quarta-feira, 19 de setembro de 2018

«Esclerótica e muito rígida».

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Tempo de Santidade!
Basta uma leitura superficial da história da Igreja, feita através de banais livros de ficção histórico-religiosa, adquiridos em qualquer estação de serviço ou posto de correio, para qualquer pessoa perceber que, ao longo dos últimos 2018 anos, esta instituição está repleta de jogadas palacianas e episódios mal contados e que aconteceram para alguém conseguir o poder a todo o custo.
Logo no grupo dos doze apóstolos, dois deles tentam influenciar Jesus Cristo, para serem mais que os outros dez. pedem Tiago e João: «Concede-nos que na tua glória nos assentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda» (Mc 10, 35-45), buscando lugar de destaque e honras especiais, próprias de homens que anseiam “subir” a posições superiores às dos demais.
Ao longo de vinte e um séculos houve de tudo: três papas em simultâneo, mortes de papas muito mal explicadas, papas exiliados à força, governantes de diversa ordem que sabotaram e influenciaram a decisão do conclave. Não podemos esquecer a vida imoral, o nepotismo e o nicolaísmo praticado por tantos bispos e presbíteros ao longo destes séculos. Mas perante isso houve pessoas santas? Houve. E muitas. Aliás, foi nos tempos mais negros e pecaminosos da história da Igreja que apareceram santos como S. Francisco de Assis, Santa Catarina de Sena, Santa Brígida, Santo Inácio de Loyola.
O facto de a Igreja subsistir a todos os problemas e maldades históricas é a prova que a santidade superou, supera e há-de superar o pecado dos homens da Igreja. O que no tempo presente é diferente do tempo passado são dois aspetos essenciais: formação e informação.
Nunca a hierarquia da Igreja Católica teve que lidar com tantas pessoas formadas academicamente e informadas como nossos dias. A hierarquia mais conservadora e tradicionalista está a revelar dificuldade em lidar com fiéis leigos melhor formados escolarmente do que eles e com um saudável sentido crítico do mundo, para além de terem um forte desejo de transparência, que provém do facto de estarem muito mais informados sobre o mundo em que vivemos, na grande maioria dos casos, mais do que essa hierarquia tradicionalista, ou como diz o Cardeal Ravasi, «esclerótica e muito rígida».
O Papa Francisco é um homem que tem lutado pela transparência a todos os níveis na Igreja: transparência económica, transparência moral, transparência de costumes e de vida. Como sempre, nos tempos difíceis e negros, a santidade surge na Igreja. E o Papa Francisco encarna essa santidade que a Igreja contemporânea precisa para ultrapassar os tempos difíceis do presente. E não perde o sono por ser criticado ou por saber que, na Cúria e noutros sectores da instituição, há críticos ferozes, que gostariam de ocupar o seu lugar e, consequentemente, outros lugares de poder. E acorda com energia, porque a Igreja, nós, que devemos ser irmãos dentro desta casa, desta instituição onde a cabeça deverá ser somente Cristo, precisamos dele. Porque Francisco dorme, verdadeiramente, o sono dos justos.
Fonte: aqui

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

«Um celibatário, com suficiente maturidade, tem tentações para se ligar a um adulto ou a uma adulta, mas não a uma criança» – Bispo emérito de San Sebastian

O bispo emérito de San Sebastian apresentou no Simpósio do Clero a “nobreza, dificuldades e etapas” do celibato e disse que um celibatário, “com suficiente maturidade”, não tem tentações para se ligar a uma criança.

“Um celibatário, com suficiente maturidade, tem tentações para se ligar a um adulto ou a uma adulta, mas não a uma criança ou um pré-adolescente ou adolescente, como é o tema da pedofilia”, afirmou D. Juan María Uriarte.
Em declarações aos jornalistas, após ter apresentado a sua conferência sobre o celibato a mais de 400 sacerdotes, que participam no Simpósio do Clero, o bispo emérito de San Sebastian fundamentou-se em especialistas e na experiência para afirmar que a relação entre celibato e pedofilia “não existe”.
“A afirmação científica de especialistas, pelo menos cinco ou seis, está comprovada com a experiência. É curioso que os ministros de outras confissões, casados, tanto orientais como protestantes, a percentagem de ministros que incorrem neste tipo de graves delitos é igual ou maior do que os celibatários”, afirmou.
“O fato de que família é o lugar onde mais se pratica a pedofilia e por educadores casados com uma percentagem superior à dos celibatários indica que a relação entre celibato e a pedofilia não é real, não existe”, acrescentou D. Juan María Uriarte.
O bispo de Espanha referiu-se à “tristíssima experiência dos casos divulgados” de pedofilia na Igreja Católica, sublinhando que “tem uma responsabilidade maior pelo seu carácter educativo, exemplar, evangélico”.
Para D. Juan María Uriarte é necessário que outras instituições se comprometam no combate ao abuso de menores para erradicar um fenómeno que “está afligindo todos”.
“O Papa Francisco seguiu uma linha que o Papa Bento XVI começou a realizar com muita determinação”, lembrou o conferencista, referindo que os casos de oposição à firmeza do Papa são de quem  tende a “ocultar a verdade”.
“É muito humano, mas pouco evangélico”, disse D. Juan Uriarte, esperando que Francisco “fique por muitos anos” e referindo que o caminho que está a seguir são “vias sem retorno”.
D. Juan Uriarte disse também que a educação para a afetividade e a sexualidade “são manifestamente insuficientes”, não só nos seminários, mas em geral.
O bispo emérito de San Sebastian considera que a educação sexual que se oferecia antes “pecava por defeito” e a que hoje é proposta “peca por superficialidade” e sustenta que há um caminho a fazer para a “educação para a afetividade e sexualidade celibatárias”.
D. Juan María Uriarte, autor do livro “O celibato – Apontamentos antropológicos, espirituais e pedagógicos” (Edições Paulinas), fez a conferência de encerramento do Simpósio do Clero, que quinta-feira terminou em Fátima, e apresentou aos participantes uma proposta para uma vivência “sã e progressiva” do celibato sacerdotal.
Segundo o conferencista, que elaborou, com outros dois sacerdotes psicólogos, um de Itália e outro da Bélgica, um “estudo sobre alguns aspetos da situação dos presbíteros”, o clero pode dividir-se em quatro grupos relativamente ao celibato.
O primeiro grupo, que não é a maioria mas também “não é um grupo residual ou insignificante”, “vive o seu celibato dignamente e com elegância espiritual impregnada de paz e alegria e interior”, mesmo que conheça “deslizes de ordem menor”.
Para D. Juan Uriarte, no segundo grupo, mais numeroso, o celibato “é uma intensão honesta e um desafio aceitável”, mantendo viva a sua opção de viver um ministério celibatário com “ligeiros deslizes”; o terceiro existe  uma “tensão incómoda e em sofrimento que se repercute na totalidade da pessoa”.
“Existe um quatro grupo, minoritário, instalado na vida dupla, que mantém uma relação amorosa e genital com uma mulher ou uma relação simplesmente genital com várias mulheres”, acrescentou.
D. Juan Uriarte apresentou depois a vivência do celibato ao longo do percurso de vida sacerdotal, identificando as propostas para a experiência celibatária em cada etapa, desde tempos juvenis até à velhice, os possíveis desvios e propondo a formação e o acompanhamento espiritual como meios de sua recuperação.
Fonte: aqui