quinta-feira, 28 de maio de 2015

"Clínica 'Esvazia Carteiras', de Dr. Figo "

Clínica  Dr. Figo,
Sempre a servir e bem servir
Para muito dinheiro lhe extorquir!
1. Sente-se atormentado pelas almas do outro mundo? - Use defumadoiros à base de peles de figos secas em noite do dia 13. Pode misturar-lhes um pouco de enxofre. Repita a ação até as almas atormentantes se enjoarem e partirem...
2. Sofre de visão dos mortos que lhe provocam diarreia? - Coma alfarrobas. Uma vez basta...
2. Sofre de obstipação causada por pragas de quem lhe quer mal? - Coma de uma só vez 2 dúzias de figos quentes, de preferência brancos.
3. Sofre de 'mau olhado' de alguém? - Atire-lhe com uma dúzias de figos bem maduros, alternando com meia dúzia de tomates bem maduros. Aqui convém repetir a dose caso persistam os sintomas...
3. Sofre de falta de coceira? - Use papel higiénico biológico "folhas de figueira". Repita a ação até ganhar o hábito de se coçar...
4. Sofre de corpo aberto? - Beba chá de galinhaço, acrescentando-lhe uma 5 kl de figos verdes.
5. Sente-se traído pelo seu cônjuge? - Uma só doze de chá de pé de figo misturado com veneno de cascavel.
6. Sente que mãos invisíveis lhe apertam o pescoço de noite? Gargareje chá de sementes de figo duante 60 horas consecutivas, enquanto dispõe no meio de um pinhal ermo, e sobre uma toalha amarelada,  um bolo de noiva, cercado por três garrafas de champanhe, 50 cervejas, 200 velas e um presunto pendurado no pinheiro mais próximo.  

Dr. Figo, formado na universidade da vida a que se juntam muitas visões, sempre movido pela arte de esvaziar carteiras de incautos!
Dr. Figo, especialista em produtos à base de frutos da figueira, experimentados em laboratórios que não existem!
Dr. Figo, sempre à disposição e que pode ser contactado por email e telmóvel, embora não use nem email nem telemóvel.
Dr. Figo, sempre apto para  adivinhar o futuro dos outros, mas que nunca acertou no euromilhões, embora jogue todas as semanas.
Dr. Figo,  um imaginário para males imagionários, com resultados imaginários até que se caia na real

Churchill sobre o Islão - previsão!

Inacreditável, mas o discurso abaixo foi escrito em 1899. O breve discurso de Winston Churchill, foi ditado por ele em 1899, quando era um jovem soldado e jornalista.  Sir Winston Churchill foi sem dúvida um dos maiores homens do final do século XIX e início do século XX. Foi um jovem soldado corajoso, brilhante jornalista, um político e estadista extraordinário, um grande líder na guerra, e primeiro-ministro britânico , a quem o mundo ocidental será eternamente grato. Ele era um profeta no seu próprio tempo. Faleceu em 24 de janeiro de 1965, na idade avançada de 90 anos e depois de uma longa vida de serviço a seu país. Foi-lhe concedido um funeral de Estado.

AQUI FICA O SEU DISCURSO:

"Quão terríveis são as maldições que o Islamismo estabelece aos seus devotos além do frenesi ventilador, que é tão perigoso num homem como a hidrofobia num cão, há uma apatia fatalista e tenebrosa.
Os efeitos são visíveis em muitos países, com hábitos imprudentes, sistemas negligenciados da agricultura, métodos lentos de comércio e insegurança da propriedade existem sempre que os seguidores das normas do Profeta tomam com padrão de vida. O sensualismo degradado priva esta vida de sua graça e requinte, o seguinte é a sua dignidade e santidade.
O facto de que, no direito muçulmano toda mulher deve pertencer a um homem como sua propriedade absoluta, seja como uma criança, uma mulher, ou uma concubina, deve atrasar a extinção final da escravidão até que a fé do Islão deixe de ter grande poder entre os homens. Os muçulmanos individualmente podem mostrar qualidades esplêndidas, mas a influência da religião paralisa o desenvolvimento social de quem o seguir.
Nenhuma força retrógrada mais forte existe no mundo. Longe de estar moribundo, o Islão é uma fé militante e de proselitismo. Ele já se espalhou por toda a África Central, criando guerreiros destemidos fãs a cada passo; e se não fosse porque o cristianismo é protegido nos braços fortes da ciência, a ciência contra a qual havia lutado em vão, a civilização da Europa moderna pode cair, como caiu a civilização da Roma antiga 
(Fonte: The War River, primeira edição, Vol II, páginas 248-250, Londres).

