sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Pobres, por amor a Jesus

Não sei onde nasceu a Congregação da Pequena Flor. Mas sei que ela nasceu em 1947 e tem actualmente, na Índia, 260 sacerdotes, que pretendem ser como uma pequena flor no deserto. E há outros – não sei quantos – que estão noutros países pobres.

Os rapazes, que aceitam ser padres na Congregação da Pequena Flor, têm de abraçar a pobreza para serem iguais aos mais miseráveis, para assim lhes falarem de Deus. Eles irão espalhar-se por zonas pobres e onde o cristianismo ainda não penetrou. E viverão em barracas como quase todos os que habitam nessas zonas. Mas isso não importa. Para os padres da Congregação da Pequena Flor, inspirada no carisma de Santa Teresinha do Menino Jesus, o que conta mesmo é a sua presença, pois podem ajudar os mais pobres e miseráveis e, vivendo como eles, mostram o verdadeiro despojamento que deve nortear todos os que seguem a Cristo. E isso vale mais do que todas as catequeses. E eles estão ali e oferecem tudo o que têm: a começar pela simpatia do sorriso, pela gentileza dos gestos de quem se torna vizinho para partilhar a pobreza, as dificuldades dos dias.

Na índia, em muitos lugares, os cristãos são perseguidos, vítimas de intolerância, desprezados. Em muitos dos lugares onde se estabelecem os padres da Congregação da Pequena Flor, também há incidentes instigados por radicais hindus, mas a melhor resposta a esta violência é oferecida todos os dias pela gentileza de quem se oferece para ir buscar água, ou tomar conta de uma criança, ou auxiliar um idoso enfermo. Ou, até, para partilhar a fraca despensa. Esta congregação de padres que espalham a fé pelo sorriso já conquistou a Índia. Neste momento, há 42 seminaristas e 6 noviços que estudam, trabalham e rezam para serem pobres entre os pobres, miseráveis entre os miseráveis. Para levaram Cristo na vontade de servirem o outro.

E assim, pouco a pouco, conseguem atrair essa gente para Cristo.
In O Amigo do Povo

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A arte de educar os filhos

Apesar de quererem o melhor para os seus filhos, nem sempre os pais conseguem acertar no modo como os educam. É certo que o amor é o mais importante, mas nem sempre chega.

A seguir, damos nota de alguns erros que certos pais cometem:
1. Uso inadequado da autoridade. – Isso acontece quando a autoridade é concebida apenas em seus extremos: autoritarismo ou permissividade. Sem meio-termo. Mas um extremo é tão prejudicial quanto o outro e o ambiente educativo em ambos não ajuda em nada na formação da pessoa.
2. Incongruência entre o falar e o agir. – Este é um dos erros mais cometidos pelos educadores, sem que tenham consciência do seu alcance. Refere-se às famosas ameaças que nunca são levadas à prática, bem como às promessas que nunca são cumpridas. Um exemplo é quando os pais aplicam normas ou sanções que depois são ignoradas por eles mesmos, que não as cumprem e acabam cedendo. Isso indica que a autoridade é fraca e pode ser facilmente destruída.
3. Disparidade na autoridade. – A mãe diz uma coisa e o pai diz outra. Isso tira a autoridade aos dois, produzindo confusão nos filhos, que depressa encontram meio de fazer só aquilo que lhes agrada.
4. Superproteção. – Por exemplo, os pais defendem sempre os filhos mesmo quando sabem que eles são culpados. Ou fazem no lugar deles as tarefas que os filhos estão em perfeitas condições de executar com seus próprios meios.
5. Preencher vazios com elementos materiais. – Este é um fenómeno vivido em muitas famílias actuais; a falta de tempo para estar com os filhos é compensada com brinquedos, computadores, dinheiro... que têm como finalidade satisfazer a necessidade de carinho que os pais não podem oferecer aos filhos devido às suas ocupações.

Fonte: aqui

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

É a primeira vez na história...

