sexta-feira, 30 de maio de 2014

Bispo de Viseu aceitaria já hoje que homens casados fossem padres

Papa Francisco afirmou que "a porta está sempre aberta" para tratar o tema.

O bispo de Viseu, Ilídio Leandro, admitiu que aceitaria já hoje que homens casados fossem ordenados padres, considerando que pode haver uma alteração relativamente à disciplina do celibato na Igreja Católica.
O papa Francisco afirmou na segunda-feira que o celibato não é um "dogma de fé" na Igreja Católica, que há sacerdotes casados nos ritos orientais e que "a porta está sempre aberta" para tratar o tema.
Eu não posso concordar mais com o papa Francisco. De facto, não é dogma de fé, não é uma tradição que a Igreja não possa refletir e alterar", disse Ilídio Leandro durante um encontro com jornalistas, explicando que "dogma de fé é apenas aquilo que está na escritura".
Para Ilídio Leandro, "tudo o resto que a Igreja foi introduzindo ao longo dos tempos e não com caráter de dogma de fé, por não estar alicerçado e fundamentado na escritura, pode ser mudado pela mesma Igreja em qualquer tempo".
Questionado se aceitaria que homens casados se pudessem tornar padres, o bispo de Viseu não hesitou na resposta: "hoje, aceitaria hoje, já".
Deu o exemplo de um homem casado, diácono, que estava sentado ao seu lado, considerando que "se a vocação dele fosse ser padre, pelo facto de ser casado não se deveria impedir".
No entanto, o prelado mostrou-se convencido de que a falta de padres da Igreja Católica não é tanto um problema "do casamento, é mais da fé".
"É mais de uma vontade de servir a Igreja, de viver um caminho, um carisma, uma doação e uma entrega ao serviço de uma Igreja, seja a Católica, sejam as outras, porque as outras estão a ter talvez mais falta de pastores - e podem casar - do que a Católica", frisou.
Fonte: aqui

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Livro Guia

PARA O CASO DE AINDA NÃO POSSUIREM …
Para quem precisa de reclamar, aqui vão as cartas tipo com as bases  jurídicas para diversas situações. Aqui está um livrinho que todos  deveríamos ter como ferramenta prioritária para nos ajudar a ultrapassar  aquela burocracia das instituições que conhecemos e outras dificuldades  em qualquer das seguintes áreas:

- Administração Pública

- Acesso à Justiça

- Agências de Viagens

- Agências Imobiliárias

- Actividade Bancária

- Comércio - Crédito

- Direito Real de Habitação Própria

- Empreitada

- Hotelaria e Similares

- Protecção de Dados Pessoais

- Publicidade Enganosa

- Seguros

- Serviços Públicos Essenciais

- Transportes

   
Vale a pena distribuir aos amigos.
Usem e abusem, e sobretudo divulguem!

Encontre o livrinho aqui

terça-feira, 27 de maio de 2014

Para onde vai a Europa? Que fazer em Portugal com estas eleições?


São conhecidos os resultados das eleições para o Parlamento Europeu e encontra-se já praticamente desenhada a distribuição de mandatos naquele areópago internacional. Nestes termos, verifica-se que as formações partidárias que se organizam em torno dos dois grandes grupos europeístas PPE (grupo do Partido Popular Europeu) e S&D (Grupo da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas) ainda são quem obteve o maior número de votos dos validamente expressos em toda a UE. No entanto, o PPE (213 mandatos, resultantes de 28,36% dos votos), que ganhou as eleições, não dispõe de maioria capaz de claramente puxar pelo projeto europeu, a não ser com opões concertadas com a segunda formação partidária, que se lhe segue em resultados, a S&D (190 mandatos, resultantes de 25,30% dos votos).

Esta situação da correlação das forças políticas, inquestionavelmente europeístas, resulta indubitavelmente do facto de terem mostrado um frágil interesse na corporização do desígnio da Europa dos cidadãos pautada pelo princípio da subsidiariedade e pelo valor da solidariedade. Com efeito, a união política, a governabilidade, a união económica e financeira – reguladas por uma efetiva união bancária, com uma moeda única a servir de instrumento gestionário e relacional – está longe de aparecer no horizonte. Depois, os grandes rasgos perspetivados na UE – circulação de pessoas e bens, acesso a emprego em qualquer dos Estados-membros, patamares mínimos comuns em educação, saúde e segurança social, combate eficaz ao terrorismo, medidas sérias anticorrupção, elevação equânime dos salários, responsabilidades comuns nas dívidas públicas, permeabilidade de serviços – são ainda valores distantes.

Não bastava esta distância dos valores e das raízes (cristãs, humanistas e iluministas) e eis que muitos partidos populistas, eurocéticos ou nacionalistas (alguns são mesmo antieuropeístas; e vão lá fazer o quê?) vão entrar no Parlamento Europeu. Em alguns países, não tanto quanto se temia. Contudo, “a França dá um sinal de alarme com a vitória da Frente Nacional”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, o socialdemocrata Frank-Walter Steinmeier.

Bastará este susto, que faz do Parlamento a visível manta de retalhos, para levar a cabo a profecia do primeiro-ministro francês Manuel Valls, que se afirmou “convencido que a Europa pode ser reorientada para apoiar mais o crescimento e o emprego, o que não faz há anos”?

A fragmentação parlamentar verificada após as eleições europeias em que mais de metade dos eleitores se absteve (a participação cifra-se nos 43.09%), mostra à saciedade as fragilidades do desenvolvimento do projeto de uma Europa mais unida nos papéis que na prática. E, sobretudo, que mensagem de futuro dará aos cidadãos uma UE que não soube ou não quis responder a uma crise sistémica, a não ser pela austeridade sobre os países em dificuldade e resgate dos bancos de Alemanha e quiçá França? Que peso moral e político terá uma UE que perante conflitos regionais e mundiais tem apresentado uma posição débil, quase obediente aos ditames norte-americanos?

O facto de os grandes partidos pró-europeus, embora continuem largamente maioritários, terem perdido bastante poder em relação a 2009, dever-se-á muito ao descalabro do PS francês. O resultado global obtido por aqueles partidos só não terá sido pior mercê dos bons resultados do Partido Democrata do primeiro-ministro Matteo Renzi, em Itália. Os outros partidos pró-europeus também estão a cair, com os liberais a conseguirem menos lugares que em 2009 e os Verdes a perderem cinco. Porém, crescem os partidos radicais. A extrema-direita francesa de Marine Le Pen arrebatou o maior número de votos. A esquerda radical, que apresentou o grego Alexis Tsipras como candidato à presidência da Comissão, melhora a sua presença, sobretudo devido à vitória do Syriza na Grécia. E, sempre contrariante da possibilidade de o Parlamento escolher o próximo presidente da Comissão, o primeiro-ministro britânico David Cameron viu a sua posição reforçada pela vitória do Ukip.

