quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Professora agredida "a soco e pontapé" à porta de uma escola no Porto

E contra este tipo de violência ninguém protesta, ninguém se indigna, ninguém faz nada?
Onde estão os "profissionais da indignação" que pululam na comunicação social?
Será que os professores "viraram saco de porrada"?
Uma vergonha!
Nada, absolutamente nada, justifica estes atos de vandalismo contra os profissionais.
Há dias foi um médico, agora uma professora. Mais uma.
Professora agredida
Veja aqui a notícia.

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Problemas graves requerem medidas radicais

Hoje é um dia importante para a Igreja. O Papa Francisco deu hoje início à inédita cimeira de bispos e responsáveis religiosos da Igreja Católica sobre o «escândalo da pedofilia» e a crise dos abusos sexuais, que classificou como uma «chaga». «O santo povo de Deus olha para nós e espera de nós não apenas condenações simples e óbvias, mas medidas concretas e eficazes a aplicar. É preciso ser concreto», referiu o Papa, perante os 190 participantes, reunidos no Vaticano.


2. A Igreja inteira e o mundo esperam desta reunião precisamente aquilo que definiu o Papa «medidas concretas e eficazes». É verdade que é isso mesmo, mas melhor seria no meu singelo ver, que se esperam «mudanças profundas e concretas» para o modo de funcionamento da Igreja Católica.

3. Vamos a algumas medidas, para que tudo isto não passe de simples curativos, que recheiam o palavreado da mudança e da transparência mas na realidade tudo fica na mesma. É preciso combater o clericalismo, mudando todo o sistema que o alimenta principalmente o homossexualismo moralista cego contra as mulheres e os heterossexuais. Por isso, seria necessária abertura total, começando no Papa, passando pelos cardeais, os bispos e pelos padres, para que o sistema permita o Sacramento da Ordem às mulheres. Porque vivemos uma situação totalmente desfazada da realidade dos tempos de hoje, que reclamam igualdade entre homens e mulheres. A Igreja neste aspeto tem o dever dar o exemplo. O patriarcalismo que a hierarquia católica ainda apresenta não tem futuro tal como está e não terá vontade nem muito menos sabedoria para estancar a «chaga» dos  abusos sexuais.

4. A redução das perversões sexuais dentro da Igreja Católica dar-se-ão quando todo o sistema funcionar saudavelmente, convivendo homens e mulheres com a sua integridade sexual devidamente equilibrada. Sejam eles hetero ou homossexuais, casados ou solteiros.

5. Este retrato da Igreja seria uma verdade mais humana e mais profundamente ligada à Palavra do Evangelho de Jesus, que chamou e contou com homens e mulheres para o Seu Reino. Poderão dizer-me, os apóstolos são doze, todos homens, eu digo, mas as primeiras testemunhas da Ressurreição de Jesus são mulheres e quem prova que não fossem também apóstolas… Enfim, para tudo há sempre argumentos. Porém, neste aspeto dos abusos sexuais, enquanto as mudanças radicais não varrerem a Igreja de alto a baixo, tudo o que se faça para combater a «chaga» não passará de remendos que surtem efeito até certa medida e até certo tempo.
Fonte: aqui (divulgado pelo respetivo autor na passada quinta-feira, dia 21 de fevereiro)