A propósito da detenção aparatosa de José Sócrates no aeroporto internacional de Lisboa na manga do avião, está a tornar-se comum o enunciado de que “é a primeira vez da história da democracia portuguesa que um ex-primeiro-ministro é detido para prestar declarações no DCIAP”, ou seja, perante as entidades policiais com ligações à justiça.
Já este simples enunciado permite levantar uma pertinente dupla questão: Estará o sistema judicial a atuar numa perspetiva claramente direcionada a esta personalidade de modo ajustado ou de modo excecional, não havendo na história da democracia necessidade de agir de maneira semelhante com outros ex-primeiros-ministros e com outras altas figuras do Estado ou vontade judiciária (para não dizer política) de intervir?
Depois do caso de Timor, em que magistrados portugueses conseguiram levar à barra dos tribunais governantes em exercício e obtiveram condenações (coisa nunca concretizada em Portugal), fiquei com dúvidas sobre a boa consciência de isenção quanto à coincidência da oportunidade da detenção e constituição de arguido para onze figuras da alta roda do Estado.
Mas há mais outras questões que eu, cidadão comum, gostaria de ver esclarecidas.  
Não me esquecendo do aparato público que rodeou a detenção do então deputado Paulo Pedroso – em que o próprio juiz de instrução criminal Rui Teixeira foi em pessoa ao Parlamento solicitar o levantamento da imunidade do deputado – interrogo-me sobre a circunstância aparatosa desta detenção, à semelhança de algumas outras em passado recente. Já que essa detenção intempestiva e eventualmente aparatosa terá supostamente as suas razões inultrapassáveis por outra via, estas deveriam acompanhar a notícia da detenção e não somente o enunciado genérico da suspeição de crimes como corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais ou eventualmente outros. Depois, a detenção e as buscas nunca deveriam decorrer à luz das câmaras da Comunicação Social, sob pena de a presunção da inocência dos visados e a boa fé doa inquiridores se circunscrever ao figurino de letra morta.
Por outro lado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) viu-se na necessidade de produzir um comunicado. Ora, por que motivo é que o dito comunicado, referindo que tinham sido detidos e interrogados mais três cidadãos ligados ao mesmo processo, omitiu os seus nomes? Mas que motivo levou a vir a PGR, mais tarde, a revelar os ditos nomes: o do empresário Carlos Santos Silva, o do advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o do motorista João Perna, afinal todos de ração de proximidade com Sócrates?
Também a PGR vem esclarecer que este processo nada tem a ver com outros processos, designadamente o do Monte Branco. E porquê? Será que se trata de autojustificação para a ordem de destruição de escutas que mencionavam o nome de Sócrates, determinada pelo então Presidente do STJ, no caso do processo “Face Oculta”, ou a questão da menção discriminada das dezenas de questões a José Sócrates deixadas sem resposta por alegada falta de tempo para os procuradores ouvirem, no caso “Freeport”?
Entendo, embora não concorde, que, enquanto o senhor Sócrates era Primeiro-Ministro, os operadores judiciários sentissem alguma inibição em cercar as atividades do Chefe do Governo. No entanto, já lá vão mais de três anos, que não foram, pelos vistos, suficientes para proceder à investigações de ações ligadas a Sua Excelência.
Se foi uma comunicação bancária o único fator que levou a esta aparatosa e intempestiva detenção, que à semelhança de tantas outras vai invariavelmente ter à mesa inquisitória do Juiz de Instrução Criminal (TIC), Carlos Alexandre, em que uma diretiva europeia se sobrepõe ao instituto do sigilo bancário, então não posso admirar-me de que quem possui dinheiro não haja de ser tentado a colocá-lo algures na Suíça ou nas ilhas Caimão e, ainda, de que venha a ressuscitar-se a velha mania de o cidadão vir aguardar douradamente o seu pecúlio debaixo do colchão. Ademais, é chocante o modo como o segredo de justiça, talvez de aplicação excessiva, é sistematicamente violado e contraditoriamente invocado também sistematicamente para fugir à prestação de informação pública. No entanto, paralelamente à detenção destes homens de importância mediática, política e/ou administrativa, a informação de conteúdos bem graves, se verdadeiros, vem sendo debitada a parceiros privilegiados especiais como o Correio da Manhã e o Sol. Não. A PGR e/ou os serviços dos TIC deveriam habituar os cidadãos ao sistema de conferências de imprensa em que fossem prestadas todas as informações pertinentes em casos que o justificassem e fosse filtrado o que pertence e o que não pertence ao segredo de justiça, banindo de vez a prestação de informação anónima a destinatários privilegiados. Trata-se até de informação que os representantes dos putativos suspeitos não podem confirmar nem desmentir.
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Tenho infelizmente de concordar com Pedro Santana Lopes, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que hoje considerou que a detenção de Sócrates, além de ser um facto “triste para Portugal”, levanta questões quanto ao “ponto a que o Estado chegou”. O político da Misericórdia referiu, na cidade da Guarda, à margem da Academia do Poder Local, que decorre até domingo, promovida pelos Autarcas Socialdemocratas (ASD) e pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, que nos últimos dias o país tem assistido a uma sucessão de factos que preocupam quanto à solidez da estrutura do Estado e ao modo como o Estado funciona, como “representa, defende e garante”.
Aqui, aproxima-se da visão do Bloco de Esquerda, que denuncia o chorrilho de detenções mediáticas ocorrido nos últimos dias e que, pelo putativo conteúdo, segundo Catarina Martins e João Semedo, é revelador de que não é só a fruta que está podre, mas também a própria cesta da fruta e até a própria frutaria.
Voltando a Santana Lopes, é certo que ele refere o óbvio. No entanto, são de registar aspetos curiosos:
“Aqui, pelo que a Procuradoria-Geral da República divulgou, estarão em causa atos pessoais no exercício de funções públicas, ou não, isso agora cabe à justiça tratar, mas eu penso que nos sentimos todos, naturalmente, eu diria, acabrunhados, tristes, é a melhor palavra, por aquilo que está a acontecer em Portugal”.
 