E, colocando-se a questão estritamente política da escolha do presidente da Comissão, sabe-se que a novidade destas eleições poderia levar à escolha da presidência deste órgão com base necessária nos resultados eleitorais. Efetivamente, segundo os tratados mais recentemente aprovados, caberá ao Conselho Europeu propor o Presidente da Comissão, tendo em conta os resultados das eleições para o Parlamento, que este órgão coerentemente sancionaria pelo sistema de votação maioritária. Por isso, sugiram na ribalta das campanhas eleitorais candidatos a Presidente da Comissão: Jean-Claude Juncker, Martin Schulz, Tsipras, Guy Verhofstadt e a dupla Ska Keller/José Bové.

Segundo as expectativas criadas junto dos eleitores, os nomes da provável escolha seriam Jean-Claude Juncker, pelo PPE, ou Martin Schulz, pela S&D, no pressuposto de que a formação política de que emerge cada um deles obteria resultados que possibilitassem a escolha do seu candidato. Porém, ante os resultados escrutinados, a escolha do Presidente torna-se problemática. Ou os grandes partidos se entendem em torno de um destes seus candidatos ou terão de encontrar um terceiro nome. Entre os nomes que já circulam está a atual diretora do FMI, a francesa Christine Lagarde, e a primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt.

E, se o luxemburguês Juncker, candidato do PPE à sucessão de Barroso e considerado demasiado “federalista” pelos britânicos, garante que não se vai ajoelhar diante de nenhum líder, porque “ganhou as eleições”, os dirigentes não têm essa certeza. Assim, a chanceler alemã Angela Merkel, mais do que nunca vista como a dona da União Europeia, nunca se mostrou entusiasta com a afirmação hegemónica do Parlamento e da Comissão em detrimento dos Estados (do seu Estado), podendo vir a aproveitar o impasse para impor o seu candidato. Mais: disse-se feliz com o “resultado sólido” dos conservadores alemães e preparada para discutir o novo presidente da Comissão Europeia. Por seu turno, na carta de convite aos dirigentes dos 28, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, dizia ser “cedo demais” para falar em nome para a presidência da Comissão. Assim, em conformidade com a mencionada carta-convite, os chefes de Estado e de Governo dos 28 Estados membros reúnem-se no dia 27 à noite, em Bruxelas, para análise dos resultados das eleições, marcadas por uma clara rejeição das instituições europeias em vários países, a acompanhar o voto de protesto (ou o refúgio no não voto) em relação a muitas das políticas nacionais.

Ora, se a simples escolha do presidente de um órgão comunitário se torna tão problemática, como é que poderemos crer na capacidade da autoridade comunitária para afirmar e desenvolver o projeto europeu conforme ele se encontra perspetivado e definido? A Europa caminha para a consolidação de si mesma ou aproxima-se do abismo? Tudo depende dos homens, dos crentes na Europa!

***

No caso português, o comentador político de domingo da TVI estará bem frustrado por dois motivos: a sua coligação AP (Aliança Portugal) perdeu estrondosamente as eleições com o pior resultado de sempre (27,7%); o PPE ganhou, mas sem possibilidade de impor o seu candidato na presidência da Comissão, razão pela qual ele recomendara fervorosamente o voto na AP. Mas, deixando de lado esta ferroada de mau gosto, fixemo-nos em aspetos essenciais, mas não sem considerar os que também são importantes a nível sintomático. Entre estes, contam-se: a significativa perda de votos do Bloco de Esquerda (BE), com menos um mandato; a acentuada subida da CDU, com mais um mandato; a novidade do volume de votos no Movimento do partido da Terra (MPT), pelos vistos, com dois mandatos; e a obnubilação do Partido Livre, em que muitos diziam ter esperança.

Mas os aspetos essenciais prendem-se com o crescimento da abstenção, a subida aterradora da percentagem de votos nulos e brancos e a ambiguidade da vitória/derrota. Antes de mais, a abstenção cresceu, embora tal crescimento possa ter sido nominalmente potenciado pelo volume de emigrantes que mantêm o recenseamento em território nacional. E, se os partidos sabem que os portugueses estão tão divorciados da política, têm a obrigação grave de mudar de postura em relação ao Estado, de estratégia e de discurso e, paralelamente à campanha ideológica e de projeto, têm de mobilizar para o voto como dever e direito cívico de todos. E as entidades que detêm o múnus da formação em cidadania (escolas, partidos, associações, empresas, Igrejas…) têm de recentrar as metas e os objetivos da formação. No caso, das eleições europeias, havia que discutir a sério as grandes questões do projeto europeu, as propostas para melhorar a caminhada da UE e os temas e problemas nacionais na sua relação com a Europa (aspetos positivos, aspetos negativos, influências mútuas, servilismos, hegemonias, etc.). E isto não se fez. Perdeu-se imenso tempo com nomes, com aparições e com a manutenção de más escolhas. Assim, não admira que, desgraçadamente, ao protesto plasmado na abstenção crescente se tenha adicionado o protesto evidenciado pelo voto branco e pelo voto nulo (7% é muito e não pode decorrer da distração ou da inépcia do eleitor!) e, ainda, pelo não acesso de 12 mil eleitores ao voto por não funcionamento das respetivas mesas.

Quanto à ambiguidade da expressão de voto, registam-se dois fenómenos suplementares: a dispersão de votos pelos partidos. Foram identificados os partidos que obtiveram mandatos, embora não tenham direito a canto de vitória. Porém, muitos eleitores depositaram a sua confiança em muitos dos pequenos partidos. Mas o que dá que pensar é o duplo fenómeno da derrota estrondosa da AP, com menos de 30% dos votos do eleitorado votante; e a vitória tangencial do Partido Socialista, que sabe a pouco, no dizer de António Costa.

Como é possível que uma coligação que tanto mal fez aos serviços públicos e parapúblicos, às pequenas e médias empresas, ao povo trabalhador e aos aposentados/reformados perspetive uma vitória eleitoral nas próximas eleições legislativas? Mais: como é que têm os líderes a distinta coragem de prometer que, a partir do dia seguinte ao das eleições, devolveriam a esperança aos portugueses? Será que o eleitoralismo vai anular tudo o que está previsto no DEO, na carta de conforto ao FMI e no espectro de resoluções do TC desalinhadas das opções do governo?

E, com todo o respeito pelo eleitorado, pergunto-me: Será que não se pagam impostos, não há reformados, não se anularam SCUT e não se fecharam serviços públicos nos distritos de Aveiro, Braga, Bragança, Leiria, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu? Porque não querem vir para cá morar os governantes, se aqui se vive tão bem com os benefícios da AP?