Sorrir faz bem

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Pedro tinha sogra

Um padre que cede através da pedofilia é alguém em queda. É por isso que importa discutir o celibato, e não a homossexualidade.
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Custa ouvir membros do clero a estabelecer uma relação causa/efeito entre homossexualidade e pedofilia. Lamento, mas a homossexualidade é aqui uma irrelevância. A maioria dos casos de pedofilia é praticada por homens heterossexuais. São os pais, padrastos, tios, irmãos, primos e vizinhos que abusam das próprias filhas e filhos, sobrinhas e sobrinhos, vizinhas e vizinhos, primas e primos. O problema deles não é a orientação sexual, hetero ou gay, mas a própria condição masculina: gay ou hetero, o homem é o abusador sexual por excelência, cometendo cerca de 98% dos casos de agressão. É por isso que insisto num ponto: o caminho da igreja tem de passar por um papel mais alargado das mulheres; a mulher, seja qual for o seu cargo, tem de estar mais presente na vida das instituições da igreja.
A raiz do mal não é a orientação sexual, mas sim a impunidade do poder. Para pensar o assunto, seria bom que a igreja voltasse à pêra de Santo Agostinho. Em “Confissões”, quando recorda o seu passado de pecado, Agostinho invoca o episódio da pêra: diz que sentiu prazer quando roubou uma pêra de um quintal sem ser visto ou apanhado. A pêra de Agostinho é assim uma variação simbólica da maçã de Adão e Eva. Aqui o mal não tem mistério: Agostinho sentiu o prazer do mal, o prazer que é ficar impune, o prazer que é sentir que a nossa inteligência mecânica e amoral não se confronta com um sistema legal ou moral, o prazer que é dizer, Roubei mas não me apanham! É este o prazer lúdico do mal: o da invisibilidade, o de sermos invisíveis aos olhos da lei e aos olhos de Deus.
Voltamos, portanto, ao pecado original: a ideia de que o homem é tão poderoso e auto-referencial que se torna jogador e árbitro ao mesmo tempo; a ideia de que é o próprio sujeito que cria as regras morais que avaliam a sua conduta. Em "Confissões", é o jovem Agostinho que cria a paleta moral que avalia o jovem Agostinho. Neste circuito fechado, roubar não é um pecado, é um prazer.

A dimensão dos abusos dentro da Igreja só é compreensível à luz desta metáfora da pêra. Dentro da estrutura da igreja, o poder do padre e do bispo é (era?) demasiado grande, é (era?) um véu demasiado espesso que cria demasiados ângulos mortos, demasiados locais e situações onde a sua acção pode ceder à tentação. Não, não estou a dizer que todos os padres e bispos sentiram esta tentação – isso seria uma associação tão abusiva como aquela que tenta ligar homossexualidade e pedofilia. Estou a dizer, isso sim, que o clericalismo cria os cenários onde um determinado padre ou bispo pode de facto ceder à impunidade do poder.
Um padre que cede através da pedofilia é alguém em queda. É por isso que importa discutir o celibato, e não a homossexualidade. Com ou sem o problema da pedofilia, o fim da obrigatoriedade do celibato seria sempre um tema interessante. Com a questão da pedofilia em cima da mesa, é um tema obrigatório. Não acredito que o celibato seja a causa inicial da pedofilia, mas acredito que é um factor que potencia abusos e tentativas de aproximação indevidas. Ou seja, se ocorrer uma ignição do mal a montante, o rastilho é alimentado a jusante pelo celibato. É esta, de resto, a posição do padre Hans Zollner, responsável pela cimeira em curso: “a forma de vida celibatária torna-se num factor de risco quando a vida sacerdotal entra em crise”. Na Alemanha, a igreja percebeu que “a idade média do sacerdote que abusa pela primeira vez é de 39 anos”. Ou seja, a integridade moral dura bastantes anos e depois começa a desmoronar-se devido à solidão e ausência de laços afectivos além dos laços paroquiais. Em resposta, Zollner diz que são necessários mais testes preventivos no seminário. Com o devido respeito, julgo que isso não é resposta. Como é que se avalia aos quinze ou vinte anos a pressão de vinte anos de solidão cujo peso só se torna obviamente visível aos quarenta? Com o devido respeito, julgo que a resposta certa é acabar com o fim da obrigatoriedade do celibato. A igreja precisa de mudar e esse seria um sinal magnífico de mudança e de fidelidade bíblica. O celibato nada deve à Bíblia, nada.
Ironicamente, a igreja neste ponto ganhava em sair da grelha de Agostinho, pilar clássico da abstinência sexual e amorosa. Passar anos e anos sem sentir outro corpo humano é a negação da condição humana, passar uma vida sem uma relação de amor e partilha só pode ser um fardo e suportar esse fardo não é para todos. A obrigatoriedade do celibato não é para quem quer, é para quem pode. Existirão sempre corpos de elite dentro da Igreja que encararão o celibato com sentido de dever e amor por Deus. Mas a Igreja é a maior organização do mundo, será sempre composta por homens normais e não por heróis. E uma igreja feita por simples homens pecadores como Pedro só pode ser uma igreja de homens com o direito de casar, amar, formar família - como os apóstolos. É que até Pedro tinha sogra: "Entrando em casa de Pedro, Jesus viu que a sogra dele fazia no leito com febre" (Mt 8, 14).
Henrique Raposo, aqui

