quarta-feira, 26 de abril de 2017

Festejar o Dia da Liberdade 43 anos depois…


Foi há 43 anos. O fim da tarde do dia 24 marcava o regresso do que atualmente se designa por interrupção das atividades letivas em razão da quadra pascal. E o Seminário Maior de Lamego inaugurava o 3.º período escolar com um retiro, orientado pelo então Cónego Dr. António José Rafael (que iria ser o Bispo de Bragança-Miranda), que se prolongou até ao fim da tarde do dia 27, em cujo encerramento os alunos finalistas do curso de Teologia (Não venha o Padre Portocarrero perguntar: “Finalistas em quê?”) foram instituídos no ministério de Leitor. E eu fui um deles.

Confesso que, sobreavisado de que algo se poderia passar naquela noite, pouco dormi a pesquisar estações de rádio num aparelho que trouxe de Estrasburgo no outono anterior. Um pouco espantado ouvi à meia-noite “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso, na Rádio Renascença, o que me pareceu estranho. Fiquei esclarecido quando, várias vezes, na madrugada, ouvi a mensagem do “Aqui, Posto de Comando das Forças Armadas…” na Rádio Clube Português, que foi, por isso, denominada Rádio da Liberdade.

Assim, quando me questionavam provocatoriamente, em situações de discussão política, onde é que eu estava no 25 de abril, respondia secamente: “No Seminário Maior de Lamego”. E assim continuarei a responder sempre que me façam essa pergunta com boa ou com segunda intenção. É a verdade factual. E, se me perguntam se pessoalmente sofri pela falta de liberdade, devo dizer que, em termos explícitos, muito pouco. Apenas umas reprimendas por pôr em causa a bondade de Salazar e não ter gostado da emenda constitucional pela qual a eleição presidencial deixou de ser por voto dos eleitores, passando a ser atribuição dum colégio eleitoral composto adrede para o candidato do regime ter de ganhar – isto não por parte das autoridades, mas por parte de pessoas da família e/ou do grupo de amigos. É certo que, numa inauguração de obra pública, o Ministro das Obras Públicas fez discurso e eu não bati palmas. Ao ser questionado por um senhor, que não conhecia e me segurava o braço, perguntando porque não batera palmas, respondi naturalmente que estava distraído.

Porém, passei, como tantos e tantas, as constrições e a orientação unilateral da educação, o sacrifício não justificado, as privações da vida, os efeitos colaterais do atraso económico, a falta de tudo (estrada, transportes, condições péssimas de habitação, sujeição por tempo demasiado à candeia de petróleo, medo das autoridade policiais, abuso da autoridade de proximidade, proibições sem justificação e explicação, sobrecarga de trabalho…), bem como a alguma infração de regras à espera de que fosse apanhado e castigado. E via o sofrimento de quem emigrava, os efeitos da guerra colonial.

Vi o logro da primavera marcelista, que prometia mudanças, mas que, além de algumas melhorias salariais e sociais, pouco avançou a não ser com a mudança de nomes – por exemplo, de PIDE para DGS e de UN Para ANP. A guerra colonial continuou e a crise do petróleo ia ponto tudo em pantanas. Restavam-nos as “conversas em família” na RTP, o regresso de Dom António Ferreira Gomes, Bispo do Porto, mas também a introdução da censura na Rádio Renascença, a chamada ao Continente do Bispo de Nampula e a expulsão de Moçambique dos Padres Brancos ou a indisposição do Governo pelo facto de o Papa Paulo VI ter recebido no Vaticano os líderes dos movimentos de Libertação de Angola, Moçambique e Guiné-Bissau e Cabo Verde, apelidados no Continente como chefes dos terroristas. Nos estudos via contradições, nomeadamente em disciplinas como a História da Civilização, em que muitas matérias pareciam não condizer com as opções do regime; a Organização Política e Administrativa da Nação, com uma Constituição Política que preservava as liberdades e a não prisão sem culpa formada em julgamento e a prática a contradizer o estabelecido ou a concentração de poder no Chefe do Estado (nomeava e exonerava o Presidente do Conselho e os ministros e dava poderes constituintes à Assembleia Nacional), quando quem detinha todo o poder era o Presidente do Conselho; ou a Economia Social e Política (que no Seminário integrava a disciplina dita de Sociologia), que defendia o sistema de partidos como suporte da democracia, enquanto o regime os exorcizava, e sustentava a greve como arma legítima dos trabalhadores a usar em último recurso, que o regime definia como crime político.