Porém, a vitória do PS (31,4%), pela diferença de uns magros quase 4%, não dá para cantar, cantar, cantar. Ao ouvir os socialistas, lembrei-me do cacarejar da galinha, depois de ela pôr um simples ovo, ou da euforia do meio bêbado, que faz trinta por uma linha. Terá este partido socialista a capacidade de governar de forma aceitável, no período pós-troika, um país verdadeiramente estilhaçado pela penúria resultante da austeridade sentida pelos mais frágeis e pela classe média verdadeiramente esgotada? Servir-lhe-á esta liderança invertebrada e inerme na postura e no discurso. Parece que há um país ansioso por sair do túnel e o braço seguro de que precisa não se revela nada seguro, mas garante que se sente bem seguro… E o país precisa de quem o lidere, sem se armar em Messias caído de para-quedas!

2014.05.26

Louro de Carvalho

segunda-feira, 26 de maio de 2014

PORTUGAL: QUE FUTURO ?...


Uma pérola... vale a pena!
 Uma pérola de texto!
Não refere autor, mas acho que qualquer de nós gostaria de o ter escrito.


PORTUGAL: QUE FUTURO ?...

Muitos anos de vida.
Filho de gente humilde. Filho da aldeia. Filho do trabalho. Desde criança fui pastor, matei cordeiros, porcos e vacas, montei móveis, entregueiroupas, fui vendedor ambulante, servi à mesa e ao balcão. Limpei chãos, comi com as mãos, bebi do chão e nunca tive vergonha.
Na aldeia é assim,
somos o que somos porque somos assim.Cresci numa aldeia que pouco mais tinha que gente, trabalho e gente trabalhadora.
Cresci rodeado de aldeias sem saneamento básico, sem água,
sem luz, sem estradas e com uma oferta de trabalho árduo e feroz.

Cresci numa aldeia com valores, com gente que se olha nos olhos, com gente solidária, com amigos de todos os níveis, com família ali ao lado.
Cresci com amigos que estudaram e com outros que trabalharam. Os que estudaram, muitos à custa de apoios do Governo, agora estão desempregados e a queixarem-se de tudo. Os que sempre trabalharam lá continuam a sua caminhada, a produzir para o País e a pouco se fazerem ouvir, apesar de terem contribuído para o apoio dos que estudaram e a nada receberem por produzir.
Cresci a ouvir dizer que éramos um País em Vias de Desenvolvimento e... de repente éramos já um País Desenvolvido, que depois de entrarmos para a União Europeia o dinheiro tinha chegado a "rodos" e que passamos de pobretanas a ricos "fartazanas".
Cresci assim, sem nada e com tudo.

E agora, o que temos nós?

1. Um país com duas imagens.
     A de Lisboa: cidade grandiosa, moderna, com tudo e mais alguma coisa, o lugar
   onde tudo se decide e onde tudo se divide, cidade com passado,
presente e futuro.

      E a do interior do país, território desertificado, envelhecido,abandonado,
   improdutivo, esquecido, pisado.


2. Um país de vícios.
     Esqueceram-se os valores, sobrepuseram-se os doutores. Não interessa a tua
  
história, interessa o lugar que ocupas.
   Não interessa o que defendes,
interessa o que prometes.
   Não interessa como chegaste lá, mas sim o que
representas lá.
   Não interessa o quanto produziste, interessa o que
conseguiste.
   Não interessa o meio para atingir o fim, interessa o que me
podes dar a mim.
   Não interessa o meu empenho, interessa o que obtenho.
   Não
interessa que critiquem os políticos, interessa é estar lá.
   Não interessa
saber que as associações de estudantes das universidades são o
   primeiro
passo para a corrupção activa e passiva que prolifera em todos os
   sectores
políticos, interessa é que o meu filho esteja lá.
   Não interessa saber que
 autarquias tenham gente a mais, interessa é que eu
   pertença aos quadros.

     Não interessa ter políticos que passem primeiro pelo mundo do trabalho, interessa é que o povo vá para o diabo.

3. Um país sem justiça.
     Pedófilos que são condenados e dão aulas passados uns dias.
   Pedófilos que
por serem políticos são pegados em ombros e juízes que são enviados para as catacumbas do inferno.

 Assassinos que matam por trás e que são libertados passados sete anos por bom
   comportamento!

     Criminosos financeiros que escapam por motivos que nem ao diabo lembram.
     Políticos que passam a vida a enriquecer e que jamais têm problemas ou alguém
   questiona tais fortunas.
   Políticos que desgovernam um país e
"emigram" para Paris.
   Bancos que assaltam um país e que o povo ainda ajuda
a salvar.

     Um povo que vê tudo isto e entra no sistema, pedindo favores a toda a hora e
   alimentando a máquina que tanto critica e chora.


4. Um país sem educação.
    Quem semeia ventos colhe tempestades.
    Numa época em que a sociedade global apresenta níveis de exigência altamente
   sofisticados, em Portugal a educação passou a ser um circo.
   Não
se podem reprovar meninos mimados.
   Não se pode chumbar os malcriados. Os
alunos podem bater e os professores nem a voz podem levantar. Entrar na universidade passou a ser obrigatório por causa das estatísticas. Os professores saem com os alunos e alunas e os alunos mandam nos professores.

     Ser doutor, afinal, é coisa banal.

5. Um país que abandonou a produção endógena.
     Um país rico em solo, em clima e em tradições agrícolas que abandonou a sua
   história.

    Agora o que conta é ter serviços sofisticados, como se o afamado portátil fosse a salvação do país.
   Um país que julga que uma mega fábrica de
automóveis dura para sempre.
   Um país que pensa que turismo no Algarve é que
dá dinheiro para todos.
   Um país que abandonou a pecuária, a pesca e a
agricultura.
   Que pisa quem ainda teima em produzir e destaca quem apenas
usa gravata.
   Um país que proibiu a produção de Queijo da Serra artesanal na
década de 90 e que agora dá prémios ao melhor queijo regional.
   Um país que
diz ser o do Pastel de Belém, mas que esquece que tem cabrito de
  
excelência, carne mirandesa maravilhosa,
   Vinho do Porto fabuloso, Ginginha
deliciosa, Pastel de Tentugal tentador, Bolo Rei português, Vinho da Madeira, Vinho Verde, lacticínios dos Açores e Azeite de
   Portugal para
vender.
   E tanto, tanto mais... que sai da terra e da nossa história.


