sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Placa de Porta de Gabinete...

UM CERTO COMANDANTE DA GNR ACHANDO QUE SEUS SUBORDINADOS NÃO ESTAVAM A RESPEITAR SUA LIDERANÇA, RESOLVEU COLOCAR A SEGUINTE PLACA NA PORTA DO SEU GABINETE, LOGO QUE CHEGOU PELA MANHÃ:

"AQUI QUEM MANDA SOU EU"

AO VOLTAR DE UMA REUNIÃO, ENCONTROU O SEGUINTE BILHETE JUNTO À PLACA:
SUA ESPOSA LIGOU E DISSE PARA O SENHOR LEVAR A PLACA DELA DE VOLTA, PARA CASA.

SÓ OS LIVROS ESCAPARAM AO SAQUE

Confesso que ainda não tinha pensado nisso, mas o cronista trouxe à lembrança uma situação importante.
Na recente onda de vandalismo que varreu a Inglaterra, nada parece ter escapado à fúria das pilhagens.
Roubaram comida, bebida, computadotes, telemóveis, etc. De tudo um pouco. De tudo não é bem assim. Nenhuma livraria foi assaltada.
Por um lado, sossegaram os seus proprietários, poupados assim ao vulcão devastador.
Mas, por outro lado, é preocupante notar que as novas gerações não se interessam pela cultura. Talvez se se interessassem, não houvesse tanta violência.
A falta de cultura redunda, quase sempre, na falta de harmonia, na intolerância. Tudo desagua na violência.
Até quando?

FONTE: AQUI

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

MIGUEL TORGA

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O Vaticano II, 50 anos depois. Artigo José Comblin (+ 27-03-2011)

José Comblin, o padre belgo-brasileiro, teólogo da libertação, "teólogo da enchada", morreu no dia 27 de Março de 2011. Mas há dias foi publicado um artigo dele sobre o Vaticano II, "50 anos depois".

O Concílio Vaticano II permanecerá na história como uma tentativa de reformar a Igreja no final de uma época história de 15 séculos. Seu único defeito foi que chegou demasiado tarde. Três anos após sua conclusão, tinha início a maior revolução cultural do Ocidente.

A análise é do teólogo José Comblin, falecido em março deste ano, em artigo publicado na revista Adista Documenti, nº. 68, 24-09-2011. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis o texto.

O Vaticano II, 50 anos depois

1. Antes do Concílio

A maioria dos bispos que chegou ao Concílio Vaticano II não entendia porque tinha sido convocada. Os bispos, como os funcionários da Cúria, pensavam que o papa sozinho pudesse decidir tudo e que não fosse necessário convocar um Concílio. Mas, havia uma minoria profundamente consciente dos problemas existentes no povo católico, sobretudo nos países intelectual e pastoralmente mais desenvolvidos, onde se havia vivenciado episódios dramáticos de contraposição entre as preocupações dos sacerdotes mais abertos ao mundo contemporâneo e a administração vaticana. Todos aqueles que procuravam uma presença da Igreja no mundo contemporâneo, marcado pelo desenvolvimento das ciências, da tecnologia e da nova economia, como também pelo espírito democrático, eram reprimidos. Havia, no entanto, uma elite de bispos e cardeais cônscios das reformas necessárias e decididos a acolher a ocasião oferecida por João XXIII.

As comissões preparatórias eram claramente conservadoras e é por isso que, na abertura do Concílio, as perspectivas dos teólogos e dos peritos trazidos pelos bispos mais conscientes eram antes pessimistas. Mas, houve o discurso de abertura de João XXIII, que rompia decididamente com a tradição dos papas anteriores. João XXIII anunciou que o Concílio não se reunira para pronunciar novas condenações de heresias, como de costume. Tratava-se de apresentar ao mundo outra imagem de Igreja que a tornasse mais compreensível aos contemporâneos. A maior parte dos bispos não compreendeu nada e pensou que o papa não tivesse dito nada, porque não havia mencionado nenhuma heresia. Para o papa não se tratava de aumentar o número dos dogmas, mas de falar a mundo moderno numa linguagem que este pudesse compreender. Uma minoria iluminada entendeu a mensagem e sentiu ter obtido o apoio do papa na luta contra a Cúria.

Mas, a Cúria romana tinha uma estratégia. Existia um modo de anular o Concílio. As comissões preparatórias haviam preparado documentos sobre todas as questões anunciadas: Todos estes documentos eram conservadores e não permitiam nenhuma mudança real na pastoral. Teriam sido consignados às comissões conciliares que os teriam aprovado e o Concílio teria terminado em poucas semanas com documentos inofensivos que não teriam modificado nada. O importante eram traçar listas de comissões com bispos conservadores e explicar ao Concílio que a coisa mais prática era aceitar as listas já preparadas pela Cúria.

O primeiro a descobrir tal estratégia foi dom Manuel Larrain, bispo de Talca, no Chile, e presidente da Celam. Junto com dom Helder Câmara – eram amigos íntimos, habituados a trabalhar juntos – foram avisar os líderes do episcopado reformador. (...) Tratava-se de rejeitar as listas preparadas pela Cúria e solicitar que as comissões fossem eleitas pelo próprio Concílio. O cardeal Döpfner de Munique, Liénart de Lille, Sünens de Malinas, Montini de Milão e alguns outros tomaram a palavra e solicitaram que fosse o próprio Concílio que nomeasse os membros das comissões, proposta que foi aprovada por aclamação.

A conclusão foi que as novas comissões rejeitaram todos os documentos elaborados pelas comissões preparatórias: uma afirmação do episcopado referente à Cúria romana. O papa ficou satisfeito. (...).

A maioria conciliar que o grupo líder conseguiu garantir não queria uma ruptura e por isso sempre deu importância à minoria conservadora, embora pequena, que representava os interesses da Cúria e se identificava com ela. Portanto, muitos textos resultaram ambíguos, porque a um parágrafo reformista seguia um conservador que dizia o contrário. De um lado se anunciavam novos temas e do outro se dava espaço àqueles velhos da tradição dos papas Pio. Tal ambiguidade prejudicou muito a aplicação do Concílio.

A minoria conciliar e a Cúria não se converteram. Ainda hoje se opõem ao Vaticano II, encontrando argumentos nos próprios textos conciliares conservadores. Quando João Paulo II citava os textos do Vaticano II, eram aqueles mais conservadores, como se os outros não existissem. Por exemplo, na Constituição Lúmen Gentium, é claro que o acento é posto sobre o papel dado ao povo de Deus. Todavia, quando se trata da hierarquia, o povo de Deus desaparece e tudo continua como sempre. Em 1985, por solicitação do cardeal Ratzinger, o termo povo de Deus foi eliminado do vocabulário do Vaticano. Desde então, nenhum documento romano faz referência ao povo de Deus, que era o tema central da Constituição conciliar. (...)

Tal situação teve muita importância na evolução subsequente do Vaticano II na Igreja. Desde o início, houve um partido ao qual sempre se deu importância e poder e que lutou contra todas as novidades. Nas eleições pontifícias que, como sempre, são manipuladas por alguns grupos, o problema do Vaticano II tem sido decisivo e tem sido eleitos papas dos quais se conheciam as reservas sobre os documentos conciliares em tudo o que tinham de novo. O atual papa ainda pode viver dez anos e mais. Depois dele podemos prever que seja novamente eleito um papa pouco empenhado com o Concílio, para usar um eufemismo, porque os grupos que sustentam esta posição são muito fortes na Cúria e no colégio dos cardeais, e não há sinais que as futuras nomeações possam produzir uma mudança de direção. As últimas nomeações na Cúria são eloquentes.

2. De 1965 a 1968

A história da recepção do Vaticano II foi determinada por um acontecimento totalmente imprevisto. 1968 é a data símbolo da maior revolução cultural na história do Ocidente, mais do que a revolução francesa ou a russa, porque atinge a totalidade dos valores da vida e todas as estruturas sociais. A partir de 1968 houve muito mais do que um protesto estudantil. Houve o início de um novo sistema de valores e de uma nova interpretação da vida humana.

O Vaticano II respondera às interrogações e aos desafios da sociedade ocidental em 1962. (...). A sociedade européia destruída pela guerra tinha sido reconstruída e a Igreja ocupava um lugar relevante na sociedade. (...). Na realidade, perdera contato com a classe operária, mas esta já estava se reduzindo numericamente por via da evolução da economia para os serviços. O número dos católicos praticantes estava diminuindo, mas não de modo a chamar a atenção. (...). Os problemas eram estruturais e não tocavam os dogmas nem a moral tradicional.

Em 1968 entrava improvisamente em andamento uma revolução total que abraçava todos os dogmas e toda a moral tradicional, bem como todas as estruturas institucionais da Igreja e de toda a sociedade. (...). O Vaticano II respondera aos problemas de 1962, mas nada tinha a responder aos desafios de 1968. Em 1968 teria sido um Concílio conservador apavorado pelas radicais transformações culturais que tinham início.