terça-feira, 26 de maio de 2015

Benefícios das cerejas para a saúde


  • Ação anti-envelhecimento e preventiva da ação dos radicais livres: Como todas as outras bagas, as cerejas também são uma fonte de antioxidantes, repletas de vitamina C e flavonóides. Elas efetivamente neutralizam os radicais livres e protegem-nos de todas as doenças associadas ao envelhecimento ou derivadas da ação dos oxidantes, como o enfraquecimento do coração e do sistema nervoso, a perda de visão, a degeneração macular, a perda de cabelo, o enrugamento da pele, a perda da libido, o câncer de cólon e da prostata, insónia, distúrbios nervosos e muitos outros. Os antioxidantes, como carotenóides e os flavonóides (antocianinas) reparam os danos causados ​​pelos radicais livres.
  • Infecções e imunidade: Além de proteger contra os danos dos radicais livres, os antioxidantes (vitamina C, carotenóides e flavonóides) também aumentam a imunidade e nos protegem de infecções bacterianas, virais e fungicas, particularmente as de cólon, do trato urinário, dos intestinos, do sistema excretor, tosse e constipação. Eles também são muito eficazes como proteção contra a gripe e outras febres.
  • Cuidados com os olhos: Mais uma vez os anti-oxidantes. Eles protegem os olhos contra todos os danos dos radicais livres e  do envelhecimento, como perda de visão, a degeneração macular, bem como aliviam a secura os olhos, reduzem a inflamação e ajudam a manter a tensão ocular adequada. Os anti-oxidantes também protegem os olhos de infecções comuns.
  • Função cerebral e sistema nervoso: Os flavonóides e carotenóides são muito eficazes na melhoria da eficiência do cérebro, melhorando a memória e mantendo o cérebro ativo. Assim, aqueles que têm medo de vir a ter um cérebro apático e com pouca memória na velhice devem começar a comer cerejas. As propriedades anti-oxidantes destas cerejas também protegem o sistema nervoso de distúrbios relacionados com a idade. Assim, as cerejas podem ser úteis no tratamento de distúrbios do sistema nervoso, como a doença de Alzheimer, doença de Parkinson, depressão, ansiedade, stress, etc.
  • Obstipação e digestão: Enquanto as fibras na cerejas ajudam a aliviar a obstipação, os seus ácidos ajudam na digestão. Novamente, os anti-oxidantes mantêm o sistema digestivo em ordem. Os flavonóides estimulam os sucos digestivos, bílis e as vitaminas que ajudam na absorção adequada dos nutrientes.
  • Câncer: Os flavonóides, carotenóides e as vitaminas como a vitamina A e C são extremamente bons anti-cancerígenos. São eficientes a inibir o crescimento das células cancerosas, e assim evitam o desencadeamento de novos tumores cancerosos.
  • Doença cardíaca: As cerejas possuem nutrientes que são excelentes cardio-protetores, tais como vitaminas, antioxidantes (flavonóides e particularmente carotenóides) e minerais como o fósforo. As cerejam protegem o coração de quase todos os danos causados ​​pelos oxidantes. Elas ajudam a regular o batimento cardíaco, evitam o endurecimento dos vasos sanguíneos  e reduzem o colesterol e a tensão arterial e, assim, reduzem o risco de ataques cardíacos. Elas também fortalecem os músculos cardíacos.
  • Outros benefícios: Quanto mais escuras as cerejas forem, mais saudável e benéficas serão, porque serão mais ricas em antioxidantes. A frutose nelas presente dá energia sem prejudicar os pacientes com diabetes. Elas evitam infecções orais e mantêm afastado o mau hálito.
Fonte: aqui

domingo, 24 de maio de 2015

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Oscar Romero vai finalmente ser beatificado


Em 3 de fevereiro, o Papa Francisco recebeu o Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação das Causas dos Santos em audiência privada, na qual autorizou aquela Congregação a promulgar os decretos respeitantes ao martírio dos Servos de Deus Oscar Arnolfo Romero Galdámez, arcebispo de São Salvador, e de Michele Tomaszek e Sbigneo Strzałkowski, sacerdotes professos da Ordem dos Frades Menores Conventuais, e de Alessandro Dordi, sacerdote diocesano – assassinados por ódio da fé – bem como às virtudes heroicas do também Servo de Deus Giovanni Bacile, arcipreste decano de Bisacquino.

Dado que os demais não ofereceram qualquer polémica, o caso que impressionou a opinião pública é o atinente ao arcebispo salvadorenho Salvador Oscar Romero, assassinado a tiro enquanto celebrava missa, em 1980, na capela do Hospital de São Salvador. Apesar de muito crítico do regime militar e da repressão do Exército durante a guerra civil que opôs o Governo aos rebeldes de esquerda entre 1980-1992, este denodado defensor público dos pobres e oprimidos foi morto, não por motivos políticos, mas mártir por causa da sua fé – fé tão consequente que foi assassinado um dia depois do sermão em que pedia aos soldados do país para que desistissem das políticas de opressão e de violação de direitos humanos do regime.

Com data para a beatificação - 23-5-2015- , Francisco já tinha afirmado que caberia ao responsável da suso Congregação, Angelo Amato, ou ao prelado que defendeu a causa de Romero, Vincenzo Paglia, decidir quem o beatificará.

A Igreja Católica pode considerar mártires pessoas que tenham sido mortas por causa da religião, podendo os mártires ser beatificados mesmo que não lhes tenha sido atribuído milagre algum, embora, para que possam depois ser canonizados, seja preciso um milagre, a menos que reúnam os requisitos para a canonização equipolente.  

O caso de Romero pode ser um precedente para uma interpretação mais abrangente de mortes por ódio à fé, por compaginar um entendimento mais vasto que uma ação apenas contra a crença pessoal explícita, passando a englobar também um antagonismo em relação ao trabalho feito pela pessoa por causa da sua fé. Aliás, os textos bíblicos abrem inquestionavelmente para esta perspetiva: “Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10); e “Felizes sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos expulsarem, vos insultarem e rejeitarem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem” (Lc, 6,22). Não parece que o “por causa do Filho do Homem” implique necessariamente a adução explícita do nome de Cristo, até porque biblicamente o nome significa o ser e a missão específica da pessoa.

***

É voz corrente que, durante anos, a Igreja bloqueara o processo de Romero, confundindo a sua ação com a Teologia da Libertação, em certa medida conotada com as dinâmicas marxistas. E conhece-se a relutância manifestada por João Paulo II e por Bento XVI pela Teologia da Libertação qua tali, motivada pela não visível descolagem das perspetivas de Marx e pelo desconhecimento da realidade latino-americana, em parte devido à desinformação prestada por alguns dos prelados mais ligados aos poderes instituídos. No entanto, não será legítimo duvidar do empenho de João Paulo II pela causa dos pobres (que, em 2000, quis incluir Romero na celebração do Jubileu dos Mártires), bem como da evolução verificada durante o seu pontificado em relação à causa de Óscar Romero, como se verá mais adiante, e de algumas posições do próprio Bento XVI (que desbloqueou a causa de canonização, em dezembro de 2012). Com efeito, Cristo não só procurou libertação do pecado, mas de todos os tipos de opressão.  