6. Um país sem gente e a perder a alma lusa.
     Um país que investiu forte na formação de um povo, em engenharias florestais, zoo técnicas, ambientais, mecânicas, civis, em arquitectos, em advogados, em médicos, em gestores, economistas e marketeers, em cursos profissionais, em novas tecnologias e em tudo o mais, e que agora fecha as portas e diz para os jovens emigrarem.
     Um país que está desertificado e sem gente jovem, mas com tanta gente velha e
   sábia que não tem a quem passar  tamanha sabedoria.
   Um país com
jovens empreendedores que desejam ficar mas são obrigados a partir.
   Um país
com tanto para dar, mas com o barco da partida a abarrotar.
   Um país sem
alma, sem motivação e sem alegria.
   Um país gerido por porcaria.


E agora, vale a pena acreditar?
Vale. Se formos capazes de participar, congregar novos ideais sociais e de mudar.
Porquê acreditar?
Porque oitocentos anos de história, construída a pulso, não se destroem em 40 anos. Porque o solo continua fértil, o mar continua nosso, o sol continua a brilhar e a nossa alma, ai a nossa alma, essa continua pura e lusitana e cada vez mais fácil de amar.
(Recebido por email)

sábado, 24 de maio de 2014

A pluridimensional viagem do Papa Francisco à Terra Santa


Na ótica de amigos de Francisco deveria ser esta a primeira de suas viagens apostólicas fora da Itália (seria ato simbólico e importante para os dois lados em conflito) e é efetivamente a primeira decidida por si, já que a primeira que realizou fora objeto de marcação histórica, herdada de Bento XVI: a da XXVIII Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, Brasil, em julho de 2013 (vd Henrique Cymerman, in Visão, 22-05-2014). Esta será, pois, a segunda viagem de Francisco fora da Itália e a quarta visita papal à Terra Santa, na esteira de Paulo VI (1964), João Paulo II (2000, na celebração do jubileu milenar) e Bento XVI (2009).

A peregrinação evoca o encontro entre o papa Paulo VI e o patriarca ecuménico Atenágoras, de Constantinopla (Igreja Ortodoxa), que ocorreu a 5 e 6 de janeiro de 1964, no Monte das Oliveiras, em Jerusalém – o primeiro encontro em mais de 500 anos entre os máximos representantes da Igreja Católica e da Igreja Ortodoxa, divididas há mais de nove séculos.

Francisco leva na sua comitiva o rabino Abraham Skorka, de Buenos Aires, e um dignitário muçulmano, Omar Ahmed Abboud, secretário-geral do Instituto de Diálogo Inter-religioso da República da Argentina. E o grande artífice da viagem, pelo lado dos contactos com as diversas entidades, é Henrique Cymerman, de origem portuguesa, jornalista correspondente da SIC em Israel, que à pergunta de Francisco “O que posso eu fazer pela Terra Santa?” respondeu: “Para começar, é ir lá.”.

 

A vertente religiosa da peregrinação papal

O Papa salienta o caráter religioso da viagem:

Já no próximo sábado começarei a viagem à Terra Santa, o solo onde Jesus viveu. Será uma viagem estritamente religiosa. O primeiro motivo, para me encontrar com o meu irmão Bartolomeu I, na celebração do cinquentenário do encontro de Paulo VI com Atenágoras I. Pedro e André encontrar-se-ão mais uma vez, e isto é muito bonito. O segundo motivo é rezar pela paz naquela terra que sofre tanto. (Praça de S. Pedro, 21-05-2014).

Por seu turno, o patriarca ecuménico de Constantinopla, evocará com o Papa o “histórico abraço de Jerusalém” feito há 50 anos por Paulo VI e Atenágoras – encontro que abriu um caminho que “já não é possível interromper”. “Começamos a perdoar-nos uns aos outros pelos erros e desconfiança do passado e demos passos importantes rumo à aproximação e reconciliação”, confessa o hierarca ortodoxo, que espera que o encontro e a assinatura de uma declaração conjunta com o Papa, na delegação apostólica em Jerusalém, seja “um bom passo em frente” no diálogo entre católicos e ortodoxos, assegurando que “o espírito de amor fraterno e de respeito recíproco tomou o lugar das antigas polémicas e da suspeita”.

Nas palavras de Bartolomeu, os dois responsáveis cristãos dirigem “um apelo e um convite a todas as pessoas, independentemente da sua fé e virtudes”, para “um diálogo que no fundo visa o conhecimento da verdade de Cristo”, após o que rezarão juntos na Basílica do Santo Sepulcro.

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Para lá do aspeto ecuménico da viagem papal, regista-se a componente do diálogo com a religião judaica. Mais de 400 rabinos e personalidades judaicas dos EUA (rabinos e líderes de todas as denominações judaicas), segundo o jornal do Vaticano, assinaram uma mensagem de boas-vindas ao Papa. A mensagem será publicada em quatro páginas do jornal israelita ‘Ha'aretz’ de domingo, segundo dia da viagem papal à Terra Santa, que decorre entre sábado e segunda-feira, com passagens por Amã, Belém, Telavive e Jerusalém. Na segunda-feira, o Papa, que deseja “construir pontes entre todas as religiões para levar a paz ao mundo”, discursará no mausoléu do Yad Vashem de Jerusalém, em memória das vítimas do Holocausto, visitando, em seguida, os dois grãos-rabinos de Israel, no centro Heichal Shlomo.

A publicação da mensagem (em que “é reconhecido por todos os líderes judaicos que o diálogo é fundamental para uma compreensão autêntica e um apreço recíproco”) é iniciativa de Angelica Berrie, presidente do ‘Center for Interreligious Understanding’, sedeado em New Iork, e do rabino Jack Bemporad, diretor do Centro João Paulo II para o Diálogo inter-religioso, sedeado em Roma, junto da Universidade Pontifícia S. Tomás de Aquino (Angelicum).

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Porém, o mundo árabe não fica obnubilado nas preocupações de Francisco, bem como na hospitalidade dos seus líderes. Assim, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que receberá este domingo o Papa em Belém, emitiu um comunicado de boas-vindas:

Tenho a alegria de lhe dar as boas-vindas à Terra Santa, onde o povo palestino o vai acolher, em Belém e Jerusalém, com todo o respeito que convém à sua grande dignidade e à sua mensagem de amor e de paz.

Abbas recorda a posição da Santa Sé na defesa dos direitos do povo palestino, muçulmano e cristão, apontando a Terra Santa como berço de mensagens e de religiões, terra de amor e paz.

 

A vertente política do périplo pontifício

Apesar da ótica marcadamente religiosa da ação papal, independentemente da sua intenção, não se pode passar ao lado da vertente política, por duas ordens de razões: o Papa não deixa de ser e de se apresentar como Chefe de Estado; e sente-se convocado a intervir pela palavra e gesto num mundo dividido também politicamente e onde é acolhido simpática, mas criticamente por líderes políticos, embora com suporte ideológico religioso expresso.

