensato é um engano (14,8); o insensato ri-se do pecado (14,9); o insensato será saciado com os próprios erros (14,14); o insensato avança com arrogância e julga-se seguro (14,16); a loucura dos insensatos é a sua imprudência (14,24).

E a litânia continuaria. Mas parece que a amostra é suficientemente abundante, clara e pertinente. Desde a insciência à loucura, passando pela arrogância e soberba – manifestadas em palavras e ações – o insensato é capaz de tudo o que sabe a mal.

Não sendo a Bíblia um livro de ciência no sentido que nos legou o positivismo, ela espelha a profunda sabedoria popular, feita sobretudo da experiência de vida com que a senioridade endita o património imaterial da humanidade. E, nalguns aspetos, os estudiosos dão razão ao hagiógrafo bíblico – é óbvio que não em algumas das questões cosmográficas e biológicas. No entanto, há que ter em conta que o saber não se compartimenta, a não ser por razões metodológicas.

Já em 1955, Werner Keller escreveu o seu livro A Bíblia tinha razão, que muitos dos céticos em relação à Escritura Sagrada fariam bem em ler, já que retém um acervo significativo de pesquisas arqueológicas que demonstram a verdade histórica dos Livros Sagrados. E tê-la-á em muitos outros aspetos.

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O estudo a que se reporta o DN não a contradiz, bem como à sabedoria popular vertida na Bíblia e na infinidade de rifões, provérbios, anexins, aforismos e adágios.

A estupidez humana tem, afinal, uma explicação científica. Um grupo de cientistas norte-americanos encontrou em humanos um vírus, o ATCV-1, que ataca o ADN através do cérebro e torna os infetados menos inteligentes, sobretudo ao nível da aprendizagem, com especial incidência na capacidade de memorização.

Os susoditos cientistas são investigadores da Escola de Medicina John Hopkins e da Universidade de Nebraska e encontraram “vestígios do vírus na garganta de 40 indivíduos que participaram no estudo, num total de 90”. É uma percentagem de 44,44% de infetados em relação à amostra.

Os infetados apresentavam resultados menos favoráveis que os outros em testes de inteligência, sobretudo revelando menor capacidade de concentração e de perceção espacial. Até este momento investigativo, o vírus ATCV-1 só tinha sido identificado em algas verdes de lagos e rios. E ainda hoje se desconhece como infeta o ser humano.

No quadro do mesmo estudo, inserem-se testes feitos a alguns ratos dando-lhes algas infetadas. Segundo o que reporta a revista norte-americana NewsWeek, os animaizinhos infetados depois de ingerirem as ditas algas, em comparação com os roedores seus semelhantes sãos, demoraram mais tempo a encontrar o caminho de saída de labirintos e utilizaram menos tempo a explorar novos objetos. Lá está a falta de perceção espacial e a não concentração e atenção sobre o novo objeto pelo qual passaram como gato por brasas!

A pesquisa leva a concluir que, nos ratos, o vírus prejudica a aprendizagem, a formação da memória e a resposta imunitária a exposição viral.

Citado pelo jornal The Independent, Robert Yolken, o virologista que coordenou a investigação, sublinhou que “este é um exemplo notável que mostra que os microrganismos inócuos que carregamos podem afetar o comportamento e a cognição”.

Apesar de os infetados apresentarem e manterem condições de saúde consideradas normais, sofrem um impacto negativo ao nível cognitivo e ao nível de alguns comportamentos. Demais, o aludido cientista sustenta que as diferenças fisiológicas advêm efetivamente dos genes, mas “algumas das diferenças são alimentadas por micro-organismos que abrigamos e pela forma como eles interagem com os genes”.

A equipa de investigadores não determinou o modo como o vírus se transmite aos seres humanos. Todavia, está levantada a hipótese de o vírus infetar outros organismos além das algas que têm sido estudadas. Por outro lado, a imprensa internacional dá-nos conta de que os cientistas entendem que que se deve olhar para os agentes infeciosos de outra forma, já que estes podem ter efeitos subtis, ao contrário de outros que provocam uma série de manifestos problemas de saúde pública, como o vírus do ébola ou o da gripe das aves.

***

Se os dados constitutivos da hipótese científica vierem a ser confirmados, a sabedoria popular, bíblica ou extrabíblica, manterá o seu nível de profunda perceção que a experiência de vida permitiu cristalizar.