(...). 1968 significa uma mudança de toda a política, da educação, dos valores morais, da organização da vida e da economia. (...).

a) 1968 significou uma crítica radical perante todas as instituições estáveis e de todos os sistemas de autoridade. Era a contestação global de toda a sociedade organizada tradicional. (...). A Igreja católica era o modelo típico de um sistema institucional radicalmente autoritário. Por isso, foi imediata e vigorosamente atacada e denunciada. As mudanças conciliares, tão tímidas, não podiam convencer a nova geração. O Vaticano II era totalmente inofensivo se confrontado com a revolução cultural iniciada em 1968.

b) Em 1968 teve início uma luta contra todos os sistemas de pensamento, as assim ditas “grandes narrações”. (...) Não se aceita nenhum sistema que tenha a pretensão de ser “a verdade”. E isso investe contra os dogmas e o código moral da Igreja católica, e toda a sua pretensão de “magistério”. O Vaticano II não podia sequer imaginar tal situação. Não houvera nenhuma crítica de nenhum dogma e jamais fora posto em discussão seu inteiro sistema de pensamento. Ora, a nova geração contestava todo o sistema doutrinal da Igreja católica, porque tal sistema não permitia o livre exercício do pensamento. (...).

c) Simultaneamente, ocorreu a explosão da revolução feminista. A descoberta da pílula que permitia evitar a fecundação e, portanto, facilitava a limitação da natalidade provocou um entusiasmo universal entre as mulheres. (...) Os episcopados dos países socialmente desenvolvidos e os teólogos consultados pelo papa entendiam que não houvesse nada na moral cristã que pudesse condenar o uso da pílula. Mas, o papa se deixou impressionar pelo setor mais conservador, embora minoritário, e publicou a encíclica Humanae vitae. Foi como uma bomba. Houve imensa revolta entre as mulheres católicas, as quais não aplicaram a proibição papal e aprenderam a desobedecer. (...). Muitos bispos ficaram abalados, mas não podiam fazer nada porque o Concílio absolutamente não havia tocado a questão do exercício do primado do papa. O papa decide por si, também contra todos. Era este o caso: o papa havia decidido contra os bispos, os teólogos, o clero, os leigos informados. Desafortunadamente, isso foi obra de Paulo VI que, pelos muitos méritos havidos na história do Concílio, aparecia como homem de abertura. (...). Para muitos, a Humanae vitae era como um desmentido do Vaticano II: nada mudara!

d) Até então, o consumo tinha sido orientado pelos costumes. Havia um consumo moderado e limitado. O consumo dependia da regularidade da vida: refeições regulares e tradicionais, festas tradicionais com despesas tradicionais, segundo um ritmo de vida no qual o trabalho ocupava o lugar central. A partir dos anos 60, o trabalho deixa de ser o centro da vida. A partir de então, no centro está a procura do dinheiro para poder pagar as férias, os fins de semana, as festas que se multiplicam indefinidamente e o consumo festivo. O trabalho é o que permite o consumo. (...). As próprias estruturas sociais estimulam o consumo e todos os que não podem consumir se sentem rejeitados pela sociedade. (...)

e) (...) Uma nova moral avalia as pessoas com base no dinheiro acumulado e na ostentação de riqueza. A partir disso, os donos do capital fazem o que querem e como querem. Até a queda do comunismo na URSS, o magistério estava empenhado contra isso e dava pouca atenção ao crescimento rápido de uma nova forma de capitalismo. (...). Na prática, a Igreja se esquece da Gaudium et Spes e aceita a evolução incontrolada do capitalismo. A doutrina social da Igreja perde todo o significado profético porque não se aplica em nada a casos concretos. Na prática o magistério aceita o novo capitalismo. (...).

3. A reação da Igreja foi aquela que se podia temer

Os papas e muitos bispos aceitaram o argumento dos conservadores de que os problemas da Igreja derivavam do Vaticano II. Vários teólogos que haviam defendido e promovido os documentos conciliares mudaram de idéia e adotaram a tese dos conservadores, como o próprio papa atual. Diziam que o Concílio fora “mal interpretado”. Por isso, João Paulo II convocou um sínodo extraordinário em 1985, por ocasião dos 20 anos da conclusão do Concílio, para lutar contra as falsas interpretações e dar uma interpretação correta. Na prática, a nova interpretação, a “correta”, consistia em suprimir tudo aquilo que de novo havia nos documentos do Vaticano II. Um sinal fortemente simbólico foi a condenação da expressão “povo de Deus”. (...). Praticamente, aconteceu como após a Revolução francesa: fechar as portas e as janelas para cortar a comunicação com o mundo exterior e reforçar a disciplina para evitar fugas. Mas, em vão. O problema é que a Igreja já não tem mais uma imensa reserva de camponeses pobres. Na América Latina os pobres vão com os evangélicos.

Desde então, na linguagem oficial se faz referência ao Concílio, mas sua mensagem é ignorada. O Concílio permanece na memória e nos princípios das minorias sensíveis à evolução do mundo, que extrai dele argumentos para solicitar mudanças e respostas aos desafios do mundo atual. Os jovens, incluindo os novos sacerdotes, não sabem o que foi o Concílio, que não reveste para eles nenhum interesse. Estão mais interessados no catolicismo anterior ao Vaticano II, com suas seguranças, sua beleza litúrgica e a justificação de um autoritarismo clerical que os protege dos problemas.

A reação da Igreja tem sido aquele do retorno à disciplina precedente, cujo símbolo é dado pelo novo Código de direito canônico (...). O novo Código fecha as portas a todas as mudanças que poderiam inspirar-se no Vaticano II. Torna o Vaticano II historicamente inoperante.

No mundo, a prioridade dada à luta contra o comunismo – um comunismo já em plena decadência – induziu a Igreja a aceitar silenciosamente (os silêncios da Doutrina social da Igreja, dizia padre Calvez) o capitalismo desenfreado que emergiu nos anos 70. Na América Latina o Vaticano apoiou as ditaduras militares e condenou todos os movimentos de transformação social em nome da luta contra o comunismo. Desde a época do governo de Reagan, a aliança com os Estados Unidos permaneceu firme até a guerra contra o Iraque, que abriu por um momento os olhos do papa. De tal modo, a Igreja se aliava com os poderosos do mundo e se condenava a ignorar o mundo dos pobres em sua pastoral real.

Na América Latina a reação a Igreja à revolução cultural ocorrida no mundo desenvolvido foi muito dolorosa. Destruiu algo de novo que estava nascendo. Na América Latina, o Vaticano II significou uma mudança real. (...). O Celam, com a aprovação de Paulo VI, convocou a Assembléia de Medellín, a qual mudou a orientação da Igreja para que tirasse do Concílio conclusões práticas. Decidiu optar pelos pobres e empenhar-se por uma mudança social radical, legitimou as comunidades eclesiais de base e a formação dos leigos com base na Bíblia e na ação política. (...). Em várias regiões, Medellín não foi aceita nem aplicada. Mas, houve regiões importantes nas quais Medellín modificou a Igreja e se tornou a aplicação real do Vaticano II.

Tudo isso foi sistematicamente atacado em Roma com argumentos oferecidos por setores reacionários da América Latina. Desde 1972, a campanha contra a Conferência de Medellín foi dirigida por Alfonso López Trujillo. Malgrado isso, em Puebla, em 1979, Medellín se salvou. Mas, sob o pontificado de João Paulo II a pressão cresceu. Os argumentos romanos, as nomeações episcopais, a repressão contra os bispos mais empenhado0s na linha de Medellín tiveram efeito. A condenação da teologia da libertação em 1984 acabaria dando o golpe final. A carta do papa à Conferência episcopal brasileira do ano subsequente limitou um pouco o alcance da condenação, mas a teologia da libertação ainda representa hoje algo de suspeito.

4. O que resta do Vaticano II

Hoje, as reformas realizadas pelo Vaticano II nos parecem muito tímidas, totalmente inadequadas e insuficientes. Será preciso andar muito além, porque o mundo mudou mais nos últimos 50 anos do que nos 2.000 anos precedentes. Do Vaticano II devem permanecer, como base para as reformas futuras:

O retorno à Bíblia como referência permanente da vida eclesial acima de todas as elaborações doutrinas ulteriores, dos dogmas e da teologia.
A afirmação do povo de Deus como participante ativo na vida da Igreja, tanto no testemunho da fé como na organização da comunidade, com total definição jurídica dos direitos e dos instrumentos necessários no caso de opressão da parte da autoridade.
A afirmação da Igreja dos pobres.
A afirmação da Igreja como serviço ao mundo, fora de toda busca de poder.
A afirmação de um ecumenismo de participação mais íntima entre as Igrejas cristãs.
A afirmação do encontro entre todas as religiões e pensamentos não religiosos.
Uma reforma litúrgica que use símbolos e palavras compreensíveis pelos homens e pelas mulheres contemporâneas. (...).