***

Com a revolução abrilina, iniciada por motivos profissionais de militares, a que se aliou a componente política, o MFA (Movimento das Forças Armadas) lançou um programa que desembocou na instituição da democracia de tipo representativo, assente numa Constituição elaborada e aprovada em Assembleia Constituinte (não sem percalços e contradições) e não em Lei Fundamental plebiscitada, no reconhecimento da autodeterminação e consequente independência das colónias, terminando a guerra colonial (embora lhe tenha sucedido a guerra civil em Angola e Moçambique, o golpismo na Guiné e a anexação de Timor-Leste pela Indonésia) e o processo de desenvolvimento, a culminar com a adesão à CEE.

Novos ventos, novas estruturas políticas, sociais e económicas, novo estilo programático na educação democratizada, serviço nacional de saúde, melhores condições de trabalho, etc. Porém, tudo hoje parece estar em causa: instituições políticas e económicas marcadas pela mediocridade e pelo enfeudamento ao poder financeiro, que estrangula e mata; a economia subterrânea; a economia de casino; o desemprego e situação opressiva e precária no trabalho; os negócios com a educação e com a saúde; a alegada pré-falência do sistema de Segurança Social, a insegurança face à criminalidade frequente e organizada – de sangue e económica; e a ameaça de terrorismo. Nisto, têm culpa as autoridades portuguesas e quem as suporta, a União Europeia que enveredou pelas categorias burocrático-capitalistas, a postura mundial – numa palavra, os grandes interesses. Tudo isto põe em perigo a democracia, pois, os órgãos do poder são condicionados pela pressão de interesses económicos e os detentores de cargos públicos podem ser testas de ferro das interesseiras eminências pardas, nacionais e/ou estrangeiras; e a soberania, se transferida em maioria para instâncias internacionais, gera o vazio dos órgãos de poder nacionais. E não haverá Presidente da República que garanta qualquer funcionamento nem regular nem irregular das instituições democráticas, que passam a ser fantasmas de democracia. Aliás, para se tirar importância a um país, fazem-se lá as sessões de que resultam as grandes decisões, embora quem decida sejam os grandes que ali se deslocam!

***

E que liberdade trouxe a revolução? Alguns pensam que se trata da possibilidade irresponsável de fazer tudo o que apetece sem que haja consequências. E, se são contrariados, aduzem logo o 25 de abril. Outros pensam que a liberdade consiste em escapar aberta ou encapotadamente aos seus deveres para com o vizinho, o amigo, a família, o grupo profissional, o Estado. E muitos, em nome da liberdade, são insolentes, arrogantes e intrometidos nos assuntos que não lhes dizem respeito. Mas a liberdade é sobretudo um predicado que enforma uma postura pessoal na comunidade. A pessoa tem de sentir-se livre para fazer o que quer fazer (não o que apetece) enquanto fruto duma inteligência lúcida que gera uma avaliação correta dos objetivos traçados, das circunstâncias configuradoras da situação em que se encontra e da relação que temos ou queremos ter ou não ter com os demais. A liberdade torna-nos cidadãos. E, como tal, acedemos à educação, cumprimos os nossos deveres e exercemos os nossos direitos, respeitamos os direitos dos outros, intervimos com o voto e com a crítica na criação, renovação e melhoria das instituições, órgãos e serviços, dispomo-nos a aceitar ser escolhidos (eleitos ou nomeados) para o desempenho de cargos de acordo com a nossa condição e fazemos tudo o que podemos para aumentar, melhorar e otimizar a comunidade a que pertencemos, sabendo mobilizar os outros para o desenvolvimento da mesma comunidade. E, se falhamos, sabemos a assumir a nossa responsabilidade, como, se outros falham, sabemos assacar-lhes as suas responsabilidades, mas sem fazer justiça pelas nossas próprias mãos.