No entanto, a decisão clara foi tomada por Francisco, que reabriu o processo de Romero, um dos heróis dos católicos da América Latina, quando foi eleito Papa em 2013 e ao qual se referiu publicamente algumas vezes.

O que aconteceu foi que, segundo o postulador da causa de canonização do arcebispo, D. Vicenzo Paglia, Óscar Romero, foi um bispo “fiel” ao magistério da Igreja e seguiu o ensinamento do Concílio Vaticano II, recusando uma 'Teologia da Libertação' que tivesse em vista apenas “a libertação material”. E explicitou o atual presidente do Pontifício Conselho da Família (Santa Sé), em conferência de imprensa: “Romero é verdadeiramente um mártir da Igreja do Vaticano II, uma Igreja que é mãe de todos, particularmente dos mais pobres”. O postulador da canonização revelou aos jornalistas que a decisão sobre o martírio mereceu juízo unânime da comissão teológica e da comissão dos cardeais que analisaram o caso.

Paglia recordou que vários padres tinham sido assassinados durante o conflito em El Salvador e que, em relação ao arcebispo, “havia um clima de perseguição contra um pastor que, seguindo a inspiração evangélica, escolheu viver no meio dos pobres para os defender da opressão”. Porém, “não havia motivos ideológicos”, relevou, rejeitando que D. Óscar Romero servisse um pensamento “pseudomarxista”, precisando que o prelado “foi morto porque escolheu a justa perspetiva” da Igreja Católica, “atenta à paz, à justiça e à verdade evangélica”.

Aquele responsável pontifício sustentou que a acusação de comunismo era uma “acusação fácil” que se fazia contra quem estava perto dos pobres e recordou que o prelado salvadorenho foi morto durante a Missa e não em casa ou na rua: “Queriam matá-lo no altar”.

***

Entretanto, D. Gregorio Rosa, amigo e colaborador do venerável arcebispo salvadorenho, veio a Portugal, em maio de 2013, a convite dos Missionários da Consolata, falar sobre o pensamento e a espiritualidade deste insigne homem de Igreja. E, no dia 22, concedeu entrevista à agência Ecclesia, de que se respigam os dados mais significativos, para que se afastem todas as dúvidas.

Rosa conta que Romero era um sacerdote de 40 anos, quando o amigo, aos 15 anos, iniciava os estudos no seminário menor, tendo trabalhado com ele um ano inteiro no seminário menor de San Miguel, como seu assistente, em 1968.

O seu nome aparece muitas vezes no diário do arcebispo por serem muito próximos. E aparece sobretudo quando D. Oscar, enquanto arcebispo, tinha de preparar relatórios para Roma, para se explicar e defender de ataques injustos que lá chegavam contra ele.

Por outro lado, como jornalista, D. Gregorio preparou com ele, muitas vezes, um programa de rádio, de 30 minutos, que era transmitido todas as semanas. Colocava-lhe questões muito provocadoras e uma vez perguntou-lhe se ele se tinha transformado, tendo ele esclarecido que não se tratava de transformação, mas de uma evolução. É uma ideia que ele refere que Romero explicita num documentário da televisão suíça em 1979, um ano antes de morrer: quando era bispo no interior do país, via as coisas de uma forma, mas, quando chegou a arcebispo e passou a estar na capital, descobriu de forma brutal o que é a violência estrutural, o que é a injustiça institucionalizada. E sentiu a vocação de acompanhar um povo esmagado pela violência, pela repressão, pelos esquadrões da morte, e de ser voz dos que não têm voz.

Ora, os profetas nunca são compreendidos. E Romero foi evoluindo para uma missão profética. Nas homilias falava muito do tema do profeta e comparava a missão de Jesus com a missão dos profetas. Ele foi um profeta – incompreendido, perseguido, assassinado. É muito fácil perceber, a partir daí, o que foi a missão de Romero, a sua opção, a sua vida e o seu martírio – a vida de um profeta fiel à sua missão, porque foi acima de tudo um discípulo de Jesus Cristo.

Sobre as dificuldades que ensarilharam o processo de beatificação de D. Oscar Romero, Gregorio Rosa fez uma breve resenha histórica: Romero foi incompreendido em primeiro lugar pelos seus irmãos bispos – quando era arcebispo, eram seis bispos no país, quatro contra dois, tinha apenas um bispo a seu favor, que foi depois seu sucessor em San Salvador, D. Arturo Rivera Damas. Quando havia votações, este perdia sempre. Romero terá dito uma vez, falando com jovens de um colégio católico: “Para uns sou a causa de todos os males do país, para outros sou o pastor que acompanha o povo”. Há, portanto, duas visões sobre D. Oscar: o homem recusado e o homem amado como pastor.

Vem, depois, um segundo momento: Romero é assassinado por um grupo preparado por um militar, Roberto D'Aubuisson, que fundou o partido político ARENA, partido que chegou ao poder, governando durante 20 anos – período de tempo em que não se interessou por Romero, mas em ir contra ele, já que tinha morrido por causa deles. Por isso, Roma nunca teve um sinal positivo sobre a canonização por parte do Governo, porque Romero era um inimigo.

Há relativamente pouco tempo, surgiu um primeiro Governo de esquerda, que levou Romero a sério. O presidente Mauricio Funes, no dia da sua proclamação, proclamou: “Romero é a minha inspiração, o meu modelo, e quero como ele optar pelos pobres e seguir os seus ensinamentos”. Assim, Roma começa a ouvir algo diferente, nos últimos anos.