5. As condições da humanidade atual em estado de radical transformação.

a). Como entender a fé? A partir da modernidade, muitos cristãos perderam a fé ou pensaram tê-la perdido porque têm uma idéia errônea da fé. (...).

O objeto da fé é Jesus Cristo, a vida de Jesus Cristo. É dar a própria adesão a esta vida e adotá-la como norma, porque tem um valor absoluto, porque esta vida é a verdade, porque é assim que devemos ser homem ou mulher. Não é uma evidência que não permita dúvidas. É uma percepção de verdade que jamais suprime uma franja de dúvida, porque é sempre um ato voluntário e porque esta verdade não se vê. O crente não se sente obrigado a crer. É um ato de dom da própria vida, a escolha de um caminho. Não há evidência do fato de que Jesus vive e está conosco, porém sente-se sua presença como um apelo repetido, malgrado todas as dúvidas. (...).

Hoje o papa condena como relativismo fenômenos próprios do ser humano, que hoje não pode mais entender o modo tradicional de conhecer os objetos da religião. Estes não fazem parte de sua experiência de vida. (...). Tal condição do ser humano de hoje pressupõe uma profunda revisão da teologia da fé, a qual já está ocorrendo, mas não se divulga, com a conseqüência que milhões de adolescentes perdem sempre mais a fé, por não lhes ser explicado o que ela é.

b) A religião. Os nossos contemporâneos abandonam os atos litúrgicos oficiais da Igreja porque os consideram enfadonhos. A missa habitual é enfadonha, salvo em algumas circunstâncias especiais nas quais comparecem milhares de pessoas. (...) Quando a liturgia era um latim, era melhor porque não se entendia. Uma vez que se compreende, se capta seu estilo insuportável. É usada uma linguagem pomposa, formal, do tipo “humildemente pedimos”: ninguém fala assim. “Unimos as nossas vozes às dos anjos”: fórmula convencional que não responde a nada na vida. Há centenas de fórmulas semelhantes. (...).

c) A moral. Nossos contemporâneos não aceitam códigos morais, o fato que se lhes imponham ou se proíbam condutas porque estão no código. Eles querem entender o valor dos preceitos ou das proibições. Ou seja, estão descobrindo a consciência moral que permite captar o valor dos atos. (...). Antes a base da moral cristã era a obediência à autoridade. Era preciso fazê-lo ou não fazê-lo, porque a Igreja o ordenava ou proibia. Por isso tantas vezes os leigos perguntavam: isto se pode fazer? Se o sacerdote dizia que sim, o problema moral estava resolvido. Pois bem, isso pertence ao passado.

d) A comunidade. O cristianismo é comunitário. Mas, as formas tradicionais de comunidade tendem a debilitar-se. A própria família perdeu muito de sua importância porque os seus membros se encontram mais raramente. A paróquia atual perdeu o sentido de comunidade. Mas, estão aparecendo muitas novas formas de pequenas comunidades baseadas na livre escolha. Tais comunidades terão a capacidade de celebrar a eucaristia, o que pressupõe uma pessoa adaptada a presidi-la em cada grupo de umas cinqüenta pessoas. Não existe nenhuma dificuldade doutrinal para isso, porque nos primeiros séculos a situação era esta e não havia problemas. Isso é fundamental, porque uma comunidade que não se reúne na eucaristia não é realmente uma comunidade cristã. Os sacerdotes de tempo integral estarão em torno ao bispo de cada cidade importante para evangelizar todos os setores da sociedade urbana.

É claro que não sabemos quando e como se chegará a isso. É pouco provável que um Concílio que reúna unicamente bispos possa encontrar as respostas aos desafios da época. As respostas não virão da hierarquia, nem do clero, mas dos leigos que vivem o evangelho em meio a um mundo que compreendem. Por isso, devemos estimular a formação de grupos de leigos empenhados ao mesmo tempo com o evangelho e com a sociedade humana na qual atuam.

O Vaticano II permanecerá na história como uma tentativa de reformar a Igreja no final de uma época história de 15 séculos. Seu único defeito foi que chegou demasiado tarde. Três anos após sua conclusão, tinha início a maior revolução cultural do Ocidente. Os seus detratores o acusaram de todos os problemas que emergiram desta revolução cultural, e, com isso, o mataram. Mas, o Vaticano II permanece como um sinal profético. Em meio a uma Igreja prisioneira de um passado que não sabe superar, representa uma voz profética. Não conseguiu reformar a Igreja como teria desejado, mas foi um convite a olhar em frente. Ainda há potentes movimentos que pregam o retorno ao passado. Devemos protestar. Quando pessoas que nada entendem da evolução do mundo contemporâneo querem refugiar-se num passado sem abertura ao futuro, devemos denunciar. Para nós, o Vaticano II é Medellín. Também quiseram matar Medellín. Mas, Medellín permanece como a luz que nos mostra o caminho.

Uma última reflexão: O futuro da Igreja católica está nascendo na Ásia e na África. Será muito diverso. Aos jovens será preciso dizer: aprendei o chinês!
Fonte aqui, via aqui

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Carneiro assume personalidade de cão

Um carneiro que foi acolhido por um casal britânico após o seu nascimento, em Shropshire, em Inglaterra, tem dado que falar. O que o destaca de outros carneiros é facto deste agir como um cão, mesmo quando é posto em conjunto com outros membros da sua espécie.

Baptizado de Jack, o carneiro era o mais pequeno de um parto de três (acontecimento raro para a espécie). Alison Sinstadt levou-o para casa e criou-o com a sua cadela Jessie, de nove anos. A partir dessa altura os dois ficaram inseparáveis.

"Ele segue-a aonde quer que ela vá e até tenta imitá-la quando ela late. Ele faz um som estranho, metade 'méé', metade latido, que toda a gente acha hilariante", conta Alison ao jornal 'The Sun'.

O carneiro, que já está com seis meses de idade, também procura gravetos e salta sobre as pernas traseiras como um cão, segundo a dona. "Quando levamos a Jessie para passear, Jack não me larga até que eu coloque uma coleira nele também", afirma.

Um dos poucos hábitos de sua espécie que Jack manteve foi o de comer pasto.
Fonte: aqui

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Navio encontrado no fundo do Atlântico com 170 milhões de euros em prata

Afundado por submarino alemão em 1941

O “SS Gairsoppa”, afundado durante a Segunda Guerra Mundial, foi finalmente encontrado, 480 quilómetros a sudoeste da costa irlandesa e a uma profundidade de 4700 metros. Dentro do navio mercante britânico encontra-se um tesouro com cerca de 240 toneladas de prata que, se a operação for bem sucedida, será o maior e mais valioso alguma vez a ser recuperado do fundo do mar.
A preciosa carga do “SS Gairsoppa” está avaliada em 150 milhões de libras (cerca de 170 milhões de euros). A empresa que encontrou o navio e que vai tentar recuperar o tesouro, a norte-americana Odyssey Marine Exploration, vai ficar com o grosso do montante arrecadado com a operação. O acordo firmado com o governo britânico dita, de acordo com a BBC, que a empresa fique com 80% do valor da carga.
A Odyssey Marine Exploration, especializada neste tipo de operações, ganhou o concurso público deste projecto em Janeiro de 2010. O optimismo inicial do presidente executivo da empresa, Greg Stemm, que previa começar os trabalhos no Verão desse ano e encontrar o navio em 90 dias, não coincidiu com a realidade. Foi necessário mais um ano para localizar o casco e só na Primavera de 2012 tentarão retirar a prata.
“Completámos a primeira fase do projecto – a localização e a identificação do navio naufragado”, disse o responsável pela operação, Andrew Craig, citado pela BBC. “Agora, estamos a trabalhar arduamente no planeamento da fase de recuperação. Estamos extremamente confiantes”, acrescentou. A carga deverá ser retirada com recurso a submarinos não tripulados.
A profundidade a que o “SS Gairsoppa” se encontra, nas águas frias do Atlântico Norte, é 900 metros superior à que estão submersos os destroços do famoso “RMS Titanic”. A recuperação não será fácil, mas poderia ser ainda mais difícil. “Tivemos sorte em encontrar o navio pousado direito, com os porões abertos e acessíveis”, disse Greg Stemm, ao The New York Times, que publica um vídeo com imagens do navio no fundo do mar.
Quando a Odyssey avançou com o projecto não sabia ao certo o que iria encontrar, em que estado e em quanto tempo. A empresa assumiu esse risco, pagando pelas despesas de toda a operação, assim como pela sua documentação e pela publicitação da carga encontrada. É por tudo isto que o acordo firmado com Secretaria de Estado dos Transportes do Reino Unido, prevê que 80% do valor do tesouro fique nas mãos dos perscrutadores. O resto é pertence ao erário público britânico.
O contrato estipula, por outro lado, que os destroços sejam cuidadosamente inspeccionados para perceber se ali se encontram restos mortais de algum dos 85 tripulantes que seguiam a bordo na última viagem do navio. O principal arqueólogo marinho a acompanhar as operações no Atlântico Norte, Neil Dobson, diz ser “altamente improvável” que esse venha a ser o caso, quer pelo tempo que já passou, quer pela profundidade a que se encontra o navio.
O “SS Gairsoppa” foi afundado em 1941 por um submarino alemão. O navio, que transportava prata, gusa (ferro fundido moldado em barras) e chá provenientes da Índia, estava a ficar sem combustível na recta final da sua viagem e fez um desvio para o porto irlandês de Galway, a fim de reabastecer. Foi torpedeado nesse percurso. Conseguiram chegar aos botes 32 tripulantes, mas apenas um sobreviveu até chegar à costa, o segundo oficial R.H. Ayres, que morreu em 1992.
Fonte: aqui

Merkel: países que não cumpram estabilidade devem perder soberania

A chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu o agravamento de sanções a países da zona euro que não cumpram os critérios de estabilidade, incluindo a perda de soberania, em entrevista no domingo à televisão pública ARD.
Na opinião da chanceler alemã, os países que violem o limite de três por cento do défice orçamental em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), ou o limite de 60 por cento da dívida pública em relação ao PIB, «terão de abdicar de parte da sua soberania, se se verificar que o país em questão não cumpriu os seus próprios compromissos».