Por outro lado, ser livre é ser capaz de decidir o nosso destino, fazer tudo o que a lei não proíbe e não ser obrigado a fazer nada que a lei não obriga. Ser livre é respeitar os compromissos livremente assumidos e honrar os contratos livremente outorgados. É ser autónomo e aberto ao outro, ultrapassando caprichos, ideias meramente pessoais, estados de alma, opinando e respeitando a opinião de outrem – sempre na firmeza da convicção e na delicadeza do diálogo.

***

Assim, festejar a liberdade 43 anos depois da generosa revolução abrilina implica fazer festa, mas não só. É preciso fazer memória do que era antes. E, como as gerações que viveram antes de 1974 são cada vez mais rarefeitas, importa que a escola, estribada nos competentes historiadores, faça a promoção da memória. Como pode celebrar a liberdade quem não sabe o que ela custou e quanto custa a sua preservação face aos perigos que a espreitam?

Festejar a liberdade requer vigilância contra os perigos, respeito pelos outros, assunção dos deveres para com a comunidade, pundonor no trabalho, empatia na relação, patriotismo inclusivo e cosmopolita, disponibilidade para criar riqueza e para a sua melhor distribuição.

Festejar a liberdade postura a homenagem aos seus paladinos, mesmo que as suas ideias nem sempre tenham coincidido com as nossas.

E o cidadão português deve ter em conta os desafios estratégicos de Portugal, designadamente a UE e as relações transatlânticas são assuntos absolutamente estratégicos para nós, que estão em jogo neste momento. E, se “Portugal tem feito o seu trabalho na Europa”, como disse Ferro Rodrigues hoje na sessão comemorativa do 25 de abril, “o cumprimento das nossas obrigações é condição necessária, mas não suficiente para o sucesso dos objetivos nacionais e europeus”.

O Presidente do Parlamento esclarece a questão do populismo de que hoje se fala muito:

“Não basta, a este respeito, falar em populismo. Acho que é um conceito que normaliza o que não é normal em democracia: as derivas autoritárias, os ataques à liberdade de imprensa, o racismo, o fechamento económico e social, o medo da diferença e do pluralismo. Isto não é nenhum novo populismo. Isto é a velha extrema-direita autoritária, nacionalista e xenófoba!”.

E, advertindo para a necessidade de vigilância democrática e reforço da democracia, adverte:

“Às vezes não damos o devido valor àquilo que temos e esquecemos a dimensão daquilo que conseguimos. Há quem fale de fadiga democrática e de desencanto europeu. Mas foi a democracia e o projeto europeu que garantiram o desenvolvimento e o mais duradouro período de paz no nosso velho continente.”.

Enfim, festejar a liberdade há de significar a promoção da qualidade de vida de todos, sobretudo das crianças, jovens e idosos e criar as condições de dignidade de vida para os pobres e doentes, garantir o acesso à saúde e à educação – para “democracia e 25 de abril, sempre!”.

2017.04.25 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Bravo, Maria Vieira!

A Catarina Martins está muito aborrecida porque acha que os EUA não respeitaram os Direitos Humanos pelo facto de terem bombardeado túneis subterrâneos onde se ...escondiam e operavam forças terroristas do Estado Islâmico! Curiosamente nunca vi esta senhora nem as colegas dela do BE chateadas ou incomodadas pelas centenas de mortes causadas em várias cidades europeias por membros do ISIS ou «simpatizantes» da causa islâmica! Nunca a vi protestar contra os estupros e agressões a mulheres europeias na Suécia, na Alemanha e em outros países que vêm acolhendo milhares de islamitas e "refugihadistas"! Nunca a vi reclamando sobre a forma como as mulheres são tratadas, desrespeitadas e agredidas na esmagadora maioria dos países muçulmanos, nem protestando pelo facto dos homossexuais serem perseguidos, torturados e executados nesses mesmos países, nem reclamando pela falta de liberdade política e religiosa nessas terras governadas por tiranos sem lei e sem humanidade que ela, porventura, acha que respeitam os Direitos Humanos!
Estou farta destas Catarinas e das suas coleguinhas da extrema-esquerda que se fazem passar por boa gente e por gente de bem e que nem sequer foram eleitas pelo povo português para debitarem as asneiras que ninguém com o mínimo de decência e inteligência quer continuar a ouvir! Estou farta! Sim. Estou farta! E como eu estão fartos tantos cidadãos aqui em Portugal, em Espanha, na Grécia e em outros países europeus ditos socialistas, países falidos, onde vegeta esta gente que parece viver num mundo alternativo (tipo "La La Land") e que pretende impor os seus devaneios alucinados a todo o custo sem para isso terem qualquer legitimidade política ou social. Sim. Eu estou farta e não tenho medo de o dizer, por muito que tentem, sem sucesso, calar a minha boca!