Um terceiro elemento é que Romero é um Santo incómodo, pois os profetas são incómodos. É como Jeremias: é incómodo e querem acabar com ele. Estes santos desinstalam-nos, tiram-nos do sítio, obrigam-nos a rever a nossa vida medíocre – um fator contra Romero. Todavia, há uma corrente cada vez maior em seu favor e os Papas foram entendendo isto. João Paulo II entendeu Romero a partir do ano de 1983, quando visitou o seu túmulo. E acabou por compreendê-lo bem a partir dos anos 2000 e 2001, quando confessou que era um mártir da Igreja.

Não foi fácil a João Paulo II entender como é que um bispo é morto por cristãos, como eram os comunistas de El Salvador – que não eram como os da Polónia ou da Europa de Leste. Foi-o, finalmente, compreendendo: era outra visão da esquerda, um problema complexo que se foi esclarecendo.

O secretário do Papa polaco, D. Estanislau (Dziwisz), ora arcebispo de Cracóvia, no livro ‘Uma vida com Karol’ – refere D. Gregorio – dedica ao martírio um capítulo, no qual fala de apenas um mártir, Romero, relatando dois factos significativos relacionados com João Paulo II:

– Em 1983, antes da visita a El Salvador, aconselharam o Papa a não visitar o túmulo de Romero, por ser um tema muito politizado. Mas o Papa respondeu: “Como não o vou visitar, se morreu no altar, durante a Eucaristia”? As pressões no país continuaram, mas o Papa levou a dele por diante e visitou o túmulo.

– Também no ano 2000, a propósito do Jubileu dos Mártires, a 7 de maio, no Coliseu, na quarta-feira anterior, anunciou-se na sala de imprensa da Santa Sé como seria a cerimónia, uma grande paraliturgia, e perguntava-se que mártires deveriam ser evocados por cada Continente. Da América Latina, foram mencionados três nomes de bispos, mas não apareceu o de Romero, e os jornalistas perguntaram porque é que não constava o nome dele. Houve, consequentemente, uma reação em Roma, muito forte, de protesto. Dois dias depois, João Paulo II convidou vários cardeais, para jantar, entre eles o cardeal Kasper, que também referiu o que vem no mencionado livro: o Papa pediu o livro que ia ser usado na cerimónia dos mártires, procurou a página da América Latina e a oração conclusiva dessa secção, onde escreveu “bispos como o inesquecível monsenhor Romero, que entregou a sua vida no altar”. E teve de se fazer um novo folheto. Há, pois, dois folhetos, o que se ia utilizar, sem referência a Romero, e o que se usou, mencionando-o. Foi este o único nome evocado.

E, no mês de novembro de 2001, aquando da visita ‘ad Limina’ com João Paulo II, no momento pessoal com o Papa, o arcebispo Fernando Sáenz Lacalle chegou e, com ele, D. Gregorio Rosa. O Papa estava muito cansado, muito doente, não reagia ao que dizia o arcebispo, mas de repente levantou a cabeça e perguntou: “E Monsenhor Romero?” O arcebispo respondeu: “Estamos a falar sobre a devoção, não sabemos se há algum milagre por sua intercessão…”. O Papa pôs-se de pé, pegou na bengala e exclamou: “É um martírio”. E foi-se embora.

João Paulo II foi compreendendo, entendeu o que se passou com Romero e chegou à conclusão de que é um mártir da Igreja.

Ainda, no ano 2000, por ocasião da celebração do 20.º aniversário da morte de Romero, houve uma grande marcha nas ruas de San Salvador, com archotes – conta o entrevistado. Havia bispos italianos interessados na marcha, que ficaram surpreendidos ao verem que os jovens gritavam na marcha: “a gente sente, a gente sente, Romero está presente”.

E D. Gregorio Rosa conclui:

Os jovens precisam de algo que dê sentido à sua vida e veem em Romero um discípulo de Jesus Cristo, coerente com o que diz, com o que faz, e as pessoas precisam de modelos assim. Hoje vivemos num mundo que não tem modelos, não tem líderes. Romero é um líder, um modelo para os jovens de hoje, para as pessoas, e por isso é um santo muito atual.

***

Por mim, que participei em Portugal, no ano de 1980, numa singela celebração religiosa em sufrágio por si enquanto vítima do poder opressivo e repressivo, adorei conhecer um pouco mais do histórico respeitante ao percurso da beatificação de D. Oscar Romero e folgo pelo facto de ele se ter tornado um ícone para a juventude das novas gerações.

2015.02.04 – Louro de Carvalho

terça-feira, 19 de maio de 2015

Notícias de toda a parte

Lares – As comparticipações familiares para o pagamento de lares de idosos devem aumentar com as novas regras que estão em preparação. Adaptações que não eram feitas há 18 anos e que vão também determinar que os netos e os sobrinhos podem vir a ser chamados a pagar as mensalidades dos seus avós ou tios.

Educação – Os dados do Eurostat demonstram que além da queda na taxa de abandono escolar, Portugal registou a oitava maior subida do número de licenciados entre 2002 e 2014.
Em 2002, Portugal registava uma taxa de abandono precoce de 38,5% e a taxa recuou para 17,4% até 2014. Foram 21,1 pontos percentuais no espaço de oito anos.
 A taxa de abandono precoce de educação e formação é a percentagem de pessoas entre os 18 e os 24 anos que deixou de estudar sem ter completado o secundário e até 2020 esta taxa deverá recuar para um valor abaixo dos 10%.