Para Merkel, «quem não cumprir, tem de ser obrigado a cumprir», e os prevaricadores deverão, se necessário, ter de responder pelos seus actos perante o tribunal europeu de justiça.

«Se um país da zona euro não respeitar os critérios de estabilidade, deverá poder ser processado no Tribunal Europeu de Justiça», afirmou a chefe do governo alemão na entrevista ao principal canal da televisão pública.

O Tratado de Maastricht impõe um limite de três por cento para o défice orçamental e um limite máximo de endividamento de 60 por cento do PIB aos países da União Europeia.

Portugal por exemplo, teve um défice orçamental de 9,1 por cento em 2010, que tenciona baixar para 5,9 por cento este ano, e traçou a meta de voltar a cumprir o limite de três por cento em 2013.

Quanto à dívida pública portuguesa, ronda actualmente os 90 por cento do PIB, bem acima do máximo permitido no tratado que antecedeu a introdução do euro.

Merkel disse ainda que a crise das dívidas soberanas «é muito séria», advogando a permanência da Grécia na zona euro, pelo menos enquanto a União Europeia e o FMI, através da chamada ‘troika’, atestarem que Atenas cumpre o programa de ajustamento económico.

A chanceler alemã alertou ainda para os riscos de contágio de outros países em dificuldades, como Portugal e a Irlanda, caso a Grécia entre em incumprimento, apesar de esta solução ser defendida por muitos economistas

A chanceler mostrou-se ainda confiante em obter na quinta-feira a necessária maioria parlamentar na votação sobre o alargamento do âmbito do fundo de resgate europeu (FEEF), apesar de vários deputados da coligação governamental, sobretudo do Partido Liberal, terem anunciado que votarão contra.

O fundo permitiu, nomeadamente, a concessão de um empréstimo de 78 mil milhões de euros a Portugal, depois de o país ter começado a ter dificuldade em financiar-se no mercado de capitais a juros razoáveis.

A aprovação das alterações ao FEEF no parlamento alemão está, no entanto, garantida, porque dois dos partidos da oposição - os sociais-democratas e os verdes - já anunciaram que votarão a favor.

Para Merkel, no entanto, é importante também manter unidas as fileiras dos partidos do governo e fazer valer a sua própria maioria no hemiciclo, para evitar uma crise política que poderia, em última instância, culminar em eleições antecipadas, segundo vários analistas.

Fonte: aqui

domingo, 25 de setembro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

Alunos do ensino recorrente foram favorecidos no acesso a Medicina

Os estudantes do ensino recorrente podem completar o secundário num ano e estão dispensados dos exames nacionais. Muitos acabaram com média de 20 e entram nas faculdades com facilidade, passando à frente daqueles que fizeram o ensino regular. Dirigentes escolares falam em situação "escandalosa" mas a situação é legal.

O recurso ao ensino recorrente para ingressar no ensino superior chegou este ano aos cursos de Medicina, que mais uma vez tiveram as médias de acesso mais altas, entre os 18,1 e os 18,6 valores. Este facto foi confirmado ao PÚBLICO pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), que, através da assessoria de imprensa, adiantou que já foram reportados vários casos de estudantes que conseguiram, assim, ultrapassar colegas que completaram o secundário no ensino regular. A situação é considerada "injusta" e "escandalosa" por dirigentes escolares, mas, como sublinha o MEC, "é perfeitamente legal".

A vantagem, para os alunos que completam o secundário através do ensino recorrente, resulta do facto de, no limite, este permitir fazer o secundário num único ano lectivo e ser comparativamente menos exigente. Isto porque o recorrente - que tem vindo a ser substituído nas escolas por outros cursos - foi concebido para proporcionar uma segunda oportunidade, no caso do secundário, a maiores de 18 anos que abandonaram precocemente o sistema educativo.

Nesta modalidade, o secundário pode ser feito de forma não presencial, através da realização de provas elaboradas e avaliadas por professores da própria escola e não depende da realização de qualquer exame externo, nacional, ao contrário do que acontece no ensino regular. Foram estas condições que tornaram possível que, em pelo menos três casos verificados pelo PÚBLICO, alunos que se candidataram no ano passado a Medicina com média de secundário inferior a 18 valores tenham voltado a apresentar candidatura, este ano, com média de secundário de 20 valores, conseguindo assim ingressar no curso.

Três 20 num externato

Através do gabinete de imprensa da Secretaria de Estado do Ensino Superior, o MEC informou que ainda estão a decorrer as análises de dados que permitirão saber qual o percurso escolar das dezenas de alunos que entraram em cursos de Medicina com a média redonda de 20 valores no secundário. Cecília Oliveira, directora da Escola Secundária José Macedo Fragateiro, de Ovar, sabe que vários estudantes com aquela nota saíram do Externato Luís de Camões, uma escola particular do mesmo concelho, que apenas ministra ensino recorrente a 132 alunos dos 10.º, 11.º e 12.º anos.

"No ensino regular, a nota dos exames nacionais conta para a média do secundário, pelo que é praticamente impossível conseguir uma classificação de 20. A nossa melhor aluna, absolutamente excepcional, acabou este ciclo de estudos com 19,3", comentou Cecília Oliveira ao PÚBLICO.

Esta professora conhece bem o que se passa no Externato Luís de Camões - é à direcção da escola secundária que dirige que compete passar os diplomas aos alunos do colégio, bem como as respectivas fichas ENES (o documento comprovativo da classificação do ensino secundário e das notas dos exames nacionais correspondentes às provas exigidas para ingresso no superior). "É uma situação estranhíssima: certifico as notas, mas não tenho qualquer competência para verificar em que condições elas são obtidas - limito-me a verificar se os documentos que me chegam do externato estão completos do ponto de vista formal", frisou.

O director do Externato Luís de Camões, Hipólito Almeida, frisa que "tudo decorre dentro da legalidade". "São alunos muito bons, determinados em entrar em Medicina, que encontram no nosso estabelecimento um ensino de qualidade e conseguem resultados de excelência", diz.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Membros do Opus Dei julgados em Paris por escravidão

Dois membros do grupo católico conservador Opus Dei vão hoje a julgamento num tribunal de Paris, acusados de forçar uma jovem a trabalhar ao longo de mais de uma década sem lhe pagarem ou a pagarem-lhe quantidades irrisórias.
Os advogados de defesa enquadraram o caso numa questão laboral, mas o porta-voz da Opus Dei afirmou que a rapariga escolheu por sua vontade trabalhar e fazer parte do grupo.

A queixosa é Catherine Tissier, que tinha 14 anos quando entrou para a escola de hotelaria de Donson, detida e gerida pela Opus Dei.

Sob a liderança de um «guia espiritual», a jovem escolheu juntar-se ao grupo católico e começou a trabalhar como «tesoureira assistente».

«Trabalhava das sete da manhã às 22h todos os dias, sete dias por semana. As três semanas de férias que me davam eram passadas com a Opus Dei, para aprendermos teologia e estudar em profundidade o espírito do fundador».

A mulher afirma que assinou vários cheques mas que nunca viu o dinheiro. Além disso, foi encorajada a não ter contacto com os pais e diagnosticada com depressão, estando medicada por um médico do grupo católico.

Com 29 anos, Catherine pesava apenas 39 quilos e foi num fim-de-semana que veio a casa que os pais não a deixaram voltar ao grupo. «Comecei a viver quase aos 30. Comecei a sair, nunca tinha visto um filme no cinema», disse.

Este julgamento está a gerar muitas expectativas por se prever que sejam reveladas práticas secretas do grupo. Dan Brown descreveu a Opus Dei no seu best seller Código Da Vinci como sendo uma seita sedenta de poder, descrição muito contestada pelo grupo católico.