Maria Vieira, Facebook

Queima das Fitas numa grande cidade deste país

Há tempos, conversei com um leigo, professor universitário, que, às tantas, contava que colaborava com a equipa responsável pela preparação da Eucaristia da Bênção das Fitas, especialmente a nível musical.
Salientava ele que ultimamente tem havido grandes dificuldades em contactar com as organizações estudantis das diversas faculdades que parecem alhear-se de celebrações religiosas como se tal colidisse com estatuto laico da escola. Tais organizações estudantis não comparecem a reuniões marcadas, afastam-se de tais eventos e, muito menos, estimulam os estudantes a participar nas celebrações religiosas. Se ao menos informassem e não criassem dinâmicas de estorvo!
O lascismo - não confundir com laicidade - sabe bem como moldar a sociedade. Sabe ainda melhor que a faculdade é um ótimo campo de trabalho para semear o lascismo e assim condicionar o futuro do país. O laicismo não dorme.
Aliás o laicismo, representado no Parlamento por partidos bem conhecidos, tende a tornar-se "o novo dono disto tudo", tendo na comunicação social aliados de peso e sempre prontos a ser caixas de ressonância da "moderna verdade". E quem se lhes oponha não é democrata, é reacionário, consevador, medievalista. É assim a "democracia fundamentalista" do laxismo.
A escola pública não é confessioanal, claro. Respeita toda a gente, suas ideias e convicções. Não impõe nenhuma ideologia ou crença, seja o ateísmo seja a fé. Porque aberta, não impede que as pessoas manifestem, celebrem, vivam as suas convicções. É a laicidade que é positiva.
Um amigo dizia em tempos que estamos perante dois fundamentalismos no mundo, e de modo especia na Europa: o fundamentalismo islâmico e o fundamentalismo laxista, ateu e anti-religioso. E concluia o meu amigo, com alguma graça:
- Por quem Deus nos manda avisar!...Qual deles o melhor.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

terça-feira, 18 de abril de 2017

sábado, 15 de abril de 2017

Vencedor do festival de curtas metragens do Cairo

Primavera de rostos.
Primavera de gestos.
Páscoa.

Vencedor do festival de curtas metragens do Cairo

Primavera de rostos.
Primavera de gestos.
Páscoa.

Vencedor do festival de curtas metragens do Cairo

Primavera de rostos.
Primavera de gestos.
Páscoa.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Papa Francisco - O ser humano é estranho

O Ser humano é estranho...
Briga com os vivos, e leva flores para os mortos;
Lança os vivos na sarjeta, e pede um "bom lugar para os mortos";

Afasta-se dos vivos, e agarra-se desesperado, quando estes morrem;
Fica anos sem conversar com um vivo, e faz homenagens, quando este morre;
Não tem tempo para visitar o vivo, mas tem o dia todo para ir ao velório do morto;
Critica, fala mal, ofende o vivo, mas santifica
-o, quando este morre;
Não liga, não abraça, não se importa com os vivos, mas
chora e lamenta-se, quando estes morrem
Aos olhos cegos do homem, o valor do ser humano está na sua morte, e não na sua vida.
É bom repensarmos isto, enquanto estamos vivos!
 



(Papa Francisco)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

“Rasto de destruição de finalistas de escola ou mau atendimento hoteleiro?”