Liberdade só para alguns O tribunal de Rennes decretou a remoção de uma estátua de João Paulo II. Por ter uma cruz “demasiadamente ostensiva” e por considerar que o seu significado religioso contraria a laicidade do Estado. O município tem seis meses para desmontar o monumento e colocá-lo “em lugar menos ostensivo”, decreta o tribunal. A sentença invoca a lei da separação Igreja-Estado de 1905. O processo foi desencadeado pela Federação Nacional do Livre Pensamento que, há poucos meses, também conseguiu remover uma imagem de Nossa Senhora de um parque público na região da Sabóia.

China O Governo de Pequim reagiu com revolta à classificação da China como “país de particular preocupação” pela Comissão da Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos. Uma porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros de Pequim disse que tinha sido feita uma queixa formal a Washington e lamentou que os Estados Unidos queiram “interferir” nos assuntos internos da China.

O autoproclamado Estado Islâmico está a exigir o pagamento de um resgate de mais de vinte milhões de euros pela libertação de mais de 200 cristãos raptados na Síria no passado mês de fevereiro. Um bispo envolvido nas negociações admite que a comunidade cristã local não tem meios para ajudar os reféns.

O Papa e Cuba O Papa Francisco recebeu no dia 10 de Maio, pela primeira vez no Vaticano, o presidente da República de Cuba, Raúl Castro, que lhe agradeceu pelo papel desempenhado na aproximação aos EUA.

Inglaterra tem muitas vagas para trabalhar na saúde – A página de recrutamento do Serviço Nacional de Saúde britânico tem mais de 12 mil vagas de emprego – desde a área da enfermagem e da medicina até centenas de empregos na área administrativa
No caso da enfermagem, há quase 3.900 vagas disponíveis para contratos permanentes no Reino Unido, com salários entre os 27 mil e os 55 mil euros por ano, dependendo da experiência e do nível em que o candidato entrar. Nas áreas médicas e administrativas, há mais de 2.000 mil vagas, também para vários pontos do país.

Investigador quer viver 150 anos – Alex Zhavoronkov, director da Fundação de Pesquisa de Bio-Gerontologia que está sediada no Reino Unido, defende que os avanços recentes na medicina e na tecnologia podem permitir aos humanos viver muito para lá dos 100 anos. Neste sentido, definiu os 150 anos como a sua meta para o fim de vida, e fez mesmo uma aposta de um milhão de dólares com um colega, que também trabalha na investigação sobre longevidade, para ver quem vive mais tempo. Além disso, toma 100 medicamentos e suplementos diferentes todos os dias, pratica exercício, faz exames médicos regularmente, monitoriza a bioquímica do seu sangue e faz a contagem das células.

Incompatibilidade entre ciência e religião? Não...

Veja aqui

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Fátima: peregrinação aniversária de maio de 2015


Está a decorrer, em Fátima, a peregrinação internacional aniversária de maio de 2015 (dias 12 e 13) sob a presidência do cardeal arcebispo de Aparecida D. Raymundo Damasceno Assis, marcada pela entronização no Santuário de Fátima de Fátima de uma Imagem de Nossa Senhora de Aparecida na abertura da peregrinação.

As linhas de força da peregrinação do ano de 2015, no 70.º aniversário do termo da devastadora II Guerra Mundial, são: tema do ano, Santificados em Cristo; subtema do mês de maio, “A Mãe de Jesus” (At 1,14); frase inspiradora, “rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores”; núcleo teológico, Deus Santo; elemento catequético, a Igreja como Comunhão dos Santos; atitude crente, oração.

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Em entrevista concedida a Leopoldina Simões em março deste ano, D. Raymundo Damasceno refletiu sobre esta ligação Fátima-Aparecida e sobre a sua vinda a Fátima.

Começou por afirmar que a imagem da Senhora Aparecida se tornou “muito querida do povo brasileiro” nestes quase 300 anos de permanência, “de mãos postas em oração, a partir do seu encontro bendito nas águas do rio Paraíba do Sul”.

Depois, assinalou a coincidência providencial de Fátima celebrar o seu “jubileu centenário” na mesma época. Por isso, a “réplica da Imagem da Mãe Aparecida oficialmente entronizada no Santuário de Nossa Senhora de Fátima” constitui “uma graça inesperada”. Neste sentido, augura que a sua entronização em Fátima transborde em “aparecimento” ou “irrompimento seu” no coração e na vida dos irmãos e irmãs.

Vê, por outro lado, “na multiplicidade da procedência de seus peregrinos”, que “Fátima tem as dimensões do mundo”. Assim, espera que “alargue até às últimas extremidades da terra as dimensões da ‘rede’, dos corações humanos nos quais quer aparecer para até ali abrir caminho para o seu e nosso Salvador único, Jesus Cristo”.

Quanto ao conhecimento da história e da mensagem de Fátima pelo Brasil, assegura que o seu povo conhece ao menos os “pontos mais significativos”, já que, em Fátima, é a Virgem que, na Aparecida, convoca os “seus filhos e filhas para a oração” – ambas com mãos em prece, mas integrada com a penitência. Assim, “nos acolhe junto de si, mas almeja algo bem mais profundo”: que encontremos ou reencontremos Deus e reforcemos os “laços vitais com Ele”. Dito de outro modo: Ela “acolhe-nos, mas, tendo o seu coração centrado em Deus pela prece, é a Ele que de facto nos quer conduzir”, para que, a Ele convertidos, “ao Seu coração de Pai, regressemos renovados para junto dos irmãos a fim de com eles edificarmos o mundo da fraternidade, da justiça, da paz, à luz do evangelho”.