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

O terrorismo doméstico

1. Terrorismo doméstico, silencioso, por um lado, estridente, por outro, quando tomamos conta das suas consequências.

2. As notícias de hoje dão conta que pelo menos nove mulheres foram assassinadas em Janeiro, só no primeiro mês do ano de 2019. Ontem, soubemos que um monstro matou à facada a sogra, fugindo com a filha menor, esta manhã descobriram a menina morta dentro da bagageira de um carro. Em poucas palavras eis o enrendo de uma longa metragem que há muito tempo deve ter sido rodado nesta família.

3. A sociedade em geral é machista e patriarcal, institui e valoriza práticas sociais que desqualificam ou menorizam as mulheres. Estas práticas contribuem para que todos os dias do ano tenhamos uma cultura de violência contra as mulheres, particularmente, a violência doméstica e a violação, porque, por mais que se pinte de cor de rosa um dia do ano dedicado à mulher sempre haverá homens que são levados a crer que têm o «direito» de cometer diversos tipos de violência contra a mulher, inclusive a violência física, emocional, psicológica e sexual. E reforço a ideia, as mulheres são as primeiras a se prestarem a isto. Denunciem, não deixem passar o primeiro beliscão ou puxão de cabelos, não calem o que não deve ser calado, lutem pela dignidade, sejam as protagonistas da igualdade de tratamento e de oportunidades. Ninguém é dono de ninguém e ninguém é mais do que ninguém. O mesmo discurso serve para os lugares onde a violência é exercida da mulher contra o homem, mesmo que em menor escala. 
4. A crueza dos números é preocupante. Mas salta-me à vista e provoca-me um arrepio haver gente que considera existir atitudes violentas que podem ser consideradas de normais. Tem que haver causas, que necessariamente, conduzem a isto. Tem que existir instâncias e pessoas culpadas desta vergonha. O ambiente de casa também deve estar a ajudar imenso neste descalabro. A escola faz o que pode, mas os alunos são o espelho do que receberam em casa, do que vão vendo na televisão e na internet. Obviamente, que não quero ser injusto e ofender ninguém, mas os pais devem ser colocados à cabeça dos responsáveis por esta tragédia social. Porém, e essencialmente, tudo isto é bem revelador do desastre da falta de valores em que vivemos em toda a linha. E nesta crise, destaco o vazio de autoridade a que o ambiente geral condenou todas instâncias da educação.

5. A humanidade está em marcha atrás e vai para aquele ponto de onde, felizmente, tínhamos saído da violência famosa que várias vezes ouvimos, «quanto mais me bates, mais gosto de ti», ou da pancada com o ramo de flores, ou ainda da fatalidade do «tirano no seio do lar» que tanta instabilidade emocional provocava nos membros da família. 

6. Não se mata em nome de nada nem em nome de ninguém. É isto que penso, é isto que procuro viver e ensinar. Nada deste mundo e do outro vale mais do que uma vida humana. Por isso, não se resolvem os problemas a tiro ou com outros instrumentos que se sabe à partida que vão tirar a vida a uma pessoa. Ninguém merece que assim seja. Nenhuma necessidade por mais urgente que seja merece que se viva com a violência na ponta dos dedos e com o coração carregado de ódio. Há meios próprios, mesmo que tantas vezes morosos e injustos, mas é nesses lugares que se deve procurar remediar as injustiças e o cumprimento da lei. O dia hoje começou negro e triste.
José Luís Rodrigues,  aqui