Haja quem nos dê informação imparcial e objetiva dos acontecimentos ocorridos em torno de cerca de um milhar de estudantes em hotel numa estância balnear de Torremolinos, (Espanha), pois as versões são contraditórias e de teor autodesculpabilizante e fortemente heteroacusatório.

Antes de mais, a caraterização da população escolar em veraneio pascal é problemática, para não dizer tóxica: alunos do ensino secundário finalistas de idades entre os 14 e os 17 anos…

O aluno de 14 anos é finalista de quê? Se é finalista do ensino básico de 9 anos, é um aluno-prodígio (iniciou a escolaridade aos 6 anos; e com mais 9 faz 15), mas não integra o ensino secundário. E um aluno com 17 anos irá mesmo terminar, em junho próximo, o 12.º ano? Quanto aos de idades intermédias, poderão ser do ensino secundário, mas não finalistas.

Tratando-se de viagem de finalistas em tempo de pausa da atividade letiva, não se imputa à escola qualquer tipo de responsabilidade direta. Todavia, é de questionar que aprendizagem estruturante a escola vem promovendo com os alunos. E os teóricos e os operadores do sistema educativo devem interrogar-se sobre a estratégia educativa que montaram, sustentam e impõem.

Com efeito, os comportamentos divulgados que põem em causa a sanidade dos estudantes não são admissíveis. Tem lá algum jeito fazer voar pelas janelas colchões, danificar as paredes arrancando azulejos, esvaziar extintores de incêndio nos corredores, colocar um televisor na banheira? Nem podem alegar que tenha sido divertimento, como alguém já fez crer. Isto é vandalismo. E só decorre de distúrbio causado por excesso de álcool, tara ou malvadez.

Alega-se que o serviço não correspondeu ao contratado. A ser verdade, os representantes da agência de viagens deveriam entabular conversações com os responsáveis da unidade hoteleira. E, se a comida era má, repetitiva, insuficiente, havia que fazer-se a respetiva reclamação, não em jeito de levantamento de rancho, mas através de renegociação. Mas foi mais fácil ladear o problema recorrendo à comida de plástico do McDonald’s, menos repetitiva (!).

E não me espanta, mas pasmo ao poder ler a douta sentença de pedopsiquiatra a justificar estes comportamentos. De facto, a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos realça, no Diário de Notícias, que se trata de menores e que

“Esta é a forma que encontram de extravasar as tensões que têm ao longo de um ano que é muito importante, o 12.º ano é um projeto de vida. Mas o que acaba por acontecer é que estas são viagens de deboche, destinadas a deixá-los numa excitação permanente. A indústria do turismo também é responsável”.

Devo dizer à senhora pedopsiquiatra que nada, mas mesmo nada explica nem justifica tais comportamentos e gostava de saber se a douta senhora não mudaria de sentença técnica se a sua habitação (provavelmente não a tem e viverá em casa arrendada, sendo as obras atribuição do senhorio) fosse pasto de tais comportamentos atrabiliários. Será caso de hiperatividade ou má educação?

É verdade que a responsabilidade direta do que aconteceu é dos estudantes. Porém, como são menores, as consequências recaem sobre outrem. 

***

Não gostei de ouvir o senhor Secretário de Estado das Comunidades, José Luís Carneiro, por quem tenho enorme consideração a referir-se ao facto de a agência de viagens ter seguro para o evento, mas a cobertura ser insuficiente. É óbvio que não conheço companhia seguradora que aceite, a não ser por vias travessas, assumir a responsabilidade civil por danos causados por vandalismo ou por terrorismo. Evidentemente que gostei do acompanhamento que a Secretaria de Estado vem prestando à ocorrência e folgo em saber que o governante tenha tranquilizado as famílias e a comunidade dizendo que “os estudantes estão bem”.

É óbvio que a responsabilidade direta da ocorrência é, in loco, da agência de viagens. Mas, como se trata de menores, os verdadeiros responsáveis são os encarregados de educação que assinaram os termos do contrato de viagem e deram a sua autorização. E pergunto-me se os pais aceitam (pelo menos de ânimo leve) que os filhos menores entrem numa estância de repouso ou de balneamento pascal em regime de bar aberto (permanentemente) e consumo de bebidas alcoólicas, se se vergaram já aos caprichos dos filhos ou ainda se estão estupidamente convictos de que “os seus filhos” não se metem nisso (são só os dos outros). Ai, a história das más companhias!