Santana, também antigo primeiro-ministro, deseja como todos, mas com modulação peculiar, “que se faça justiça, pelas pessoas, por Portugal, pelos portugueses”. E acrescenta que “a justiça está a funcionar, temos que nos congratular com isso, mas é evidente, ninguém pode ficar satisfeito com situações como aquelas que estamos a viver”. Reconhecendo que “nenhum Estado é perfeito”, contrapõe que “o nosso parece estar a funcionar e a tratar todos os cidadãos por igual, isto é um ganho”. É justamente da segunda parte da última afirmação que eu me permito discordar. Não, os cidadãos não são tratados de maneira igual nem pela Justiça nem pela população. O desgraçado que rouba a embalagem de leite no supermercado, se o caso chegar à barra do tribunal, é invariavelmente constituído arguido condenado; o dilapidador de instituição financeira ou perdulário do Estado mui raramente tem decisão condenatória transitada em julgado. Mas tivemos recentemente casos de indiciados certos por crimes violência doméstica e homicídio aplaudidos à entrada de tribunal e indiciados de eventuais crimes ainda mal definidos, mas de denominação sonante, enxovalhados à porta de um DCIAP.
O já mencionado antigo primeiro-ministro Santana Lopes, quando disse esperar “que se faça justiça” também sentenciou que, “se alguém pecou, se alguém errou, se alguém cometeu crimes, que pague, se não, também que seja respeitada a sua inocência”. Por outro lado, teme – penso que sem razão, já que ninguém o aponta a ele como suspeito de crimes contra o Estado – “que os portugueses olhem para a política, olhem para todo este espetáculo e depois tomem as pessoas todas pela mesma bitola”.
Os cidadãos não acreditam na política, não propriamente pelos crimes que os políticos possam ter cometido ou vir a cometer, mas sobretudo pela sua inépcia, ineficácia, arranjismo, despeito pelas promessas, autosserviço a partir da condição política e o desprezo pelo efetivo serviço à comunidade e pelo estado a que isto chegou e que Santa assim carateriza, com inegáveis marcas de oralidade:
“Nós atingimos um Estado de quase insolvência institucional, depois de um Estado praticamente de insolvência económica, e isso, as duas coisas misturadas, deve suscitar muitas preocupações e exige uma regeneração ética, acima de tudo, na sociedade portuguesa, sobre as regras que todos nós temos que seguir no exercício das nossas funções públicas, na comunicação, funções privadas, o que for, autarcas, poder central, porque há aqui qualquer, de facto, coisa que ruiu” (vd DN on line, de 22-11-2014).
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No entanto, de positivo do dia de hoje fica para manhã a reação oficial equilibrada e calma dos diferentes partidos sobre a detenção de Sócrates, a entrega das questões de justiça à justiça, a crença na justiça e no seu tempo e percurso; e a deliberada e não afrontosa arrogância de que os políticos nada têm a ver com estas coisas; mas a clara assunção de que aos partidos cabe a ação política qua tali. E não se ouviram aquelas vozes displicentes, como é usual em adversários políticos, ou frenéticas, como as de Paula Teixeira da Cruz, de que ninguém está acima da lei e que temos a independência dos poderes, o que não era claro em governos interiores.
Por outro, lado, embora se registem declarações inconvenientes de alguns, como João Soares, Santos Silva ou Duarte Marques, também sobressaiu a justeza da legitimidade dos sentimentos e da amizade, mas com a exigência declarativa de que os sentimentos não podem interferir na ação política típica e obrigatória para os partidos e seus militantes – veiculada pelo novel secretário-geral do PS, precisamente no dia da sua entronização por pelo menos 96% dos seus correligionários políticos. Costa, além disso, rejeitou qualquer tentação estalinista de apagar a fotografia ou ações de qualquer um dos líderes do partido, bem como a tentativa de comentar procedimentos, ações e factos que somente cabe à Justiça apreciar e sobre eles tomar decisões.
Por mim, resta-me esperar que os poderes políticos (legislativo e executivo) alterem o sistema de concentração dos grandes casos abrangentes nas mãos de um só homem, o nervo quase único do “Ticão”, o juiz presidente do tribunal central de instrução criminal; e que os poderes políticos (legislativo, executivo e judicial), além da separação e interdependência, funcionem como verdadeiros contrapesos, no espírito com que foram estabelecidos, e se trave a evidente tendência histórica – predomínio do legislativo no século XIX, predomínio do executivo no século XX e predomínio do judicial no dealbar do século XXI.

2012.11.22
Louro de Carvalho

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O homem que salvou 669 crianças


Sir Nicholas Winton no Castelo de Praga em 2007

No ano de 1938, Nicholas Winton viu o seu plano de férias de fim de ano mudado, pois o seu amigo Martin Blake sugeriu que eles viajassem até à Checoslováquia, para se inteirarem dos problemas que aquele país estava a viver.
Ao entrar na Checoslováquia, Winton sentiu o clima de horror e medo, compreendeu o que o amigo tanto lhe queria mostrar. O país estava sob o domínio da Alemanha nazista. Milhares de famílias judaicas viviam assustadas com a perseguição aos judeus e Winton que era descendente de judeus, embora convertido ao cristianismo, sentiu que tinha de fazer alguma coisa para salvar o maior número de pessoas, a começar pelas crianças.
Escreveu para diversas pessoas e com a ajuda de organizações cristãs e beneficentes, foi possível conseguir recursos para o transporte dos pequenos refugiados que os pais lhe entregavam e arranjar famílias que os acolhessem.
Foi um trabalho árduo e burocrático, mas nada o fazia desistir. Nos primeiros 9 meses de 1939, Winton planeou o transporte e o resgate de 669 crianças – judias, em sua maioria – da Checoslováquia para Inglaterra.
O número de pessoas salvas poderia ter sido maior, pois um grupo de aproximadamente 250 crianças não pôde seguir para Inglaterra devido ao bloqueio de todos os meios de transportes com o início da guerra. Essas crianças que não conseguiram embarcar infelizmente foram mortas em campos de extermínio.
Durante muitos anos o que Winton fez permaneceu em segredo até que um dia do ano 1988 a sua mulher Gretel descobriu o seu álbum de recortes de 1939 que continha a lista dos nomes e as fotos de todas as crianças que ele salvou. No programa That's Life da BBC de 1988, Winton foi convidado para se sentar na plateia entre as pessoas que ele salvou há 50 anos atrás, e ele não sabia que estava sentado entre elas. Até que a apresentadora também pediu para que as pessoas salvas por Winton se levantassem.
Muitas outras homenagens recebeu este homem, que ainda está vivo, agora já com 105 anos, segundo disseram há pouco tempo os meios de comunicação social.