O fundador da Opus Dei, o padre espanhol Jose Maria Escriva de Balaguer, foi canonizado pelo Papa João Paulo II.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011



Seminaristas vão ter que fazer testes psicológicos

Notícia do DN de hoje. Para lá da efectiva preocupação da Igreja belga em proteger as crianças, respondendo às directivas da Santa Sé, o que significa a medida? Que o sacerdócio ministerial como é concebido actualmente atrai pedófilos? Atrai jovens com medo da intimidade heterossexual, como diz o psicólogo da notícia? Parece-me que esta medida preventiva só esconde um problema muito maior. Um filtro que, pretendendo resolver um problema, revela que as suas causas permanecem.
Fonte: aqui

Medina Carreira diz que governantes dos últimos 10 anos deviam ser julgados

O antigo ministro das Finanças Medina Carreira defendeu terça-feira que os governantes dos últimos 10 anos deviam ser julgados pelo estado em que deixaram o País, relativizando o caso da dívida escondida da Madeira.

"Estamos com as baterias contra o dr. João Jardim (...), mas temos muita gente que à frente dele devia sentar-se no banco dos réus. As pessoas que puseram este País no estado em que está deveriam ser julgadas", disse Medina Carreira, durante uma tertúlia na Figueira da Foz.

Questionado por Fátima Campos Ferreira, anfitriã da tertúlia Conversas do Casino, sobre se o caso madeirense devia ser do foro penal, Medina Carreira respondeu: "Não só a Madeira. Quem pôs o País de pantanas como está, se houvesse lei aplicável, também devia ir aos tribunais".

Defendeu ainda que uma eventual ação judicial deveria incidir sobre os governantes dos últimos 10 anos.

"Era seleccioná-los, porque houve uma data de mentirosos a governar", argumentou.

Medina Carreira alegou que o caso da Madeira "só existe" porque Portugal "chegou ao estado de abandalhamento completo" e que a questão só foi tornada pública dado o período eleitoral na região autónoma.

"É fruto muito de haver eleições agora. Se não houvesse isto passava relativamente bem", afirmou.

Segundo Medina Carreira "antes da Madeira, houve várias Madeiras" em Portugal.

"Por toda a parte se nota que falta dinheiro aqui e ali. Rouba-se aqui. Rouba-se acolá. Nunca ninguém é julgado. Nunca ninguém presta contas. Eu atribuo uma importância relativa à Madeira", sustentou.

Sobre eventuais novas "surpresas" em termos de dívida escondida, Medina Carreira disse que em Portugal "tudo é possível em matéria de dinheiro" num Estado "onde realmente não há rigor, não há seriedade, não há verdade", sublinhou.

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Soares dos Santos: "Estamos falidos"

O presidente da Jerónimo Martins diz não ter dúvidas de que Portugal é hoje um País falido.

"Estamos falidos e quando se está falido, está-se falido. Não vale a pena andar-se a discutir. A única coisa a fazer, todos em conjunto, é não assistir a este espectáculo triste de nos estarmos sempre a queixar na televisão, mas darmos as mãos e recuperarmos o país a trabalhar", argumentou hoje Alexandre Soares dos Santos durante uma conferência promovida pela AEP, em Lisboa.

O ‘chairman' da Jerónimo Martins declarou também que o buraco nas contas da Madeira é mais um sinal da "total irresponsabilidade dos nossos governantes". "A questão da Madeira é igual à questão da dívida pública do País que foi feita antes. Não é diferente nem mais importante. Isto é a total irresponsabilidade dos nossos governantes em gerir os nossos impostos e depois vêem-nos pedir mais dinheiro", defendeu gestor.
Fonte: aqui

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Hans Kung prepara a visita do Papa à Alemanha

O Papa visita a Alemanha de 22 a 25 de Setembro. Vai daí, a revista “Der Spiegel” revolveu espelhar na sua última edição uma entrevista a Hans Kung. Claro que entrevistar o teólogo suíço sem umas críticas a Bento XVI, Roma e o Vaticano seria defraudar as expectativas.

E o que diz Hans Kung?

Diz que Bento XVI “oculta a situação de emergência na Igreja Católica”, que esta sofre do “sistema romano”, que as grandes concentrações de multidões nada de novo trazem à Igreja (“nem mais paroquianos na missa, nem mais aspirantes aos sacerdócio, nem menos abandonos da Igreja”), que está a acontecer a “putinização” da Igreja. "Na prática, tanto Ratzinger como Putin colocaram os seus antigos colaboradores em postos dirigentes e liquidaram aqueles que lhes eram adversos", diz. Afirma ainda que há um sistema de denunciantes. “Na Alemanha, os párocos de tendências reformadores, mas também os bispos, devem ter medo de ser denunciado em Roma” (li aqui).

Quem me dera que Kung não tivesse razão. Algumas das questões apontadas não têm a ver com Bento XVI, especificamente, mas com a má tradição da Igreja. Penso concretamente no medo da reforma, que é um medo de discussão e reflexão (um medo de partilha de poder, de democracia, ou, falando eclesialmente, de serviço), num certo culto da personalidade, das dioceses a Roma, que é um medo de autonomia e iniciativa (herança do sistema feudal, por um lado, e , por outro, falando a partir dos Evangelhos, enterrar talentos em vez de os pôr a render). Isto não é exclusivo dos tempos de Bento XVI. Perpassa por toda a Igreja em muitos tempos e geografias. Sente-se mais com Bento XVI?
Fonte: aqui

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Felicidade da credulidade?

O facto de um crente ser mais feliz do que um céptico não é mais pertinente do que o facto de um homem bêbado ser mais feliz do que um sóbrio. A felicidade da credulidade é uma qualidade barata e perigosa.
Fonte: aqui

Humor simples

Na escola:
- Stôr, como faço para calcular a hipotenusa de um triângulo?
- Usa o teorema de Pitágoras.
- E se ele não mo quiser emprestar.
*
Vira-se o cego para o paralítico
:
- Então, como tens andado?
Responde o paralítico:
- Olha, como tens visto?
*
Entre ladrões:
- Queres contar a “massa” que tirámos com este trabalhinho?
- Descansa. Amanhã já o saberemos pelos jornais!

*
- Não vais acreditar - diz o marido à mulher, baixando ligeiramente o jornal. - Diz aqui: “Gémeo tenta suicidar-se e mata o irmão por engano”.
*
No bar:
- Este leite tem muita água!
- Queira desculpar, mas a vaca
esteve muito tempo à chuva!
In Notícias de Beja

"Não cabia na pele de contente”

Não caber na pele

Diz-se, geramente, de alguém: "Não cabia na pele de contente”.
É uma expressão oriunda da "Fábula da rã” que quis ser boi e, ao tentar, ficou tão inchada com o seu esforço que acabou por não caber na pele... e estorou!

As árvores e o seu símbolo

Na linguagem comum, cada árvore tem o seu símbolo:

A acácia, a nobreza

A amendoeira, a esperança

O cipreste, a morte

A figueira, a doçura

O loureiro, o triunfo

A macieira, o amor

A murta, a dor

A nogueira, a virtude

A oliveira, a paz

O olmeiro, o amparo

A palmeira, a justiça

O plátano, a grandeza

O pinheiro, a saudade

A videira, a alegria

No momento actual, que árvore ou árvores simbolizam o seu estado de alma?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

64º Salão Automóvel de Frankfurt: A electricidade veio para ficar

Os carros eléctricos são o tema central da maior feira de automóveis do mundo





Provavelmente nunca os extremos se tocaram tanto. Há 114 anos, quando a primeira edição do salão automóvel se realizou na Alemanha, dos 8 carros expostos no pequeno espaço do Hotel Bristol, em Berlim, havia-os movidos a gasolina, a vapor e a electricidade. Nessa altura discutia-se muito qual seria o combustível do futuro e muita gente apostava no vapor porque água e lenha havia por todo o lado. Afinal foram o petróleo que venceu.

Na edição deste ano do Internationalen Automobil-Austellung (Salão Internacional do Automóvel), oficialmente conhecido pela sigla IAA e em todo o mundo por Salão de Frankfurt, uma coisa parece ser muito clara: a electricidade veio para ficar ou, de um modo mais suave, nos próximos anos vai assistir-se a uma mudança gradual no modo de pensar o automóvel com as várias tecnologias (petróleo, electricidade, hidrogénio e a combinação delas) a constarem nos cadernos de encargos de um número cada vez maior de construtores.

Seja a utilização exclusiva da electricidade para automóveis urbanos e suburbanos, sejam os eléctricos com extensor de autonomia (a propulsão é sempre eléctrica, mas existe um motor a gasolina ou diesel que recarrega as baterias), sejam as tecnologias híbridas (eléctrico mais gasolina, diesel ou gás), seja a pilha de combustível (a partir do hidrogénio transportado no depósito da viatura é gerada a electricidade que acciona o motor ou os motores), o futuro próximo não será mais o mesmo. E pelo que se pode ver no Salão de Frankfurt a maioria dos construtores já aderiu a essas tecnologias alternativas, muitos deles muito a sério. Parece já não existir retrocesso possível.