O estúpido é globalmente um indivíduo considerado saudável. No entanto, a dificuldade de incorporar conhecimentos por via do ensino ou do estudo, a dificuldade de construir a memória e a incapacidade de resistência às invasões de agentes exteriores, mesmo naturais, afetará alguns comportamentos de incidência social, como: preconceitos (medo de tudo e de todos); palavras inconvenientes; euforias e disforias; atitudes imprudentes; comportamentos agressivos; postura soberba e arrogante; e situação de agressividade, ira e pré-loucura.

Não é nada que a auto e heterovigilância não consigam resolver, acompanhadas das respetivas autocorreção e correção fraterna, neste mundo competitivo e cruel.

Porém, temos de deixar-nos de alguns eufemismos em voga, como hiperatividade, frontalidade, traumatização – que, em muitos casos, não passam de disfarce de estupidez, má educação, presunção de exercer em absoluto todos os direitos ou de usufruir de todas e quaisquer regalias, mas com o desprezo por obrigações e pelo respeito em relação a outrem.

Se o número dos insensatos é grande e nefasto, muito maior e benfazejo tem de ser os dos sensatos, embora com a conveniente dose de tolerância e aceitação dos outros, já que ninguém terá culpa das viroses que acabou por contrair, embora a tenha se não as tentar conter.

2014.11.11
Louro de Carvalho

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Mais uma grande novidade sobre Jesus. Ai, desculpem, não é

Jesus casou com Maria Madalena, teve dois filhos e tentaram assassiná-lo aos 20 anos (julgo que já depois dos filhos nascidos, tendo em conta os modos de vida da época). Vem num manuscrito que encontraram na British Library. Ler aqui.

Ainda há dias, um investigador russo ou ucraniano dizia que era impossível Jesus ter existido. Será que alguém pode pôr os três investigadores, o eslavo, o canadiano e o israelo-canadiano, em contacto?

A novidade, agora, está sem dúvida na tentativa de assassinato. O resto não é novidade, pois não Dan Brown? Ups, a tentativa de assassinato, antes da cruz, também está nos evangelhos.


Fonte: aqui

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A forçada saída de portugueses de Timor-Leste