In O Amigo do Povo

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O raio da vela

Uma mulher ia pela rua quando se cruzou com um velho sacerdote. O padre disse-lhe:
- Bom dia. Por acaso você não é a Mª Antónia, a quem casei já há cinco anos na minha antiga paróquia?
Ela respondeu: ...
- Sim, Padre, sou eu.
O sacerdote perguntou:
- E tiveram filhos?
Ela respondeu:
- Não Padre, infelizmente não.
O padre disse:
- Bem, na próxima semana viajo para Roma. Por isso se quiser, acendo lá uma vela por si e seu marido, para que recebam a bênção de poder ter filhos.
Ela respondeu:
- Oh Padre, muito obrigada, ficamos ambos muito gratos.
Alguns anos mais tarde encontraram-se novamente. O sacerdote ancião perguntou:
- Bom dia Mª Antónia. Como está agora? Já teve filhos?
Ela respondeu:
- Óh, sim Padre, 3 pares de gémeos e mais 4. Dez ao todo!
Disse o padre:
- Bendito seja o Senhor. Uma família abençoada! E onde está o seu marido?
- Vai a caminho de Roma, a ver se apaga o raio da vela!

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

É triste ver quem faz tudo para ser bispo e depois só vive para a sua vaidade, afirma papa Francisco

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O papa Francisco criticou (recentemente), no Vaticano, os padres que procuram por vários meios serem bispos, mas que, após receberem a ordenação episcopal, se dedicam sobretudo a exibirem-se.
«É triste quando se vê um homem que procura este ofício e que faz muitas coisas para lá chegar, e quando lá chega não serve, pavoneia-se, vive apenas pela sua vaidade», afirmou Francisco, citado pela Rádio Vaticano.
Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de S. Pedro para a audiência geral das quartas-feiras, o papa dedicou a sua intervenção às virtudes e missão de um bispo: «Não é fácil, não é fácil, porque nós somos pecadores».
«Como Jesus escolheu os apóstolos e enviou-os a anunciar o Evangelho e a apascentar o seu rebanho, assim os bispos, seus sucessores, são colocados à cabeça da comunidade cristã, como garante da sua fé e como sinal vivo da presença do Senhor no meio dela», assinalou Francisco, que pediu orações pelo ministério episcopal.
Por isso, prosseguiu o papa, «não se trata de uma posição de prestígio, de um cargo honorífico. O episcopado não é uma honra, é um serviço. Foi isto que Jesus quis».
Na Igreja, e em particular entre os bispos, «não deve haver lugar para a mentalidade mundana», que faz com que se diga: «“Este homem fez a carreira eclesiástica, tornou-se bispo”; não, não. O episcopado é um serviço, não é uma honra para vangloriar-se».
«Ser bispo quer dizer ter sempre diante dos olhos o exemplo de Jesus, que, como bom pastor, veio não para ser servido mas para servir e para dar a sua vida pelas suas ovelhas», vincou.
Francisco lembrou o exemplo dos «muitos bispos santos», que mostram que o episcopado «não se procura, não se pede, não se compra, mas acolhe-se em obediência, não para elevar-se, mas para abaixar-se, como Jesus, que se humilhou a si próprio, fazendo-se obediente até à morte, e morte de cruz».
A alocução do papa visou também a unidade da Igreja, que os bispos são chamados a promover: «Quando Jesus escolheu e chamou os apóstolos, pensou-os não separados uns dos outros, cada um por conta própria, mas juntos, para que estivessem com Ele, unidos, como uma só família».
Para o papa, «também os bispos constituem um único colégio, reunido em torno ao papa, o qual é guarda e garante desta profunda comunhão».
«Como é belo, então, quando os bispos, com o papa, exprimem esta colegialidade e procuram ser mais e mais servidores dos fiéis, mais servidores na Igreja. Experimentámo-lo recentemente na assembleia do Sínodo sobre a família», referiu.
Francisco frisou que «não há uma Igreja sã se os fiéis, os diáconos e os presbíteros não estão unidos ao bispo», pessoa que «torna visível o ligame de cada Igreja com os apóstolos e com todas as outras comunidades», pelo que uma «Igreja não unida ao bispo é uma Igreja doente».
Fonte: aqui

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Afinal, a estupidez propaga-se



A estupidez, insensatez ou nesciência são habitualmente consideradas marcas psicológicas e/ou morais.