No atinente à espiritualidade comum vivida em Fátima e em Aparecida e em termos de mensagem para o mundo, explicita que enquanto “sinal que ‘aparece’ no céu ou que o céu nos aponta”, Fátima e Aparecida nos desvelam a predileção divina pelos pequeninos, com os quais ela pode contar (Mt 11,25-26): em Fátima, busca três pobres pastorinhos a quem “aparece”; em Aparecida, são três pescadores, igualmente pobres, em cujas malhas se deixa enredar e, assim, se manifesta àqueles corações e àquelas vidas prontamente acolhedores.

Ambas, em suas imagens, aparecem de mãos postas em oração, a dizer-nos que as atitudes orantes nos elevam para Deus, porque só Ele nos satisfaz plenamente. E Aparecida, sendo imagem de mãe grávida, nos aponta que ela mesma e cada um de nós, seus filhos e filhas, devemos seguir e imitar Jesus, o Filho Salvador que, na força do Espírito, nos conduz ao Pai.

Quanto à mensagem que traz a Fátima a 12 e 13 de maio, deseja que os peregrinos, vindos de todos os lados, “representando o mundo todo”, experimentem o acolhimento materno e alegre desta “Mãe única de todos e de cada um”. Mais deseja que, “nestas duas imagens distintas, representativas das duas nações, Portugal e Brasil se sintam “irmanados a partir da mesma Mãe”. Pretende que as duas nações representem a inteira humanidade, pois esta foi a filha que Maria acolheu, como testamento, dos lábios do Filho agonizante na cruz. Fátima e Aparecida devem reforçar e propagar aos quatro ventos a dimensão universal da sua mensagem e proposta.

E define a missão da Virgem em consonância perfeita com o desígnio divino e os dramas do homem:

[Maria] anseia ser mãe e irmã da humanidade, discípula-modelo no seguimento do Salvador! Quer viver sua missão ímpar: trazer Deus do céu e fazê-Lo aparecer e acontecer no coração e na vida de todos nós humanos! E, a seguir, de nós seus peregrinos, fazer verdadeiros discípulos missionários e portadores dessa mesma experiência a nossos irmãos e comunidades de origem!

***

Esta peregrinação aniversária fica marcada pela morte por atropelamento de cinco peregrinos a pé, provindos de Mortágua. Por isso, foi celebrada, pelas 18,30 horas do dia 11 de maio, na Basílica da Santíssima Trindade, uma eucaristia especial pelos peregrinos que faleceram no passado dia 2 deste mês a caminho de Fátima, na estrada de Coimbra, perto de Cernache.

Na saudação inicial, foram pronunciados, pelo presidente da celebração, o padre Sérgio Henriques, capelão e diretor do Serviço de Pastoral Litúrgica do Santuário, os nomes de cada um deles, assim como foi sublinhada a dor que acompanhou este momento.

Foram igualmente lembrados os “que se encontram feridos invocando a graça de rápida recuperação” e “os familiares que vivem o momento de dor e se interrogam sobre o porquê do acontecido para que Nossa Senhora, nossa Mãe, a todos console”.

Na homilia, o padre Sérgio referiu a força que o Espírito nos dá para ultrapassar momentos difíceis como estes: “o Espírito Santo não nos dá uma resposta filosófica ou científica, mas dá-nos aquela certeza que advém da verdade de Jesus Cristo: unidos a ele na morte seremos vencedores pela Sua ressurreição”. E terminou a sua alocução com o desejo de que “Nossa Senhora, que a todos acolhe no seu Santuário, seja agora conforto e auxílio e na sua intercessão alcance de seu Filho e de Deus Pai tudo aquilo de que tendes necessidade e que vos trouxe a este local sagrado”.

Também, a partir de 13 de maio, a Imagem Peregrina de Nossa Senhora passará por todas as dioceses de Portugal, numa grande peregrinação festiva, que pretende assinalar o I Centenário das Aparições. A este respeito, o reitor do Santuário, Padre Carlos Cabecinhas, exprimiu o seguinte voto:

“Desejaríamos que esta grande peregrinação da imagem de Nossa Senhora fosse uma forte experiência de fé, através das celebrações, momentos de oração e expressões de piedade popular; desejaríamos que fossem atingidas todas as faixas etárias e que todos tivessem oportunidade de aprofundar o conhecimento e vivência da mensagem de Fátima”. 

 

A viatura oficial que transportará a Imagem Peregrina da Senhora de Fátima foi benzida na tarde de 11 de maio, junto do Posto de Socorros do Santuário de Fátima. A imagem será enviada para as dioceses de Portugal no final da Eucaristia da peregrinação internacional de maio, no dia 13. A oração de envio será proferida pelo bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto.

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Da homilia do Presidente da Peregrinação na missa da vigília em 12 de maio, respigam-se algumas ideias-força, em registo livre.

- A santa Mãe de Deus, de pé, junto da cruz, da qual pende, entre cruéis sofrimentos no corpo e na alma, o seu divino Filho, muito mais do que Ele desejou e pediu na agonia no Jardim das Oliveiras, desejava Ela que o Filho fosse salvo, poupado daquela morte cheia de dor e ignomínia. Porém, a Santa Mãe, unida a seu Filho, submeteu-se como Ele à vontade do Pai.

- Assim, a compaixão de Maria é verdadeira, porque efetivamente tomou sobre si a dor do Filho e aceitou com Ele a vontade do Pai, na obediência que dá a genuína vitória contra o sofrimento.

- Esta compaixão da Virgem está no coração da devoção à Senhora, tanto sob o título de Aparecida, quanto sob o de Fátima: em Aparecida, com justiça viu-se na cor negra da imagem a compaixão e a solidariedade com os sofridos escravos e seus descendentes; em Fátima, a oração e os sacrifícios pelos pecadores, como nos recorda a frase inspiradora ligada ao tema deste ano, “rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores”.