Nesta edição do IAA, a 64ª, estão presentes cerca de 900 expositores, dos quais 180 são de fabricantes de automóveis, veículos especiais ou miniautocarros, sendo os restantes de peças e acessórios, outros bens ligados ao automóvel e ainda profissionais de tuning (modificação e personalização de viaturas). São esperados até ao encerramento no dia 25 mais de 900 mil visitantes, sendo pouco mais de 30% os que o fazem por motivos maioritariamente profissionais.

O Salão Automóvel de Frankfurt está em alta porque a indústria alemã também o está, mas apesar de alguma crise dos construtores franceses (dos ingleses nem vale a pena falar), mais de metade dos expositores são oriundos da União Europeia, 33% são da Ásia e Austrália, 7% da América e 9% de países europeus não comunitários. É verdade que desde os anos de 1920 os construtores nos habituaram a produzir os seus automóveis para mercados específicos com gostos muito diferentes, procurando a divulgação nos vários salões regionais. Mas também esse hábito parece estar a mudar, com o aparecimento cada vez maior do chamado “carro global”.

Finalmente registe-se também o crescimento do fenómeno “nicho de mercado”, com construtores a apostarem numa subida de vendas através de carros destinados a clientes muito específicos, na confirmação da regra de que muitos poucos fazem muitos. É por essa razão que não nos devemos admirar com o lançamento de um utilitário (embora desportivo) por parte da Maserati, ou de um super desportivo com cerca de 400 cv por parte da Kia, marca coreana que até há pouco apenas era conhecida pelos seus carros utilitários e baratos.

O mundo automóvel está em grande mudança e o que se pode ver no Salão de Frankfurt, perdão, no Internationalen Automobil-Austellung é a prova disso.------------------------------- Fonte: aqui

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

JÁ AMANHECEU POR AÍ?

Um mestre de vida espiritual perguntou aos seus discípulos se sabiam onde acabava a noite e começava o dia.
Um deles disse: «Quando vemos um animal à distância e podemos distinguir se é vaca ou cavalo».
O mestre disse imediatamente: «Não!»
Os discípulos replicaram: «Então é quando vemos uma árvore à distância e conseguimos distinguir se é figueira ou laranjeira».
O mestre repetiu: «Também não!»
Os discípulos insistiram: «Então quando é?»
O mestre finalmente explicou: «Quando vedes o rosto de um homem e reconheceis nele um irmão; quando vedes o rosto de uma mulher e reconheceis nele uma irmã. Se não fordes capazes disso, qualquer que seja a hora, ainda é noite!»
Fonte: aqui

Enguia entra por pénis de chinês

O chinês Zhang Nan teve de ser submetido a uma intervenção cirúrgica depois de lhe ter acontecido algo insólito enquanto fazia tratamentos num spa: uma enguia viva entrou-lhe pela uretra e alojou-se na bexiga.

Nan, de 56 anos, vive em Honghu, na província de Hubei e estava a tomar banho com enguias vivas para que os peixes comessem a pele morta, de acordo com o jornal inglês ‘Metro’.

O processo é utilizado por spas em vários países, em que os peixes servem de pedicures.

Neste caso, uma pequena enguia entrou no pénis do chinês, que referiu ter sentido uma forte dor: “ Eu entrei na banheira e estava a sentir as enguias a morder o meu corpo, mas de repente senti uma dor forte e percebi que uma pequena enguia tinha entrado no meu pénis.”

De seguida, o homem foi para o hospital, tendo sido submetido a uma operação de três horas. Quando os médicos retiraram a enguia, a mesma já estava morta.

Fonte: aqui

sábado, 10 de setembro de 2011

Satisfação do trabalhador é essencial para o sucesso

Crise leva empresas a desvalorizarem a gestão de recursos humanos.

A satisfação dos trabalhadores é um factor essencial para o sucesso das melhores empresas. No entanto, apesar do consenso geral sobre esta realidade, é um factor que continua a ser descurado por demasiadas empresas. "A satisfação do trabalhador com a sua participação numa organização é, felizmente, produto de um crescente número de variáveis que ultrapassam a mera dimensão pecuniária, apesar desta, muito por culpa da crise, tender a ofuscar as demais", afirma António Gomes Mota, director da ISCTE Business School (IBS), parceira académica do Prémio ‘Excelência no Trabalho', organizado em parceria com a Heidrick & Struggles e o Diário Económico.

O responsável pela metodologia de análise do prémio realça que qualquer empresa que queira retirar um bom desempenho das suas equipas tem de desenvolver as competências e conhecimentos de cada colaborador, promover uma cultura interna de transparência e espírito de equipa e oferecer perspectivas de carreira e crescimento para todos. "As pessoas passam uma parte substancial da sua vida a trabalhar e, por isso, têm de sentir o apoio, o estímulo e o desafio no seu dia-a-dia para progredirem e se desenvolverem, profissional e pessoalmente", defende António Gomes Mota.

Boa gestão em todas as dimensões

Dada a complexidade inevitável de uma boa estratégia de gestão de capital humano, será de esperar que as estruturas mais consolidadas de uma multinacional estejam melhor preparadas para este desafio do que uma empresa de menor dimensão? Não necessariamente, responde o director da IBS: "A implementação de boas práticas na gestão do capital humano é relativamente independente da dimensão da empresa, embora as de maior dimensão possam ter mais recursos para o fazer".

Para António Gomes Mota, "no caso das multinacionais, a única eventual vantagem será o de transportarem para a filial portuguesa uma prática mais avançada implementada a nível da organização global, o que nem sempre acontece", explica o dirigente.

O que falta a muitas das empresas portuguesas é, portanto, tão simples quanto reconhecer o valor do trabalho dos seus colaboradores no seu crescimento a médio e longo prazo. "Não é por acaso", afirma António Gomes Mota, "que em qualquer análise da sustentabilidade empresarial, como o "Dow Jones Sustainability Index", a componente de gestão do capital humano tem um peso tão relevante".

Candidaturas até 30 de Setembro

O Prémio ‘Excelência no Trabalho' é um estudo, desenvolvido pela Heidrick & Struggles em parceria com o Económico e a ISCTE Business School, através do qual se analisa o estado de arte das práticas de recursos humanos em Portugal e se premeiam as entidades que mais investem e apostam nesta área. As empresas podem candidatar-se até 30 de Setembro, sendo os vencedores anunciados em Janeiro de 2012.
Fonte: aqui

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Pai entrega filho homossexual à PSP

Um pai entregou numa esquadra da PSP, em Vila Nova de Gaia, o seu filho de 15 anos, depois de ter descoberto na madrugada de quinta-feira que ele era homossexual.

Segundo informações dadas pela PSP, o menor terá pedido autorização ao pai para sair à noite com amigos. Mais tarde o progenitor foi encontrá-lo numa discoteca habitualmente frequentada por homossexuais.

Quando se deparou com a situação, o homem ficou furioso e alertou as autoridades para o facto de o estabelecimento ter permitido a entrada de um menor.

No decorrer da madrugada, mais concretamente por volta das 04h30, o homem apareceu na esquadra de Valadares da PSP com o menor e quis entregá-lo aos polícias de serviço, rejeitando a hipótese de ficar com o filho.

A PSP recusou a intenção do pai, tendo tomado conta da ocorrência para encaminhar o caso para a Comissão de Protecção de Menores. O adolescente voltou deste modo a casa com o pai.

Fonte: aqui

Novas tecnologias no confessionário...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

À sombra do castanheiro

– Como vão por aí as vindimas, Carlos?

– Mal começaram ainda, Tio Ambrósio! Mas parece que vamos ter boa qualidade e quantidade que baste. Aquela chuva dos últimos dias de Agosto, que foi uma arrelia para os veraneantes, foi oiro para nós. Veio engrossar o bago, embora tenha feito baixar o grau um tudo-
-nada. De qualquer modo, o sol que se seguiu nos primeiros dias de Setembro veio completar uma obra quase perfeita. Vamos ter aí uma pinga digna de lábios sacerdotais...

– Tu já mandas tudo para a Cooperativa...

– Quase tudo, Tio Ambrósio! Fico aí com meia dúzia de cartolas para consumo próprio. Que eu ainda sou daqueles que gostam de saber o que metem na boca. Tudo o que eu puder produzir, quer em legumes, quer em fruta, quer mesmo em carne, ninguém me vê ir ao mercado. O que não posso é criar no tanque do meu quintal nem as sardinhas nem o bacalhau. No resto posso dizer que sou autosuficiente. Até no pão que se come lá em casa, Tio Ambrósio! Muitos deixaram de cultivar milho, ou introduziram aí uma espécie híbrida, que dá maior produção mas não serve para fazer aquela brôa cheirosa que nos abre o apetite quando a vemos sair do forno. Eu ainda semeio duas leiras de milho tradicional e a Joana todas as semanas amassa uma fornada de pão de milho com uma mistura de centeio, que eu próprio também produzo, ceifo, malho e transformo em farinha. E feijão? Nem um quilo compro nas lojas, tal como faz o meu cunhado Acácio. Tanto eu como ele temos produção que chega e sobra para as necessidades da família.