O veterotestamentário livro dos Provérbios tem abundantes notas sobre o “insensato”, que se contrapõe ao sábio, em termos psicológicos morais e sociais. Assim, o insensato é caraterizado em termos como os seguintes: escarnece de quem o corrige (9,7); sofrerá sozinho as consequências da sua insensatez (9,12); é a tristeza da mãe (10,1); o insensato de língua cai em rutura (10,8); as costas do insensato sujeitam-se à vara (10,13); a boca do insensato é um perigo iminente (10,14); o insensato espalha a calúnia (10,18); os néscios perecem por falta de entendimento (10,21); quem despreza o próximo é insensato (11,12); anel de ouro em focinho de porco tal é a mulher formosa, mas insensata (11,22); o insensato será escravo do sábio (11,19); o que detesta a repreensão é um insensato (12,1); o que procura futilidades é um insensato (12,11); o coração dos insensatos procura a loucura (12,23); o insensato põe a descoberto a sua loucura (13,16); o que acompanha os insensatos torna-se mau como eles (13,20); a mulher insensata derruba a sua casa com as próprias mãos (14,1); da boca do insensato brota a soberba (14,3); nos lábios do insensato não encontrarás palavras sábias (14,7); a loucura do insensato é um engano (14,8); o insensato ri-se do pecado (14,9); o insensato será saciado com os próprios erros (14,14); o insensato avança com arrogância e julga-se seguro (14,16); a loucura dos insensatos é a sua imprudência (14,24).

E a litânia continuaria. Mas parece que a amostra é suficientemente abundante, clara e pertinente. Desde a insciência à loucura, passando pela arrogância e soberba – manifestadas em palavras e ações – o insensato é capaz de tudo o que sabe a mal.

Não sendo a Bíblia um livro de ciência no sentido que nos legou o positivismo, ela espelha a profunda sabedoria popular, feita sobretudo da experiência de vida com que a senioridade endita o património imaterial da humanidade. E, nalguns aspetos, os estudiosos dão razão ao hagiógrafo bíblico – é óbvio que não em algumas das questões cosmográficas e biológicas. No entanto, há que ter em conta que o saber não se compartimenta, a não ser por razões metodológicas.

Já em 1955, Werner Keller escreveu o seu livro A Bíblia tinha razão, que muitos dos céticos em relação à Escritura Sagrada fariam bem em ler, já que retém um acervo significativo de pesquisas arqueológicas que demonstram a verdade histórica dos Livros Sagrados. E tê-la-á em muitos outros aspetos.

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O estudo a que se reporta o DN não a contradiz, bem como à sabedoria popular vertida na Bíblia e na infinidade de rifões, provérbios, anexins, aforismos e adágios.

A estupidez humana tem, afinal, uma explicação científica. Um grupo de cientistas norte-americanos encontrou em humanos um vírus, o ATCV-1, que ataca o ADN através do cérebro e torna os infetados menos inteligentes, sobretudo ao nível da aprendizagem, com especial incidência na capacidade de memorização.

Os susoditos cientistas são investigadores da Escola de Medicina John Hopkins e da Universidade de Nebraska e encontraram “vestígios do vírus na garganta de 40 indivíduos que participaram no estudo, num total de 90”. É uma percentagem de 44,44% de infetados em relação à amostra.

Os infetados apresentavam resultados menos favoráveis que os outros em testes de inteligência, sobretudo revelando menor capacidade de concentração e de perceção espacial. Até este momento investigativo, o vírus ATCV-1 só tinha sido identificado em algas verdes de lagos e rios. E ainda hoje se desconhece como infeta o ser humano.

No quadro do mesmo estudo, inserem-se testes feitos a alguns ratos dando-lhes algas infetadas. Segundo o que reporta a revista norte-americana NewsWeek, os animaizinhos infetados depois de ingerirem as ditas algas, em comparação com os roedores seus semelhantes sãos, demoraram mais tempo a encontrar o caminho de saída de labirintos e utilizaram menos tempo a explorar novos objetos. Lá está a falta de perceção espacial e a não concentração e atenção sobre o novo objeto pelo qual passaram como gato por brasas!

A pesquisa leva a concluir que, nos ratos, o vírus prejudica a aprendizagem, a formação da memória e a resposta imunitária a exposição viral.

Citado pelo jornal The Independent, Robert Yolken, o virologista que coordenou a investigação, sublinhou que “este é um exemplo notável que mostra que os microrganismos inócuos que carregamos podem afetar o comportamento e a cognição”.

Apesar de os infetados apresentarem e manterem condições de saúde consideradas normais, sofrem um impacto negativo ao nível cognitivo e ao nível de alguns comportamentos. Demais, o aludido cientista sustenta que as diferenças fisiológicas advêm efetivamente dos genes, mas “algumas das diferenças são alimentadas por micro-organismos que abrigamos e pela forma como eles interagem com os genes”.

A equipa de investigadores não determinou o modo como o vírus se transmite aos seres humanos. Todavia, está levantada a hipótese de o vírus infetar outros organismos além das algas que têm sido estudadas. Por outro lado, a imprensa internacional dá-nos conta de que os cientistas entendem que que se deve olhar para os agentes infeciosos de outra forma, já que estes podem ter efeitos subtis, ao contrário de outros que provocam uma série de manifestos problemas de saúde pública, como o vírus do ébola ou o da gripe das aves.

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Se os dados constitutivos da hipótese científica vierem a ser confirmados, a sabedoria popular, bíblica ou extrabíblica, manterá o seu nível de profunda perceção que a experiência de vida permitiu cristalizar.

O estúpido é globalmente um indivíduo considerado saudável. No entanto, a dificuldade de incorporar conhecimentos por via do ensino ou do estudo, a dificuldade de construir a memória e a incapacidade de resistência às invasões de agentes exteriores, mesmo naturais, afetará alguns comportamentos de incidência social, como: preconceitos (medo de tudo e de todos); palavras inconvenientes; euforias e disforias; atitudes imprudentes; comportamentos agressivos; postura soberba e arrogante; e situação de agressividade, ira e pré-loucura.