A este respeito, a CONFAP vem alertar os pais para as condições de viagem quando assinam o termo de responsabilidade, afirmando que eles devem conhecer as condições contratuais das viagens dos filhos. Jorge Ascensão, Presidente da CONFAP, é explícito quando diz à Lusa:

“As famílias devem conhecer os contratos quando assinam um termo de responsabilidade. Temos de saber o que estamos a assinar.”.

Por outro lado, alertou para os riscos de se fazer uma generalização do comportamento dos cerca de mil estudantes portugueses que regressaram a Portugal este fim de semana após os alegados desacatos num hotel em que se encontravam em Espanha, pois, tanto quanto se sabe, terá sido uma dezena de jovens a ter comportamentos reprováveis.

É óbvio que é sempre assim. Em milhares, são de dezenas os ativistas de um comportamento desviante ante a surpresa, a passividade ou a cumplicidade dos demais. Tal como na escola, uma turma é estragada exatamente nas mesmas proporções (no futebol é a mesma coisa). Só não se compreende a pretensa solidariedade entre e com os estudantes mal comportados na fase de apuramento dos factos e das óbvias responsabilidades. E a CONFAP sabe-o.

Porém, o Presidente da CONFAP acusa também o modelo de educação, que está demasiado centrado “nas classificações e no acesso ao ensino superior”, pelo que se impõe uma discussão sobre valores e limites que os alunos devem ter quando não estão nas aulas.

Confrontado como um e-mail recebido pela Lusa da parte dum aluno que se identificou como um dos participantes na viagem e que, entre outras queixas, referiu que foi assinado um contrato que previa bar aberto e que este foi encerrado às 22 horas, Jorge Ascensão alertou os pais para a necessidade de saberem em que condições autorizam a viagem dos filhos. E sustentou:

“Acreditamos que as famílias dão os melhores conselhos aos seus filhos, mas estamos a falar de fenómenos de massas, as famílias são as primeiras responsáveis. Temos de garantir a segurança deles.”.

E insistiu na reflexão sobre o ensino secundário, dizendo que os problemas noticiados em quase todos os anos com viagens de finalistas são “sinais de alerta” que devem levar a uma reflexão, nomeadamente se faz sentido este tipo de organização no ensino secundário. E eu questiono-me mesmo se as mortes que, em anos, lamentámos não terão origem em comportamento desviante.

***

O hotel onde estava alojado um grupo de 800 estudantes portugueses alegadamente do ensino secundário confirmou ter expulsado os jovens por danos e vandalismo e prometeu mais detalhes para uma conferência de imprensa a ocorrer hoje, dia 10.

Fonte da Direção Nacional da PSP disse à Lusa, anteriormente, que cerca de mil estudantes portugueses foram expulsos duma unidade hoteleira em Benalmádena, sul de Espanha, por desacatos e mau comportamento. Por isso, a polícia portuguesa está a acompanhar o caso em colaboração com as autoridades espanholas. E o Governo português também acompanha a situação, como revelou à Lusa o Secretário de Estado das Comunidades.

As autoridades de Torremolinos, por seu turno, dizem que não há qualquer prazo para terminar as diligências sobre o caso de estudantes portugueses, uma vez que não há detidos.

Na verdade, a polícia espanhola recebeu duas denúncias e iniciou a investigação sobre os alegados danos que centenas de estudantes portugueses causaram num hotel na costa sul de Espanha onde as autoridades tiveram de intervir no final da semana passada. Uma fonte oficial do comando regional de Málaga da Policía Nacional espanhola declarou à Lusa que tanto a administração do hotel como o operador que organizou a viagem apresentaram denúncias sobre os acontecimentos, tendo sigo iniciada uma investigação. Uma outra fonte da polícia espanhola disse, no dia 9, à agência Efe que um grupo de cerca de 1200 estudantes portugueses entre 14 e 17 anos causou estragos na ordem dos 50 mil euros nos quartos dum hotel de Torremolinos, o Hotel Pueblo Camino Real, que já tinha confirmado à Lusa, no dia 8, que uns grupos de mais de 800 estudantes portugueses do ensino secundário tinham sido expulsos por danos e vandalismo.