– Mas nem todos têm as oportunidades que tu tens, Carlos!

– Nem oportunidades nem vontade, Tio Ambrósio! Conheço por aí muitos que preferem andar de costa ao alto e que detestam exibir estes calos que a vida me obrigou a fazer nas mãos. Há por aí muita leira inculta que, com um bocadinho de boa vontade, podia dar feijão verde, cebolas e cenouras, para não falar de umas favas que em qualquer canto se dão.

– Eu entendo tua posição, Carlos! Mas não te esqueças que quase oitenta por cento da população do nosso país vive nas cidades, onde até os quintais das casas são cobertos de cimento... E, que eu saiba, no alcatrão não é possível plantar uma couves ou criar, mesmo quando a chuva cai, umas saborosas nabiças. Toda essa gente tem que recorrer ao supermercado se quer comer umas verduras ou fazer um simples caldo verde...

– De duvidosa qualidade, Tio Ambrósio! A maior parte dos legumes e de outros alimentos por aí comercializados são criados à base de fertilizantes artificiais e tratados com produtos químicos que lhes dão uma bonita aparência mas lhe alteram o verdadeiro sabor. E até há quem diga que muitos desses alimentos não são muito recomendáveis para a saúde...

– Sei lá, Carlos! Como tu sabes, eu também ainda vou cultivando o suficiente para o meu sustento. Ainda este ano tive maçãs que me chegaram até à Páscoa.
E a castanha chega-me duma colheita à outra. Umas seco-as, para fazer com elas uma deliciosa sopa, que não consigo degustar outra igual nem nos restaurantes mais requintados. Outras conservo-as congeladas. Se quiseres saborear umas poucas cozidas, tenho aí ainda com fartura... e a nova apanha está à porta.

– Se calhar é por estas e por outras que aqui, pelo menos em matéria de alimentação, não sentimos de modo tão agudo os efeitos da crise. Pelo menos pão e sopa não nos irão faltar. Pão de qualidade e sopa feita com legumes nossos, frescos e criados nos nossos quintais. E olhe que até a nossa canja é diferente, Tio Ambrósio!

– Pois claro, Carlos. Uma boa canja depende da qualidade do galinácio utilizado na sua cozedura. E, neste sector, tu sabes bem que já raramente aparece galinha caseira ou um capão daqueles que antigamente chegavam às mesas dos lavradores, por altura das festas, feitos de cabidela ou mesmo à maneira de chanfana. Hoje é tudo de aviário, e já vais com sorte!

– Quase tudo, Tio Ambrósio! Eu posso dizer-lhe, com conhecimento de causa, que alguns criadores de frangos, de porcos e até de vitelos, sabem ditinguir muito bem entre o que é para introduzir no mercado e aquilo que é para consumir em casa, pela própria família. Tem aí o caso do Quintino, dono de uma pocilga com mais de duzentos suinos, entre criadeiras, leitões e efectivos para abate. Todas as semanas vem uma carrinha carregar umas dezenas de cabeças para o matadouro. Aquilo é gado que, com ração, água e umas vitaminas, se faz em pouco mais de três meses. Mas julga vossemecê que em casa do Quintino os rojões são da carne que vai para o mercado? Nem pensar nisso! Ao lado da pocilga tem ele
sempre dois ou três animais, criados com lavagem, com abóbora e com beterraba, como manda a tradição dos antigos. Chegada a altura, os animais são abatidos, exclusivamente para consumo próprio.
E acredite que uma sopa de ossos, feita pela mulher do Quintino, é uma iguaria de um homem se lamber!

– Fico contente com isso, Carlos! Além de se preservar a tradição, que também passa pela forma como se criam os animais destinados à alimentação humana, zela-se pela saúde dos familiares, porque eu não acredito que as hormonas dadas nos aviários e nas pocilgas não tenham nenhuma interferência na saúde dos consumidores.

– Está a ver os privilégios que nós temos, Tio Ambrósio? Se vivêssemos numa grande cidade, onde iríamos nós merendar uma alheira como estas que aqui trago, feitas pela minha Joana, com produtos criados todos cá pelo rapaz?

– Eu considero-me um homem cheio de sorte, Carlos! Por isso e por muitas outras coisas, que podem ficar para uma próxima ocasião. Agora façamos as honras aos enchidos da Joana! E não te esqueças de lhe agradecer da minha parte!

In O Amigo do Povo

Crise infiltra-se na saúde, na educação e na administração do território

Estado deixa de comparticipar pílula e três vacinas
O Estado vai deixar de comparticipar pílulas anticoncepcionais e três vacinas vendidas nas farmácias (cancro do colo do útero, hepatite B e contra a estirpe do tipo B do vírus da gripe). O objectivo da medida é arrecadar 19 milhões para os cofres do Estado.
O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira uma lista de medidas para reduzir as despesas no sector, para além das descomparticipações da pílula e das vacinas, também a comparticipação da associação de medicamentos antiasmáticos e broncodilatadores vai ser reduzida.

Governo pôs hoje fim efectivo aos governos civis
O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, considerou hoje que, na prática, o Governo pôs fim aos governos civis, ao aprovar legislação que transfere as suas competências para outras entidades públicas.
No final da reunião do Conselho de Ministros, Miguel Macedo anunciou a aprovação de uma proposta de lei e de um decreto-lei que determinam a liquidação do património dos governos civis e definem o regime legal aplicável aos seus funcionários.
«Na prática, o Conselho de Ministros acaba hoje com os governos civis», declarou o ministro da Administração Interna, em conferência de imprensa.

Hospitais de Coimbra realizam primeiras cirurgias de mudança de sexo
Os Hospitais da Universidade de Coimbra avançam já neste mês com as primeiras quatro cirurgias de mudança de sexo, escreve o Correio da Manhã.
As pessoas a serem operadas já foram seleccionadas e todo o processo vai estar a cargo de uma equipa constituída por especialistas de Psiquiatria, Urologia, Ginecologia, Endocrinologia e Cirurgia Plástica, como explica o CM.
Os casos são oriundos de todo o país e deverá haver mais candidatos à operação a partir do próximo mês.
A cirurgia é complexa e vai ser assegurada pelos médicos da Unidade de Cirurgia Reconstrutiva Genito-Urinária e Sexual, que são «altamente credenciados», segundo António Reis Marques, director do Serviço de Psiquiatria.
Escreve ainda o CM que os hospitais da Universidade de Coimbra são os únicos agora a fazer este tipo de intervenção, um projecto anunciado em Março pelo serviço de Psiquiatria que, através das consultas de sexologia, percebeu que não havia resposta no país para estes casos.

Escolas arrancam a fazer contas aos cortes
Os professores prevêem um ano lectivo, que hoje começa, «extremamente complicado», com o corte de 800 milhões de euros a sentir-se «no primeiro período» e estando já previstos outros «500 milhões a menos» para o próximo ano civil.
«Sabemos que começa agora, de 08 a 15 de Setembro, mas ninguém consegue dizer como é que isto vai acabar, porque vamos ter aí situações de ruptura extremamente complicadas», disse à agência Lusa o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (FENPROF).
As escolas, afirmou Mário Nogueira, estão a «funcionar no limite, a pedir papel higiénico» aos pais.
«Vai ser extremamente complicado. Estamos muito, muito preocupados», referiu, indicando que o novo ano lectivo traz novas regras de organização às escolas que «as impedem de continuar a dar resposta a projectos de promoção do sucesso e combate ao abandono escolar».
O secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE) subscreve: «Medidas de combate ao insucesso também precisam de pessoas».
João Dias da Silva regista a situação dos professores que ficaram sem trabalho e, se há excesso de diplomados para as necessidades do sector, também há professores há nove e 10 anos no sistema que agora não tiveram colocação, frisou.
«Não é compreensível que, havendo uma taxa insuficiente de educação pré-escolar, com crianças sem vaga, haja educadores no desemprego», acrescentou.
A FNE espera que este ano lectivo se concretize o grande debate sobre autonomia escolar que o Governo prometeu.
A organização das escolas é também a maior preocupação de Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).
«A organização que nos deixou o anterior Governo é absolutamente penalizadora», defendeu o presidente da associação, Adalmiro Botelho da Fonseca, referindo-se ao corte nos créditos horários concedidos aos estabelecimentos para se organizarem: «Davam-nos mais professores e mais hipóteses de trabalho com os alunos».
Na escola que dirige, no Norte, tinha uma assessoria de 18 horas. «Neste momento tenho zero, não sei quem vai trabalhar com os professores que estão a dar todos os cursos de educação e formação e profissionais».
O dirigente vai tentar encontrar algum professor que tenha as horas lectivas já diminuídas em função da idade.
O mesmo problema se coloca com a gestão dos equipamentos instalados ao abrigo do Plano Tecnológico da Educação (PTE). «Tínhamos um crédito de 16 horas para alguém trabalhar toda a tecnologia que puseram nas escolas. O professor que as tinha era capaz de trabalhar 50 horas, agora com zero não trabalha nenhuma».
Adalmiro Fonseca receia que «todos os milhões gastos em tecnologia» acabem no lixo se não colocarem alguém a zelar pelos equipamentos.