Não é nada que a auto e heterovigilância não consigam resolver, acompanhadas das respetivas autocorreção e correção fraterna, neste mundo competitivo e cruel.

Porém, temos de deixar-nos de alguns eufemismos em voga, como hiperatividade, frontalidade, traumatização – que, em muitos casos, não passam de disfarce de estupidez, má educação, presunção de exercer em absoluto todos os direitos ou de usufruir de todas e quaisquer regalias, mas com o desprezo por obrigações e pelo respeito em relação a outrem.

Se o número dos insensatos é grande e nefasto, muito maior e benfazejo tem de ser os dos sensatos, embora com a conveniente dose de tolerância e aceitação dos outros, já que ninguém terá culpa das viroses que acabou por contrair, embora a tenha se não as tentar conter.

2014.11.11
Louro de Carvalho

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Mais uma grande novidade sobre Jesus. Ai, desculpem, não é

Jesus casou com Maria Madalena, teve dois filhos e tentaram assassiná-lo aos 20 anos (julgo que já depois dos filhos nascidos, tendo em conta os modos de vida da época). Vem num manuscrito que encontraram na British Library. Ler aqui.

Ainda há dias, um investigador russo ou ucraniano dizia que era impossível Jesus ter existido. Será que alguém pode pôr os três investigadores, o eslavo, o canadiano e o israelo-canadiano, em contacto?

A novidade, agora, está sem dúvida na tentativa de assassinato. O resto não é novidade, pois não Dan Brown? Ups, a tentativa de assassinato, antes da cruz, também está nos evangelhos.


Fonte: aqui

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A forçada saída de portugueses de Timor-Leste