Segundo o jornal espanhol El Pais, os jovens foram expulsos pela direção da estância balnear depois de terem “destruído azulejos, atirado colchões pelas janelas, esvaziado extintores nos corredores do hotel e colocaram uma televisão na banheira”, entre outros danos.

No dia 8, o responsável de uma das agências que organiza as viagens dos jovens portugueses ao sul de Espanha negou que tenha havido desacatos e desmentiu a ordem de expulsão. Assim, Nuno Dias, da agência “Slide in Travel”, disse à comunicação social portuguesa que “os finalistas saíram no dia em que deviam ter saído, quando completaram as seis noites de hotel”.

Sendo assim, a “Slide in Travel” deveria mover um processo judicial à administração do hotel por difamação e não deixar cativa a caução de 50 euros da parte de cada estudante. Irá fazê-lo?

Depois, o facto de alegadamente saírem no dia em que terminava o tempo de permanência não quer dizer que não tenha sido por expulsão.

***

Mas há versões contraditórias sobre o que se passou. A imprensa portuguesa e a espanhola relatam desordens que levaram à expulsão de estudantes portugueses, ao passo que a agência de viagens nega desacatos, dizendo que os finalistas nem sequer vieram mais cedo e critica o hotel. E os estudantes descrevem insultos e entradas de seguranças pelos quartos. A própria página do Facebook do hotel traz comentários de clientes e estudantes, com fortes críticas ao serviço, quanto a alimentação, higiene e limpeza e insultos feitos pelo pessoal do hotel:


“O serviço é péssimo, as empregadas não substituíam os lençóis e toalhas, havendo em alguns quartos baratas e formigas, os seguranças entravam nos quartos sem a nossa autorização e não nos devolveram nem uma parte da caução, e ainda nos foi negado o livro de reclamações”.

Estudantes reiteraram ao serviço de informação do Sapo o exagero das notícias, dizendo não terem visto colchões a voar pela janela, e criticaram o diretor do hotel, o “monstro”, que recusou servir álcool, entregar o livro de reclamações e tratou os estudantes como se fossem “animais”. E os estudantes também chamaram a polícia para exercerem o direito de reclamação e queixa.

Mas os jornais de hoje não precisando da conferência de imprensa do hotel, já trazem mais informação. E da Direção Nacional da PSP vem a informação:

O mau comportamento associado ao consumo de álcool e as incivilidades nas unidades hoteleiras onde estavam alojados terão ultrapassado os limites”.

2017.04.10 – Louro de Carvalho

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Fundamentalismo de comentadores

Não foi só eu que me ri. Num programa de TV, um dos visados pela caricatura, riu-se à tripa forra...
Rui Gomes da Silva, André Ventura e Pedro Guerra, principalmente, são de um fundamentalismo crítico que exacerba o país pacífico dos ouvintes, seja de que cor clubística for, excepto, logicamente, os mais fanáticos benfiquistas.
Claro que os representantes de outros clubes que integram os painéis de comentaristas nos vários canais de TV defendem os seus clubes. Mas uma coisa é defender o clube de coração, outra é navegar pelo fundamentalismo.
De todos, e perdoem-me se estou a puxar a brasa para a minha sardinha, os mais livres são os comentadores portistas, pois não se inibem de criticar o seu clube quando o entendem como justo. Coisa  os nomes referidos acima jamais são capazes. São capazes de justificar o injustificável, tal o seguidismo que revelam. Os outros  e só os outros é que cometem erros, é que falham, é que são culpados. No reino do seu clube reina a perfeição!
Parece-me feliz a caricatura da Madraça (= escola muçulmana) que nada tem de ofensivo em relação aos muçulmanos, antes realça a cartilha comum que os referidos comentadores parecem seguir.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

TOQUE DE SILÊNCIO

Uma bela e tocante história...