Fonte: aqui

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ANTES DO GOVERNO, JÁ OS CIDADÃOS PERDERAM O ESTADO DE GRAÇA

Toda a actividade, hoje em dia, é de desgaste rápido. Nem governar escapa à tendência geral.

Em pouco tempo, o actual Governo está a perder apoios. Os reparos já não vêm só de fora. Começam igualmente a surgir de dentro. Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Rui Rio, Ferreira Leite e até Rui Machete engrossam o coro das críticas.

O estado de graça também já terá sido perdido. Mas esse já nós o perdemos há muito.

Nada é de graça. Nada é oferecido. Tudo se compra, tudo se vende: a habitação, a saúde, a educação, o poder!
Fonte: aqui

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Crocodilo gigante capturado nas Filipinas depois de três semanas de buscas

As autoridades filipinas acreditam ter em mãos o maior crocodilo alguma vez capturado. O animal, com mais de uma tonelada de peso e seis metros de comprimento, foi encontrado sábado passado nas Filipinas, depois de três semanas de buscas.

As autoridades acreditam que o réptil, um macho de 50 anos com 1075 quilos e 6,4 metros de comprimento, matou um agricultor, uma menina com doze anos e algum gado perto da povoação de Bunawan, na ilha meridional de Mindanao, informou o caçador de crocodilos Rollie Sumiller. Ainda assim, este tem dúvidas. "Não sabemos com toda a certeza se este foi o crocodilo que matou aquelas pessoas porque têm havido avistamentos de outros crocodilos naquela área."

O animal foi capturado depois de três semanas de perseguição - que envolveram dezenas de pessoas - e vai ser confiado a um parque natural, informou o autarca de Bunawan, Edwin Cox Elorde. “Será a estrela do parque”, disse aos jornalistas.

Este é um dos maiores crocodilos alguma vez capturados, afirmou Josefina de Leon, responsável pelo Departamento da Fauna e Flora selvagens do Ministério do Ambiente filipino. “O maior animal capturado até agora tinha 5,48 metros de comprimento”, disse à AFP. Segundo o Livro dos Recordes do Guinness, o maior crocodilo de águas salgadas a viver em cativeiro é Cassius, um animal que mede 5,40 metros e que está ao cuidado de um parque natural perto de Cairns, na Austrália.

In Público

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

domingo, 4 de setembro de 2011

Marido condenado por não fazer sexo

Um francês residente em Nice, sudeste de França, foi condenado a pagar à mulher uma indemnização de dez mil euros, no âmbito de um processo de divórcio, por não ter mantido relações sexuais com ela durante anos.
O tribunal não aceitou a justificação de Jean-Louis G., de 51 anos, que alegou "problemas de saúde" e "fadiga crónica devido aos horários de trabalho" para não fazer sexo com a mulher.
Fonte:
aqui

sábado, 3 de setembro de 2011

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Boas notícias no meio da crise

Já não era sem tempo!
Finalmente uma notícia que nos permite sentir algum orgulho...


Um estudo recente conduzido pela Universidade Técnica de Lisboa mostrou que cada português caminha em média 440 km por ano.
Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que, em média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano.
Conclusão:
Isso significa que o português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, ou seja, é económico!
...Afinal, nem tudo está mal, neste País!

PARA JÁ, ESTE É O «GOVERNO DA TESOURA» (teremos também o «Governo da Enxada»?)

Para já, este é o Governo da Tesoura. Não para cortar, mas para mandar cortar.
São cortes nos salários, cortes nas pensões, cortes na saúde, cortes na educação, cortes na segurança social.
Anuncia-se que a tesoura será igualmente usada em casa. Prevêem-se cortes na despesa do Estado. Até por uma questão de exemplo e elementar coerência, é fundamental que tais cortes se façam quanto antes.
Espera-se, entretanto, que este possa ser o Governo da Enxada. Que permita escavar a riqueza que está alojada na terra e, sobretudo, na alma das pessoas.
Cortar pode ser urgente. Mas também pode ser asfixiante. Criar (riqueza e esperança) é que será importante, decisivo!
Fonte: aqui

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Selecção - Polémicas antes de um jogo importantte


Ricardo Carvalho: “Nunca me senti tão desrespeitado e ferido”

"Se me fazem sentir a mais e não mo dizem, a única possibilidade é a saída. Nunca me senti tão desrespeitado e ferido na minha dignidade", foi desta forma que o defesa central Ricardo Carvalho justificou o seu abandono da concentração da selecção portuguesa em Óbidos, antes da partida para o Chipre, onde Portugal joga amanhã a qualificação para o Euro’2012.
A explicação do jogador do Real Madrid para o seu acto de abandonar a selecção sem avisar dirigentes nem o seleccionador nacional surgiu ao final do dia através de um comunicado, onde o defesa central faz questão de frisar: "Tendo cumprido 75 internacionalizações e sido profundamente dedicado à defesa do bom-nome da equipa das quinas, nunca antes me senti tão desrespeitado e ferido na minha dignidade. Entre os meus pares sou apenas um atleta. No entanto, mereço também, como os outros, consideração e respeito".
No mesmo documento, o jogador, de 33 anos, reforça que sempre defendeu que uma equipa se faz de "companheirismo, de união e de abnegação por uma causa maior".
"Não tencionava terminar o meu percurso desta forma, mas faço-o consciente e convicto de que honrei sempre o meu país", pode ainda ler-se na nota do jogador - tido como um atleta tranquilo e calmo -, concluindo a despedida com um "muito obrigado a todos os portugueses".
DISCUSSÃO COM BENTO APÓS O TREINO
Ricardo Carvalho treinou normalmente durante a manhã e terá questionado Paulo Bento se seria titular. O dialogo entre os dois terá ganho a forma de discussão e o jogador saiu por uma porta lateral do hotel pelas 12h30, quando os jornalistas esperavam pela conferência de imprensa de Cristiano Ronaldo.
O CM sabe que o defesa saiu a correr ainda equipado. Entrou no carro de Fábio Coentrão, um Mercedes branco, e arrancou. Os dois jogadores do Real Madrid chegaram juntos nesse automóvel. Danny ainda terá tentado demovê-lo da decisão.
"A saída do jogador foi por iniciativa própria e sem comunicar essa ausência à direcção e ao seleccionador nacional", disse a FPF em comunicado.


Paulo Bento chama "desertor" a Ricardo Carvalho
"Houve alguém que desertou. Repudiamos o virar de costas à Selecção, aos colegas e aos portugueses", disse na tarde desta quinta-feira o seleccionador Paulo Bento, referindo-se ao abandono de Ricardo Carvalho do estágio da Selecção de Portugal na última terça-feira.
O técnico revelou não ter conversado com o defesa central sobre se ia ou não ser titular no sábado, diante do Chipre.
"Durante os treinos ele prespectivou que não ia jogar. Acabou por ter um plano de fuga quando estavamos a almoçar, em Óbidos, antes de viajarmos [para o Chipre]", salientou Paulo Bento, na conferência de imprensa de antevisão do jogo com o Chipe, destacando que o "ambiente da equipa está fantástico".
Questionado se convocaria de novo Ricardo Carvalho caso este pedisse desculpa e voltasse atrás com a decisão de abandonar a Selecção, Paulo Bento referiu que, enquanto for seleccionador, o jogador do Real Madrid "não viria mais".
"Abandonou o País quando ainda estamos numa situação complicada [apuramento para o Euro2012]", concluiu.


Fonte: Correio da Manhã


Uma vírgula muda tudo!

A vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir como seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.


Uma vírgula muda tudo!

In Notícias de Beja

Político italiano preso por dar estalada ao filho em público

Um político italiano foi preso na Suécia por dar uma estalada no filho em público.


Giovanni Colasante, vereador da cidade italiana de Canosa, Puglia, estava de férias com a família em Estocolmo quando o filho, de 12 anos, fez uma birra.

Sem meias medidas, o político deu-lhe uma bofetada para o calar, esquecendo-se que na Suécia a violência física contra menores é considerada um delito grave.

Colasante foi imediatamente detido, algemado e levado para a esquadra, onde foi formalmente acusado de maus-tratos e detido preventivamente. O julgamento está marcado para 6 de Setembro.


Fonte: aqui