- Os pobres e os pecadores estão no coração da Mãe amorosa, que soube estar ao lado da Cruz de seu Filho e sabe continuar ao lado dos filhos que dela mais precisam.

- A nossa solidariedade – com os pobres e/ou com os pecadores – dificilmente consegue ultrapassar o simples compadecer-se e chegar a sofrer de verdade com os que sofrem.

- Devemos, pois, rogar a Maria que reúna em nós os sentimentos que configuram a verdadeira compaixão – a solidariedade, para que os sofredores consigam vencer o sofrimento; e uma verdadeira submissão à vontade de Deus, que sempre é vontade de amor.

- As palavras “Eis aí a tua mãe”, ouvidas pelo discípulo amado, dirigem-se a todos nós. Nelas vemos a mãe compassiva que nos é dada de novo.

- O Papa Francisco, antes do início da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, no dia 24 de julho de 2013, quis ir ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, como romeiro (ou peregrino). Com isso, Francisco confiou a Nossa Senhora a Jornada que teria início no dia seguinte, a Igreja no Brasil e todo o povo Brasileiro; e convidou-nos a conservar a esperança, a deixarmo-nos surpreender por Deus e a viver na alegria.

- Sobre o achamento da Imagem de Nossa Senhora Aparecida no rio Paraíba em 1717, o Papa recordou que, no início do milagre da pesca, está a experiência da fraqueza e do fracasso. Não era tempo de pesca, os três pescadores eram pobres, os seus barcos e as suas redes eram muito frágeis e simples. Mas eles perseveraram na esperança; e Deus revelou a sua presença de um modo inesperado: fez refletir a sua bondade numa imagem da Virgem Maria. E, além disso, a imagem estava já escurecida pelas águas e pelo lodo do rio em que fora jogada.

- Em Fátima, a Virgem Maria apareceu a três crianças simples, humildes e pobres: “Deus entra sempre nas vestes da pequenez”.

- O Papa tirou algumas conclusões:

. A imagem foi encontrada em dois lances de redes e em lugares diferentes, primeiro, o corpo e, depois, a cabeça, que foram unidos posteriormente: nestes factos, Deus dá a mensagem de recomposição e de unidade, que requer da nossa parte paciência;

. Seguidamente, os pescadores levaram para casa o “achado misterioso”: é que o povo simples e piedoso encontra sempre espaço nas suas vidas para a manifestação de Deus;

. Os primeiros devotos da imagem cobriram-na com um manto: manifestação de que Deus nos cobre com sua proteção, mas, antes, Ele faz-Se mendigo do nosso acolhimento;

. Em oração, os pescadores convidaram os vizinhos para partilharem a contemplação do mistério, pois, a experiência de Deus – a fé – quando é autêntica, traz consigo a necessidade de ser partilhada.

- Por isso, o Santo Padre concluía que a Igreja não pode “desaprender” a lição de Aparecida;

- Damasceno acrescenta a lição das Aparições de Fátima:

. A fragilidade é o meio escolhido por Deus para realizar a sua obra;

. A Igreja deve sempre lembrar-se de que não pode afastar-se da simplicidade.

- Nesta imagem simples de Nossa Senhora de Fátima, veneramos algo de grandioso: a mãe de Deus e nossa, o amor misericordioso de Deus, que se manifestou por meio daquela que foi chamada por Isabel de “bendita porque acreditou” (Lc 1,45).

- Reconhecidos por tão singulares provas do amor divino, seremos sempre gratos ao Senhor, que partilhou connosco a filiação de seu Pai, concedendo-nos a condição de filhos de Deus gerados no Batismo, permitindo que com Ele digamos: “Pai nosso”.

- Igualmente partilhou connosco a sua filiação materna – “Eis aí tua mãe!” – a qual, como Mãe solícita e compassiva, continua ao nosso lado, solidária com os que sofrem e com os pecadores.

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Depois da homilia do purpurado – alinhada com as intenções reveladas na susodita entrevista de março – que tão bem estabeleceu o paralelo entre a espiritualidade de Fátima e a de Aparecida, em sintonia com o discurso papal, não restam dúvidas da missão de Maria, Virgem e Mãe, na economia da Salvação e da obrigação dos crentes da sua estreita ligação a Deus Pai, a Cristo irmão, ao amor no Espírito Santo e à comunhão fraterna sob o olhar materno de Maria e no seu acolhimento amoroso e compassivo, modelo de todo o acolhimento e de toda a missão.

2015.05.12 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Não há vida depois do parto




No útero da mãe estavam dois bebés. Um deles perguntou ao outro: “Acreditas na vida depois do parto?” O outro respondeu, “Porquê, claro. Tem que haver alguma coisa depois do parto. Talvez estejamos aqui para nos prepararmos para o que iremos ser mais tarde.”
“Disparate” disse o primeiro. “Não há vida depois do parto. Que espécie de vida é que poderia ser?”

O segundo disse, “Não sei, mas deve haver mais luz do que aqui. Talvez andemos com as nossas pernas e comamos com as nossas bocas. Talvez tenhamos outros sentidos que hoje não compreendemos.”

O primeiro retorquiu, “Isso é absurdo. Andar é impossível. E comer com as nossas bocas? Ridículo! O cordão umbilical fornece a nutrição e tudo o que precisamos. Mas o cordão umbilical é tão pequeno. A vida depois do parto é logicamente para ser excluída.”

O segundo insistiu, “Bem eu penso que há qualquer coisa e talvez seja diferente do que é aqui. Talvez não precisemos deste cordão físico nunca mais.”

O primeiro retorquiu, “Disparate. E ainda por cima se houvesse vida, então porque é que ninguém cá veio, vindo de lá? O parto é o fim da vida e no pós-parto não há nada a não ser escuridão, silêncio e esquecimento.