Não sou daqueles que, a propósito das relações entre Portugal e Timor-Leste, tecem loas ao desempenho de Portugal ou daqueles que usam da máxima complacência com Xanana Gusmão e outros dirigentes ancorados em Díli. Não obstante, acho problemática a forçada saída de portugueses de Timor-Leste, recentemente noticiada pela Comunicação Social.
Quanto aos que enaltecem o papel de Portugal, recordo não se poder olvidar o abandono a que o Governo de Lisboa, em 1975, votou o território, os militares e o último governo da colónia. A população viu-se arrastada com o território para a anexação pela Indonésia, alegadamente por Díli estar sob o domínio da FRETILINI, de feição marcadamente filocomunista. O Governo e os mais graduados das forças armadas portuguesas refugiaram-se na ilha de Ataúro, à espera de instruções de Lisboa, que nunca mais chegavam. E, como nos conta Rui da Palma Carlos na sua autonarrativa do livrinho Eu fui ao fim de Portugal, um considerável número de praças, sargentos e oficiais, das forças armadas portuguesas, foram humilhantemente deportados para incógnitas paragens indonésias, onde sofreram indizíveis maus tratos.
Não quero cometer a injustiça de acusar a diplomacia portuguesa de eventual negligência. Todavia, objetivamente ficou à vista de todos como a questão de Timor permaneceu no limbo do semiesquecimento até que, em 12 de novembro de 1991, durante o massacre no cemitério de Santa Cruz, em Díli, contra manifestantes que lutavam pela independência e sufragavam as almas dos que haviam tombado pela causa da liberdade, o mundo pareceu ter acordado. Foi então que Mário Soares, Presidente da República de Portugal, desabafou para os portugueses e para o mundo quanto o impressionara o ter ouvido as pessoas de Díli a rezar em Português no meio daquele sofrimento.
É certo que já em 13 de maio do mesmo ano, no seu discurso, à despedida de João Paulo II no termo da sua visita a Portugal, Mário Soares dirigira ao Papa um apelo de intercessão por Timor. E, antes, um grupo alargado de portugueses se quotizara para a aquisição dum emissor e uma antena com vista a que a voz de Xanana se fizesse ouvir a partir da guerrilha que ele comandava lá das montanhas. Porém, a associação Portugal-Indonésia continuava ativa e não no melhor sentido. Também em outubro daquele ano, uma delegação com deputados portugueses e 12 jornalistas intentaram uma visita ao território por ocasião da presença de Pieter Kooijmans, representante especial da ONU para os Direitos Humanos e Tortura. Como o governo indonésio objetara à inclusão da australiana Jill Jolliffe, apoiante ativa do movimento independentista FRETILINI, Portugal cancelou a ida da delegação, o que desmoralizou um pouco os ativistas independentistas timorenses, que pretendiam aproveitar a visita para melhorar a visibilidade internacional da sua causa. No entanto, aumentaram as tensões entre as autoridades indonésias e a juventude timorense; e a 28 de outubro, as tropas indonésias localizaram um grupo da resistência na igreja de Motael, em Díli.
Deu-se violento confronto entre os ativistas pró-integração e os ativistas independentistas que estavam na Igreja; quando este acabou, um homem de cada lado estava morto. Sebastião Gomes, apoiante da independência de Timor Leste, foi retirado da Igreja e abatido pela tropa indonésia e o integracionista Afonso Henriques foi atingido e morto durante a luta. A 12 de novembro, mais de duas mil pessoas marcharam desde a igreja onde se celebrou a missa em memória de Sebastião Gomes até ao cemitério de Santa Cruz, onde está enterrado, para lhe prestarem homenagem. O exército indonésio abriu fogo sobre a população, matando 271 pessoas no local e com 127 a morrer, dos ferimentos, nos dias seguintes.
Depois deste evento, a generalidade dos países passaram a apoiar Timor-Leste e reconheceram o direito da sua população para se autodeterminar pela independência ou pela não independência – o que veio a concretizar-se com o referendo oito anos depois, em 30 de agosto.
E o primeiro Presidente da República timorense, Xanana Gusmão, veio a Portugal onde foi recebido com todas as honras políticas e militares, bem como pela população, que lhe dispensou as melhores manifestações de carinho.
***
Recorde-se que as relações entre os dois países conheceram momentos de boa cooperação no âmbito da segurança interna, com envio da GNR para manutenção da ordem pública e instrução de quadros, na educação com envio de professores e livros, na segurança social e, recentemente, na área da justiça, ao abrigo de protocolo específico. Tempo houve em que as autoridades timorenses manifestaram o desejo de ajudar Portugal no seu problema de endividamento externo através do fundo timorense do petróleo.
Algo, entretanto, mudou. Na cimeira da CPLP de Díli, em julho passado, como todos se lembram, Cavaco Silva e Passos Coelho foram literalmente humilhados ao serem confrontados com a inclusão automática, por indicação do Presidente da República timorense, na mesa da cimeira, do Chefe de Estado da Guiné-Conacry, já membro da CPLP de pleno direito sem o formalismo da eleição e sem qualquer comunicação prévia. Os representantes portugueses ao mais alto nível aceitaram o facto como fatalidade histórica e o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) não deu qualquer explicação nem formulou um ligeiro “ai”.