Não sou daqueles que, a propósito das relações entre Portugal e Timor-Leste, tecem loas ao desempenho de Portugal ou daqueles que usam da máxima complacência com Xanana Gusmão e outros dirigentes ancorados em Díli. Não obstante, acho problemática a forçada saída de portugueses de Timor-Leste, recentemente noticiada pela Comunicação Social.
Quanto aos que enaltecem o papel de Portugal, recordo não se poder olvidar o abandono a que o Governo de Lisboa, em 1975, votou o território, os militares e o último governo da colónia. A população viu-se arrastada com o território para a anexação pela Indonésia, alegadamente por Díli estar sob o domínio da FRETILINI, de feição marcadamente filocomunista. O Governo e os mais graduados das forças armadas portuguesas refugiaram-se na ilha de Ataúro, à espera de instruções de Lisboa, que nunca mais chegavam. E, como nos conta Rui da Palma Carlos na sua autonarrativa do livrinho Eu fui ao fim de Portugal, um considerável número de praças, sargentos e oficiais, das forças armadas portuguesas, foram humilhantemente deportados para incógnitas paragens indonésias, onde sofreram indizíveis maus tratos.
Não quero cometer a injustiça de acusar a diplomacia portuguesa de eventual negligência. Todavia, objetivamente ficou à vista de todos como a questão de Timor permaneceu no limbo do semiesquecimento até que, em 12 de novembro de 1991, durante o massacre no cemitério de Santa Cruz, em Díli, contra manifestantes que lutavam pela independência e sufragavam as almas dos que haviam tombado pela causa da liberdade, o mundo pareceu ter acordado. Foi então que Mário Soares, Presidente da República de Portugal, desabafou para os portugueses e para o mundo quanto o impressionara o ter ouvido as pessoas de Díli a rezar em Português no meio daquele sofrimento.
É certo que já em 13 de maio do mesmo ano, no seu discurso, à despedida de João Paulo II no termo da sua visita a Portugal, Mário Soares dirigira ao Papa um apelo de intercessão por Timor. E, antes, um grupo alargado de portugueses se quotizara para a aquisição dum emissor e uma antena com vista a que a voz de Xanana se fizesse ouvir a partir da guerrilha que ele comandava lá das montanhas. Porém, a associação Portugal-Indonésia continuava ativa e não no melhor sentido. Também em outubro daquele ano, uma delegação com deputados portugueses e 12 jornalistas intentaram uma visita ao território por ocasião da presença de Pieter Kooijmans, representante especial da ONU para os Direitos Humanos e Tortura. Como o governo indonésio objetara à inclusão da australiana Jill Jolliffe, apoiante ativa do movimento independentista FRETILINI, Portugal cancelou a ida da delegação, o que desmoralizou um pouco os ativistas independentistas timorenses, que pretendiam aproveitar a visita para melhorar a visibilidade internacional da sua causa. No entanto, aumentaram as tensões entre as autoridades indonésias e a juventude timorense; e a 28 de outubro, as tropas indonésias localizaram um grupo da resistência na igreja de Motael, em Díli.
Deu-se violento confronto entre os ativistas pró-integração e os ativistas independentistas que estavam na Igreja; quando este acabou, um homem de cada lado estava morto. Sebastião Gomes, apoiante da independência de Timor Leste, foi retirado da Igreja e abatido pela tropa indonésia e o integracionista Afonso Henriques foi atingido e morto durante a luta. A 12 de novembro, mais de duas mil pessoas marcharam desde a igreja onde se celebrou a missa em memória de Sebastião Gomes até ao cemitério de Santa Cruz, onde está enterrado, para lhe prestarem homenagem. O exército indonésio abriu fogo sobre a população, matando 271 pessoas no local e com 127 a morrer, dos ferimentos, nos dias seguintes.
Depois deste evento, a generalidade dos países passaram a apoiar Timor-Leste e reconheceram o direito da sua população para se autodeterminar pela independência ou pela não independência – o que veio a concretizar-se com o referendo oito anos depois, em 30 de agosto.
E o primeiro Presidente da República timorense, Xanana Gusmão, veio a Portugal onde foi recebido com todas as honras políticas e militares, bem como pela população, que lhe dispensou as melhores manifestações de carinho.
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Recorde-se que as relações entre os dois países conheceram momentos de boa cooperação no âmbito da segurança interna, com envio da GNR para manutenção da ordem pública e instrução de quadros, na educação com envio de professores e livros, na segurança social e, recentemente, na área da justiça, ao abrigo de protocolo específico. Tempo houve em que as autoridades timorenses manifestaram o desejo de ajudar Portugal no seu problema de endividamento externo através do fundo timorense do petróleo.
Algo, entretanto, mudou. Na cimeira da CPLP de Díli, em julho passado, como todos se lembram, Cavaco Silva e Passos Coelho foram literalmente humilhados ao serem confrontados com a inclusão automática, por indicação do Presidente da República timorense, na mesa da cimeira, do Chefe de Estado da Guiné-Conacry, já membro da CPLP de pleno direito sem o formalismo da eleição e sem qualquer comunicação prévia. Os representantes portugueses ao mais alto nível aceitaram o facto como fatalidade histórica e o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) não deu qualquer explicação nem formulou um ligeiro “ai”.
Será que as autoridades diplomáticas timorenses se arrogavam também o direito de receberem pedidos de desculpa do nosso MNE como as angolanas. O que dirá o irrevogável Paulo Portas? Evidentemente que no seu tempo não era assim.
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No atinente à expulsão dos magistrados judiciais e do ministério público bem como do elemento da polícia que fazia a ligação com os magistrados, são de levantar algumas questões.
Não creio que se trate de mera questão interna de Timor-Leste em que foram apanhados os portugueses, como perorou o nosso MNE. Tão dúbia afirmação, a corresponder a alguma verdade, deveria ser prévia a um formal pedido de desculpas às autoridades timorenses. Não quero também encarar a hipótese de aqueles funcionários qualificados serem apanhados em negócios escuros ligados ou não à função que ali exerciam. Se acaso isso tivesse acontecido, deveria ser acionada a justiça timorense e/ou a portuguesa, o MNE deveria ter sido mais claro, a ponto de os movimentos de solidariedade em torno do caso se tornarem mais autocontidos.
O Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, na sequência da conveniente decisão do Conselho de Ministros, comunicou a ordem de expulsão, dando o prazo de 48 horas. Os motivos invocados foram a segurança e o interesse ao Estado, a incompetência dos visados. Até foi dito que não estava em causa o código e o processo civil, mas o petróleo e os prejuízos ao Estado.
Questionado sobre o motivo por que não abordara o Primeiro-Ministro de Portugal, respondeu de forma evasiva, que estava ocupado com outras atividades. Esta não é resposta de estadista, muito menos dum amigo de Portugal. Nem é justa: se há erros, falhas, crimes e danos, eles devem ser denunciados com vista a reparação. Não é lícito ficar-se a resposta em generalidades ou evasivas. Por outro lado, nada esclarece a afirmação de Passos Coelho que assegurou ter feito tudo para evitar esse desfecho e considerou que muita água terá de correr para Portugal retomar a cooperação judiciária com Timor-Leste. E sabe a hipocrisia deslavada a garantia de Xanana de que “não há intenção nenhuma de esfriar as relações com Portugal” ou de que a decisão “não é contra Portugal nem contra os portugueses”. Contra quem será então?
O DN de hoje, dia 5, afirma que juízes e procuradores estavam ligados a uma verdadeira operação “mãos limpas” que decorria há três anos, sendo um deles juiz titular do processo contra a Ministra das Finanças. Portanto, parece que o real motivo da decisão de expulsão terá sido evitar que ministros do governo timorense chegassem à barra dos tribunais. Não foi, pois, suficiente o pedido de Xanana ao Parlamento para que impedisse o levantamento da imunidade dos membros do governo enquanto não terminasse o mandato e a auditoria ao setor da justiça.
Sucede também que algumas ações intentadas pelas concessionárias do petróleo contra o Estado terão redundado na condenação do mesmo ao pagamento de avultadas indemnizações.
Aqui residem problemas no quadro da justiça, que se sente pressionada, a ponto de o conselho superior da magistratura timorense se ter reunido de emergência e manifestado claramente a sua estupefação. Os magistrados queixam-se de que familiares dos arguidos ou dos réus (de alto nível político) assistem a sessões de julgamento, vendo nisso uma violação da independência dos tribunais. Mas há problemas políticos e económicos: cercar judicialmente membros do governo ou deputados, sobretudo em democracias frágeis exige um certo cuidado (o governo e o parlamento também são independentes dos tribunais); e não sei se o Estado timorense ganhou já o traquejo suficiente para interpor recurso das decisões judiciais de instância. Nós, em Portugal, nos alvores da atual democracia talvez tenhamos cometido mais erros que os timorenses. Mas já ninguém se lembra!
Porém, o problema mais melindroso parece-me ser o da cooperação. Os técnicos cooperantes estão sobretudo para ensinar, acompanhar. Deveriam abster-se, mesmo que solicitados, de intervir na tomada de decisões. As decisões, sobretudo as judiciais, deveriam ser tomadas pelas autoridades nacionais. Ninguém as deveria substituir, mesmo que algumas fossem erradas. É fazendo que se aprende e os erros são sempre passíveis de correção. E as autoridades timorenses acusaram o toque: os estrangeiros decidiam em vez de ensinarem. Será que a incompetência apontada por Xanana se referia não à competência técnica, mas apenas à ultrapassagem das competências técnicas? Terá o protocolo de cooperação acautelado tais situações?
Não terão sentido os magistrados um certo gosto de engasgar membros do governo de Timor-Leste, quando em Portugal raramente os apanham a jeito?! Seja como for, não vale a pena a Ministra da Justiça vira agora acenar com a existência do protocolo. Todavia, a nossa PGR fez bem ao solicitar ao Governo que diligencie no sentido de assegurar a proteção dos portugueses expulsos; o MNE faz bem em mandar regressar também os outros, até que se esclareça a situação; o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público apela para a ONU falando em grosseira violação da independência do poder judicial; e a Associação Sindical dos Juízes repudia a decisão de expulsão e solicita às autoridades portuguesas e internacionais que tomem posição sobre esta violação dos princípios do Estado de Direito Democrático.
Resta-nos esperar pelo correr de tinta para a retoma das boas relações Portugal-Timor-Leste.
2014.11.05
Louro de Carvalho