“Bem, não sei,” disse o segundo, “mas certamente encontraremos a Mãe e ela tomará conta de nós.”

O primeiro respondeu “Mãe? Acreditas mesmo na Mãe? Isso é de rir. Se a Mãe existe onde é que Ela está agora?

O segundo disse, “Ela está à nossa volta. Estamos rodeados por ela. Somos d’Ela. É n’Ela que vivemos. Sem Ela este mundo não existiria e não poderia existir.”

Disse o primeiro: “Bem, eu não A vejo, por isso o que é lógico é que Ela não existe.”

A isto o segundo retorquiu, “Por vezes, quando estamos em silêncio, nos focamos e procuramos verdadeiramente ouvir, podemos perceber a Sua presença e podemos ouvir a Sua voz amorosa, chamando lá de cima.”
Fonte: aqui

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Anel de noivado

Um rapaz entrou com passo firme numa joa­lharia e pediu que lhe mostrassem o melhor anel de noivado que tinham. O joalheiro indicou-lhe um. O rapaz contemplou o anel e, com um sorri­so, aprovou-o. Perguntou o preço e dispôs-se a pagá-lo.
  Vai casar já? – perguntou o joalheiro.
– Não. Nem sequer tenho noiva – respondeu o rapaz.
A surpresa do joalheiro divertiu o rapaz.
– É para a minha mãe. Quando eu estava para nascer esteve sozinha. Alguém a aconselhou a abortar-me antes que eu nascesse para evitar todos os problemas. Mas ela negou-se a fazê-lo e deu-me o dom da vida. E a verdade é que teve muitos problemas, mesmo muitos. Foi pai e mãe para mim, e foi amiga e irmã, e foi professora. Fez-me o que hoje sou. Agora, que posso, compro-lhe este anel de noivado. Ela nunca teve um. Eu dou-lhe um como promessa de que, se ela fez isso tudo por mim, agora eu farei tudo por ela. Talvez mais tarde eu venha a entregar outro anel de noivado à mulher com quem me queira casar, mas esse será o segundo".
O joalheiro não disse nada. Ficou sensibilizado. E fez ao rapaz um desconto que nunca fizera a nenhum outro cliente.
Fonte: aqui

terça-feira, 5 de maio de 2015

Fundamentalistas católicos


Não são só os muçulmanos que se debatem com o fundamentalismo nas suas fileiras. Também o há entre católicos, embora sem armas, sem bombas, sem atentados, sem sequestros. Esperamos que nunca descambe para tal precipício.


Mas põe os nervos em franja ver seguidores d'Aquele que disse: "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei" e ainda: "Tu és Pedro e sobre ti edificarei a minha Igreja", pensar e falar como muitos aqui. Preste especial atenção aos comentários...

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Douro singular


Há alguns anos descobri, e li num trago, um livro extraordinário acerca do vinho do Porto e do Marquês de Pombal. A sua autora é Susan Schneider e ajuda-nos a perceber "a dependência e subdesenvolvimento em Portugal no século XVIII". Para aqueles que gostam de analisar as taxas neste Portugal contemporâneo, incluindo as novas taxas, para mim sem sentido, nos aeroportos, recordo que em razão do valor económico do vinho do Porto havia um conjunto de taxas por pipas e que passavam pela companhia vinícola do Alto Douro. Entre aquelas taxas estavam os subsídios "literário" e "militar", para além da "sisa da Câmara". Neste livro extraordinário aprendi que devido à eficiência dos métodos - sempre a eficiência! - "o Alto Douro subsidiou a educação portuguesa e, entre 1777 e 1782, os recebimentos provenientes dessa região representaram 20,8% da taxa da educação coletada em todo o país. Lisboa, com uma população muito maior, contribuiu apenas com 2,8% da totalidade."
Mas, e apesar das taxas - ou em razão delas... - o Douro é um espaço único. E o Douro, o rio Douro, uma imensa dificuldade. Só entre o Pinhão e a Régua, e como se aprende a partir de um interessante artigo com o sugestivo nome de "corações aflitos" - de Luís Miguel Duarte e Amândio Morais Barros - "os viajantes enfrentavam dezoito perigosos obstáculos até à desembocadura do rio Tedo, que levava a Moimenta da Beira"!
Estas dificuldades da natureza moldaram o homem duriense. Aqui sente-se a verdade de sermos "nós e as nossas circunstâncias". E apesar de tudo, este Douro aqui está. Património da Humanidade. Lindo e atrativo, com novas potencialidades e velhos humores, hospitaleiro e livre. Este Douro de hoje é de todo o Mundo e é, cada vez mais, um singular promotor de Portugal. Este Douro com as suas quintas e os seus solares, com a sua gastronomia e os seus lagares, com as suas quintas, os seus vinhos e os seus azeites, é uma das pérolas deste nosso Portugal. Este Douro com as adegas concebidas por Siza Vieira - como a da Quinta do Portal - e com as suas barragens que quase domesticaram o rio é um local para múltiplas imaginações e para constantes recriações. As suas vinhas, os seus socalcos, a sua luz, os seus nevoeiros, as suas aldeias, as suas estradas - as velhas e as novas! - as suas comunidades, as suas gentes, são exemplos de vida e de esforço, de abnegação e de gentileza, de grandeza e de qualidade, de perseverança e, também, de juventude. Permitam-me que, como mero exemplo, refira o "chefe" - e como estão na moda os "chefes" na nova gastronomia portuguesa! - Milton Ferreira, que a partir daquela Quinta sabe mostrar e combinar os sabores do Douro e de Portugal. E sabe, também, que as "velhas taxas" não podem ser esquecidas por todos aqueles que, hoje, ou criam outras ou distribuem os "novos e europeus subsídios"!
Fernando Seara, in DN de hoje