Será que as autoridades diplomáticas timorenses se arrogavam também o direito de receberem pedidos de desculpa do nosso MNE como as angolanas. O que dirá o irrevogável Paulo Portas? Evidentemente que no seu tempo não era assim.
***
No atinente à expulsão dos magistrados judiciais e do ministério público bem como do elemento da polícia que fazia a ligação com os magistrados, são de levantar algumas questões.
Não creio que se trate de mera questão interna de Timor-Leste em que foram apanhados os portugueses, como perorou o nosso MNE. Tão dúbia afirmação, a corresponder a alguma verdade, deveria ser prévia a um formal pedido de desculpas às autoridades timorenses. Não quero também encarar a hipótese de aqueles funcionários qualificados serem apanhados em negócios escuros ligados ou não à função que ali exerciam. Se acaso isso tivesse acontecido, deveria ser acionada a justiça timorense e/ou a portuguesa, o MNE deveria ter sido mais claro, a ponto de os movimentos de solidariedade em torno do caso se tornarem mais autocontidos.
O Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, na sequência da conveniente decisão do Conselho de Ministros, comunicou a ordem de expulsão, dando o prazo de 48 horas. Os motivos invocados foram a segurança e o interesse ao Estado, a incompetência dos visados. Até foi dito que não estava em causa o código e o processo civil, mas o petróleo e os prejuízos ao Estado.
Questionado sobre o motivo por que não abordara o Primeiro-Ministro de Portugal, respondeu de forma evasiva, que estava ocupado com outras atividades. Esta não é resposta de estadista, muito menos dum amigo de Portugal. Nem é justa: se há erros, falhas, crimes e danos, eles devem ser denunciados com vista a reparação. Não é lícito ficar-se a resposta em generalidades ou evasivas. Por outro lado, nada esclarece a afirmação de Passos Coelho que assegurou ter feito tudo para evitar esse desfecho e considerou que muita água terá de correr para Portugal retomar a cooperação judiciária com Timor-Leste. E sabe a hipocrisia deslavada a garantia de Xanana de que “não há intenção nenhuma de esfriar as relações com Portugal” ou de que a decisão “não é contra Portugal nem contra os portugueses”. Contra quem será então?
O DN de hoje, dia 5, afirma que juízes e procuradores estavam ligados a uma verdadeira operação “mãos limpas” que decorria há três anos, sendo um deles juiz titular do processo contra a Ministra das Finanças. Portanto, parece que o real motivo da decisão de expulsão terá sido evitar que ministros do governo timorense chegassem à barra dos tribunais. Não foi, pois, suficiente o pedido de Xanana ao Parlamento para que impedisse o levantamento da imunidade dos membros do governo enquanto não terminasse o mandato e a auditoria ao setor da justiça.
Sucede também que algumas ações intentadas pelas concessionárias do petróleo contra o Estado terão redundado na condenação do mesmo ao pagamento de avultadas indemnizações.
Aqui residem problemas no quadro da justiça, que se sente pressionada, a ponto de o conselho superior da magistratura timorense se ter reunido de emergência e manifestado claramente a sua estupefação. Os magistrados queixam-se de que familiares dos arguidos ou dos réus (de alto nível político) assistem a sessões de julgamento, vendo nisso uma violação da independência dos tribunais. Mas há problemas políticos e económicos: cercar judicialmente membros do governo ou deputados, sobretudo em democracias frágeis exige um certo cuidado (o governo e o parlamento também são independentes dos tribunais); e não sei se o Estado timorense ganhou já o traquejo suficiente para interpor recurso das decisões judiciais de instância. Nós, em Portugal, nos alvores da atual democracia talvez tenhamos cometido mais erros que os timorenses. Mas já ninguém se lembra!
Porém, o problema mais melindroso parece-me ser o da cooperação. Os técnicos cooperantes estão sobretudo para ensinar, acompanhar. Deveriam abster-se, mesmo que solicitados, de intervir na tomada de decisões. As decisões, sobretudo as judiciais, deveriam ser tomadas pelas autoridades nacionais. Ninguém as deveria substituir, mesmo que algumas fossem erradas. É fazendo que se aprende e os erros são sempre passíveis de correção. E as autoridades timorenses acusaram o toque: os estrangeiros decidiam em vez de ensinarem. Será que a incompetência apontada por Xanana se referia não à competência técnica, mas apenas à ultrapassagem das competências técnicas? Terá o protocolo de cooperação acautelado tais situações?
Não terão sentido os magistrados um certo gosto de engasgar membros do governo de Timor-Leste, quando em Portugal raramente os apanham a jeito?! Seja como for, não vale a pena a Ministra da Justiça vira agora acenar com a existência do protocolo. Todavia, a nossa PGR fez bem ao solicitar ao Governo que diligencie no sentido de assegurar a proteção dos portugueses expulsos; o MNE faz bem em mandar regressar também os outros, até que se esclareça a situação; o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público apela para a ONU falando em grosseira violação da independência do poder judicial; e a Associação Sindical dos Juízes repudia a decisão de expulsão e solicita às autoridades portuguesas e internacionais que tomem posição sobre esta violação dos princípios do Estado de Direito Democrático.
Resta-nos esperar pelo correr de tinta para a retoma das boas relações Portugal-Timor-Leste.
2014.11.05
Louro de Carvalho