Ademais, o itinerário escolhido por Francisco sublinha a posição favorável à solução de dois Estados, Israel e Palestina, defendida pela Santa Sé e apresenta uma novidade histórica: pela primeira vez, um Papa vai entrar em território palestino sem ter passado previamente por solo israelita. O Papa, acompanhado pelo Patriarca Latino de Jerusalém, realiza uma peregrinação que decorre entre sábado e segunda-feira, com passagens por Amã, Belém, Telavive e Jerusalém, e cumprirá uma agenda que prevê 14 intervenções, entre homilias e discursos, e a assinatura de uma declaração conjunta com o patriarca ecuménico de Constantinopla.

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E a perspetiva vaticana não deixa margem para dúvidas, dado que o Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, reafirmou em entrevista à Rádio Vaticano que a Santa Sé defende “o direito de Israel a existir e gozar de paz e de segurança dentro das fronteiras internacionalmente reconhecidas” e “o direito do povo palestino de ter uma pátria, soberana e independente, o direito de se deslocar livremente, o direito de viver com dignidade”. E sublinha

O reconhecimento do caráter sagrado e universal da cidade de Jerusalém, da sua herança cultural e religiosa, portanto, como lugar de peregrinação dos fiéis das três religiões monoteístas”. (vd Ecclesia, 23.05.2014).

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Mahmoud Abbas, que se reunira seis vezes com Bento XVI, foi recebido, no Vaticano a 17 de outubro de 2013, por Francisco, que pediu, num encontro de cerca de meia hora, “decisões corajosas” pela paz na região.

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Também D. Fouad Twal, patriarca latino de Jerusalém, autoridade máxima da Igreja Católica na Terra Santa, ao projetar a visita de Francisco à região, espera forte contributo para a paz e assegura que a viagem papal tem “dimensão política” incontornável, que deve ser tida em conta.

Há os judeus, os muçulmanos, o diálogo ecuménico, a unidade, a paz. Estou certo de que os discursos do Papa serão discursos de um Papa em visita pastoral, em visita de oração e de diálogo, mas nada impede que tenham uma dimensão política sobre a situação – referiu em entrevista à Ecclesia, SIC e ‘Vida Nueva’.

O Patriarca referencia os locais que Francisco visitará – entre os quais, o Santo Sepulcro, o memorial do Holocausto ‘Yad Vashem’, o Muro das Lamentações e a Esplanada das Mesquitas – mas não deixa de lembrar:

Na Terra Santa, considerando a situação que vivemos, não podemos evitar a dimensão política: tudo é política. Se se falar do fim da ocupação, do trabalho, se se falar da liberdade religiosa, dos muros ou dos postos de controlo, é de política que falamos.

Deseja que os discursos do Papa “toquem a cabeça e o coração dos dirigentes políticos, de modo a terem a coragem de mudar de modo que haja mais paz e harmonia para todos”. E adverte:

Quando falo de paz, é para todas as pessoas, judeus, cristãos ou muçulmanos; não haverá nunca uma paz para um povo apenas, sem os outros. Ou vivemos juntos, em paz, todos juntos, ou continuaremos este círculo de violência que não acabará nunca. […] Entre os desafios que enfrentamos, há a situação política, há um despertar do fanatismo religioso, seja judeu ou muçulmano – que é mau para todos –, em todo o Médio Oriente. A minha resposta a esse despertar é a educação nas escolas, nas universidades, nos nossos encontros, na oração. […] A situação é muito complicada na Terra Santa. Esperamos que as pessoas não se contentem com a manifestação e o espetáculo da chegada do Papa, mas que tenham tempo de estudar profundamente os discursos do Santo Padre, que devem ser uma mensagem para os líderes políticos, para os crentes – crentes cristãos, muçulmanos e judeus.

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Para o Presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso – que ouviu as expectativas das comunidades de Amã, em colóquio focado na relação entre religião e violência, organizado pelos líderes dos diversos credos presentes no território – o Papa Francisco é aguardado como “portador da esperança”, não só para o país “mas sobretudo para aqueles países da região médio-oriental nos quais a guerra ainda continua”.

 Não existe uma só religião no mundo que pregue a violência. Nem os conflitos que se desenrolaram nestes anos, sobretudo na região médio-oriental, têm uma raiz religiosa. Não existem guerras de religião. Aliás, devemos entender finalmente que a religião, qualquer uma, é paz – salienta o cardeal D. Jean Louis Tauran.

A Jordânia é o primeiro local de paragem de Francisco, que fará uma visita de cortesia ao rei da Jordânia, Abdullah II, no Palácio Real de Amã, se encontrará com as diversas autoridades locais e visitará o local do Batismo de Jesus, junto ao Jordão, onde decorrerá o encontro com refugiados sírios e jovens com deficiência. Antes de seguir para Belém, na Palestina, o Papa vai jantar com os refugiados da Síria.

 

Um testemunho de solidariedade

O prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, cardeal Leonardo Sandri, antecipou à revista 'Terra Santa' a primeira a visita do Papa àquela região e destacou o encontro com refugiados sírios, na Jordânia. O jantar que Francisco promove em Amã, na primeira noite da viagem, “será muito importante”, tendo em conta a “catástrofe humana” que atinge a Síria, em guerra civil há mais de três anos.

Quanto ao significado do ato, aquele responsável da Santa Sé explicita que “O encontro com os refugiados mostrará que a Igreja está ao lado daqueles que mais sofrem e representará um apelo ao mundo inteiro para uma ajuda concreta a estas pessoas”.

Acentuando o facto de Francisco passar por Belém, na Palestina e Jerusalém, onde se vai encontrar na Basílica do Santo Sepulcro com os representantes das Igrejas cristãs da região, não deixa de adiantar que “a viagem terá fundamentalmente um significado ecuménico, na esteira de uma interpelação que é comum a todos os cristãos e que é cada vez mais incompreensível: por que é estamos divididos?”. E faz ressaltar o gesto de Francisco e Bartolomeu se encontrarem e se abraçarem, exatamente como Paulo VI e Atenágoras se abraçaram há 50 anos, no Santo Sepulcro, onde “mais fortemente se pode perceber a divisão entre cristãos”.

D. Leonardo Sandri menciona ainda a possibilidade de, durante a visita do Papa, as negociações entre Israel e a Santa Sé conhecerem desejavelmente novos desenvolvimentos relativamente à questão do Cenáculo, local que, para os católicos, é o da última ceia de Cristo e, para os judeus, o do túmulo do rei David.

 

Sob a égide de Santa Maria

Um dia antes de iniciar a primeira viagem à Terra Santa, Francisco visitou em privado a Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, onde rezou diante da imagem de Nossa Senhora durante cerca de 15 minutos e junto da qual deixou um ramo de flores. Que a Virgem ajude o Papa a mudar “ao menos o coração dos homens”, dado ser impossível “mudar a situação imediatamente”, como deseja o Patriarca Latino de Jerusalém.

É esta uma basílica, que já visitou oito vezes desde o início do pontificado, em março de 2013.

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Pela paz, pelo ecumenismo, pelo diálogo inter-religioso e pela solidariedade com quem sofre!

2014.05.23

Louro de Carvalho

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Braga de Macedo e a classe média


Este inefável ex-ministro das Finanças da era da governança cavaquista, agora afastado da política dita ativa e professor de economia na Nova School of Business and Economics, não deixa de surpreender.

Em 1993, afirmou perante a Assembleia da República que o país era um “oásis” (Quem não se lembra do lugar do oásis e da escola do sucesso?). O OE de 1993, que previa o encaixe de 3.340 milhões contos de receitas correntes, precisou de ser complementado pelo orçamento retificativo porque, afinal, a receita fora bem menor. O OE previa o crescimento do PIB em 2%, ao passo que, na realidade, se verificou um recuo de 0,7%. Em dezembro daquele ano, Cavaco houve por bem mudar de titular das finanças. Porém, nada impediu que o Ministro tenha sido cúmplice do então Primeiro-Ministro na subscrição da outorga, a dois agentes da extinta PIDE/DGS, de uma pensão por “altos serviços prestados à pátria”, proposta pelo Supremo Tribunal Militar.

No fim do não de 2013, vinte anos depois, surpreendeu a opinião pública ao propalar que “os 13 juízes do Tribunal Constitucional não são ajuizados, querem preservar a sociedade sem classes e a economia nacionalizada prescritas pela Constituição aprovada em 1976, têm uma visão demasiado legalista da sua função e que deviam dar mais importância ao memorando assinado com a troika do que à lei fundamental”. E chegou ao ponto de zurzir contra o atual Presidente da República, quando perorou que “a maioria das decisões do TC sobre medidas austeritárias surgem na sequência de pedidos de declaração de inconstitucionalidade feitos pelo Presidente, e em alguns casos (em relação à contribuição extraordinária de solidariedade, por exemplo), contrariam esses pedidos do PR”. E infere que o PR suplanta os juízes no anacronismo e na falta de sapiência e juízo que lhes atribui quando afirma “estes 13 juízes não são homens ajuizados, porque também há mulheres e também talvez por outras razões”, enunciado que denota um desajeitado machismo agradável a determinadas mentes.

Recentemente, afirmou, em entrevista a Sílvia de Oliveira e Hugo Neutel, de Dinheiro Vivo, que o ajustamento pesou mais sobre os ricos e sobre os mais pobres e que “a classe média acabou por ser a que menos sofreu”. Bem gostava de perceber como é que o infalível professor é capaz de contrariar a voz consensual de que a classe média foi tão prejudicada pela crise que surgiram novos pobres, que vêm a depauperar até à exaustão os recursos das organizações de solidariedade e a esgotar a capacidade de solidariedade económica dos cidadãos. Há mesmo quem profetize que a classe média, essencial na vida do Estado, está de tal maneira diminuída que mais parece em vias de extinção do que em processo de reconversão. Não sabe o professor que muitos dos avós consomem as pensões de reforma e de aposentação, cada vez mais rarefeitas, no sustento de netos com pais e tios desempregados, sentindo-se mesmo forçados a abandonar o lar de terceira idade a que já se tinham recolhido? Não saberá que milhares de jovens abandonaram o ensino superior por falta de dinheiro para pagamento de propinas, alojamento e alimentação? Não sabe que centenas de adolescentes usufruem da única refeição que lhes é dada na escola? Não saberá Sua Excelentíssima Docência que o país tem uma sangria emigratória parecida com a da década de 60 do século XX, calculada em cerca de 300 mil almas, sendo muitas de gente qualificada? Não sente o economista, que deveria conhecer a situação da sociedade pelo lado da economia social, não sente como decresceu a natalidade, por falta de meios, designadamente estabilidade laboral, existência de condições de compatibilidade entre ocupação laboral e dedicação à família? Não reconhece que a escola está, ao nível do primeiro ciclo do ensino básico, sem população discente? Não percebe que a Administração Pública, ora esbulhada até ao tutano, se prestigia e ganha eficácia com uma classe média robusta?

Crerá o ilustre académico que se trata de filhos da gente muito rica ou da gente muito pobre? Acha que os ricos são assim tantos neste país? Acha que os muito pobres puderam fazer cursos superiores, emigrar ou perder muito dinheiro? Subestima os cortes salariais, de pensões e de subsídios que se abateram sobre funcionários? Acha pouca coisa o aumento brutal de impostos ou pensa que eles custam menos a pagar pelos elementos da classe média? 

***

Mas vejamos, com natural interesse, como o intelectual comenta o modo como o país assinala o fim simbólico do resgate e o balanço que faz dos três anos de troika. Neste sentido, entende que se trata apenas de um dia simbólico: é um dia igual ao anterior e muitas coisas ficarão iguais no dia seguinte. No entanto, considera-o um marco e os marcos são o que nos faz viver. Houve um contrato e, na linha da tradição de que “os contratos têm de ser cumpridos”, o país, todo ele, cumpriu. Infere que “os símbolos são importantes mas, enquanto símbolos, não são importantes nos bolsos das pessoas. […] É essa a dificuldade que se tem em passar realidades económicas, algumas delas instantâneas, que mudam em centésimos de segundo, e que podem fazer imensa diferença na vida das pessoas. Mas a realidade é muito mais viscosa, muito mais lenta”.

Braga de Macedo acredita que, se se mantiverem os aspetos fundamentais das exigências do memorando, Portugal não terá problemas de acesso aos mercados e que o país estará melhor.

Quanto à validade dos sacrifícios, conclui que eram exigidos pelo programa e que valeram a pena, embora reconheça que “o contrato estava mal escrito, que foi um contrato abusivo, que se devia ter ido a tribunal, isto em termos simbólicos, e que o senhor juiz nos dava razão”. Mas Portugal cumpriu.

No atinente aos objetivos – endireitar as contas públicas e reestruturar a economia – o professor, embora sustente que o contrato fora elaborado à pressa e numa situação de fraqueza negocial e, depois, “foi executado num ambiente em que a zona a que pertencemos esteve quase a afundar”, entende que se atingiram porquanto, no ano passado, tivemos um excedente, pela primeira vez, desde há décadas. Ora “o primeiro problema de Portugal, que levou Portugal a pedir ajuda externa, foi o défice externo, tinha a ver com o facto de não podermos pagar as nossas dívidas ao exterior. […] Estou praticamente certo de que temos o recorde de défice externo em percentagem de PIB continuado. A dívida externa que acumulámos, é brutal”.

Porém, o governo, porque “alterar a conta corrente é impossível, tem que pôr as contas em ordem e dar competitividade à economia através de reformas estruturais. Foi exatamente o que fez, com base num guião”. Mas o guião dizia “nós damos o dinheiro à cabeça com estas condições”.

Não sei se o analista professor diria uma coisa destas se vivesse em Portugal com atenção ao que efetivamente se passa. É que o seu raciocínio é contraditório. Verifica que o problema da dívida externa é a canga, a herança que tivemos de 10 anos e assegura que não conhece país “que tenha conseguido crédito externo com um défice tão grande durante tanto tempo”. E, citando Olivier Blanchard, define as caraterísticas da nossa economia: crescimento anémico – não há crescimento –, défice orçamental grande, défice da conta corrente muito grande.

Embora se tenha afirmado convicto de que o país cumpriu, acaba por defender que as reformas estruturais vão ser julgadas no sentido de terem ou não conseguido espoletar o potencial exportador da economia portuguesa. Trata-se, diz ele, de uma questão muito complexa porque, ao lado do défice da conta corrente, há uma total relutância, ou incapacidade em fazer reformas estruturais. E as exportações entraram mesmo na rampa do crescimento sustentável?

E não deixa de chorar pelas cebolas podres do Egito quando refere que “a estrutura económica portuguesa até era relativamente flexível, nos anos 60, mas veio a Revolução, com aquela nacionalização por grosso. Essa alteração acabou por ser má, mesmo depois das privatizações, e isso verificou-se, sobretudo, porque a economia fechou”. Outro ilustre a clamar que antigamente é que era bom. Tínhamos ouvido já Durão Barroso a dizer bem do ensino no liceu de seus estudos pré-abrilinos! Terá sido esse ensino que o levou a decretar “nem mais um soldado para as colónias” ou recentemente “nem mais um euro para o protetorado, se o TC não tiver juízo”?

As nacionalizações – onde é que estava o lúcido economista nesse período? – deixaram cicatrizes: a economia fechou e as reformas estruturais estavam encavalitadas há muitas décadas – justificou. Todavia, o que lhe parece mais grave desse período, “que ainda está a decorrer, é a legibilidade das reformas estruturais”.  

E faz algumas interrogações pertinentes, em termos contrastivos: “Será que se fez a mais no mercado de trabalho, a menos no mercado financeiro, a mais na agricultura, a menos na indústria, o que é que é o turismo, como é que é a atração de investimento estrangeiro? ”. No entanto, não deixa de embandeirar em arco: “Temos vitórias indiscutíveis de abertura e de confiança em que Portugal é um sítio onde se pode investir. Temos melhorado enormemente, estamos a atrair investimento estrangeiro como nunca aconteceu, mesmo à escala europeia”. Então, porque é que não há investimento? – é imperioso perguntar, penso eu.

Porém, o analista encontra razões da não legibilidade das reformas estruturais, sentenciando:

“Temos, em Portugal, uma tradição de concertação social, mas também temos, em Portugal, uma coisa insólita: os sindicatos, tal como a esquerda, estão divididos, o que é uma coisa rara na Europa, onde é muito mais frequente a direita estar dividida”. E apresenta a solução:

Noutros países, há uma tradição de concertação social e uma tradição de concertação económica. Isto quer dizer que para abrir a economia ao investimento estrangeiro são precisas reformas. Não só que se façam, mas que sejam vistas como tal e que as organizações empresariais e as grandes empresas exportadoras sintam que o Estado é sensível. Teria gostado de que essas reformas, ao longo destes anos, tivessem sido um bocadinho mais rápidas.

***

Assim, não percebo como, com tanta incerteza sobre os resultados no futuro, Braga de Macedo afirma que foi o governo que decretou a saída limpa, uma saída europeia, e como é que o economista, apesar de tudo, algo lúcido, acredita na índole limpa da saída do programa de ajustamento, com tanta coisa para acabar de fazer e com tantos riscos, ou que gizámos o nosso seguro. E como é que acredita que Merkel é sincera ao afirmar que Portugal será uma porta para o mundo? Contradições de economista ou otimismo pertinaz!

2014.05.19

Louro de Carvalho

terça-feira, 20 de maio de 2014

Porque é que depressão masculina é raridade!

Segundo um relatório que esta semana foi entregue no Conselho de Altos Estudos Científicos da Universidade do Michigan (U.S.A.), o resultado duma pesquisa liderada pelo famoso Prof. Dr. Morris A. Benson, apresenta o seguinte parecer final: 
Porque é rara a depressão masculina!
 
·         Não engravidam.
 
·         Os mecânicos não lhes mentem...
 
·         Nunca precisam procurar outra área de Serviços para encontrar uma casa-de-banho limpa.
 
·         Rugas são traços de carácter...
 
·         Barriga é prosperidade!
 
·         Cabelos brancos são charmosos...
 
·         Os sapatos não lhes apertam nos pés.
 
·         Conseguem ir sozinhos à casa-de-banho
 
·         As conversas pelo telefone só duram 30 segundos.
 
·         Para férias de 5 dias, apenas levam uma mochila.
 
·         Se na mesma festa aparecer outro com uma roupa igual, não há problema.
 
·         Cera quente nem cheiro.
 
·         Ficam a assistir a um programa de televisão com um amigo, em total silêncio, durante várias horas, sem ter que pensar: "Ele já deve estar cansado da minha companhia"
 
·         Se alguém se esquece de os convidar para alguma festa, continua a ser seu amigo.
 
·         A roupa íntima que usa pode custar no máximo 20 euros (em pacotes de 3).
 
·         Três pares de sapatos chegam e sobram.
 
·         São incapazes de perceber que a roupa está amarrotada.
 
·         Usam o mesmo corte de cabelo durante anos, aliás décadas, sem problemas.
 
·         Meia dúzia de cervejas geladas e um jogo de futebol na televisão são o suficiente para passarem horas divertidos.
 
·         Os Shoppings Centers não lhes fazem falta nenhuma.
 
·         Podem deixar crescer o bigode.
 
·         Se um amigo lhes chamar gordo, careca, velhadas, etc, isso não lhes abala em nada a amizade. Aliás, é prova de uma grande amizade.
 
·         São capazes comprar os presentes de Natal para 25 pessoas, no dia 24 de Dezembro em, no máximo, 25 minutos!
 
·         Para um churrasco, só precisam de carvão, carne, sal grosso, uma faca e uma tábua e, no máximo umas calças, para limpar os dedos sujos de gordura.

E o pior é que é verdade....
Tenham uma boa semana…
(Recebido por email)

sábado, 17 de maio de 2014

Harvard e Cambridge publicaram recentemente um compêndio com 20 Conselhos saudáveis para melhorar a qualidade de vida de forma prática e habitual

Vinte e um (21) conselhos das Universidades de Medicina:
01- Um copo de sumo de laranja
diariamente para aumentar o ferro e repor a vitamina C.

02- Salpicar canela no café
(mantém baixo o colesterol e estáveis os níveis de açúcar no sangue).

03- Trocar o pãozinho tradicional pelo pão integral
O pão integral tem 4 vezes mais fibra, 3 vezes mais zinco e quase 2 vezes mais ferro que tem o pão branco.

04- Mastigar os vegetais por mais tempo.
Isto aumenta a quantidade de químicos anticancerígenos liberados no corpo. Mastigar libera sinigrina. E quanto menos se cozinham os vegetais, melhor efeito preventivo têm.

05- Adotar a regra dos 80%:
Servir-se de menos 20% da comida que costuma comer, evita transtornos gastrointestinais, prolonga a vida e reduz o risco de diabetes e ataques de coração.

06- LARANJA-o futuro está na laranja,  que reduz em 30% o risco de cancro de pulmão.

07- Fazer refeições coloridas como o arco-íris .  
Comer DIARIAMENTE, uma variedade de vermelho, laranja, amarelo, verde, roxo e branco em frutas e vegetais, cria uma melhor mistura de antioxidantes, vitaminas e minerais.

08- Comer pizza, macarronada ou qualquer outra coisa com MOLHO de TOMATE.
Mas escolha as pizzas de massa fininha.  O Licopeno, um antioxidante dos tomates pode inibir e ainda reverter o crescimento dos tumores; e ademais é melhor absorvido pelo corpo quando os tomates estão em molhos para massas ou para pizza .

09- Limpar a escova de dentes e trocá-la regularmente .
As escovas podem espalhar gripes e resfriados e outros germes. Assim, é recomendado lavá-las com água quente pelo menos quatro vezes por semana (aproveite o banho no chuveiro), sobretudo após doenças, quando devem ser mantidas separadas de outras escovas.

10- Realizar atividades que estimulem a mente e fortaleçam a memória...
Faça alguns testes ou quebra-cabeças, palavras-cruzadas, aprenda um idioma, alguma habilidade nova...  Leia um livro e memorize parágrafos; escreva, estude, aprenda. A sua mente agradece e os seus amigos também, pois é interessante conversar com alguém que tem assunto.

11- Usar fio dental e não mastigar chicletes .  
Acreditem ou não, uma pesquisa deu como resultado que as pessoas que mastigam chicletes têm mais possibilidade de sofrer de arteriosclerose, pois têm os vasos sanguíneos mais estreitos, o que pode preceder a um ataque do coração.  Usar fio dental pode acrescentar seis anos a sua idade biológica porque remove as bactérias que atacam aos dentes e o corpo.

12- Rir.  
Uma boa gargalhada é um 'mini-workout', um pequeno exercício físico: 100 a 200 gargalhadas equivalem a 10 minutos de corrida.
Baixa o stress e acorda células naturais de defesa e os anticorpos.

13- Não descascar com antecipação.  
Os vegetais ou frutas, sempre frescos, devem ser cortados e descascados na hora em que forem consumidos.  Isso aumenta os níveis de nutrientes contra o cancro. Sumos de fruta têm que ser tomados assim que são preparados.

14- Ligar para seus parentes/pais de vez em quando.
Um estudo da Faculdade de Medicina de Harvard concluiu que 91% das pessoas que não mantêm um laço afetivo com os seus entes queridos, particularmente com a mãe, desenvolvem alta pressão, alcoolismo ou doenças cardíacas em idade temporã .

15- Desfrutar de uma xícara de chá.  
O chá comum contém menos níveis de antioxidantes que o chá verde, e beber só uma xícara diária desta infusão diminui o risco de doenças coronárias.  Cientistas israelitas também concluíram que beber chá aumenta a sobrevivência depois de ataques do coração.

16- Ter um animal de estimação.
As pessoas que não têm animais domésticos sofrem mais de stress e visitam o médico regularmente, dizem os cientistas da Cambridge University.  Os mascotes fazem você sentir-se otimista, relaxado e isso baixa a pressão do sangue.
Os cães são os melhores, mas até um peixinho dourado pode causar um bom resultado.

17- Colocar tomate ou verdura frescas na sanduíche.
Uma porção de tomate por dia baixa o risco de doença coronária em 30%, segundo cientistas da Harvard Medical School; outras vantagens  são conseguidas atráves de verduras frescas.

18- Reorganizar o frigorífico .  
As verduras em qualquer lugar do frigorífico perdem substâncias nutritivas, porque a luz artificial do equipamento destrói os flavonóides que combatem o cancro e que todo vegetal tem.  Por isso, é melhor usar aquela caixa bem em baixo ou guardar em um taperware escuro e bem fechado.

19- Comer como um passarinho.  
A semente de girassol e as sementes de sésamo nas saladas e cereais são nutrientes e antioxidantes.  E comer nozes entre as refeições reduz o risco de diabetes.


 

20- Uma banana por dia quase dispensa o médico, vejamos: " Pesquisa da Universidade de Bekeley".

 
A banana previne a anemia, a tensão arterial alta, melhora a capacidade mental, cura ressacas, alivia azia, acalma o sistema nervoso, alivia TPM, reduz risco de infarte, e tantas outras coisas mais, então, é ou não é um remédio natural contra várias doenças?

 
21- e, por último, um mix de pequenas dicas para alongar a vida
-comer chocolate.
Duas barras por semana estendem um ano a vida. O amargo é fonte de ferro, magnésio e potássio...

- pensar positivamente .
Pessoas otimistas podem viver até 12 anos mais que os pessimistas,  que, além disso, pegam gripes e resfriados mais facilmente, são menos queridos e mais amargos.

- ser sociável.
Pessoas com fortes laços sociais ou redes de amigos têm vidas mais saudáveis que as pessoas solitárias ou que só têm contacto com a família.


- conhecer a si mesmo .
Os verdadeiros crentes e aqueles que priorizam o 'ser' sobre o 'ter' têm 35% de probabilidade de viver mais tempo, e de ter qualidade de vida...

 
'Não parece tão sacrificante, não é verdade?  Uma vez incorporados os conselhos, facilmente tornam-se hábitos...
É exatamente o que diz uma certa frase de Sêneca:

 
'Escolha a melhor forma de viver e o costume a tornará agradável'!
"Crie bons hábitos e torne-se escravo
deles, como costumamos ser dos maus hábitos".
(Recebido por email)