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Merkel: "Portugal tem demasiados licenciados"

Merkel:
A Chanceler alemã indica que a formação profissional deve ser o caminho para baixar o desemprego jovem em Portugal e Espanha, "que têm demasiados licenciados".
Num discurso numa associação de empregadores em Berlim, Angela Merkel defendeu o sistema de formação profissional alemão como exemplo a ser seguido por países como Portugal e Espanha para reduzir o elevado nível de desemprego entre os jovens.
Centrar-se nos estudos universitários para a realização carreira profissional "é algo que temos que ficar longe", adiantou hoje Merkel citado pela agência Bloomberg.
"Caso contrário, não seremos capazes de conseguir que países como Espanha e Portugal, que têm demasiados licenciados" obtenham os mesmos benefícios da formação profissional, acrescentou a governante.
Merkel considerou mesmo um "absurdo" a OCDE avaliar os países através dos níveis de licenciados, uma vez que "aqueles países que têm muitos graduados a nível universitário têm também elevados níveis de desemprego jovem".
Fonte: aqui

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Combata a gota

Os níveis de ácido úrico elevados podem originar uma doença conhecida como gota. Esta enfermidade pode também ser causada pela hipertensão, doenças do coração ou renais. Deixamos aqui alguns conselhos que podem ajudar a combater este mal:


1. Consumir uma maçã com casca logo após o almoço ou jantar. A casca da maçã é rica em vitamina C e, além disso, tem ácidos, como o málico, que desintoxicam o corpo de forma natural ao eliminar o ácido úrico.
2. Os frutos vermelhos, por conterem flavonóides, ajudam a dissolver o ácido úrico que se acumula no fluxo sanguíneo. Também as alcachofras e as cebolas têm propriedades diuréticas.
3. Beber muita água durante o dia elimina as toxinas e as bactérias. Esse hábito vai potenciar simultaneamente a capacidade dos rins, fazendo com que " trabalhem" o suficiente.
4. Evite excesso de sal e a cafeína pois produzem efeito contrário, tornando as tarefas renais mais lentas e difíceis. Assim como os sumos não naturais ou gaseificados.
5. Uma vez a cada dois meses aproximadamente, elimine de forma geral os cristais que vão se formando no organismo devido ao ácido úrico. A técnica consiste em dissolver meia colher de bicarbonato de sódio em 1/4 de litro de água e beber oito vezes ao dia. Não é recomendável o consumo dessa mistura para pessoas que sofrem de hipertensão ou insuficiência renal.
In O Amigo do Povo


domingo, 2 de novembro de 2014

A Presidente ou a Presidenta???

Aprendam, que eu não duro sempre!

Aqui vai uma explicação muito pertinente para uma questão actual:
 A jornalista Pilar del Rio costuma explicar, com um ar de catedrática no assunto, que dantes não havia mulheres presidentes e por isso é que não existia a palavra presidenta... Daí que ela diga insistentemente que é Presidenta da Fundação José Saramago e se refira a Assunção Esteves como Presidenta da Assembleia da República.
 
Ainda nesta semana, escutei Helena Roseta dizer : «Presidenta!», retorquindo ao comentário de um jornalista da SIC Notícias, muito segura da sua afirmação...
A propósito desta questão recebi o texto que se segue e que reencaminho:
Uma belíssima aula de português.
Foi elaborada para acabar de uma vez por todas com toda e qualquer dúvida se temos presidente ou presidenta.
A presidenta foi estudanta?
Existe a palavra: PRESIDENTA?
Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?!
No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante... Qual é o particípio activo do verbo ser? O particípio activo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade..
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a acção que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, em Português correcto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Diz-se capela ardente, e não capela "ardenta"; diz-se estudante, e não estudanta"; diz-se adolescente, e não "adolescenta"; diz-se paciente, e não "pacienta".
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
"A candidata a presidenta comporta-se como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".
Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação...