quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Dia Mundial da Paz


No próximo dia 1 de Janeiro, celebra-se o Dia Mundial da Paz e o Papa publicou uma mensagem intitulada ‘Vence a indiferença e conquista a paz’, onde denuncia as graves consequências do esquecimento de Deus. "A primeira forma de indiferença na sociedade humana é a indiferença para com Deus, da qual deriva também a indiferença para com o próximo e a criação", escreve o Papa Francisco.
"A nível individual e comunitário, a indiferença para com o próximo – filha da indiferença para com Deus – assume as feições da inércia e da apatia, que alimentam a persistência de situações de injustiça e grave desequilíbrio social", precisa.
Francisco fala ainda de consequências ao nível institucional da indiferença pelo outro, "de braço dado com uma cultura orientada para o lucro e o hedonismo", que "favorece e às vezes justifica ações e políticas que acabam por constituir ameaças à paz".
"Este comportamento de indiferença pode chegar inclusivamente a justificar algumas políticas económicas deploráveis, precursoras de injustiças, divisões e violências, que visam a consecução do bem-estar próprio ou o da nação", adverte.
O Papa observa que a indiferença pelo ambiente cria "novas pobrezas, novas situações de injustiça", com consequências "muitas vezes desastrosas em termos de segurança e paz social".
Em pleno Jubileu da Misericórdia, o Papa sustenta que os católicos são "chamados a fazer do amor, da compaixão, da misericórdia e da solidariedade um verdadeiro programa de vida".
"A solidariedade constitui a atitude moral e social que melhor dá resposta à tomada de consciência das chagas do nosso tempo e da inegável interdependência que se verifica cada vez mais, especialmente num mundo globalizado, entre a vida do indivíduo e da sua comunidade", conclui Francisco.

Fonte: aqui

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Cuidado piropeiros!

Piropos já são crime e dão prisão até três anos
Pelo seu carácter de “propostas de teor sexual” não desejadas, os piropos foram criminalizados em agosto, com pena de prisão de até um ano — ou três, caso sejam dirigidas a menores de 14.
A alteração ao Código Penal, proposta pelo PSD, foi feita em agosto, mas, nota o Diário de Notícias, passou despercebida: as “propostas sexuais” não desejadas têm agora uma pena de prisão que pode ir até três anos.
Este novo crime de “importunação sexual” é um aditamento ao artigo 170º do Código Penal, que criminalizava já o exibicionismo e os “contactos de natureza sexual”, mais conhecidos como “apalpões”.
“Quem importunar outra pessoa, praticando perante ela atos de carácter exibicionista, formulando propostas de teor sexual ou constrangendo-a a contacto de natureza sexual, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal.”
Esta alteração legislativa, adianta o DN, foi uma transposição para o ordenamento jurídico nacional da Convenção de Istambul, a Convenção do Conselho da Europa para a prevenção e o combate à violência contra as mulheres, assinada em 2011 em Istambul.
A medida aplica-se em qualquer circunstância: no local de trabalho, na rua, em grupos sociais, em qualquer situação em que um agressor pratique qualquer dos actos considerados no diploma como “proposta de teor sexual” não desejada.
Apesar de o tema ter sido nos últimos anos muito debatido nas redes sociais  comentado nos media, a “criminalização do piropo” acabou por entrar em vigor e passar completamente despercebida.
Frequentemente considerada como “exagero”, “histeria feminista” ou mesmo “atentado à liberdade de expressão”, foi inicialmente proposta em 2011 pelo colectivo feminista UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta.
Em 2013, o Bloco de Esquerda apresentou um projecto de lei sobre o tema, que viria a ser enviado para discussão na especialidade.
Por muito leve que possa aparentar ser, um piropo é um simples acto de assédio sexual?
A lei portuguesa diz agora que sim.
Fonte: aqui

sábado, 26 de dezembro de 2015

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Ao diabo essas malditas burkas!

Veja aqui o filme e a reportagem.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Para queimar gordura

A maioria das pessoas que desejam perder peso sabe que uma boa alimentação e os exercícios físicos são indispensáveis para atingir os objectivos. Mas também é bom saber que existem alguns alimentos específicos que, dadas as suas propriedades nutricionais, podem ajudar a queimar gordura com mais facilidade. Eis alguns deles:
  1. Limão. – Seu elevado teor de vitamina C tem um efeito positivo na redução de gordura corporal. Beba água morna com algumas gotas de limão em jejum.
  2. Aveia. – Considerada um dos cereais mais completos, a aveia é um alimento perfeito para perder peso de forma saudável e sem passar fome. Inclua aveia no pequeno almoço.
  3. Gengibre e açafrão da índia. – No que diz respeito à eliminação de gordura e perda de peso, o gengibre e o açafrão têm atributos muito interessantes..
  4. Toranja. – Comer meia toranja antes das principais refeições do dia ajuda a perder peso e evitar a ingestão excessiva de calorias.
  5. Abacate. – Esta fruta contém um composto conhecido como L-carnitina, associada a um aumento do metabolismo e à perda de peso.
Fonte: aqui


quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Não gosto do Natal assim… Mas gosto do Natal!




Não gosto do Natal dominado pelo comércio e pela produção e comportamento consumistas.

Não gosto do Natal marcado pelas viagens, feriados e prendas.  

Não gosto do Natal do Pai Natal, das renas, do trenó ou das chaminés.

Não gosto do Natal que se esgota na árvore com as luzes, bolas e outros enfeites.

Não gosto do Natal das filhós, rabanadas, frutos secos, bacalhau e peru.

Não gosto do Natal das folias, cepos, cantares e concertos.

Não gosto do Natal sem Advento, sem Isaías, Sofonias, Miqueias, Zacarias, Isabel e João Batista.

Não gosto do Natal sem o Menino Jesus, sem Maria e sem José.

Não gosto do Natal encurralado nas sacristias ou nos templos, capelas e capelinhas.

Não gosto do Natal sem atenção ao homem, sobretudo se é pobre, explorado ou descartado.

Não gosto do Natal dividido ou assinalado pela discórdia e guerra.

Não gosto do Natal em que em nome da liberdade (religiosa ou não), me impõem o espetáculo social sem o Cristo da fé e orientado ao bel-prazer do secularismo sem transcendência.

Não gosto do Natal cuja cultura ignore a raiz e a finalidade do Natal.


***

Todavia, gosto do Natal

Que promova a produção de bens à custa do investimento lícito (quanto ao uso da Terra e benefício social) e do trabalho digno e o consumo regrado e com a justa distribuição por quem precisa;

Que ponha a relação comercial ao serviço das pessoas e dos valores fundamentais – transcendência, dignidade, igualdade, fraternidade, liberdade e responsabilidade;

Que estimule a pausa laboral e as viagens para a aproximação familiar e para a celebração pessoal e comunitária do mistério;

Que promova o folguedo, que não a orgia, para evidenciar a dimensão de festa que a quadra natalícia oferece a todos;

Que inclua o Pai Natal, das renas, do trenó ou das chaminés – não em exclusivo, mas como parte de um dado cultural e reminiscência de São Nicolau, o amigo dos pobres e das crianças;

Que que se espelhe na árvore enquanto símbolo de vida, robustez e esperança, com as luzes como centelhas da luz de Cristo e com as bolas e outros enfeites como sinal de gozo para a vista, porque Deus visitou o seu Povo;

Que festeje a alegria da família e dos pobres com as filhós, rabanadas, frutos secos, bacalhau e peru – e seja rampa de lançamento para que todos tenham aquilo de que precisam;

Que se exprima nas prendas, não por obrigação social, mas como sinais da ternura de Deus para connosco e de nós para com o próximo, em dinamismo de união, paz e concórdia;

Que mime a comunidade com cantares e concertos em sinal da festa que nós somos para Deus, porque se sente bem a morar connosco;

Com o Advento – que a sociedade ignora – com Isaías, Sofonias, Miqueias, Zacarias, Isabel e João Batista a anunciar a visita de Deus encarnado e o estabelecimento da sua morada no meio dos homens;

Que se centre no Menino Jesus envolto em panos e reclinado na manjedoura da pobreza para a abundância futura, acompanhado por Maria e José;

Que se celebre no Templo, na capela e na família, mas que venha para a rua mexer com todos e incomodá-los;

Que tenha a necessária atenção ao homem, sobretudo se é pobre, explorado ou descartado e que edifique comunidades vivas e a Igreja em saída e missão ao serviço do Evangelho e da causa do homem;

Que em nome da liberdade, sem negar ou esconder as diversas religiões, integre o verdadeiro secularismo;

Que promova a cultura do conhecimento da raiz e da finalidade do Natal:

A vontade de Deus em vir ao encontro do homem para o libertar das suas limitações e o elevar à intimidade e comunhão com Deus e o estender à humanidade nas diversas comunidades, provocando a reunião de todos os homens e povos num só povo. É o Natal de Deus. É o Natal do Homem!

2015.12.16 – Louro de Carvalho

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

O histórico acordo de Paris sobre as alterações climáticas


Depois de negociações que se deixaram atravessar por anos e anos de discussão e passaram por diversas hesitações e oscilações, 195 países aprovaram, sob a égide das Nações Unidas, um acordo histórico e multilateral para deter o aquecimento global da atmosfera, minimizando assim as alterações climáticas que ameaçam o Planeta.

O Acordo de Paris, como foi denominado o resultado da cimeira, resulta de quatro anos de sérias negociações e, por fim, de uma maratona de duas semanas numa cimeira climática da ONU, a COP 21, em Le Bourget, nos arredores da capital francesa.

Verificou-se que representantes de países poderosos reconheceram a sua responsabilidade na degradação do Planeta e prometeram a promoção da mudança comportamental. Entretanto, outros ainda fincaram o pé, como a Nicarágua, que, na longa sessão de discursos, levantou reservas ao acordo e disse que não o acompanharia.

O certo é que se chegou a um compromisso conjunto, que, se for efetivamente levado à prática, na segunda metade deste século o mundo terá praticamente abandonado os combustíveis fósseis e serão anuladas pela sua absorção por florestas ou pela sua captura e armazenamento as emissões que restarem de gases com efeito de estufa.

A partir do arranque com o “Protocolo de Quioto” (1997), peça importante neste combate, e passando pelo fracasso de Copenhaga (2009), esta é a primeira vez que surge um acordo internacional, com força legal, a vincular todos os países em ordem a fazerem esforços para conter as suas emissões.

A base de execução do acordo são os planos nacionais, a apresentar a cada cinco anos por todos os países, especificando a sua contribuição para a luta contra o aquecimento global. Além dos pontos fundamentais estabelecidos, mais adiante discriminados, não há propriamente metas impostas aos países, sendo eles que decidem o que fazer. Porém, todos têm de participar, e não apenas os países desenvolvidos, embora a estes caiba a liderança dos esforços na redução de emissões de gases com efeito de estufa.

Para tanto, vai ser colocado em prática um mecanismo de monitorização e reforço dos preditos planos, para assegurar que o limite de subida dos termómetros não será excedido. E, por outro lado, os países desenvolvidos prometem ampliar a ajuda às nações mais vulneráveis.

O documento, agora firmado, será aberto à subscrição formal dos países no próximo dia 22 de abril de 2016 – Dia da Terra. Para passar a ter força legal, tem de ser ratificado ou aceite por pelo menos 55 nações, representando no mínimo 55% das emissões globais de gases com efeito de estufa. E as suas disposições só entram em vigor em 2020.

As promessas de curto prazo, até 2030, apresentadas pelos diversos países põem, por ora, os termómetros rumo a um aumento de cerca de 3ºC. O processo de revisão previsto no acordo aumentar-lhe-á a ambição.

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A razão da sua consideração de acordo histórico, apesar das críticas de que lhe falta ambição, assenta no seu caráter universal e na ultrapassagem de divergências que tinham até agora impedido que se encontrasse um eficaz sucedâneo do Protocolo de Quioto.

Na manhã do passado dia 12, depois da derradeira noite de negociações, Laurent Fabius, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, anunciou que havia um texto final, consignando um compromisso entre todos os países – o que atraiu fortes aplausos da parte dos circunstantes, que se puseram de pé, causando emoção ao ministro anfitrião.

Não obstante, foram ainda necessárias horas suplementares para resolver algumas objeções finais e traduzir o acordo nas seis línguas oficiais da ONU. E, ao final da tarde do já referido dia 12, o plenário da conferência foi-se enchendo com ministros e negociadores visivelmente satisfeitos. E Laurent Fabius foi mais uma vez fortemente aplaudido. O clima era de festa, alívio e sensação do dever cumprido.

Hoje, dia 13 de dezembro, o Papa Francisco saudou, à oração do Angelus, a adoção por 195 países dum acordo sem precedentes de luta contra o aquecimento global e apelou a uma especial atenção aos “mais vulneráveis”, particularmente afetados pelas catástrofes ambientais.

Francisco sublinha o facto de a aplicação deste acordo histórico exigir “um compromisso unânime e um generoso empenho de cada um”. Por outro lado, defendendo a necessidade de garantir, neste âmbito e “com uma particular atenção”, o futuro das “populações mais vulneráveis”, exortou “a comunidade internacional na sua totalidade, a prosseguir, com empenho o caminho encetado, num sentimento duma solidariedade que deve ser sempre cada vez mais ativa”.

Também Edna Molewa, ministra do Ambiente da África do Sul, em nome do grupo dos países em desenvolvimento, o G77, declarou que “esta conferência representa a primeira na longa jornada que a comunidade global tem de fazer junta”. E Carole Dieschbourg, ministra luxemburguesa do Ambiente, em nome da União Europeia, afirmou ter assistido “a uma vontade política que me dá esperança de que podemos mudar o mundo juntos”.

Por seu turno, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, referiu que “é uma vitória para todo o planeta e as futuras gerações”. E o chefe da delegação chinesa, Xie Zhenhua, sentenciou: “Não é o acordo perfeito, há áreas que precisam ser melhoradas, mas isto não nos impede de iniciar uma marcha histórica avante”.

Também Kumi Naidoo, da Greenpeace, entende que “o acordo sozinho não nos tirará do buraco em que estamos, mas faz que a subida seja menos íngreme”. E a associação ambientalista portuguesa Quercus sustenta que, “com o Acordo de Paris, Portugal irá ter de rever também a sua política climática e energética”.

Do seu lado, os cientistas creem na urgência de reduzir a zero as emissões de CO2 até 2050. Teresa Anderson, da organização Action Aid International, disse que “os países vão poder continuar a poluir, cruzando os dados para que surja algo que possa sugar todo o CO2”. Outros, como Asad Rehman, dos Amigos da Terra, foram mais contundentes: “Colidimos com o iceberg, o navio está a afundar e a banda ainda está a tocar sob caloroso aplauso”.

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São os seguintes os pontos principais do acordo alcançado na COP21:

- Manter o aumento da temperatura média global “bem abaixo dos 2 graus centígrados (2ºC)”. Neste sentido, a comunidade internacional deve “continuar os esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 graus centígrados”.

O objetivo de 2ºC relativamente à era pré-industrial, definido em 2009, em Copenhaga, impõe a redução drástica das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) através de medidas de poupança de energia e de investimentos em energias renováveis. Não obstante, vários países ameaçados pela subida do nível do mar afirmam que mesmo com a limitação do aumento da temperatura a 1,5ºC já correm perigo.

- Dos 195 países, 186 anunciaram medidas para reduzir as emissões de GEE até 2025/2030. Mas, mesmo se forem praticadas, a subida do mercúrio irá até aos 3ºC. Por isso, o objetivo imediato é atingir “um pico das emissões de GEE o mais cedo possível” e, “em seguida, iniciar reduções rápidas (...) para chegar ao equilíbrio entre emissões” resultantes da atividade humana e as “absorvidas pelos sumidouros de carbono durante a segunda metade do século” (referência às florestas e a técnicas de captação e armazenamento de CO2 lançado para a atmosfera).

- Outro ponto essencial do acordo é a criação do mecanismo de revisão, de 5 em 5 anos, dos compromissos voluntários dos países. A primeira revisão obrigatória decorrerá em 2025 e as seguintes deverão assinalar a necessária e desejada “progressão”. Porém, antes disso, o painel intergovernamental de peritos do clima (GIEC) deverá elaborar um relatório especial em 2018 sobre os meios para chegar à meta de 1,5ºC e os efeitos deste aquecimento. Nesse ano, os 195 países farão uma primeira análise da ação coletiva e serão convidados em 2020 a rever, eventualmente, os contributos de cada um.

- Por outro lado, os países desenvolvidos “devem estar na linha da frente e estabelecer objetivos de redução das emissões em valores absolutos”, devendo “continuar a melhorar os esforços” de luta contra o aquecimento global, “à luz da sua situação nacional”.

- E, se até agora os países desenvolvidos estavam sujeitos a regras mais rigorosas em matéria de inventário e verificação das ações tomadas, o acordo atual prevê que o mesmo sistema seja aplicado a todas as nações signatárias – ponto muito importante para os Estados Unidos, mas estão “previstas flexibilidades” em razão das “diferentes capacidades” dos países.

- Em 2009, os países ricos prometeram disponibilizar 100 mil milhões de dólares por ano, a partir de 2020, para ajudar os países em desenvolvimento a financiar a transição para energias limpas e a adaptação aos efeitos do aquecimento, de que são as primeiras vítimas.

Agora, como defendido pelos países em desenvolvimento, o texto estabelece que a soma prevista é apenas “um teto”, sendo o novo objetivo monetário definido em 2025. E a fórmula proposta é a de que “os países desenvolvidos devem avançar os recursos financeiros para ajudar os países em desenvolvimento”, sendo as “terceiras partes” (país ou grupo de países) convidados a apoiar voluntariamente”.

- Quanto a “perdas e indemnizações”, o acordo tem um artigo consagrado a esta questão, o que constitui uma vitória para os países mais vulneráveis, como os Estados insulares. Trata-se da ajuda aos países atingidos pelos efeitos do aquecimento quando a adaptação (através de, por exemplo, sistemas de alerta meteorológicos, manipulação de sementes agrícolas, diques) não é possível: em causa estão perdas irreversíveis ligadas ao degelo dos glaciares ou à subida das águas.

O acordo reforça o mecanismo internacional “de Varsóvia”, cujos dispositivos operacionais esperam por elaboração. Entretanto, Washington, por receio de ações judiciárias devido à responsabilidade histórica no aquecimento global conseguiu incluir uma cláusula a estipular que o acordo “não servirá de base” para iniciar processos “de responsabilização ou compensações”.

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Em suma,

Um dos principais avanços do acordo é a referência ao limite de 1,5ºC, contra a meta dos 2ºC, que estava acordada internacionalmente. O seu objetivo é conter a subida dos termómetros a um valor “muito abaixo de 2ºC” e “prosseguir esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5ºC”, acima dos níveis pré-industriais.

Outra novidade é a de que será reforçada, em 2025, a meta de 100 mil milhões de dólares anuais (91.200 milhões de euros) de ajuda aos países em desenvolvimento, que já tinha sido prometida pelas nações ricas.

Também um dos pontos mais importantes do acordo – o saldo de emissões terá de ser nulo – é considerado, ao mesmo tempo, pelos observadores como o seu calcanhar de Aquiles, ao estabelecer que todos os países terão de atingir o pico das suas emissões “o mais cedo possível” e chegar, na segunda metade do século, ao “equilíbrio” entre emissões de gases com efeito de estufa e a sua remoção da atmosfera por “sumidouros” – florestas, por exemplo. É praticamente o acórdão de morte sobre os combustíveis fósseis, dado que, para chegar àquela situação, será preciso reduzir drástica ou totalmente o seu uso. Porém, a falta de estipulação de uma data para a redução de emissões deixa sérios pontos de interrogação.

Defendem os cientistas que não há tempo a perder, devendo ser, na sua ótica, as emissões de CO2 reduzidas a zero até 2050, se de facto se quer conter a subida do termómetro global abaixo de 1,5ºC, como fixa o acordo. E dizem que esse é um dos seus méritos mais substanciais.

Resta saber se vai funcionar o modelo que o Acordo de Paris inaugura, em que os países dizem o que vão fazer, sem que as Nações Unidas lhes imponham metas. Por agora, apresentou uma grande virtude, já que levou que todos os países – ricos e pobres – aceitassem fazer parte do esforço coletivo para suster as alterações climáticas. Mas o que foi prometido até agora não é suficiente e o primeiro teste do compromisso estará em fazer com que todos reforcem os seus contributos.

Sem isso, de nada adiantam os aplausos do passado dia 12. Será que a hipocrisia política e económica não se vai sobrepor à saúde do Planeta e ao bem-estar de seus íncolas?

2015.12.13 – Louro de Carvalho

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Depois da reforma

A velhice não deve significar o abandono de toda e qualquer tarefa e as empresas e os serviços públicos deveriam aproveitar a experiência de muitos reformados para várias tarefas.
Os reformados portugueses cada vez mais passam os dias fechados em casa, a ver televisão. É uma das conclusões de um estudo da socióloga e directora da Pordata Maria João Valente Rosa, feito a partir de um inquérito e a pedido da Fundação Inatel.
Para uma sociedade como a portuguesa, em crescente e rápido envelhecimento, não parece uma evolução saudável. Melhor seria que entre nós tivesse avançado o “envelhecimento activo”, implicando o exercício de actividades como voluntariado, trabalho a tempo parcial, etc.
A velhice, hoje, não deve significar o abandono de toda e qualquer tarefa, até porque os meios informáticos e electrónicos facilitam o teletrabalho.
As empresas e os serviços públicos deveriam aproveitar a experiência de muitos reformados e não apenas em tarefas intelectuais – por exemplo, ajudando na orientação de jovens trabalhadores. O que implica não continuar a desvalorizar profissionalmente as pessoas a partir de uma certa idade – às vezes, 50 e poucos anos.
E os próprios reformados só têm a ganhar em manterem-se parcialmente activos. Deveriam lutar por isso.
Fonte: aqui

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Bula!? O que é isso?

O Papa escreveu uma bula sobre a misericórdia. Se você  acha que "bula" só tem a ver com remédios, precisa ler esta explicação...









terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Reduzir a dor nos ossos


A dor nos ossos pode ter diversas origens, pois pode ser provocada por infecções, por doenças crónicas, por algum tipo de lesão ou de fractura. Contudo, independentemente de sua causa, sentir estas dores pode ser motivo suficiente de incapacidade e, com o passar do tempo, pode dar lugar ao desenvolvimento de condições mais graves.
Qualquer tipo de dor ou tensão em um ou vários ossos deve ser discutida com um especialista para determinar a sua origem e receber o tratamento adequado. No entanto, também podemos considerar algumas recomendações para reduzi-las de forma natural.

1. Chá de urtiga. Diminui os líquidos retidos nas articulações inflamadas e contém quantidades importantes de cálcio e magnésio, e minerais essenciais para fortalecer a saúde óssea. Preparar um chá de raiz seca de urtiga e tomar 3 xícaras por dia.
2. Ómega 3. Estes ácidos estão presentes em grandes quantidades em alimentos como o peixe azul, as sementes, as frutas secas e o azeite e têm uma acção positiva no tratamento da dor e da inflamação óssea.
3. Leite, gengibre e açafrão das Índias. O leite é uma fonte natural de cálcio e o gengibre e o açafrão desinfectam e acalmam a dor.
Fonte: aqui

Tigela de madeira

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A posição da Igreja Católica em relação à SIDA


Tendo em conta os graves problemas de largas regiões de África, abrangidas pelas situações de subnutrição, falta de água potável, doenças endémicas, divisões étnicas acentuadas pelo clima de guerra, é natural que os jornalistas tentem saber o que pensa o Papa no contexto de uma viagem apostólica a um dos costados e ao coração de África. Tal curiosidade mais se justifica em véspera da ocorrência do Dia Mundial de Luta contra a SIDA.

Com efeito, definido internacionalmente como dia de luta contra o flagelo, o dia 1 de dezembro é uma data que pretende mobilizar a união de forças diversas no mundo para a conscientização relativamente à síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA). Desde o final da década de 80 do século passado, o dia está inscrito na agenda de milhares de pessoas que se preocupam com a gravosidade e a extensão do flagelo, pois, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), nos fins de 2013, conviviam com o vírus da imunodeficiência humana (HIV), no Planeta, 35 milhões de pessoas, sendo que diariamente surgem cerca de 7500 novos casos.

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Em 2009, a Viagem Apostólica de Bento XVI a Camarões e Angola, 17 a 23 de março, ficou ofuscada pela incorreta perceção das palavras do Pontífice por parte da comunicação social na conferência de imprensa que deu aos jornalistas no voo de Roma para África.

O que aconteceu foi simplesmente uma resposta que o Papa ao tempo pontificante deu a Philippe Visseyrias, de France 2, que rotulava como irrealista e ineficaz a posição da Igreja católica sobre o modo de lutar contra a SIDA, um dos muitos males que atormentam a África.

Bento XVI contrariou o interpelante, referindo que o preservativo não era solução eficaz. E colocou a Igreja católica na rota do empenhamento pela “realidade mais eficiente, mais presente em primeira linha na luta contra a SIDA” através dos “seus movimentos” e “com as suas diversas realidades”. Deu como exemplo a Comunidade de Santo Egídio, os Camilianos e todas as Irmãs que estão à disposição dos doentes – que fazem tanto, “de modo visível e invisível também, na luta contra a SIDA”. Mais disse que “não se pode superar este problema da SIDA só com dinheiro, mesmo se necessário”; pois, “se não há a alma, se os africanos não ajudam (assumindo a responsabilidade pessoal), não se pode superá-lo (o problema) com a distribuição de preservativos: ao contrário, aumentam o problema”.

Depois, enunciou dois fatores, que, se bem conjugados, podem trazer alguma solução: a “humanização da sexualidade, isto é, uma renovação espiritual e humana que inclua um novo modo de comportar-se um com o outro”; e a “verdadeira amizade também e sobretudo pelas pessoas que sofrem, a disponibilidade à custa até de sacrifícios, de renúncias pessoais, para estar ao lado dos doentes”. Ora, a Igreja – disponibilizando “esta nossa dupla força de renovar o homem interiormente, de dar força espiritual e humana para um comportamento justo em relação ao próprio corpo e ao do outro, e esta capacidade de sofrer com os doentes, de permanecer presente nas situações de prova – dá “a resposta justa” e “deste modo presta uma grandíssima e importante contribuição”.

Nada de menos nem nada de mais disse. Todavia, queriam que o Papa Bento abençoasse o preservativo, que, a ser eficaz, não passa de um meio. E as reações não se fizeram esperar.

Suas palavras foram assustadoras… não conhece a África, é um criminoso… está ultrapassado… Não lhe saiu bem… – Foram palavras e expressões que saíram da boca ou da pena de alguns iluminados, como reação ao dito escândalo das afirmações papais. Já se sabe ao serviço de quem ou de quê andam esses paladinos e corifeus do politicamente correto. Uma palavra, no entanto, de apreço para quem, em nome da gradualidade, da apreciação moral “post factum” ou da teoria consistente de que é permitido o mal menor para que não advenha um mal maior, justifica o preservativo em muitos casos em concreto.

Contudo, vozes autorizadas deram cada vez mais razão ao Pontífice. Vejamos:

Assim, Edward C. Green, especialista em prevenção da SIDA do Centro de Harvard, naquele mesmo mês, assumiu a concordância com Bento XVI acerca do uso do preservativo dizendo que as alegadas polémicas declarações do Sumo Pontífice na visita a África estão “corretas”.

Bento XVI foi criticado pelo Governo alemão e pelo Governo francês por dizer que a SIDA em África “não pode ser ultrapassada com a distribuição de preservativos” e por alegadamente ter apelado à monogamia como forma de combater a propagação do VIH (o que não se lê no texto).

Por seu turno, a Federação Internacional de Planeamento Familiar chegou mesmo a dizer que as declarações do Santo Papa são “assustadoras”.

Porém, o insigne especialista de Harvard considerou que a distribuição do preservativo pode conduzir a uma supina “compensação de risco”. Green sublinhou que, uma vez protegidas com o preservativo, as pessoas tendem a assumir relações sexuais de maior risco. E, em entrevista à revista norte-americana National Review Online, citada pelo Times Online, declarou:

“Não encontrámos nenhuma associação consistente entre o uso do preservativo e menores taxas de infecção pelo VIH, que, em 25 anos de pandemia, deveríamos ter encontrado se esta intervenção estivesse a resultar”.

 

Green defendia que a redução do número de relações sexuais extraconjugais, bem como a redução da bigamia, combinadas com as relações conjugais de longa duração ou a circuncisão masculina, são a forma mais eficaz para prevenir a infecção com o vírus da SIDA. E esclareceu:

“A melhor e a última evidência empírica mostra que a redução do número de parceiros sexuais é o comportamento mais importante que tem relação com a redução da taxa de infeção por VIH”.

 

- (cf “Portugal Diário, edição on line, de 30 de Março de 2009)

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Também agora, a 30 de novembro, no voo de regresso de Bangui a Roma, o Papa Francisco foi questionado, no âmbito da conferência de imprensa aos jornalistas, sobre a SIDA.

Jürgen Baez, da DPA na África do Sul, lançou a questão com base no devaste que o flagelo vem fazendo na África, sendo a primeira causa de morte entre os jovens africanos, quando a cura ajuda hoje muitas pessoas a viver mais tempo. Por outro lado, apresentou dados do Uganda, segundo os quais só no ano passado se verificaram 135 mil novos contágios, adiantando que no Quénia a situação é absolutamente pior. Ora, tendo o Papa encontrado crianças seropositivas e tendo escutado um testemunho comovente no Uganda, sem que o Pontífice tivesse respondido com argumento convincente, e sabendo nós que a profilaxia não é suficiente e que a prevenção é fundamental, perguntou se não era este o momento de a Igreja mudar a sua postura a este respeito, consentindo o uso do preservativo a fim de prevenir ulteriores contágios.

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Segundo a nossa Comunicação Social, Francisco terá dito que a moral do uso do preservativo é “complicada” para a Igreja e o Papa não está com vontade de aprofundar o tema.

Perante esta ‘rica’ síntese, dei-me ao cuidado de ir ler as palavras de Bergoglio. E que li?

A questão é demasiado pequena e parcial. O preservativo é um dos métodos. E a moral da Igreja encontra-se neste aspeto perante “uma perplexidade” (bem diferente de “complicação”) ou dilema. Estão em causa o V e o VI mandamentos do decálogo, respetivamente sobre a defesa da vida e sobre a relação sexual aberta à vida. Mas, diz o Papa, este não é o problema. O problema é parabólico e equaciona-se com a reflexão sobre a pergunta dos fariseus a Jesus, “Mestre é lícito fazer curas ao sábado?” (Mt 12,10), a propósito do homem que tinha a mão paralisada (Mt 12,9-14; Mc 3,1-6; Lc 6,6-11). Jesus respondeu-lhes com duas perguntas, Qual de vós, se tiver uma ovelha e ela cair ao sábado num fosso, não a vai agarrar e tirar de lá?” e “Um homem não vale muito mais que uma ovelha?”, a que deu resposta tirando as consequências: “Por isso, é permitido praticar o bem, ao sábado. Então, disse ao homem: ‘Estende a tua mão’. Ele estendeu-a e a mão tornou-se sã como a outra.”.

Depois, Francisco continua em jeito de conclusão: “é obrigatório curar”. Porém, estendeu-se para problemas que estão na origem das epidemias: “a má nutrição, a exploração das pessoas, o trabalho escravo, a falta de água potável”. E ironizou lamentando que nós andemos a “questionar-nos se podemos usar a compressa ou coisa similar para uma pequena ferida” quando “a grande ferida é a injustiça social, a injustiça ambiental, a injustiça da exploração e da má nutrição.

E, declarando que não lhe agrada descer a reflexões casuísticas, quando as pessoas morrem por falta de água, pela fome e pelo habitat, explicitou parabolicamente:

“Quando todos estiverem curados ou quando não houver mais doenças trágicas que o homem provoca, seja pela injustiça social seja para ganhar mais dinheiro – pensemos no tráfico das armas! –, quando não houver destes problemas, creio que se poderá fazer uma pergunta, É lícito fazer curas ao sábado?”. Porém, agora há que perguntar, “Porque continuam a fabricar-se e a traficar-se amas?”. Com efeito, as guerras são a causa da maior mortalidade. E eu direi que não se pense na licitude ou não de curar ao sábado. Direi à humanidade: ‘Praticai a justiça, e quando todos estiverem curados, quando não houver injustiça neste mundo, poderemos falar do sábado.”

***

É óbvio que ninguém esperará que o Pontífice (este ou outro) venha a recomendar o preservativo, mesmo para prevenir a SIDA. Todavia, a diminuta importância dada ao caso, como a não crença na total eficácia do método, permite que alguns dos pastores mais próximos das pessoas problematizadas o tolerem e até aconselhem como meio ocasional de preservação da vida, ou seja, de prevenção eventual do contágio fragilizante até à morte – a quem não tem condições de resistência. E, sobretudo, post factum, não se deve anatematizar quem não resistiu.

Quanto ao mais, não esqueceremos que Francisco declarou recentemente que a falta de trabalho, teto e terra – com a fome, a angústia e todas as demais formas de injustiça social são causa dos diversos desmandos, incluindo o terrorismo. E, referindo-se ao continente africano, lamentou que as suas gentes e recursos estejam a ser objeto de exploração da parte das grandes potências políticas e dos grandes grupos económicos.

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o Papa João Paulo II, na IV Conferência Internacional sobre a SIDA em torno da questão “Viver, para quê?”, promovida pelo Pontifício Conselho para a Pastoral dos Agentes Sanitários, celebrada na Sala do Sínodo, no Vaticano, em 13, 14 e 15 de novembro de 1989, considerando o desafio da extensão do flagelo, propunha a eficaz prevenção da doença e o acompanhamento a prestar aos que estão afetados por ela. Todavia, a eficácia do combate e do tratamento passa pelo esforço comum na contribuição que deriva de “uma visão construtiva da dignidade da pessoa humana e de seu destino transcendente”. E o Papa de Cracóvia alertava para a existência de “uma espécie de imunodeficiência no plano dos valores existenciais, que não pode menos que reconhecer-se como uma verdadeira patologia do espírito”. Por isso, fixou dois objetivos; informar corretamente e educar para e pelos valores. Obviamente que esta educação implica tolerância, gradualismo, sensatez e alguma ascese, bem como resistência à exploração mercantil dos novos factos.

Por outro lado, há que promover uma prevenção construtivamente encaminhada a recuperar, sobretudo entre as jovens gerações, o pleno sentido da vida e o exultante fascínio da entrega generosa, de modo a favorecer um maior e mais amplo empenho no apoio e acompanhamento aos doentes de SIDA. Estes, na singularidade da sua situação patológica, têm direito, como qualquer outro doente, a receber da comunidade um tratamento idóneo, a compreensão respeitosa e uma solidariedade plena. A Igreja que, a exemplo do Fundador e Mestre, sempre considerou a proximidade junto de quem sofre como parte fundamental da sua missão, sente-se interpelada em primeira pessoa, neste novo campo do sofrimento humano, pela consciência que tem de que o homem que sofre é um caminho especial do seu magistério e ministério.

Além disso, o Pontífice orador não deixou de apelar aos homens da ciência para que se esforçassem por conter e por vencer este grave flagelo bem como aos profissionais e voluntários da saúde para que se dedicassem a apoiar e acompanhar os doentes com todo o tipo de meios.

Depois, salientou a importância do núcleo familiar como primeira estrutura de formação dos filhos para responsabilidade pessoal em todos seus aspetos, incluído o atinente aos problemas da sexualidade. A família pode efetivamente realizar a primeira e mais eficaz ação preventiva oferecendo aos filhos uma reta informação, preparando-os para escolher com responsabilidade os justos comportamentos tanto no âmbito individual como no social. Em relação às famílias que vivem no seu interior o drama da SIDA, João Paulo manifestou a compreensão pela difícil missão a qual estão chamadas e advertiu que “a perda do calor familiar provoca nos doentes de SIDA a diminuição e até a extinção daquela imunologia psicológica e espiritual que às vezes se revela no menos importante que a física para sustentar a capacidade de reação do sujeito”.

E convidou os professores e educadores a que se tornassem promotores, em estreita união com as famílias, de uma idónea e séria formação dos adolescentes e jovens. Propôs, especialmente às escolas católicas, uma programação orgânica da educação sanitária na qual, harmonizando os elementos da prevenção com os valores morais, se preparem os jovens para um correto estilo de vida, principal garantia da tutela da própria saúde e da dos demais. Na certeza de que aos educadores e professores foi confiada a responsabilidade de orientar as jovens gerações para uma autêntica cultura do amor, devem eles mesmos oferecer-se como guias e exemplos de fidelidade aos valores ideais que dão sentido à vida.

2015.12.01 – Louro de Carvalho

Holanda: Não ao Multiculturalismo

A Holanda, em que 6% da população é muçulmana rejeita agora o multiculturalismo. O governo holandês está cansado de ser pisado pelos muçulmanos e abandona o seu modelo de longa data de multiculturalismo, que não fez senão incentivar os imigrantes muçulmanos a criarem uma sociedade paralela e nociva dentro do país.
 
Um novo projecto de lei apresentado ao Parlamento pelo ministro do Interior holandês, Piet Hein Donner, em 16 de Junho, diz o seguinte:
 
"O governo partilha a insatisfação do povo holandês face ao modelo de uma sociedade multicultural na Holanda e manifesta a sua intenção de agora concentrar suas prioridades nos valores fundamentais do povo holandês. Sob o novo sistema de integração, os valores holandeses terão um papel fulcral e, portanto, o governo "não adere mais ao modelo de uma sociedade multicultural."
 
A proposta continua:
 
"Uma integração mais rigorosa é perfeitamente justificada porque isso é o que é exigido pelo Governo e todo o seu povo. Esta orientação é agora absolutamente necessária porque a sociedade holandesa está a desintegrar-se, em termos de identidade e já ninguém se sente em sua casa na Holanda. "A nova política de integração será muito mais exigente por com os imigrantes. Por exemplo, os imigrantes devem necessariamente aprender holandês e o governo holandês vai tomar medidas coercivas em relação aos imigrantes que ignoram os valores do país e desobedecem às leis holandesas.
 
Assim, Governo holandês vai deixar de dar subsídios especiais aos muçulmanos para os integrar (até porque, de qualquer forma, eles o não fazem) porque, segundo Donner, "não compete ao governo e aos fundos públicos a integração dos imigrantes. "
 
O projecto  prevê também a criação de legislação proibindo os casamentos forçados, bem como legislação impondo medidas severas para esses imigrantes muçulmanos que, por sua livre vontade, reduzem suas hipóteses de emprego pela maneira como se vestem. Especificamente, o Governo vai proibir, a partir de Janeiro 2016, o uso de roupas que cubram o rosto, como o véu, burca, hijab, etc.
 
A Holanda deu-se conta, talvez tardiamente, que o seu liberalismo multicultural está em vias de fazer do país um território de tribos do deserto que está prestes a matar as origens do país e a sua própria identidade.
 
O futuro da Austrália, Reino Unido, Canadá, Bélgica e França pode muito bem enquadrar-se neste texto!!! E o de Portugal também, enquanto não é demasiado tarde!
 (Recebido por email)

domingo, 29 de novembro de 2015

Abertura antecipada da Porta Santa


Decididamente o Papa Francisco está apostado no testemunho e no apostolado da misericórdia. Além de o tema da misericórdia e da ternura de Deus ser recorrente nas suas intervenções, o Papa lançou a Igreja no Jubileu Extraordinário da Misericórdia, a que acoplou a iniciativa de espalhar pelo mundo os missionários da misericórdia e deu à XXXI Jornada Mundial da Juventude (JMJ) o tema da misericórdia em torno da V bem-aventurança do Sermão da Montanha: Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (Mt 5,7).

Na sua prévia mensagem por vídeo à viagem apostólica ao Quénia, Uganda e República Centro-Africana, o Papa diz aos quenianos e ugandeses que vai até ao meio deles como “ministro do Evangelho para proclamar o amor de Jesus Cristo e a sua mensagem de reconciliação, perdão e paz”. Este amor de Cristo é misericórdia expressa na mensagem de reconciliação e perdão rumo à paz, dom de Deus e produto do esforço dos homens.

Mais adiante, afirma o seu objetivo de “confirmar a comunidade católica no seu culto a Deus e no seu testemunho do Evangelho”. Ora, sem o testemunho claro e empenhado dos crentes, a misericórdia de Deus ficaria obnubilada e o mundo, não a conhecendo, não tiraria qualquer benefício dela. É certo que Deus pode mudar, por Si próprio, o coração dos homens, contudo, o tornar necessária a mediação de homens junto dos homens e junto de Deus é uma outra forma de expressão da misericórdia divina.

Entretanto, o testemunho da misericórdia não se circunscreve a uma exposição de motivos da fé, por maior que seja o pode da palavra, ou a um exemplo de vida bondosa e orante, por mais necessário que seja para a edificação da Igreja. Implica necessariamente o ensino teórico-prático da “dignidade de cada homem e de cada mulher” e a exigência de abertura do nosso “coração aos outros, especialmente aos pobres e necessitados”.

Depois, o Bispo de Roma, na sua primeira visita a terras de África pretende “oferecer uma palavra de encorajamento” ao diálogo ecuménico e inter-religioso, convicto de que “vivemos uma época em que os fiéis das religiões e as pessoas de boa vontade em toda a parte são chamados a promover a compreensão e o respeito recíprocos e a ajudar-se uns aos outros como membros da nossa única família humana”. Ou seja, na firme crença de que todos somos filhos do único Deus misericordioso, Francisco prega a fraternidade universal e quer que todos embarquem nesta onda da ternura de Deus, o Pai comum. E, na esteira da paternidade divina, o paizinho da Igreja (papa, papá ou papai), tal como acaricia uma criança, também quer puxar pela juventude em qualquer lugar por onde passe – também no Quénia e Uganda – porque os jovens “são o vosso maior recurso e a nossa esperança mais promissora para um futuro de solidariedade, paz e progresso”. É a abertura do coração e do olhar a todos com a caridade evangélica e a justiça bíblica, como resposta à dicotomia aspiração-conflituosidade do mundo, sem discriminar ninguém, mas a começar pelos que mais precisam.

***

Em mensagem similar, o Papa, apresentando-se como “mensageiro da paz, dirige-se aos habitantes da República Centro-Africana. E o seu propósito é também o testemunho explícito da misericórdia. Verificando a continuada e nefasta situação de “violência e insegurança” por que vem passando o país, causando “inúmeras vítimas inocentes”, tem em vista levar, “em nome de Jesus, o alívio da consolação e da esperança” e “contribuir, de um modo ou de outro, para curar as vossas feridas e abrir um futuro mais sereno para a África Central e para todos os seus habitantes”. Como os profetas, os evangelistas e os apóstolos, no meio da miséria, da fome, da guerra e da iniquidade puderam anunciar a esperança e a salvação, também Francisco no meio dos povos, que reconhece como de Deus e seus, conforta, testemunha e faz esperar. 

A seguir, revela ao povo centro-africano o tema da sua viagem: passemos para a outra margem (Mc 4,35). A simbólica do Evangelho de passar de uma para a outra margem do lago sugere o convite, o apelo a deixar a situação de insegurança e de violência, que, no caso vertente, não são provocadas pelos elementos tempestuosos da natureza, como em Marcos ou hoje em muitas partes do Globo, mas pela ambição desmedida de riqueza e poder de alguns e pela impaciência de uns e submissão de outros. Porém, o Senhor que acalma o mar tem capacidade para, longe de anular a liberdade e a vontade dos homens, encorajar a mudança e a conversão.

Assim, Francisco apela às “comunidades cristãs” para que olhem “em frente com decisão” e a “cada um” para que renove “a sua relação com Deus e com os irmãos para edificar um mundo mais justo e fraterno”. Ao mesmo tempo, reitera o propósito de “fomentar o diálogo inter-religioso para encorajar a convivência pacífica” no país, afirmando “que isto é possível, em razão da fraternidade universal face à filiação comum em relação ao mesmo Deus.

E, para selar simbolicamente este apelo e testemunhar eloquentemente esta possibilidade de abertura ao “perdão genuíno”, à atitude de “dar” e “receber” e à “renovação no amor”, o Papa anunciou que iria abrir, por antecipação, em Bangui, o Ano Jubilar da Misericórdia, que vai ser inaugurado para toda a Igreja a 8 de dezembro.

Com efeito, a 29 de novembro, início do novo ano litúrgico e I Domingo do Advento, que significa o começo da caminhada de Deus ao encontro misericordioso com os homens por meio de Jesus Cristo, o romano Pontífice, no início da celebração eucarística na catedral de Bangui, depois do Ato Penitencial, procederá ao rito da Abertura da Porta da Misericórdia, rezando:

Senhor Deus, Pai de misericórdia, Vós concedeis à vossa Igreja este tempo de penitência e de perdão para que ela tenha a alegria de se renovar interiormente por obra do Espírito Santo e andar cada vez mais fielmente nos vossos caminhos, permanecendo no meio do mundo como sinal de salvação e de redenção; dignai-vos responder às nossas súplicas, abri-nos completamente a porta da vossa misericórdia, para se nos abrirem um dia as portas da vossa morada no céu, onde está Jesus, o primeiro da estirpe dos homens que nos precederam, para podermos todos em conjunto cantar-vos eternamente. Por Cristo Nosso Senhor. Ámen.

 

Depois, aproxima-se da Porta da Misericórdia e, enquanto bate à porta, estabelece diálogo orante:

Abri-me as portas da Justiça                              

R/ E entrarei e darei graças ao Senhor.

Esta é porta do senhor,

R/ Que entrem os justos

Eu entro na vossa casa, Senhor

R/ Voltado para o vosso templo, eu me prostrarei.

A seguir, o Santo Padre apoiado na Porta da Misericórdia reza em silêncio, após o que entra seguido pelos demais.

***

Embora pudesse ter maior impacto a abertura oficial do Ano Santo este rito de misericórdia desenvolvido num dos países de África esperançosa para o futuro da Igreja e da Humanidade, porém, de momento, uma das periferias existenciais, todavia este gesto simbólico de Francisco não deixa de ter um enorme significado. Prega-se e reza-se a misericórdia onde é necessário, independentemente do lugar ou do momento, sendo apenas necessário que os homens sintam que precisam dela e acreditem nela. E as ações eclesiais valem por si mesmas quer sejam lançadas em Roma e a partir de Roma quer em e a partir de qualquer outra parte do mundo. Não estamos perante um fenómeno de descentralização ou desconcentração política ou económica, mas do pulsar da Igreja sob o impulso do Espírito com Pedro e com os demais membros da família universal.

Pelos vistos, Francisco deseja que em todo o mundo – e não só em Roma – se abram as portas santas da misericórdia. Ele próprio pensa passar pela Porta da Misericórdia por ocasião da Jornada Mundial da Juventude 2016. Com efeito, segundo informação do cardeal Stanislaw Rylko, será instalada a simbólica Porta Santa no Campus Misericordiae, onde decorrerá a vigília e a missa de encerramento da JMJ – ambas sob a presidência do Papa.

O purpurado afirmou que o Santo Padre, seguido de alguns jovens, passará pela Porta Santa logo no início da vigília de oração, a 30 de julho. E, no dia 31, último domingo de julho após a celebração da eucaristia, “entregará a cinco casais de jovens, vindos dos cinco continentes, lâmpadas acesas, símbolo do fogo que trouxe a misericórdia de Cristo, além de enviar os jovens de todo o mundo como testemunhas e missionários da Divina Misericórdia”.

É de recordar que a JMJ Cracóvia 2016 decorrerá em pleno Jubileu Extraordinário, sendo que os temas de ambos os eventos se interpenetram, segundo o cardeal, “de modo muito oportuno”. Tanto assim é que, tornando-se a JMJ de 2016 um verdadeiro Jubileu dos jovens a nível mundial, o seu epicentro espiritual será o Santuário da Divina Misericórdia e de Santa Faustina Kowalska – conhecida como a ‘Apóstola da Misericórdia’ – inaugurado em 2002 pelo insigne promotor deste intenso testemunho orante e missionário: São João Paulo II, o Papa polaco.

Os participantes na JMJ de Cracóvia poderão visitar aquele santuário e integrar-se no desenvolvimento de um programa especial, que inclui a meditação das parábolas do Evangelho da Misericórdia Divina (sobretudo o cap. 15 de Lucas) e do Rosário da Divina Misericórdia, podendo, no final, passar pela Porta Santa do Jubileu e ganhar a indulgência jubilar. Para o efeito, será instalado, neste lugar, o grande “Centro da Misericórdia”, que disponibilizará muitos confessionários para que os jovens se aproximem do Sacramento da Reconciliação.

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O Papa Francisco prega incessantemente a misericórdia, mas não se refugia nela como que num cantinho abrigado. Ao invés, segue Urbi et Orbi as consequências desta bem-aventurança: desde logo, a limpidez de coração para olhar para o homem e para o mundo; depois e ao mesmo tempo, a construção da paz, para podemos ser chamados filhos de Deus e, como corolário imperativo, a luta oportuna e importuna pela justiça (cf Mt 5,8-10; Lc 6,20-26).

Francisco não se cingiu à leitura dos livros teológicos, mas passou ao múnus de pastor. E foi, não na leitura dos escritos de Rousseau ou de Marx e fãs, mas no Evangelho, lido e meditado, no âmbito de todo o contexto bíblico e a olhar o mundo de opressão e repressão, que aprendeu a força da razão dos pobres, dos explorados, dos enjeitados. E aí ganhou ânimo para clamar:

Levantai a cabeça, porque a vossa redenção está próxima (Lc 21,28)!

2015.11.28 – Louro de Carvalho

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Luigi Negri, obispo italiano: "Francisco debe tener el mismo final que el otro Papa"

Resistências às reformas do Papa Francisco. Já não se manifestam em surdina.
Há muitos hierarcas incomodados com o Papa Francisco e as suas reformas. Em Itália e por todo o mundo.


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